E24 Educação de Jovens e Adultos (EJA) em diferentes contextos educacionais na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT) / organizadores, Rony Pereira Leal, Patrícia Maneschy Duarte. Reflexões sobre educação; 7) Incluir referências. Este livro é uma coletânea de textos escritos por diferentes sujeitos que realizaram suas práticas no campo da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Educação de Jovens e Adultos (PROEJA) de um campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, localizado na Baixada Fluminense.
OS ORGANIZADORES
Trabalha como investigador nas áreas da educação, ensino das ciências e formação universitária (políticas culturais e formação). Ênfase em estudos de políticas públicas em educação e ensino de ciências, abrangendo: formação de professores, didática, metodologias e educação online, currículo, processos de ensino e aprendizagem. Atualmente é professor do Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Ciências (PROPEC) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ).
OS AUTORES
- IMPACTOS DA POLÍTICA DE
- POR QUE ESCOLHI A EJA? — 60 CAPÍTULO 3 – DISCURSOS E PRÁTICAS
- REFLEXÕES SOBRE OS CURSOS PROEJA DE UM INSTITUTO FEDERAL: O Acesso em
- FORMAÇÃO DE LEITORES NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
- JOVENS, ADULTOS E IDOSOS NA EDUCAÇÃO BÁSICA DO INES — 232
- SENTIDOS E PERCEPÇÕES DA PERMANÊNCIA DE JOVENS E ADULTOS NO
- QUANDO A ESCOLA CONSENTE
- COMPETÊNCIA LEITORA E ENSINO DE LEITURA NO PROEJA — 326
- EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E EDUCAÇÃO POPULAR: Legado,
Especialista em educação de jovens e adultos pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) e pós-graduanda em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ/Campus Duque de Caxias), professora adjunta da especialização em educação de jovens e adultos (IFRJ/Campus Nilópolis) e professora adjunta de história da Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC-ETE Imbariê). Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação (ProPed) e da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
IMPACTOS DA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA NO ACESSO,
ESTUDANTES DO PROEJA NO IFMT, CAMPUS VÁRZEA
GRANDE
A Política de Assistência Estudantil do IFMT é definida como um conjunto de princípios e diretrizes que orientam as ações para garantir o acesso, a duração e a conclusão dos alunos nos cursos. Outro desafio a ser superado é a superação do entendimento limitado de que o Programa de Bolsas Estudantis significa apenas o repasse de benefícios/. A Resolução 095 de 118 de outubro de 2017 aprova o regulamento geral da política de apoio ao estudante do IFMT.
POR QUE ESCOLHI A EJA?
Dentre as questões que norteiam este estudo, uma nos chama a atenção: por que o professor opta por trabalhar com turmas de Educação de Jovens e Adultos. Sobre este curso de pós-graduação lato sensu em Educação de Jovens e Adultos oferecido pelo IFRJ – Campus Nilópolis, gostaríamos de saber quais as contribuições que ele trouxe para os profissionais que já atuam na EJA e para aqueles que buscam se preparar no curso. Percebemos que a maioria dos professores da EJA possui dez anos ou mais de experiência docente.
Estes professores da Educação de Jovens e Adultos já contam, portanto, com vários anos de experiência como docentes, o que lhes confere maior segurança e capacidade para o desempenho das suas atividades. Dessa forma, com um olhar sobre a formação docente e as especificidades da EJA, examinamos as percepções dos professores que buscam o curso de especialização em educação de jovens e adultos do IFRJ - campus Nilópolis. Assim foi criada a primeira versão do Curso de Pós-Graduação lato sensu PROEJA com o objetivo de gerar conhecimento e reflexão sobre a integração da educação de jovens e adultos e educação profissional.
