CAPÍTULO II CURITIBA
2.1 ASPECTOS GEOGRÁFICOS E HISTÓRICOS
1,587 milhão de habitantes, com média de 3 habitantes por domicílio, com 96,9% da população acima de 10 anos alfabetizada (IBGE 2000).
Inicialmente, as terras que hoje compreendem o estado do Paraná faziam parte da 5.ª Comarca da Província de São Paulo, motivo que levou por muito tempo ao isolamento político, a altos impostos e poucos benefícios para o estado. Em dezembro de 185312, após muitos esforços, o Paraná tornou-se uma província independente, tendo sido Zacarias de Góes e Vasconcelos seu primeiro presidente.
As origens de Curitiba nos levam aos meados do século XVII, quando alguns exploradores subiram o rio Nhundiaquara, a partir de Paranaguá, e outros subiram o rio Ribeira, vindos do interior de São Paulo, à procura de ouro no planalto curitibano.
Esses aventureiros viviam provisoriamente instalados, em “choças cobertas com folhas de palmeira.[...]”( WACHOWICZ, 1995 p.61). A vegetação da região era formada pela mata de araucária13, que cobria parte das terras do planalto meridional de São Paulo ao Rio Grande do Sul, a imbuia, a caviúna, a guabiroba, a erva-mate e outras gramíneas.
12 A disputa de limites entre Santa Catarina e Paraná começou quando este último se desmembrou de São Paulo, em 1853 e seus limites estendiam-se até o Rio Grande do Sul, às margens do rio Uruguai; porém, não havia ainda um acordo de fronteiras entre Paraná e Santa Catarina. Nesse mesmo ano, as autoridades paranaenses investem fundo contra Santa Catarina, fixando os limites do leste pelo rio Canoinhas até a região de Lages, surgindo o primeiro conflito pela posse de terras entre os dois estados. A ação foi ganha por Santa Catarina em 1904, mas o Paraná recorreu, perdendo novamente em 1909 e 1910. Embora resolvida judicialmente, a questão perdurou até 1916, quando os governadores Felipe Schmidt, de Santa Catarina, e Afonso Camargo, do Paraná, por intermédio do Presidente da República Wenceslau Braz, assinaram um acordo estabelecendo os limites atuais entre os dois estados, ficando o Paraná com 20 mil e Santa Catarina com 28 mil km2 do território em litígio (SACHET & SACHET, 2001).
13 Principalmente pela “ARAUCÁRIA ANGUSTIFÓLIA” ou pinheiro do Paraná. As araucárias que enchiam o solo paranaense estão hoje ameaçadas de extinção. A exploração predatória da indústria madeireira fez com que desaparecessem os melhores exemplares de araucária, causando a degeneração genética da espécie. A falta de árvores de boa qualidade dificulta a recuperação dos pinheirais. Atualmente sobraram 0,8 das florestas com araucárias em bom estado de conservação(JORNAL GAZETA DO POVO, 2003).
A primeira sede de Curitiba foi uma pequena povoação de nome Vilinha, às margens do rio Atuba. Por ser muito úmido, foi mais tarde escolhido novo local mais elevado e seco, próximo aos rios Ivo e Belém.
Quando os europeus chegaram ao interior do Paraná, em meados do século 16, encontraram uma rede de caminhos denominada Peabiru, aberta possivelmente pelos índios guaranis na era pré-cabralina. Tratava-se de uma rota continental que ligava o oceano Atlântico ao Pacífico. O tronco principal saía de São Vicente S.P. e entrava nas terras paranaenses pelo Vale do Assungüi, seguindo pela região de Castro e pelos rios Ivaí, Cantu e Piquiri, atingindo o Rio Paraná. O Peabiru14, um sistema de caminhos de tempos pré-cabralinos, “o caminho transcontinental mais importante da época anterior ao descobrimento, utilizado largamente pelos indígenas em suas migrações” (Dicionário Histórico Biográfico do Paraná, 1991, p.54).
Nos séculos 18 e 19, o Paraná passou a ser servido pelo caminho do Viamão, que fazia a ligação entre as regiões Sul e Sudeste do Brasil. Era a rota dos tropeiros, que conduziam gado das terras gaúchas para as feiras de Sorocaba (SP) .
