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S579v Variação na apresentação do dativo e do acusativo em Feira de Santana / Deyse Edberg Ribeiro Silva. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual de Feira de Santana, Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos, 2016.

Figura 01 -  Representação espacial do município baiano de Feira de Santana, com o  encontro das BR’s 116 e 324.....................................................................
Figura 01 - Representação espacial do município baiano de Feira de Santana, com o encontro das BR’s 116 e 324.....................................................................

LINGUÍSTICA: BREVE HISTÓRIA

No final do século XVIII, foram desenvolvidos estudos históricos sistemáticos baseados em comparações entre línguas. Os estudos linguísticos foram desenvolvidos com base no método comparativo, onde merecem destaque nomes como William Jones, Franz Bopp, Jacob Grimm, etc.

A MUDANÇA LINGUÍSTICA

Sobre o tratamento da mudança

Ao retomar a discussão no texto de Weinreich, Labov e Herzog Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística, nos é oferecida uma nova forma de pensar a história das línguas. Existem estudos que abrangem a Teoria da Variação e Mudança de Labov e a Teoria Generativa, como é o caso da Sociolinguística Paramétrica.

Os níveis de mudanças linguísticas

A SOCIOLINGUÍSTICA QUANTITATIVA

A heterogeneidade linguística

As variedades diatópicas são aquelas que têm relação direta com a região, ou seja, variedades geográficas e “ocorrem no plano horizontal da língua, na competição entre comunidades linguísticas, sendo responsáveis ​​pelos chamados regionalismos, originários de dialetos ou discursos locais”. As variedades diastráticas são variedades socioculturais e ocorrem num plano vertical da língua, ou seja, “dentro da língua de uma determinada comunidade (cidade ou rural)” (Monteiro, 2000, p. 18-19).

A variação e a mudança linguísticas sob a perspectiva da

Para estudar a variação e a mudança linguística, William Labov utilizou um recurso metodológico que melhor reflete a noção de mudança linguística. Fatores sociais são importantes na formação do PB e podem explicar questões relacionadas à disparidade entre BP e PE, por exemplo.

O PANORAMA PLURIÉTNICO E PLURILÍNGUE: PORTUGUESES,

As vertentes do Português Brasileiro

Do ponto de vista histórico, o OP tem uma formação polarizada, desta polarização separam-se duas vertentes, a cultural e a popular, ambas com origens diferentes. Mas devido à falta de documentos históricos que o guardem, o português popular tem sido recentemente estudado numa perspectiva histórica.

PROPOSTAS TEÓRICAS PARA UM ESTUDO SOBRE A GÊNESE DO

A Deriva Secular

As Cruzadas (XI-XIV)9, no período da Idade Média, favoreceram o contato com povos da Europa, do Norte da África e do Oriente Médio de modo que, antes do descobrimento do Brasil (século XVI), os portugueses já possuíam uma comunicação verbal. usado. sistema principalmente de base lexical românica, com o objectivo de estabelecer comunicação em situações de contacto, tanto no Médio Oriente como no Norte de África e, "este conhecimento, claro, era um sistema extremamente flexível, capaz de incluir itens de diferentes línguas românicas". línguas (ou mesmo árabe)” (NARO; SCHERRE, 2007, p. 27). Nesse sentido, Naro e Scherre (2007, p. 28) são de opinião que, muito antes do contato com os índios, os portugueses já utilizava um sistema linguístico simplificado para se comunicar em situações de tomada e conquista de novos territórios e uso de mãos de trabalho cativo. . À luz das investigações sobre esse contexto na história do Brasil, ag Vogt e Fry (1996), entre outros , Naro e Scherre (2007, p. 31-32) a existência de uma língua pidgin no Brasil como improvável, pois seria "indispensável dada a existência de outras" línguas comuns ", com bases não europeias, que já atendiam aos requisitos necessidades comunicativas da população.

