A HOSPITALIDADE
CONCEITO
Então entraram os deuses, e através de suas ordens, de seus temas, o homem e principalmente o rei foram presenteados com um novo ideal, o dever de hospitalidade: “Estrangeiros ou mendigos, todos são enviados por Zeus”. Com base nesta representação, hostil significa aquele que está numa relação de compensação, que é o fundamento da instituição da hospitalidade.
O CULTO DOS ANCESTRAIS E A HOSPITALIDADE
6 Na Grécia clássica (século VI - início do século IV a.C.), as refeições (fartura, refeição grande, banquete) eram bem divididas e recebiam nomes diferentes: akratisma (café da manhã ou almoço), ariston (jantar) e deipnon (jantar). 7 Horoi: “horoi eram lajes de pedra usadas para marcar limites entre propriedades vizinhas.
ZEUS XÊNIOS E OS MITOS HOMÉRICOS DA HOSPITALIDADE
Na Odisséia, os pretendentes de Penélope indignaram a família de Odisseu ao devorar sua riqueza em banquetes diários, o que representa uma violação das regras dos banquetes. Atena envolve Ulisses em uma "névoa misteriosa" para que ele não seja notado e chegue ao palácio em segurança.
O ESTRANGEIRO NAS CIDADES-ESTADO: INCLUSÃO OU
Na poesia homérica, os principais momentos de interação social encontram-se nos banquetes, quando são feitos acordos, alianças e debates; o outro momento costuma ser o da guerra. Ou então é uma hospitalidade suficientemente ampla que se dirige tanto aos estrangeiros como aos cidadãos.
CURITIBA
ASPECTOS GEOGRÁFICOS E HISTÓRICOS
A vegetação da região era formada por mata de araucárias13, que cobria parte do território do planalto sul de São Paulo ao Rio Grande do Sul, imbuia, caviúna, guabiroba, erva-mate e outras gramíneas. Somente quando o ditador paraguaio Francia proibiu o comércio com a América do Sul em 1813 é que os argentinos, que consumiam grande parte do produto, recorreram à erva-mate encontrada no planalto de Curitiba, iniciando assim o ciclo da erva-mate.15.
O PROCESSO MIGRATÓRIO NO FINAL DO SÉCULO XIX
As terras ruins e o tratamento escravo dado aos colonos europeus foram motivos que os fizeram escolher outros países mais organizados, como os Estados Unidos. Wachowicz (1995) afirma também que os imigrantes alemães, os primeiros a chegar depois do elemento português, foram isolados dos centros de consumo e a colónia faliu. Mas a realidade é que os imigrantes italianos não estavam habituados a esse tipo de clima, não conheciam a flora e a fauna tropicais, as doenças locais, entre outros fatores.
Ao mesmo tempo, houve falta de escrúpulos por parte dos agentes italianos que apontavam a ida ao Brasil como a solução para todos os problemas que os italianos enfrentavam, criando o mito do “país da cocaína”, como aconteceu em Alexandra. colônia. Os contratos que os proprietários faziam com o agricultor e sua família, que também trabalhava na fazenda, eram de parceria e arrendamento. Este hábito de emigração periódica pode ter favorecido a saída em massa de grupos familiares inteiros para outro continente, levando à suposição de que os imigrantes tinham esperança de permanecer no seu destino.
O DESENVOLVIMENTO DO BAIRRO DE SANTA FELICIDADE
Segundo Balhana (1977, p.36) no início “[..] os colonos de Santa Felicidade viviam em cabanas de caboclos brasileiros ou construíam barracos improvisados, até que as famílias Bordin e Slompo construíram as primeiras casas italianas”. Uma característica muito comum em Santa Felicidade é a união da família no trabalho, o que garante a sua sobrevivência. Porém, durante muito tempo os colonos de Santa Felicidade relutaram em abandonar o antigo hábito de comerciar.