A localização estratégica, a meio do caminho das principais rotas comerciais entre o sul e as metrópoles da época, fez surgir a Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Em 5 de fevereiro de 1842, a pequena vila alcança a categoria de cidade. Em 26 de julho de 1854, com cerca de seis mil habitantes, passa a ser a capital da recém- criada província do Paraná. Em 29 de março de 1693 foi elevada à categoria de cidade.
O nome Curitiba (Core-etuba, em guarani) significa muito pinhão e foi oficializado em 1698.
14Atualmente há um grupo trabalhando no caminho do Peabiru, no sentido de revitalização e possível emprego como estrada com potencial de utilização na atividade turística.
Morando numa cidade de bom clima, com bosques e campos, mas isolados de outras vilas, os curitibanos acostumaram-se a plantar e criar quase somente o que consumiam. A Serra do Mar, de difícil transposição, dificultava o comércio da produção agrícola e pastoril. “Curitiba, no século XVIII, não passava de uma localidade quase esquecida e praticamente isolada do restante da Capitania, embora fosse até fins do século a única vila, legalmente constituída na região do planalto”(WACHOWICZ, 1995 p.72). Durante muito tempo, o pouco que sobrava da produção era levado por escravos a pé ou no lombo de animais até o litoral, o que dificultou o desenvolvimento da cidade. Apenas no século XIX, foi aberta a Estrada da Graciosa, concluída em 1873.
Além da Estrada da Graciosa, as colônias de imigrantes, instaladas por Lamenha Lins, foram de grande importância para o crescimento e desenvolvimento da região. “Os alemães, que haviam chegado antes dos poloneses, estabeleceram-se no comércio, dentro do quadro urbano. Fizeram-se cervejeiros, ferreiros, carpinteiros, salsicheiros, ferradores, construtores de carros, padeiros, açougueiros, etc”
(WACHOVICZ, 1995, p.72). Com a construção da estrada de ferro, que comunicava o planalto ao litoral, em 1885, inicia-se um tráfego comercial intensivo que mudou as características da região.
A cultura da erva-mate, ao final do séc. XVIII, propiciou um grande desenvolvimento econômico, tornando-se esse um importante produto de exportação.
A erva-mate, árvore nativa das florestas regionais, já era utilizada pelos indígenas como bebida, sendo proibida pelos jesuítas que lhe atribuíam o poder de descontrolar de emoções. Apesar de o governo português autorizar o comércio da
erva-mate com as colônias de Sacramento e Buenos Aires, a oportunidade não foi devidamente aproveitada e o comércio foi realizado através do Paraguai, grande exportador da erva-mate.
Apenas quando o ditador paraguaio, Francia, em 1813, proibiu o comércio com a América do Sul, os argentinos que muito consumiam o produto, apelaram para a erva-mate existente no planalto curitibano, iniciando então o ciclo da erva-mate.15
“Vieram então representantes desse comércio platino até Paranaguá [...] Chegando a Paranaguá em 1820, perceberam logo de início que os paranaenses quase nada entendiam de erva-mate. Ensinaram-lhes o fabrico, o beneficiamento e a maneira do acondicionamento .” ( WACHOVICZ, 1995 p. 127)
Paralelamente à exploração da erva-mate, a madeira também aparecia como atividade econômica importante. Com a construção da estrada de ferro, em 1885, aparecem muitas serrarias no planalto e a madeira era exportada para o Rio de Janeiro, São Paulo e países como Argentina e Uruguai, com destaque para o pinho.
Posteriormente, o ciclo do café, até a metade do século passado, dominou a economia paranaense e beneficiou também a capital.
15“Uma interessante planta cresce em abundância nas matas próximas de Curitiba, é essa árvore, conhecida pelo nome de árvore-do-mate ou árvore-da-congonha, que fornece a famosa erva ou mate do Paraguai. Uma vez que, a época de minha viagem, a situação política tornava quase impossíveis as comunicações entre o Paraguai, Buenos Aires e Montevidéu, as pessoas vinham dessas cidades buscar o mate em Paranaguá, porto vizinho de Curitiba. Os hispanos americanos, ao verificarem haver uma grande diferença entre a erva preparada no Paraguai e a do Brasil, julgaram que a deste último se originasse de outra planta. Algumas amostras que recebi do Paraguai me colocam em posição de poder garantir às autoridades brasileiras que a árvore de Curitiba é totalmente semelhante à do Paraguai” (SAINT- HILAIRE, 1978, p. 90).