O curso presencial, com duração prevista de um ano e seis meses e carga horária de 360 horas, é destinado a profissionais de nível superior que atuam ou pretendem atuar na educação de jovens e adultos. A maioria dos pós-graduandos já trabalha com educação de jovens e adultos, nas redes públicas municipal e nacional, buscando aprimorar suas práticas no curso. O foco para a definição das políticas de educação de jovens e adultos e para a formação dos educadores da EJA deve ser um projeto de formação que enfatize que os profissionais tenham um bom conhecimento sobre quem são esses jovens e adultos, como eles se constroem enquanto jovens e adultos e a história da construção desses jovens e adultos populares.
A partir deste trabalho, outras oportunidades podem surgir para investigar e investir na Educação de Jovens e Adultos.
DISCURSOS E PRÁTICAS
Os sujeitos, alunos da EJA, são jovens e adultos que, por motivos diversos, não concluíram o processo de escolarização. Articulando os estudos de diferentes autores, posso concluir que: a formação de professores de EJA não se limita à sua formação inicial ou à formação continuada para aquisição de competências e habilidades (em minicursos, palestras ou seminários); muito menos, não se resume ao processo de conscientização na busca da transformação social; é constituída por discursos e práticas vivenciadas no cotidiano escolar. Assim, levando em consideração o compromisso ético e social do processo educativo, cabe destacar que é preciso que os professores da EJA concebam seu processo formativo em seus múltiplos aspectos, que não abram mão de sua condição de aprendizes e que valorizem o espaço-tempo de sua própria experiência como ferramenta para pensar.
A cartografia foi desenvolvida por Gilles Deleuze e Félix Guatarri (1995) como um método para investigar um processo de produção, ou seja, o método da cartografia visa acompanhar um processo, e não simplesmente representar um objeto. Nesse sentido, os dados produzidos durante o processo de pesquisa serão apresentados não como um simples relato, mas para descrever as impressões vividas pela experiência, buscando, assim, apresentar a relação entre conhecimento e experiência. Portanto, embora esses sujeitos, por diversos motivos, não tenham concluído o processo de escolarização, eles continuaram com suas trajetórias humanas.
A exclusão enfrentada pelos alunos da EJA na maioria das vezes causa um sentimento de baixa autoestima, o que afeta diretamente o processo de aprendizagem, pois muitas vezes os faz se considerarem inaptos, inferiores e inúteis. Os professores estão inseguros sobre o processo de avaliação porque o conceito de avaliação tem sido historicamente associado ao conceito de testes e notas. A partir das falas produzidas e da prática revelada, percebi que muitos professores confundem o processo de avaliação com o processo de exame, pois ainda é forte a crença de que avaliação ainda é "dar nota".
Essa concepção é contrária à de muitos especialistas no tema, como Luckesi (2000), que afirma ser a avaliação um processo em que o educador deve prestar muito mais atenção ao processo de construção do que à nota obtida.
A INVESTIGAÇÃO SOBRE O TRABALHO DOCENTE NO
O objetivo geral da pesquisa foi analisar os desafios teórico-práticos do trabalho pedagógico realizado por professores das áreas de ciências naturais e matemática e informática, que compõem a matriz curricular da disciplina Manutenção e suporte de informática (MSI). O trabalho pedagógico desse grupo de professores dentro desse curso técnico é considerado como um todo, e detalhes e circunstâncias específicas ajudam a entender o caso. A investigação do trabalho pedagógico realizado por onze professores, além da leitura de documentos e observação dos participantes, teve como estratégia dominante a realização de entrevistas, pois o objetivo era coletar dados descritivos na linguagem dos professores para ter uma ideia de como os professores interpretam o PROEJA/MSI e do próprio trabalho pedagógico (BOGDAN; BIKLEN, 1994).
A investigação sobre os saberes específicos que os professores desenvolvem no seu trabalho pedagógico tem sido problematizada considerando que os professores não são técnicos que utilizam conhecimentos produzidos por outros, nem agentes sociais cujas atividades são determinadas apenas por forças ou mecanismos sociológicos (TARDIF, 2012). Mesmo que assumamos que o comportamento profissional desses professores deriva de alguma característica (positivismo, contentismo, pragmatismo, pitagorismo), é importante conhecer outros comportamentos (familiares, emocionais, culturais) desse professor para poder construir um quadro interpretativo do trabalho pedagógico. Para o entrevistado, esse meio é sua experiência de vida e trabalho pedagógico no PROEJA/MSI, que o pesquisador “insere em um quadro mais amplo – um problema de pesquisa”.