Na década de 1950, a polenta ainda era considerada o prato principal dos colonos do bairro de Santa Felicidade. No bairro, a pesquisadora abordou aleatoriamente os moradores para saber se a polenta ainda era consumida nas casas de Santa Felicidade. A gastronomia do bairro de Santa Felicidade pode ser classificada como oferta turística cultural abstrata ou imaterial.
Depois que Nonna Julia Toaldo confirmou essa vocação com o Restaurante Colonial, começou a tradição da Colônia Santa Felicidade. O potencial turístico de Santa Felicidade é inegável, segundo estudos do projeto de revitalização da Avenida Manoel Ribas. O projeto de poluição visual para a região de Santa Felicidade é de extrema importância no acelerado processo de urbanização da cidade.
Santa Felicidade – Manoel Ribas: estudos de poluição visual e adaptação de fachadas a partir de modelos da arquitetura italiana.
A ALIMENTAÇÃO
A ALIMENTAÇÃO NO VÊNETO
A ALIMENTAÇÃO NA COLÔNIA
Não comer pão estava associado à boa saúde, como aponta Marzano (1985, p. 136) em relação a um homem que se vangloriava de nunca ter estado doente: “Tenho 87 anos e. As mulheres, que só podiam prová-lo algumas vezes na Itália, agora têm uma cafeteira no fogão e consomem em grandes quantidades, mesmo à custa do nervosismo (MARZANO 1985, p. 139). Em Santa Felicidade, os pratos utilizados para servir alimentos sólidos são os seguintes: prato (travesse) e pratos (piati).
Até hoje a salada de radichi é servida nos restaurantes de Santa Felicidade conforme indicado por Balhana (1958): temperada com vinagre de vinho e. É a comida de cada dia no jantar, a tal ponto que se não tiver salada para comer com polenta, dizem que não comeram” (MARZANO, 1985, p.146). Como relata Marzano (1985, p.135): “O milho é o alimento diário dos assentados, que fazem polenta até três vezes ao dia.
A INFLUÊNCIA DA ALIMENTAÇÃO DOS IMIGRANTES ITALIANOS NO
A produção agrícola paranaense, que passava por períodos de declínio quando começou a imigração italiana, teve, através dos novos centros coloniais, maior abertura e produtividade sustentada por um dinamismo que os novos hábitos de consumo alimentar e as novas técnicas trazidas dos imigrantes contribuíram para o desenvolvimento , como : “maior capacidade de produção agrícola, diversificação de produtos, busca de novos meios de transporte, novas redes rodoviárias, novos mercados e novos patamares do sistema agroalimentar” (SANTOS, 1995, p. 123). Um dos efeitos mais visíveis da colonização foi a mudança nos hábitos alimentares dos imigrantes e dos brasileiros que viviam nas mesmas áreas. criados no Brasil (SEYFERTH, 1990, p. 33). Entre os novos hábitos alimentares adotados pela população curitibana está o consumo de polenta, não só nas mesas dos descendentes de imigrantes e nos restaurantes, mas em geral.
Em 13 de novembro de 1948, o Jornal Diário da Tarde publicou anúncio de um restaurante chamado Elite, que oferecia no cardápio: risoto de frango ao forno, frango com polenta e ensopado à brasileira, "entre outros pratos brasileiros". Trajano Reis, citado por Martins (1955, p.328), observou que: “Em algumas fazendas preparam com grande vantagem o queijo chamado flamengo ou queijo do reino e o italiano chama-se purungo. Para Fausto, citado por Novais (1998, p.57), “os alimentos étnicos, especialmente nos primeiros tempos da imigração, representavam uma ponte para o país de origem, a manutenção do paladar, bem como uma afirmação da identidade”.
A POLENTA TEM UMA HISTÓRIA
Na análise de Fernanda Kluge (1996, p. 162), “diferentemente de outras colônias de imigrantes que desapareceram no processo de urbanização da cidade, Santa Felicidade encontrou no entorno dos restaurantes um sinal da (re)construção de sua etnicidade”. Barretto (1995), num modelo adaptado de Boullón, considera a estrada como parte do núcleo da cadeia evolutiva do espaço turístico, o que leva a uma conclusão mais plausível de que a existência da estrada em particular desencadeou o atual sucesso do restaurantes da Santa Felicidade. Com a implantação da Rodovia do Café em 1965, os caminhoneiros deixaram de usar a Estrada do Cerne e não passaram mais por Santa Felicidade.
