Objetivos: Avaliar a associação entre sobrecarga doméstica e ocorrência de transtornos mentais comuns em mulheres de Feira de Santana - BA. Avaliar a prevalência de transtornos mentais comuns em mulheres em relação à sobrecarga doméstica associada a aspectos sociodemográficos, condições de vida e atuação profissional.
Geral
Específicos
Sobrecarga Doméstica: o invisível e desvalorizado trabalho das mulheres
Mulher no mercado de trabalho: enfrentamento e novas perspectivas
No cenário brasileiro, 41,9% da população economicamente ativa estava ocupada ou desempregada no mercado de trabalho em 2001. Da análise crítica dos aspectos acima mencionados, emergiu uma reflexão sobre um conceito mais amplo de trabalho – que pudesse abranger o trabalho doméstico e suas interações com a reprodução social.
Impacto da dupla jornada de trabalho para as mulheres: saúde e família
Além disso, o acúmulo de tarefas decorrentes da dupla jornada de trabalho para as mulheres pode ser entendido não apenas como a naturalização das atividades domésticas no estado feminino, mas também como uma vantagem masculina que facilita a ausência dos homens nessas atividades, mesmo que seja apenas uma. Desta forma, é de fundamental importância refletir sobre o conflito entre a instituição familiar e a posição da mulher no mercado de trabalho.
Saúde mental das mulheres: contexto dos transtornos mentais comuns
Vários estudos em outros países demonstraram que usuários frequentes de cuidados de saúde apresentam doenças físicas e mentais comórbidas e que a maioria dos diagnosticados com depressão são mulheres (FLECK et al., 2002). Esses transtornos mentais referem-se a condições de saúde com sintomas proeminentes que causam prejuízos funcionais comparáveis ou até piores que as condições estabelecidas.
Instrumento de avaliação dos Transtornos Mentais Comuns
A prevalência global de transtornos psiquiátricos menores (DPM) foi de 24,6% entre dentistas e 19,1% entre professores. Na empresa A a prevalência de distúrbios psicológicos e emocionais foi de 30%, na empresa B foi de 13% e na empresa C foi de 21%.
Caracterização do estudo
Tipo de estudo
Vantagens e desvantagens do estudo
Campo do estudo
População de estudo
Portanto, com base nos parâmetros citados acima, concluiu-se que o estudo conseguiu analisar satisfatoriamente a relação de interesse (carga doméstica e TMC). Para o estudo da sobrecarga doméstica e saúde mental, foram avaliadas todas as 2.057 mulheres residentes em 1.479 domicílios selecionados para o estudo em cinco subdistritos da zona urbana de Feira de Santana. Foram consideradas elegíveis para o estudo todas as mulheres com 15 anos ou mais que moravam em domicílios nas ruas selecionadas.
Métodos e instrumentos da coleta de dados
Primeiramente foi realizado um levantamento dos dados populacionais de cada subdistrito e a definição geográfica de cada área. Todos os domicílios das ruas selecionadas foram visitados e todas as mulheres com 15 anos ou mais foram entrevistadas. A coleta de dados foi realizada em todos os subdistritos de Feira de Santana por pessoas capacitadas para esse fim, no período de novembro de 2001 a fevereiro de 2002.
Para testar os instrumentos de coleta de dados e adequar as questões e comportamentos à realidade da população estudada, foi realizado um estudo piloto no bairro Baraúnas, cujos resultados foram publicados por Araújo et al. (2002).
Variáveis do estudo
Variável dependente
Também foi realizada análise do desempenho e do ponto de corte do SRQ-20 por sexo e foram observadas diferenças entre os pontos de corte para suspeita de TMC entre homens e mulheres. Para as mulheres, estimou-se o ponto de corte “ótimo”, ou seja, onde houve melhor equilíbrio entre sensibilidade (64,5%) e especificidade (64,5%) no ponto 7, com área sob a curva de 0,708, com um desvio padrão . de 0,069 e intervalo de confiança de 95%. Nos homens, melhor ponto de corte foi estimado no escore 5, com sensibilidade de 80%, especificidade de 83,4% e área sob a curva de 0,919 estimada com imprecisão devido ao pequeno tamanho da amostra neste grupo.
Avaliação e estimativa de pontos de corte do Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) em estudo de base populacional” que está em processo de submissão para publicação.