Outro aspecto que merece destaque está escrito no estatuto do material empírico, ou seja, o conteúdo da fala dos professores, que mostra quais são as ideias que eles têm sobre o seu trabalho pedagógico no PROEJA/MSI. A partir de minhas reflexões, optei por um diário de campo, que buscava mostrar o contexto vivencial de experiências e significados por meio dos apontamentos, e por uma entrevista compreensiva, que permitia aos sujeitos se expressarem da forma mais livre possível, a fim de destacar suas experiências de vida e falar sobre os desafios e peculiaridades relacionadas ao seu trabalho pedagógico no PROEJA/MSI. As escolhas metodológicas apontaram a Escola como local privilegiado para o desenvolvimento do trabalho educativo pelo trabalho pedagógico e possibilitaram a demonstração do compromisso ético e social dos professores pela democratização do conhecimento científico, produzido coletiva e historicamente por diferentes grupos sociais.
A inserção do ensino técnico profissionalizante de nível médio na educação de jovens e adultos: o trabalho educativo no PROEJA.
REFLEXÕES SOBRE OS CURSOS PROEJA DE UM
Ao analisarmos mais de perto os editais de ingresso de alunos, constatamos que o ingresso nos cursos do PROEJA neste IF se deu por meio de processo seletivo de caráter classificatório, e o calendário desse processo possui prazos e períodos que diferem das opções dos demais cursos oferecidos pela Instituição. Desde o 2º semestre de 2006, quando começou a oferta do PROEJA, o processo seletivo passou por diversas mudanças, perceptíveis na Figura 2. Conforme pode ser observado na Figura 2, originalmente havia uma taxa de inscrição de R$ 5,00 no processo seletivo.
Como informação adicional, destacamos que desde o segundo semestre de 2011 até o processo seletivo para o segundo semestre de 2016, quando elaborávamos este texto, ainda não havia cobrança de taxa de inscrição, fato que está destacado em azul na Figura 2, que abrange apenas o período até o segundo semestre de 2015, devido ao encerramento do prazo de busca. Na Figura 2, notamos também que desde 2006, início da oferta do PROEJA neste IF, até 2009, o processo seletivo tinha como instrumento de avaliação a prova de conhecimentos, e até 2008 foram aplicadas as provas de Português, Matemática, bem como Estudos Sociais e da Natureza. Analisando mais profundamente o processo seletivo, percebemos que no período compreendido entre o segundo semestre de 2006, início da oferta do Programa, até o II semestre de 2009, o método de inscrição nas disciplinas do PROEJA deste Instituto Federal simplesmente reproduziu o modelo do processo seletivo de outras disciplinas técnicas, personagem principal da prova da instituição.
Segundo algumas gestões, após a mudança no processo seletivo para acesso aos cursos do PROEJA, outras discussões surgiram neste IF, passando a receber críticas daqueles que defendiam o modelo de comprovação do conhecimento, de natureza meritocrática, mais próximo do utilizado pelo Instituto para outros cursos técnicos. Em 2011, o processo seletivo ainda estava em andamento, pelo que a seleção preencheu vagas tanto no 1º quanto no 2º semestres. Junto com esses deslocamentos e instabilidades, percebemos durante o trabalho de campo que essas transformações no processo seletivo provocaram discussões sobre quais seriam as formas mais adequadas de matricular alunos nos cursos do PROEJA desse instituto federal.
Essas possíveis mudanças no processo seletivo ainda continuam permeando as reflexões dos gestores, na busca de melhores oportunidades de elegibilidade para o público da EJA neste IF.