Túlio, estudioso da cultura nativa, lembra que a Avenida Manoel Ribas se chamava la strada granda e concentrava a vida comercial, política e social de Santa Felicidade. Santa Felicidade é conhecida como um dos centros gastronômicos mais importantes do mundo com cerca de 50 restaurantes. A estação, localizada ao lado da sede da associação, fica em frente ao primeiro hotel construído em Santa Felicidade e inaugurado em 2004.
TURISMO E GASTRONOMIA
OS RESTAURANTES DE SANTA FELICIDADE: DA HOSPITALIDADE
Hoje Santa Felicidade é uma das maiores colônias italianas espalhadas pelo mundo, onde vivem cerca de 25 mil pessoas (IBGE – 2000), conhecida como destino turístico cujo sucesso é baseado na gastronomia étnica. Extensão das mesas mamma e nonne, os restaurantes de Santa Felicidade nasceram dos encontros de amigos em torno da comida e do vinho, quando, há 30, 40 anos, passaram por aqui para trabalhar na Estrada do Café rumo ao porto de Paranaguá e foram servido por Dona Júlia Toaldo com carne picada ou buchada de lamber os dedos (RODRIGUEZ, 1991, p. 15). O local é Cerne, mais precisamente um rio localizado no km 35 e quando foi concluído o trecho Santa Felicidade-Cerne a rodovia foi aberta ao trânsito.
No caso do destino turístico-gastronômico de Santa Felicidade, o primeiro momento pode ser considerado a descoberta do bairro pelos políticos que influenciaram a criação do destino. Em 1953, algumas pessoas importantes de Curitiba começaram a visitar Santa Felicidade aos sábados para comer risoto e ensopado de frango com polenta na casa e no comércio de dona Júlia Toaldo, mas tinham que comer em uma salinha anexa à cozinha, depois aos sábados e d Aos domingos a sala principal era transformada em cinema. Um dos primeiros sinais de Santa Felicidade, ninguém tinha, aqui não tinha nada, numa época em que em Santa só existiam duas ou três casas comerciais: a Casa dos Arcos, depois outra que vendia armarinhos e outra em frente ao casa. igreja.
O BAIRRO DE SANTA FELICIDADE E O DESENVOLVIMENTO
A Associação do Comércio e Indústria de Santa Felicidade - ACISF, entidade fundada em abril de 1987, tem como missão o desenvolvimento econômico e social do bairro, unir e integrar empresários no apoio, influência, fortalecimento e intensificação de ações que consolidar o apelo turístico e a atividade empresarial do bairro, beneficiando a comunidade e preservando a tradição cultural italiana da região. O projeto “Santa Felicidade io te voglio bene” oferece algumas propostas de ação, algumas já implementadas e outras em fase de desenvolvimento. Os imigrantes transformaram a colônia no atual bairro de Santa Felicidade, destino turístico gastronômico, o segundo maior em chegada de turistas no estado.
Os restaurantes “italianos” de Santa Felicidade diferenciam-se de muitos outros, que também fazem sucesso, pela simplicidade do atendimento, comida farta, preços acessíveis, informalidade e simpatia dos garçons, que proporcionam a hospitalidade especial que é característica da boa hospitalidade. . Numa época de mudanças de paradigmas, a combinação que deixa para trás o sucesso de Santa Felicidade pode nos levar a refletir se a medida do sucesso está na sofisticação das iguarias ou num ambiente agradável com comida simples e atendimento agradável. Fui informado que está sendo realizada uma pesquisa intitulada: Hospitalidade no bairro de Santa Felicidade na cidade de Curitiba, que é de responsabilidade de Elsa Maria Stoehr Vieira de Souza Feder, mestranda em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI, liderada pelo dr.