Boaventura argumenta que a hegemonia dos direitos humanos como linguagem da dignidade humana é hoje inquestionável. Acredito que uma compreensão convencional dos direitos humanos tem as seguintes características: os direitos são universalmente válidos, independentemente do contexto social, político e cultural em que operam e das circunstâncias em que operam.
Gênero e diversidade sexual: o aprofundamento das pautas
Feminismo, movimento negro, juventude, sexualidades dissidentes, masculinidades, expressões transgêneras (travestis, transexuais, transgêneros, travestis). Em contraste com o Estado, Berenice contextualiza o papel dos movimentos sociais no debate sobre género e diversidade sexual.
Política anti-direitos e ameaças à democracia: a reação conservadora
A ação governamental e a promoção da cidadania homossexual
O Brasil sem Homofobia é caracterizado como “um conjunto de ações governamentais a serem realizadas parcial ou totalmente pelo Governo Federal por meio de seus Ministérios e Secretarias” (Conselho Nacional de Combate à Discriminação, 2004). 3 Além de pesquisas da UNESCO, Ritla, FIPE, BBV, Conferência Nacional de Educação Básica,. Este material foi produzido por meio de editais e resoluções do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e/ou recebeu apoio do MEC para publicação.
A Escola sem Homofobia foi formalizada por meio de convênio firmado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) – autarquia, vinculada ao MEC, planejado e executado em parceria entre a rede internacional Aliança Global pela Educação LGBT (GALE), Desbravadora do Brasil , ECOS – Comunicação em Sexualidade, Reprolatina – Soluções Inovadoras em Saúde Sexual e Reprodutiva e Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexuais (ABGLT).
Etapas e produtos do projeto Escola sem Homofobia
37 preconceitos que existiam na escola sobre o assunto, o medo das reações da família e a falta de materiais para trabalhar o assunto. Essa estratégia seria materializada por meio do desenvolvimento de um conjunto de materiais didáticos com conteúdos teóricos e sugestões de atividades para formação de professores que contribuíssem para a convivência democrática com a diversidade e para a desconstrução de imagens estereotipadas sobre as pessoas LGBT. O conjunto de materiais didáticos criado foi composto por: caderno; uma série de seis boletins (Boleshs); cinco DVDs audiovisuais com seus respectivos guias; um poster; e cartas de apresentação para gestores e professores.
Por fim, o cartaz pretendia apresentar o projeto à escola e à comunidade escolar, enquanto as cartas representavam um conjunto de materiais para dirigentes e educadores.
Finalização e suspensão do material educativo
Da pesquisa concluída, do conjunto de materiais pré-elaborados e testados e da formação dos educadores, todo material foi submetido ao Ministério da Educação (MEC) em 2011, para ser disponibilizado às instituições de ensino do país. O processo de elaboração, no entanto, foi interrompido pelo golpe de 1937 e pela noção de plano como documento estratégico, por ex. 39 o princípio norteador da educação brasileira foi retomado apenas na década de 1960, sob a lógica do planejamento estatal para o desenvolvimento (BRITTO, 2015).
Mais adiante, a constituição de 1988 assimilou a ideia de um PNE instituído por lei, com duração de vários anos e articulando os diferentes níveis, etapas e modalidades de ensino.
Consequentemente, as Diretrizes e Lei de Bases da Educação Nacional (NDB), de 1996, incluíram a responsabilidade da União na elaboração do PNE, em colaboração com outros entes federados, com prazo de um ano para sua submissão ao Congresso Nacional. A LDB também determinou que o PNE conteria diretrizes e metas para os próximos dez anos, em conformidade com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos, assinada em 1990 por mais de 150 países, incluindo o Brasil. 214 da Carta Magna, a previsão de dez anos de duração do PNE e o objetivo expresso de articular o sistema nacional de ensino em regime cooperativo entre entes federados.
Além disso, determinou que o PNE estabeleça uma meta para o investimento de recursos públicos em educação como parte do PIB, numa tentativa de evitar o risco para o financiamento das ações planejadas.