A proposta resume-se, portanto, a: UMA CONFERÊNCIA DE MOTIVOS, em que alguns são mais fortes no início do processo histórico, enquanto outros são mais importantes nas fases históricas seguintes (NARO; SCHERRE, 2007, p. 69).

O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO E ESCOLARIZAÇÃO: UMA

Nesse sentido, os autores enfatizam que os fenômenos variáveis ​​do PB vieram de Portugal, e as condições sócio-históricas que prevaleceram no período do Brasil colonial aceleraram o processo de nativização12 da língua portuguesa por comunidades das mais diversas e exageradas culturas. Portanto, fica claro que o processo de escolarização no Brasil não sofreu padronização, reconhecendo-se desde o início a incerteza do sistema educacional brasileiro. Com base na citação acima, é possível refletirmos sobre a escolarização, relacionando-a com o cenário em que o português foi inicialmente adquirido pelos escravos, e posteriormente espalhado por toda a região, sem passar por um processo de padronização, daí a incerteza da cultura brasileira. sistema de ensino, que mantém as linhas de aprendizagem não regular.

Na década de 1960, o panorama brasileiro passou a incluir as classes menos privilegiadas no processo educacional.

A SÓCIO-HISTÓRIA DE FEIRA DE SANTANA

Ocupação e povoamento do município feirense

Feira de Santana serviu durante muitos anos como local de descanso de vaqueiros e pecuaristas vindos de todas as regiões do País. Portanto, apesar de ser um centro urbano de médio porte, creio que há maior integração entre campo e cidade em Feira de Santana. Ao longo dos anos, a população de Feira de Santana manteve seus números em sentido crescente em relação à expansão populacional.

Atualmente, Feira de Santana continua sendo um município com comércio ativo e uma cidade com forte economia local.

Figura 3: Feira de Santana, evolução da população de 1950 a 1996.
Figura 3: Feira de Santana, evolução da população de 1950 a 1996.

O contato linguístico em Feira de Santana

As observações baseiam-se no princípio de que o linguístico reflete o social e, portanto, a sócio-história da comunidade em questão também é válida como quadro para explicações linguísticas, especialmente no que diz respeito ao contato entre os dialetos rurais e urbanos que aqui chegaram. Na verdade, a principal motivação para a migração é a procura de melhores condições de vida: trabalho estável, cuidados de saúde e educação para as crianças que não estão disponíveis na maioria das zonas rurais. Nesse sentido, é relevante na pesquisa em questão examinar a história desse contato, para descobrir as motivações externas que resultam nos processos de variação e mudança no português brasileiro e especialmente no português falado em Feira de Santana. para associar isso ao contato dialetal.

REVISÃO DE BIBLIOGRAFIA

ESTUDOS SOBRE O USO VARIÁVEL DO LHE NO PORTUGUÊS

O uso do lhe como acusativo em variedades do português falado no Brasil

Ao contrário do que prescreve a tradição gramatical, o uso do clítico alterna entre dativo e acusativo. Em seu corpus, composto pelas falas de 36 informantes, Almeida encontra um uso bastante equilibrado entre as variantes te e ler, ressaltando que no SSA o clítico alterna entre dativo e acusativo, ao contrário do que prescreve a gramática tradicional (2009, p. . 9). Alguns estudiosos têm explorado a ideia de 'uso inovador' do clítico lhe como objeto acusativo, mas Oliveira (2003) justifica o uso do lhe como DO pela hipótese de recategorização.

Com base nos estudos aqui mencionados anteriormente, fica claro que a alternância linguística entre a representação do clítico na posição dativa e acusativa existe no português brasileiro e tem sido objeto de diversos trabalhos científicos de cunho variacionista, em particular.

