ARTES E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL: análise da política estadual na educação básica e a proposta de introdução das artes nas escolas estaduais. Este estudo de caso analisou a política educacional brasileira, sua legislação e a política de inclusão promovida pelo governo do estado de Minas Gerais para pessoas com deficiência visual.
Pesquisa qualitativa
Para Trivinos (1987), a pesquisa qualitativa não segue rigorosamente as etapas indicadas para o desenvolvimento da pesquisa quantitativa. Em vez disso, as informações coletadas são geralmente interpretadas e isso pode levar à necessidade de novas pesquisas de dados.
Estudo de caso
Para sistematizar essas diferentes abordagens, Gômez (1996) acrescenta que o objetivo geral de um estudo de caso é “explorar, descrever, explicar, avaliar e/ou transformar”. Por fim, o estudo de caso representa um método de pesquisa relevante, principalmente porque se baseia em uma pesquisa intensiva e aprofundada de um determinado objeto de estudo que é extremamente bem definido e visa compreender a singularidade e a globalidade do caso ao mesmo tempo .
Unidades de análises
Entrevistas
Na exposição de pinturas de Eni D' Carvalho1, alunos do Instituto São Rafael e alguns convidados presentes, foi relatada a sensação de integração dos sentidos. 1 Eni D'Carvalho, natural de Ubá/MG, artista-educadora, pioneira no Brasil em arte plástica para cegos, baseada na integração dos sentidos.
Análises de conteúdo
A evolução dos direitos da inclusão social
Este estudo foi elaborado levando em consideração dois aspectos fundamentais e relacionados: (1º) as perspectivas da legislação brasileira para a educação básica e (2º) as pessoas com deficiência. Isso mostra a preocupação do Estado brasileiro em garantir cidadania plena às pessoas com deficiência e que tenham acesso aos espaços públicos de convivência coletiva e que não se limitem aos limitados.
Inclusão social
Neste contexto, destaca-se que o desafio para uma sociedade inclusiva é o desenvolvimento de uma pedagogia centrada no aluno, capaz de educar com sucesso a todos, incluindo aqueles com deficiências e desvantagens graves (UNESCO, 1994). Parece que a referida declaração não diz que a exclusão e o confinamento em áreas exclusivas é o caminho para garantir o direito das pessoas com deficiência ao acesso à educação.
A educação escolar inclusiva
Além disso, a estrutura física das escolas é parte essencial para possibilitar o acesso a todas as áreas dos alunos, sejam eles deficientes ou não. Por fim, o professor tem um papel relevante para favorecer o desenvolvimento contínuo dos alunos com deficiência (MACIEL, 2000).
Definição dos tipos de deficiência
Além disso, sugere que os professores, para auxiliar no desenvolvimento de seu trabalho com esses alunos, realizem entrevistas com os pais ou responsáveis dos alunos com deficiência para que conheçam a história de vida desse aluno e possam traçar estratégias conjuntas para ajudar a família com a escola (MACIEL, 2000). A expectativa positiva em relação aos alunos apresentou-se como uma variável importante para influenciar os resultados educacionais, sejam eles com deficiência ou não. Lima (2006, p. 31) aponta que “cabe às escolas, mais do que matricular alunos com deficiência no ensino regular, é preciso assumir o compromisso de oferecer uma educação de qualidade a todos”.
A análise da trajetória das normas e ações voltadas à proteção das pessoas com deficiência no Brasil deve retornar à primeira Constituição brasileira, de 1824.
As pessoas com deficiência nas constituições republicanas
Assim como a Constituição de 1824, a Constituição de 1891 também não trazia dispositivo específico a respeito dos deficientes. Surgiu então a Constituição republicana de 1891, que pretendia prever uma igualdade meramente formal, abstrata, expressamente presente em seu art. Veio então a outorga da Constituição de 1937, que se destacou pelo autoritarismo e se reservou a uma mera previsão genérica de que "todos são iguais perante a lei".
Além disso, também foram mantidos os direitos previdenciários dos trabalhadores com deficiência instituídos pela Constituição de 1946 (BRASIL, 1967).
As pessoas com deficiência na Constituição Federal de 1988
Outro dispositivo relevante da CF/88 para a inclusão social da pessoa com deficiência, inclusive no mercado de trabalho, é o artigo 203 da pessoa com deficiência. O capítulo 227 do artigo CF/88 deixa claro que todos (família, sociedade e Estado) devem estar juntos na luta por uma sociedade mais justa e igualitária e unir esforços para maximizar a inclusão das pessoas com deficiência.
Com base no que foi destacado até aqui, observamos que existem diversos dispositivos constitucionais que garantem os direitos das pessoas com deficiência.
As pessoas com deficiência na Lei de Diretrizes e Bases da
III - atendimento educacional especializado gratuito a alunos com deficiência, transtornos generalizados do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotados, transversal em todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino; (Discurso proferido pela Lei nº 12.796, de 2013) (BRASIL, 1996). Entende-se por educação especial, para os fins desta lei, a modalidade de educação escolar oferecida, preferencialmente na rede regular de ensino, a alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e alunos altamente qualificados ou superdotados. Os sistemas educacionais devem proporcionar aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou habilidades: (Discurso da Lei nº 12.796, de 2013).
Como alternativa preferencial, o Conselho de Ministros opta por ampliar o acompanhamento de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e superdotação ou superdotação na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio prestado às instituições previstas neste artigo.