Da tramitação do projeto no Congresso Nacional à sanção presidencial
A Exposição de Motivos, formulada pelo MEC, apresentou os antecedentes do projeto, os conceitos que lhe fundamentam e uma referência à sua construção coletiva, com base na Conae. Enquanto isso, o reaproveitamento do projeto do PNE com as propostas aprovadas na Conae foi um dos pilares da atuação de diversas organizações em tramitação no Congresso - com destaque para o movimento denominado PNE pra Valer!, coordenado pela Campanha Nacional pelo o Direito à Educação. Diversos atores estatais e não estatais também influenciaram o andamento do projeto - embora nem sempre em defesa das posições do Conae, incluindo diversos setores do governo federal, grupos empresariais, organizações sociais de interesse público, apoiadores de instituições privadas, entidades religiosas, instituições de especial educação, fóruns para educadores, gestores estaduais e municipais, além de especialistas na área de educação.
O PNE foi aprovado integralmente, ao final do prazo constitucional de quinze dias úteis, cuja Lei nº. 13.005 de 25 de junho de 20145.
As diretrizes, metas e estratégias do PNE 2014/2024
O terceiro grupo de metas refere-se à valorização dos profissionais da educação, e o quarto grupo de metas refere-se ao ensino superior, que geralmente é de responsabilidade dos governos federal e estadual. A análise das orientações e metas do PNE 2014 mostra que durante todo o período do plano, os maiores esforços serão direcionados à ampliação das matrículas nas creches, no ensino fundamental público regular e no ensino médio profissionalizante. O aumento do nível educacional da população adulta que não concluiu o ensino básico continua a ser uma questão histórica.
Para o autor, o PNE significa, em suma, a aceleração dos esforços de serviços em alguns segmentos específicos, e sua implementação depende de uma combinação de vontade política e administrativa com a efetiva disponibilidade de recursos que proporcionem maiores possibilidades de acesso e sustentabilidade aos trancos e barrancos. qualidade na educação (MARTINS, 2015).
A agenda de direitos humanos no PNE
Finalmente, o objectivo da meta 6 é oferecer educação a tempo inteiro em pelo menos 50% das escolas primárias para servir pelo menos 25% dos alunos do ensino primário – o que também está longe de ser alcançado. Ao longo desse período, observa-se a implementação de diversas políticas públicas e ocorrências emblemáticas, como o Mais Educação, o Ciência Sem Fronteiras, o programa Brasil Alfabetizado, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Sinaeb) e o Fórum Instituto Nacional de Educação ( FNE), um importante exemplo de participação da sociedade civil. A partir desta análise é possível verificar que o PNE deixou de ser considerado um referencial norteador das políticas educacionais brasileiras e a falta de sua implementação afetou diretamente a ampliação do acesso a busca pela universalização qualidade e igualdade em todos os níveis e etapas da educação brasileira.
Em relação às etapas e produtos do programa Escola Sem Homofobia, pesquisa concluída, conjunto de materiais elaborados e pré-testados e formação de educadores realizada, todos os materiais foram entregues ao Ministério da Educação (MEC) em 2011 para serem disponibilizados para fins educacionais. instituições do país.
Contexto de suspensão do Programa Escola sem Homofobia
Não quero saber a orientação sexual do meu filho - até onde sei ele é hétero, mas não quero saber de você, da dele, da escola dele, da faculdade dele; Eu não me importo com isso. Presidente, o Banco Católico, a Frente Parlamentar Evangélica, a Frente da Família, que se reuniram esta tarde, tomaram algumas decisões que gostaria de informar esta Assembleia. Há um artigo que vi na televisão e que você ignorou e do qual discordo.
Agora o governo pode educar que as diferenças devem ser respeitadas para que não se possa praticar práticas violentas contra quem é diferente de você. Discordo deste conjunto porque não creio que defenda práticas que não sejam homofóbicas.