O COMPLEMENTO DATIVO NO PORTUGUÊS EUROPEU

No EP o complemento dativo é regido pela preposição “a” e há também o duplo do objeto indireto, fato pouco comum no PB. No PB, a preposição deixa de ser ambígua, enquanto os clíticos deixam de ser utilizados para se referir à 3ª pessoa, fazendo com que o fenômeno da alternância dativa desapareça do PB. 2009) constatou a ocorrência da construção do duplo objeto no português brasileiro popular falado em comunidades rurais de afrodescendentes:. Segundo o autor, a ocorrência da construção do objeto duplo no português popular brasileiro é uma inovação, pois se configura como um processo de gramaticalização “de uma estrutura original no universo do desenvolvimento histórico da língua portuguesa”.

Lucchesi afirma ainda que a duplicação do objeto indireto no PB é fortemente influenciada pelo contato que teve com as línguas indígenas.

ALGUMAS QUESTÕES CENTRAIS DA PESQUISA

Objetivo geral

Objetivos específicos

Este modelo teórico permite-nos relacionar os resultados obtidos com a sociedade estudada, uma vez que se baseia em dados recolhidos junto de grupos de indivíduos representativos da sociedade, o que nos permite “[..] compreender a sua sistemática, a sua adequação linguística e social e sua possível relação com a mudança linguística” (GUY E ZILLES, 2007, p. 73), acrescentando um estudo qualitativo preliminar à análise quantitativa. Abaixo segue uma descrição mais detalhada dos procedimentos metodológicos utilizados para coletar dados e analisar as formas de representação do objeto direto e indireto de referência à segunda pessoa do singular, no português falado em Feira de Santana.

O CORPUS

A escolha dos falantes

22 A ideia utilizada para distinguir entre informantes populares e cultos da Feira é discutida neste capítulo, nas seções 5.4.3.1 e 5.4.3.2. A tabela a seguir resume informações gerais sobre os informantes da primeira fase do estudo. No que diz respeito aos informantes migrantes, a tabela a seguir apresenta informações gerais consideradas importantes para o estudo, como a localização de origem de cada indivíduo.

Os informantes que compuseram esta primeira fase do trabalho são os apresentados nas três tabelas acima (cf. tabelas 04, 05 e 06).

Figura 06: Esquema de estratificação da amostra
Figura 06: Esquema de estratificação da amostra

A escolha dos dados

Os informantes foram informados sobre a gravação de sua fala e solicitaram autorização27 para uso expresso. As duas fases de coleta não foram realizadas com os mesmos informantes, pois as fases de fala espontânea (primeira fase) foram realizadas há aproximadamente três anos. A segunda fase, que é uma pesquisa dirigida a cada informante individual, realizada com duração média de 20 minutos.

A VARIÁVEL DEPENDENTE

Para representação do acusativo

Para representação do dativo

O uso variável de clíticos te e hem como objetos diretos de referência à segunda pessoa do singular. Para possibilitar a execução das etapas do programa GoldVarb X, foram criados dois esquemas binários com as variáveis ​​mais utilizadas na comunidade. Os tópicos a seguir demonstram as variáveis ​​dependentes com suas respectivas variantes e os eventos que as ilustram. eu).

GRUPOS DE FATORES CONDICIONANTES

Os grupos de fatores linguísticos

  • Preenchimento do Sujeito
  • Faixa etária
  • Sexo
  • Escolaridade

O ponto de partida foi a hipótese de que os informantes mais jovens, da norma popular, por terem perfil “mais urbano”, segundo a norma padrão, apresentam os maiores índices de formas objetivas que se referem ao interlocutor. Em geral, pesquisas desta natureza apontam as mulheres como mais conservadoras nas formas que pertencem à norma padronizada, em detrimento das formas recém-criadas. Em síntese, relativamente à variável em questão, parte-se da hipótese de que as mulheres utilizam as formas mais conservadoras para representar o objeto acusativo e dativo na comunidade feirense, por outro lado, os homens tendem a utilizar as formas menos conservadoras para o objetivo formas ao se referir ao interlocutor.

Consideramos necessário controlar a variante relacionando-a com a norma popular através do reconhecimento deste maior uso do vernáculo, o que favorece o uso de formas inovadoras da língua.

