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o fim do protesto por novo júri e o direito intertemporal

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Academic year: 2023

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Sabendo que se for em benefício do réu, a lei deve ser retroativa, devendo a impugnação de novo júri estender-se àqueles que praticaram o ato ilícito antes da referida lei. A impugnação de novo júri foi regida pelos artigos 607 e 608 do Código de Processo Penal até a promulgação da lei que reformou todo o procedimento do Tribunal do Júri, retirando de nosso ordenamento jurídico sua previsão estatutária. A questão que perpassa o caso se baseia em verificar se os dispositivos revogados que tramitavam o protesto de um novo júri terão impacto sobre os agentes que praticaram o crime antes da entrada em vigor da nova lei.

O objetivo principal da pesquisa é analisar se um protesto por um novo júri pode funcionar retroativamente e atingir aqueles que cometeram o crime antes da promulgação da lei, e explicar em que consiste um protesto por um novo júri e mostrar seus requisitos e condições ; analisa questões jurídicas intertemporais no direito processual penal; mostrar as condições em que a lei pode ser aplicada retroativamente; declarar explicitamente a natureza mista ou híbrida dos dispositivos cancelados; dar posição judicial e doutrinária quanto à possibilidade de utilização do protesto de novo júri em crimes cometidos perante a lei. O objetivo deste trabalho é analisar a possibilidade de usar o protesto de um novo júri em atos criminosos praticados perante a lei para esse fim, quer recorrer à metodologia teórico-dogmática, com a análise da bibliografia, prática judiciária.

A monografia será composta por 3 (três) capítulos, sendo o primeiro dedicado ao protesto por um novo júri, demonstrando suas características e requisitos para que possa ser aplicado. No terceiro capítulo demonstraremos a possibilidade de protesto por um novo júri em crimes perante a lei, enfatizando o caráter misto.

O PROTESTO POR NOVO JÚRI

  • Requisitos
  • Protesto por novo júri e apelação
  • Processamento
  • O novo julgamento

607 – o protesto de novo júri é exclusivo da defesa e só será deferido quando a condenação for de reclusão igual ou superior a 20 (vinte) anos, não podendo, em hipótese alguma, ser feita mais de uma vez. O protesto de novo júri não impede a interposição de recurso quando o arguido tenha sido condenado pela mesma sentença por outro crime em que este protesto não couber. Para que o réu tivesse o direito de se opor a um novo julgamento por júri, havia condições sob as quais eles deveriam ser atendidos.

Assim, nem todo processo encaminhado a um Tribunal do Júri era adequado para protestar contra um novo júri. Os pressupostos específicos relativos ao protesto de um novo júri são apresentados por Fernando Capez: .. a) condenação criminal b) pena de prisão;. Assim, a existência de todas as condições acima expostas representava condição sine qua non para o pedido de novo júri.

Como dito anteriormente, o protesto perante um novo júri era recurso exclusivo da defesa, dirigido ao próprio juiz para reexame em novo processo por impor ao réu pena de prisão igual ou superior a vinte anos de prisão. Também é interessante sublinhar que um novo júri poderia protestar se uma sentença de 20 anos ou mais fosse imposta em conexão com um dos crimes reconhecidos pelo Tribunal Popular. A exemplo do n.º 2 do artigo 607.º há uma condenação por homicídio de 20 anos de prisão, o arguido apresenta contestação por um novo júri e o Ministério Público recorre, visando o aumento da pena.

Como o protesto foi revogado por um novo júri, que não faz parte do nosso ordenamento jurídico, o autor não o enumerou nas exceções ao princípio do recurso único. O protesto para novo júri ocorreu na forma e nos prazos estabelecidos para a interposição do recurso, sendo o requerimento ou termo remetido directamente ao Júri Presidente do Júri, e no prazo de cinco dias . O prazo para a interposição do recurso era de cinco dias, uma vez que o § 2º do art. 607º previa que o protesto de novo júri estava sujeito ao mesmo prazo do recurso.

O pedido de novo júri dispensou a apresentação de razões ou contra-razões, pois qualquer erro de julgamento é necessário para a sua aprovação. O jurado que participou do primeiro julgamento não pôde participar do segundo, em razão da aceitação do protesto por um novo júri (artigo não pode ser prejudicial ao réu.

DIREITO INTERTEMPORAL

  • Norma Processual no Tempo
  • Norma Material no tempo (Art 2º CP)
  • Normas mistas ou híbridas
  • Normas heterotópicas

Portanto, ainda que a lei provisória vise resolver no tempo os possíveis conflitos existentes em relação à lei, ela deve estar expressamente de acordo com o disposto no artigo 6º da lei de entrada no Código Civil. Enquanto as normas substantivas regulam a própria questão, as normas processuais visam regular os próprios processos. Quanto à aplicação tempestiva de uma lei processual penal, há que se levar em consideração, como regra geral, o disposto no artigo 2º do Código de Processo Penal, segundo o qual “a lei processual penal aplica-se desde o princípio sem prejuízo da validade dos atos praticados na vigência da lei anterior”. 31.

Os atos processuais praticados durante o período em que vigorou a lei revogada não serão invalidados pela chegada da nova lei, ainda que sejam importantes para o benefício do acusado. A regra é bastante simples quando se trata de aplicação da lei processual: tem aplicação imediata, independentemente de ser onerosa ou não para a situação do réu. A aplicação imediata da lei deve respeitar os limites definidos no artigo 6º do KPCK e não pode prejudicar o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.