Contexto de retirada dos termos gênero e orientação sexual do PNE
57 O projeto de lei do PNE foi aprovado em sua redação final pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados e enviado ao Senado em 25 de outubro do mesmo ano. 2º, que se referia à “igualdade regional, racial, de gênero e de orientação sexual”, conforme previsto no documento original enviado pelo Executivo ao Congresso. O Senado alterou esta disposição, retirando a ênfase na promoção da “igualdade racial, regional, de género e de orientação sexual”, termo substituído por “cidadania e eliminação de todas as formas de discriminação”.
Entre as audiências públicas, algumas foram convocadas para discutir especificamente a “polêmica mais ruidosa” do PNE (segundo Paulo Sena) – o artigo que previa a promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual no Plano.
O ‘Fascismo Eterno’ nos discursos parlamentares sobre gênero e diversidade
A defesa da família, dos valores e costumes de João Campos
João Campos tomou como referência o que o deputado chamou de “conjuntos gays produzidos pelo Ministério da Educação”, João Campos afirmou que falaria “em defesa da família brasileira, dos valores, dos princípios” (Documento 1, p. 01) . Além de dizer ‘em defesa da família brasileira’, João Campos destaca em seu discurso que o material educativo do programa Escola Sem Homofobia teria como objetivo induzir a homossexualidade nas escolas. Ao aproximar o discurso do parlamentar dos postulados de Umberto Eco, João Campos tentaria impor um consenso a estas afirmações – a heterossexualidade compulsória.
João Campos ameaçou repetidamente o Ministério da Educação e o governo federal ao longo de seu discurso no plenário da Câmara.
A disputa entre uma minoria barulhenta e uma maioria absoluta de Magno Malta64
Em outra parte do discurso, Malta afirmou que “uma minoria barulhenta nunca prevalecerá sobre uma grande maioria, que é a família” (Documento 2, p. 01). Na verdade, viemos do ventre de uma mulher, não há anomalia que alguém de fora possa revelar” (Documento 2, p. 01), conclui o senador, exercendo o culto à tradição e agravando “o medo natural da diferença” ( ECO, 2018, p. 8) – mais duas características do Eterno Fascismo de Umberto Eco. Além disso, o Senador declara que o governo tentaria enfiar (o kit) garganta abaixo da família" (Documento 2, p. 02), "o que tipo de piada é isso?"
Na abertura da votação, Paulo Freire destaca que por se tratar de uma discussão de um plano decenal para a educação do país, a inclusão de discussões sobre gênero e diversidade sexual no PNE foi uma “promoção deliberada de aspectos ideológicos de através regulamentações estaduais” (Documento 03, p. 3).
A proibição definitiva da ideologia de gênero na educação de Eros Biondi
Portanto, em agosto de 2015, Eros Biondi apresentou um projeto de lei que busca alterar a atual lei do PNE para proibir o uso de qualquer forma de ideologia na educação nacional, especialmente o uso da ideologia de gênero. É proibido o uso de qualquer tipo de ideologia na educação nacional, especialmente o uso de ideologia de género, orientação sexual, identidade de género e seus derivados, sob qualquer pretexto. Eros Biondi acusa o governo federal, por meio do Ministério da Educação e utilizando o documento final da Conferência Nacional de Educação – CONAE, de tentar substituir ilegalmente a discussão da ideologia de gênero na elaboração dos planos estaduais e municipais de educação.
A suspensão dos materiais didáticos do Escola sem Homofobia fomentou uma relação complexa e rompida entre o Executivo e o Legislativo, fortalecendo a narrativa e potencializando a atuação dos deputados dos bancos religiosos, alterando a correlação de forças no Congresso e as discussões preconceituosas sobre gênero e questões de género. Diversidade sexual no Plano Nacional de Educação 2014/2024. Podemos destacar também a produção acadêmica desenvolvida – tanto no Programa Escola Sem Homofobia quanto sobre gênero e orientação sexual no Plano Nacional de Educação. Todo o processo envolvendo o Programa Escola Sem Homofobia e, posteriormente, as discussões sobre questões de gênero e orientação sexual no PNE trouxeram, por si só, elementos positivos em relação à forma como a escola tem tratado esses temas no seu cotidiano. .