Figura 07: Esquema de controle da variável faixa etária
Figura 07: Esquema de controle da variável faixa etária

SUPORTE PARA O PROCESSAMENTO DOS DADOS: O GOLDVARB X 88

Cada orador adapta constantemente os seus hábitos de fala aos do seu interlocutor; ele abandona as formas que usou, adota novas e, talvez mais frequentemente do que tudo, muda a frequência das formas faladas sem abandonar inteiramente as antigas ou aceitar quaisquer que sejam realmente novas para ele.

RESULTADOS GERAIS DAS VARIANTES

As estratégias para representar o objeto acusativo de segunda pessoa em

Desta representação geral dos dados representativos de (OD), deduz-se que em Feira de Santana há preferência pelo clítico 'ele', como representação do objeto acusativo, com. A distribuição apresentada nos gráficos 02 e 03 das formas de representação do objeto direto e indireto de segunda pessoa mostra que os clíticos chá e argila são frequentemente utilizados pelos falantes de Feira. Quem te viu, quem te vê: a expressão do objeto acusativo de referência à segunda pessoa na fala de Salvador.

Concordância verbal no português falado em Feira de Santana - BA: sociolinguística e história do português brasileiro.

Gráfico 03: Distribuição geral da representação do objeto indireto   em função das variantes linguísticas
Gráfico 03: Distribuição geral da representação do objeto indireto em função das variantes linguísticas

A ALTERNÂNCIA ENTRE TE E LHE PARA REPRESENTAÇÃO DO

A faixa etária dos informantes

Dos resultados apresentados na Tabela 4, dá-se preferência ao uso do clítico como forma de se referir ao interlocutor, com número de 268/483 ocorrências e frequência de 55,5%. Porém, se compararmos o uso de ele entre a banda II e os mais jovens, notamos que os mais jovens preferem utilizar este clítico. Estudos sobre o fenômeno em El Salvador também mostraram uma maior utilização dessa forma de preenchimento de disciplinas pelos idosos, outro achado também confirmado na amostra deste estudo, visto que os feirenses com mais de 65 anos utilizam com maior frequência o clítico.

O gráfico mostra um padrão decrescente de utilização do clítico, com proporção decrescente quanto mais jovem for a faixa etária.

Tabela 04: Atuação da variável faixa etária no uso dos clíticos te e lhe como representantes do objeto na forma  de segunda pessoa
Tabela 04: Atuação da variável faixa etária no uso dos clíticos te e lhe como representantes do objeto na forma de segunda pessoa

Escolaridade dos informantes

A frequência de utilização de seu clítico como objeto de referência para o interlocutor é mais frequente entre falantes com mais de 65 anos (faixa III), com baixa escolaridade. O conjunto de fatores selecionados para o desenvolvimento de clíticos como OD e OI tinha caráter linguístico. Nesse período, percebemos que em Feira de Santana existiam outras estratégias além do clítico para representar OD e OI, referindo-se à segunda pessoa.

A mudança do pronome oblíquo ele como objeto acusativo no discurso popular e culto: notas sobre o caso Feira de Santana.

Tabela  06:  Resultado  dos  clíticos  te  e  lhe  após  o  cruzamento  entre  os  grupos  de  fatores  faixa  etária  e  escolaridade
Tabela 06: Resultado dos clíticos te e lhe após o cruzamento entre os grupos de fatores faixa etária e escolaridade

Imagem

Figura 01 -  Representação espacial do município baiano de Feira de Santana, com o  encontro das BR’s 116 e 324.....................................................................
Figura 1: Representação espacial do município baiano de Feira de Santana, com o encontro das   BR’s 116 e 324
Figura 2: Localização da Região Metropolitana de Feira de Santana.
Figura 3: Feira de Santana, evolução da população de 1950 a 1996.
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Referências

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No entanto ele se aproxima dos outros porque, apesar dos insultos não se constituírem nem em circunstância agravante ao delito, ainda assim o advogado de Bonifácio, o ofendido, insistiu