E por outro lado, os teístas tentam mostrar que a existência de Deus é permitida, apesar da presença do mal no mundo. Nesta dissertação procuramos apresentar os argumentos para tal justificação de Deus face à facticidade do mal no mundo.
O PROBLEMA ENFRENTADO POR AGOSTINHO 13
A problematização do mal no mundo antigo. 13
O fato de o mal (en ) exigir o acréscimo de hipóteses adicionais à hipótese do teísmo (h), para salvá-la da desconfirmação, significava que o mal reduzia a probabilidade do teísmo como tal (teísmo puro) em relação à probabilidade dele à luz dos motivos. considerado anteriormente (k) — P(h|e n . & k) < P(h|k).77. Neste caso, aceitar a inexistência de Deus é a conclusão a que se chega a partir da premissa de que Deus não pode permitir que algo ruim aconteça.
A solução ao problema do mal por Agostinho. 15
- O contexto histórico do problema 15
- A natureza do mal como privação de ser 16
- A responsabilidade do homem pela origem do mal: o mal moral 18
- O mal físico como resultado da desordem moral 20
- Conclusão: A justificação de Deus diante do mal 22
O PROBLEMA ENFRENTADO POR LEIBNIZ 23
A contextualização da metafísica de Leibniz. 23
- A defesa do teísmo no espírito do racionalismo 23
- A monadologia e o princípio da harmonia pré-estabelecida 25
- O melhor dos mundos possíveis. 27
As ações de cada mônada foram pré-arranjadas para corresponder às ações de todas as outras. De acordo com esta interpretação, as ações de cada mônada foram pré-arranjadas para corresponder às ações de todas as outras.
A teodicéia de Leibniz. 29
- O mal na conceituação de Leibniz 31
- O mal é um acontecimento que faz sentido 33
- Deus pode permitir que o mal ocorra 35
- Conclusão de Leibniz para a causa do mal 38
A segunda consideração é que Deus em sua soberania está ciente de todas as coisas e até permite que coisas ruins aconteçam, produzindo bens que de outra forma não seriam possíveis. Uma teodiceia não pode abandonar a ideia de que Deus deve ser justificado à luz da facticidade do mal no mundo que ele criou.
O PROBLEMA DA TEODICÉIA A PARTIR DO ILUMINISMO 39
Critica do teísmo no iluminismo e em Hume. 39
A ideia que surge do sistema leibniziano de que o mal é justificado porque faz parte da ordem natural do cosmos e, portanto, não põe em perigo a lógica da existência de Deus parecia no mínimo absurda e insustentável aos pensadores imediatamente seguintes. O efeito das críticas sobre o Iluminismo foi muito profundo e podemos dizer que entre os séculos XVIII e XIX o problema do mal e os obstáculos que os críticos levantaram à ideia da existência de Deus permaneceram praticamente sem resposta.
A discussão contemporânea sobre o teísmo e o problema do mal. 41
- Uma questão permanente: Deus e o mal. 41
- As estratégias atuais para o enfrentamento do problema 43
Reconhecer as razões de Deus para não impedir a ocorrência do mal não produziu nenhum paradoxo. As inadequações desta justificação das razões de Deus para permitir o mal só vieram à luz com o advento da modernidade.
CRITÉRIOS GERAIS DE JUSTIFICAÇÃO DE UMA CRENÇA. 45
- A verdade é uma questão de grau (probabilidade) 45
- As formas de probabilidades 46
- Alguns critérios da probabilidade epistêmica 50
- Probabilidade prévia: 50
- O critério de simplicidade 52
- O teorema de Bayes 52
- Quando uma crença está justificada nessa abordagem. 55
- Hipótese logicamente consistente. 55
- A crença justificada conta com a hipótese mais provável 56
Ambas as formas de probabilidade lidam com os valores encontrados de uma forma que não é suficiente para o processo epistemológico. A probabilidade indutiva indica quanto valor de verdade de uma proposição pode ser encontrado ou esperado. A probabilidade anterior de uma hipótese é a sua probabilidade de ser verdadeira antes de levar em conta pistas ou razões que possam alterá-la em graus variados.
A probabilidade de uma hipótese não está apenas relacionada com a sua probabilidade anterior, mas também com o seu maior ou menor poder explicativo dos factos em questão. São o critério de simplicidade para uma hipótese e o uso do teorema de Bayes na probabilidade epistêmica. Para Swinburne, a melhor fórmula para capturar as condições de probabilidade de uma hipótese é “uma forma tradicional de cálculo de probabilidade, usada como cálculo de probabilidade indutiva” (SWINBURNE, R. 2001.p.103).
É através deste cálculo que se abre a possibilidade de medir a probabilidade de uma hipótese em relação a outra e de determinar qual a correlação que existe entre os dados que emergem e a hipótese. Um argumento C-indutivo é aquele que aumenta o grau de probabilidade de uma proposição baseada em dados ou evidências (chamadas de evidências em inglês), dadas as relações lógicas entre as proposições.