A principal característica das normas materiais é a provisão de direitos e garantias concedidas aos indivíduos. Embora exista no direito penal o princípio da não retroactividade da lei penal, o principal objectivo desta medida é não causar prejuízo ao arguido, pelo que se exclui a hipótese de benefício ao arguido. Assim, como exceção à regra da proibição desfavorável da retroatividade, surge o princípio da retroatividade da lei mais benéfica, que não se baseia apenas em razões humanitárias (humanitatis causa), liberdade (favor libertatis), justiça, equidade ou igualdade de tratamento , mas, sobretudo, por ser a mais baixa, a punição da nova lei é justa, mas a punição mais severa da lei revogada é desnecessária.

Da mesma forma, Julio Fabbrini Mirabete: “[..] a nova lei mais dura que a anterior (novatio legis in pejus) é o princípio do direito penal no tempo. Ademais, o princípio da irretroatividade da lei mais severa e da retroatividade da lei melhor é considerado um direito subjetivo de liberdade, conforme já mencionado, dado o teor do art. República. As normas mistas são aplicáveis ​​no direito penal, ainda que esteja prevista a não retroactividade destas normas.

A principal diferença entre as normas heterotópicas e as normas mistas ou híbridas baseia-se no fato de que nesta a norma está incluída em um diploma legal separado, ou seja, mesmo que uma norma tenha um determinado caráter, seja material ou processual, ela está incluída em outro grau legal. Dada a influência do direito substantivo sobre o direito processual e vice-versa, as normas de natureza heterotópica, bem como as normas mistas, devem ter efeito retroativo se forem favoráveis, alcançando os atos anteriores à sua publicação, observadas as condições estabelecidas em lei e os limites estabelecidos . Ao contrário, quando uma lei processual for inserida em grau substantivo, ela estará sujeita às suas ordens, ou seja, a lei vigente será imediatamente aplicada, tendo em conta o que consta da face tempus regit actum.

POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PROTESTO POR

O Devido processo legal

O devido processo legal torna-se a base legal para a boa aplicação de todos os demais princípios, incluindo amplas defesas e contraditórios, independentemente do ramo do direito processual. 5. LIV que ninguém pode ser privado de sua liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Trata-se de garantias essenciais para o bom andamento do processo, prevenindo possíveis abusos a esse respeito, assegurando que ninguém seja privado de liberdade ou propriedade sem o devido processo legal, e proporcionando aos réus em processos judiciais contraditório e ampla defesa com meios e recursos próprios.

Um julgamento justo constitui dupla proteção ao indivíduo, atuando tanto na área substantiva de proteção do direito à liberdade quanto na esfera formal ao assegurar a completa paridade entre as relações com o Estado perseguidor e a ampla defesa (direito à defesa técnica, publicidade do processo, citação, prova completa, acusação e sentença pelo juiz competente, recursos, decisão irrevogável, revisão criminal).59. Um julgamento justo busca proporcionar ao réu condições para que ele possa trazer para o processo de forma ampla tudo o que for relevante para sua defesa. Para Rômulo de Andrade Moreira, deve ponderar-se o seguinte quanto à retroactividade do protesto de um novo júri.

Pelo exposto, entendemos que os dispositivos revogados relativos à possibilidade de protesto de novo júri terão impacto sobre os policiais que praticaram o delito antes da promulgação da nova lei, destacando-se o disposto no art. Portanto, quando há a possibilidade de reverter a norma em caso de protesto de um novo júri, isso garante o exercício do devido processo legal, pois permitirá buscar efetivamente o direito à liberdade. Além disso, alterações nas regras após o cometimento do crime, além de irem contra o que preconiza o devido processo legal e a garantia de ampla defesa e contraditório, geram insegurança jurídica, que não deve prevalecer em nosso meio.

As regras são feitas para manter a sociedade em ordem e a insegurança jurídica torna isso impossível. Ao garantir que o protesto perante um novo júri tenha impacto sobre os crimes cometidos antes da lei que mudou o procedimento do júri, ele preservará a segurança jurídica, pois a sociedade verificará se os que estão nessa situação enfrentarão a justiça. O protesto perante um novo júri era um recurso exclusivo da defesa, a ser apresentado quando houvesse condenação, a pena aplicada fosse superior a vinte anos e prisão e a pena aplicada fosse apenas pela prática de um único crime.

O protesto por um novo júri foi retirado de nosso ordenamento jurídico com a reforma do Código de Processo Penal realizada em 2008 pela Lei 11.689/08. O entendimento de que as normas revogadas possuem caráter heterotópico permite afirmar que isso é possível, pois embora tenha sido inserida na Lei de Processo Penal, a norma revogada possuía conteúdo substancial, pois tratava da liberdade do indivíduo. Normas heterotópicas podem sair pela culatra e, nesse sentido, atingir aqueles que cometeram a infração antes da norma e tinham direito a protesto por um novo júri.

Referências

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Em decorrência da aproximação desses autores marxistas e da conjuntura de re- democratização do país, foi aprovado, em 1986, um novo Código de Ética Profissional, que por fim