Variável independent
Assim, neste estudo o ponto de corte utilizado para o SRQ-20 foi de 7 ou mais respostas positivas, o que, apesar de ser considerado aceitável, reconhece sua limitação. Para análise estratificada e multivariada, esta variável foi tomada como dicotômica – alta carga doméstica (representando as mulheres que assumiam a maior parte das tarefas domésticas) e baixa carga doméstica (representando as mulheres que não realizavam atividades domésticas ou as realizavam moderadamente).
Co-variáveis
A variável deformação foi avaliada inicialmente em três categorias construídas a partir da divisão da distribuição dos valores obtidos em tercis: alta deformação, média deformação e baixa deformação. Após a produção, esses indicadores foram mensurados em tercis através das categorias: bom, médio e ruim.
Análise e interpretação dos dados
Posteriormente, foi realizada análise de regressão logística múltipla (ARLM) para avaliação simultânea das variáveis estudadas. A regressão logística é adequada para analisar a relação entre uma variável dependente binária e variáveis discretas ou contínuas, permitindo estimar a contribuição independente das variáveis incluídas na análise, com o objetivo de prever ou predizer o efeito em estudo. A ARLM foi realizada conforme procedimentos recomendados por Hosmer e Lemeshow (1989), e incluiu as seguintes etapas: .. 1a) Seleção das variáveis dos objetivos da pesquisa e busca na literatura, bem como análise do banco de dados; .. 2e) Verificação dos pressupostos do modelo; .. 3e) Pré-seleção de variáveis para inclusão na análise via teste de razão de probabilidade, assumindo valor de p. ª) Análise de modificação de efeito, introduzindo termos de produto, utilizando o teste de máxima probabilidade para comparar o modelo completo; .. 5e) Análise de confusão das variáveis (exceto aquelas confirmadas como modificadoras de efeito no modelo principal), comparando as medidas de associação e respectivos intervalos de confiança do modelo completo como resultado da remoção de qualquer potencial confundidor;
6.) O próprio ARLM, utilizando o procedimento Backward adotando o critério de significância p<0,10, chega ao modelo completo; .. 7.) Análise de resíduos e diagnóstico de regressão logística múltipla.
Aspectos éticos
Principais características das mulheres
Distribuição da sobrecarga doméstica entre as mulheres
O congestionamento doméstico aumentou com condições de moradia inseguras: mulheres que relataram ter boas condições de moradia, 56,0%. Entre as mulheres chefes de família, observou-se menor proporção de sobrecarga doméstica elevada: 21,9% versus 36,6% entre as mulheres que não eram chefes de família. A ajuda nas tarefas domésticas também foi um fator importante na redução da carga doméstica: entre as mulheres que tinham ajuda doméstica, 10,2% tinham uma carga doméstica elevada, em comparação com 44,6% para aquelas que não tinham ajuda.
Ao avaliarmos a carga de trabalho domiciliar por ocupação, percebemos uma confirmação dos dados anteriores, pois é de 49,1% entre as donas de casa.
Distribuição dos Transtornos Mentais Comuns (TMC) entre as mulheres
O mapeamento da prevalência de transtornos mentais segundo os subdistritos do município de Feira de Santana revelou maior prevalência de TMC no subdistrito de Pampalona (46,9%) seguido de Santana (40,1%). Quanto ao número de filhos, observou-se que à medida que aumentava o número de filhos, aumentava a prevalência de TMC (TABELA 8). Observou-se também que a ajuda doméstica remunerada esteve associada a uma menor prevalência de TMC (28,0%), enquanto alta prevalência foi encontrada quando a entrevistada não tinha ajuda (47,0%) ou havia cooperado apenas com um homem (48,0%) (TABELA 9 ).
Em relação ao trabalho profissional, a prevalência de transtornos mentais foi relativamente elevada entre aqueles que não tinham emprego (40,5%).
Sobrecarga Doméstica (SD) e Transtornos Mentais Comuns (TMC) entre as
Análise estratificada
Verificou-se que a posse de bens duráveis aumenta a magnitude do efeito da sobrecarga doméstica na ocorrência de transtornos mentais em mulheres para um nível estatisticamente significativo, mostrando que é um modificador de efeito para a principal associação examinada. Algumas características do trabalho doméstico parecem acentuar o efeito da sobrecarga doméstica sobre os transtornos mentais (TABELA 14). Para o trabalho profissional, a ocupação foi um modificador no momento da pesquisa na relação entre excesso de trabalho doméstico e TMC (TABELA 15).