Normas estaduais para a educação básica e as pessoas com
IV - facilitar o acesso a bens e serviços coletivos, adequando-os às pessoas com deficiência, inclusive com a remoção de barreiras arquitetônicas; V - o combate ao preconceito por meio da oferta de condições para a integração social das pessoas com deficiência, desenvolvido em programas de saúde, educação, cultura, esporte, lazer e profissionalização (MINAS GERAIS, 2000). A Lei Estadual também estabeleceu o Conselho Estadual de Proteção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que é responsável por definir a política estadual sobre os direitos das pessoas com deficiência.
que pretende instituir uma semana nacional de sensibilização e advocacia para a promoção da educação inclusiva para alunos com necessidades educativas especiais, que decorrerá todos os anos na segunda semana de junho.
A inclusão e a educação inclusiva: conceitos e definições
Esta seção descreve o problema da educação inclusiva nos níveis federal e estadual, incluindo sua estrutura histórica e legal. Ou seja, inclusão significa criar escolas que acolham todos os alunos, independentemente de sua origem social ou cultural. A inclusão envolve a mudança de paradigmas e cultura da sociedade, o que se dá por meio da atuação de instituições públicas comprometidas com os indivíduos em situação de vulnerabilidade.
Mas também implica o uso de recursos para construir os recursos materiais para que os instrumentos coercitivos e instigadores de mudança no comportamento social de fato ocorram.
Marco histórico da inclusão
Na legislação brasileira, por sua vez, está declarado que, como qualquer cidadão, a pessoa com deficiência tem direito à educação pública e gratuita, garantida por lei e na rede regular de ensino. Nesse sentido, a Política Nacional de Educação Especial - Ministério da Educação e Esportes (BRASIL, 1997) define que pessoas com deficiência são aquelas que apresentam diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais significativas, decorrentes de fatores congênitos ou adquiridos, sejam eles temporários ou permanentes. A proposta da ONU por meio de suas resoluções e legislações nacionais para pessoas com deficiência são marcos importantes na trajetória de inclusão de pessoas com deficiência na educação pública brasileira.
Mas a legislação e as ações da comunidade com deficiência e seus familiares têm pressionado o poder público para que o direito à inclusão seja assegurado.
Aspectos legais e político-pedagógicos da inclusão: o que a lei
O desenho e a implementação de políticas públicas voltadas para a inclusão de pessoas com necessidades especiais são inspirados por uma série de documentos contendo declarações, recomendações e normas legais. Além da Declaração Universal dos Direitos Humanos, outros documentos também merecem destaque quanto ao seu conteúdo, especialmente as recomendações relativas ao cuidado dos deficientes. Estes foram aprovados em conferências organizadas pela UNESCO em vários países: o Programa Mundial de Ação para Pessoas com Necessidades Especiais (1982); Padrões Uniformes sobre as Possibilidades de Linguagem para Deficientes (1993); Declaração Mundial sobre Educação para Todos (1990); Declaração de Salamanca sobre Princípios, Políticas e Práticas para Necessidades Educativas Especiais (1990).
O estudo de Cavalcante (2006, pp. 14-15) apresenta um conjunto histórico de leis e documentos institucionais que estabeleceram e protegeram os direitos das pessoas com deficiência no Brasil.
Propostas pedagógicas para se trabalhar com a inclusão/
Ainda na revisão conceitual da política nacional de educação especial - Ministério da Educação e Esportes (BRASIL, 1997, p. 18) constam os verbetes "integração" e "integração escolar". A realidade atual nas escolas que lidam com pessoas com deficiência visual é que os alunos têm um conjunto complexo de necessidades que requerem atenção interdisciplinar e integral, pois o processo de aprendizagem exige muito mais do que um esforço rigoroso em cada área, mas uma abordagem integrada e adaptada às a realidade e as necessidades de cada aluno. Portanto, como proposta pedagógica para o estudo em questão, propõe-se o ensino interdisciplinar para deficientes visuais como contraponto com atividades complementares.
6 UMA EXPERIÊNCIA DE SUCESSO NO APRENDIZADO DE ARTES PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL: O TRABALHO DE ENI D’CARVALHO.
Uma iniciativa que nasceu da proibição do acesso do deficiente
As produções artísticas de Eni D'Carvalho classificam-se basicamente em três projetos desenvolvidos como artista-educadora, em regime de voluntariado em instituições de ensino básico e fundamental. Através da artista e educadora plástica Eni D'Carvalho, teve início um projeto voluntário de integração de crianças ao rico e pioneiro mundo da arte para deficientes visuais. O nome que proponho para a exposição da Eni é "Duart Mike", porque esta exposição, através do toque, nos leva à descoberta de belas obras.
Esta exposição da artista-educadora Eni D'Carvalho mostra-nos os diferentes tipos de corações: corações perfeitos, corações grandes, corações adaptados.
O trabalho de Eni D’Carvalho e um programa para o ensino de artes
Um processo que evoluirá de desafios para atender às necessidades de aprendizagem de todos os alunos, incluindo aqueles com deficiência. Mudanças que não são simples, pois as pessoas com deficiência historicamente foram injustiçadas, marginalizadas e excluídas da sociedade e, portanto, da escola. Apresentar às pessoas com deficiência visual um trabalho voltado para sua forma de percepção, integrando-as ao contexto e universo das artes visuais, dialogando com a literatura e a legislação de inclusão é um dos objetivos específicos propostos por Eni D' Carvalho.
Se queremos ser uma sociedade acessível onde todas as pessoas com deficiência possam participar em pé de igualdade, esse ideal deve se tornar realidade todos os dias. Ao remover as barreiras atitudinais no processo de educação básica e básica, o deficiente visual terá a oportunidade de interagir com o conteúdo e o mundo ao seu redor, pois garantirá o sucesso no mundo da arte, traduzido em palavras que evocam imagens em si mesmas. a mente. Assegura a política de Estado dos direitos das pessoas com deficiência e institui o Conselho Estadual de defesa dos direitos das pessoas com deficiência.