O ajuste pelas variáveis escolaridade, tempo livre, renda, empregada doméstica remunerada e ter filhos, covariáveis definidas como de confusão, não alterou o sentido da associação estudada: a associação entre sobrecarga domiciliar e transtornos mentais frequentes manteve-se positiva em níveis estatisticamente significativos (TABELA 17).
Análise de Regressão Logística Múltipla (ARLM)
A regressão logística permitiu avaliar simultaneamente modificadores de efeito na associação entre sobrecarga doméstica e transtornos mentais comuns em mulheres. O modelo final obtido inclui as variáveis: carga domiciliar (SD), escolaridade (ESCDIC), renda (RENDADIC) e tempo livre (RENT). Foi encontrada associação entre sobrecarga domiciliar e transtornos mentais comuns em mulheres, mesmo após ajuste para todas as variáveis de confusão.
Em última análise, a análise de regressão logística revelou que as mulheres expostas a elevada carga doméstica tinham uma prevalência mais elevada de perturbações mentais comuns (1,23 vezes) do que as mulheres em situações de baixa a média carga doméstica (TABELA 20).
Limites do Estudo
No que diz respeito à avaliação da sobrecarga doméstica, destacam-se dois pontos: a difícil avaliação do trabalho doméstico devido às suas características multidimensionais e multidirecionais; e o outro ponto refere-se, conforme apontado por Aquino (1996), às dificuldades em considerar a exposição atual como proxy da exposição anterior, uma vez que mudanças objetivas e subjetivas ocorrem ao longo da vida em relação ao trabalho doméstico.
Resumo dos principais resultados
O modelo final não mostrou interação estatística entre as covariáveis e a associação estudada, mas mostrou associação positiva entre sobrecargas domésticas e transtornos mentais comuns em mulheres, mesmo após ajuste para tempo de lazer, escolaridade e renda.
Transtornos Mentais Comuns: um agravo emergente entre as mulheres
As questões relacionadas às relações familiares foram achados importantes, pois as mulheres chefes de família estavam mais expostas à ocorrência de transtornos mentais. Situações que imbuem devoção, abdicação numa realidade ainda mais recente para as mulheres, que podem configurar sentimentos de medo e ansiedade com possíveis consequências para a sua saúde. Embora as mulheres, por outro lado, queiram constituir família, querem ser independentes e viver as suas vidas.
Assim, apesar das recentes mudanças nos papéis familiares, as mulheres ainda são as principais responsáveis pelas tarefas domésticas e pela reprodução e criação dos filhos, o que implica um acúmulo de funções repetitivas e indispensáveis (CHAGAS et al., 2005).
Sobrecarga doméstica: confirmação de uma realidade feminina
Na mesma direção, estudos mostram que as mulheres com elevada carga de trabalho no agregado familiar têm rendimentos muito mais baixos. Frankenhaeuser (1991) constatou em sua pesquisa que a distribuição do trabalho em casa, no tempo disponível para descanso, permanecia essencialmente a mesma mesmo quando a mulher ingressava no mercado de trabalho, acarretando uma pesada carga de trabalho geral para as mulheres. Esta situação económica confirma que, mesmo que as mulheres não estejam incluídas no mercado de trabalho, têm uma carga de trabalho elevada. O problema, portanto, é reconhecer o trabalho doméstico como tal.
Em suma, pode-se dizer que as mulheres, independentemente do seu estado civil, das condições de vida e de vida, de estarem inseridas ou não no mercado de trabalho, seja formal ou informal, também cuidam da vida dos seus filhos. , bem como a responsabilidade pela sua casa, embora se tenha notado uma carga ainda maior entre as mulheres que têm condições sociais, económicas e culturais mais desfavoráveis.
Sobrecarga Doméstica como fator de risco para os Transtornos Mentais
Transtornos mentais comuns como problema em desenvolvimento em mulheres e pouco evidenciados na literatura. 1 ( ) Discordo totalmente 2 ( ) Discordo 3 ( ) Concordo 4 ( ) Concordo totalmente Seu trabalho permite que você tome decisões sobre as tarefas que tem. 1( ) Discordo totalmente 2 ( ) Discordo 3 ( ) Concordo 4 ( ) Concordo totalmente * Exigências físicas do trabalho Seu trabalho exige atividade física rápida e contínua.
1( ) Concordo plenamente 2 ( ) Discordo 3 ( ) Concordo 4 ( ) Concordo plenamente Seu trabalho exige, por longos períodos de tempo, que você.