OS CRITÉRIOS GERAIS DE JUSTIFICAÇÃO DE CRENÇA APLICADOS
- A hipótese do teísmo – A natureza de Deus 59
- Onipotência. 60
- Onisciência 62
- Um ser perfeitamente bom 64
- Um Ser com quem o homem tem obrigações morais 66
- A probabilidade intrínseca do teísmo 68
- A simplicidade do teísmo 68
- O poder explicativo do teísmo 71
- Teísmo e principais hipóteses rivais 72
- Teísmo e confirmação por indícios cumulativos 73
- O teísmo é uma crença justificada, segundo os padrões adotados 80
Assumindo que a existência de Deus deve ser assumida como uma verdade contingente, não se pode provar que o teísmo é logicamente necessário. Esta é uma das razões pelas quais Swinburne rejeita o argumento ontológico como prova da existência de Deus. Swinburne reconhece que a natureza problemática do conceito de onipotência pode dificultar a compreensão das ações de Deus.
Nesse sentido, Swinburne entende que a existência de Deus torna-se, em última análise, fonte de obrigações morais. Examinaremos a questão da interpretação pessoal mais tarde, mas primeiro precisamos esclarecer por que a hipótese teísta é simples, dado o tipo de Deus postulado. As ações de Deus não podem ser explicadas cientificamente porque ele não está sujeito a quaisquer leis e condições que não tenha causado.
Para Swinburne, “somente os propósitos de Deus explicam por que ele faz o que faz” (2004, p. 49). Portanto, podemos seguir o seu entendimento de que a interpretação pessoal de Deus não é mediada, mas é a interpretação pessoal final.
O MAL COMO PROBLEMA PARA O TEÍSMO 82
- O conceito de mal 83
- O mal natural e o mal moral 83
- Como o mal compromete a hipótese teísta 88
Como vimos em Agostinho e em todos os processos posteriores a ele, a ideia do mal foi associada à retirada do bem no contexto do milagre da criação. A dor e outros sofrimentos são estados ruins, mas é inapropriado chamá-los de maus (como fiz na introdução), mesmo que alguém que causou ou possibilitou sua ocorrência fosse mau.]. Embora o problema com o qual estamos lidando seja chamado de “problema do mal” (e, portanto, estas palavras fazem parte do título deste livro), é realmente um problema da existência de estados ruins, de modo que (é minha sugestão) seria ruim para um agente que pudesse impedir, permitir a sua formação.
Por outro lado, além de usar o termo “moral” no sentido declarado de mal moral, distinto do mal físico, Swinburne generaliza seu uso de modo que todas as condições sejam consideradas moralmente boas ou más, ou seja, edição de seu livro A Existência de Deus, ele reformula o capítulo que trata do problema do mal. Não é o facto do mal ou os tipos de mal que constituem a verdadeira ameaça ao teísmo: é a quantidade de mal – tanto o número de pessoas (e animais) que sofrem como a quantidade de mal que sofrem.
Argumentei que a existência da quantidade e do tipo de mal no mundo (mal de tipos que seriam maus quer houvesse um Deus ou não) era tal que um Deus perfeitamente bom só poderia permitir que isso acontecesse, se ele também fornecesse um compensando a vida após a morte, a morte e (talvez) encarnou para compartilhar nosso sofrimento. No contexto do teísmo cristão, o referido argumento pode contar com o acréscimo de diversas hipóteses que superam a objeção que decorre da quantidade de mal que existe no mundo.
PRESSUPOSTOS DA TEODICÉIA DE SWINBURNE. 93
- Estrutura formal da argumentação: necessidade do mal para um bem
- O homem faz escolhas e o mal pode resultar disso. 104
- A permissão do mal moral como condição do livre-arbítrio 107
Contudo, um grupo de escritores cristãos modernos, representantes da “Teologia do Processo”, expressaram clara e seriamente a visão extrema de que Deus não é onipotente. Dado que as ações de Deus são intencionais e que Deus tem o direito de permitir que algum evento ruim ocorra, o teísta deveria realmente se preocupar com os princípios gerais que apontam para o significado moral das ações realizadas por Deus. O ateu pode objetar que algum tipo de mal é possível, não relacionado a esta verdade, que Deus trará algum bem através disso.
Na verdade, o que o ateu quer evocar é uma verdade moral puramente condicional, uma vez que não admite a premissa prévia de que Deus pode permitir que algum mal venha para algum bem. Uma das formas de promover tal diálogo é confrontar a forma tradicional como os ateus concluem que não é coerente admitir que Deus existe. Afinal, espera-se que aconteça algum mal tão terrível que Deus não pode permitir que aconteça.
A ideia de que Deus deve usar os seus atributos para prevenir as más consequências que prevê é rejeitada por Swinburne por duas razões. A outra razão é que alguém poderia perguntar: por que Deus não coloca um limite nas escolhas humanas para que elas não conduzam a vários tipos de males que podem ser evitados ou mesmo reduzidos.
O SENTIDO DO MAL NATURAL 115
- A necessidade do mal natural para se obter conhecimento 118
- Crenças morais justificadas 121
- Outras razões pelas quais o mal existe. 123
- Deus pode infligir dano e recompensar sofredores 123
- A quantidade do mal 124
A primeira é que estar consciente do sofrimento não garante para ele que surgirá compaixão. O significado essencial deste argumento para Swinburne é a ideia de que um mundo em que não fosse possível expressar a nossa afeição e interesse por outros seres seria, sem dúvida, um mundo pior. A ideia de que o sofrimento nos faz crescer enquadra-se neste argumento e centra a nossa atenção em como a escolha de experiências relevantes nos ajudará no desenvolvimento moral.
Se aceitarmos este princípio, somos confrontados com o facto de que a formação e justificação das nossas crenças têm uma relação direta com as nossas escolhas. O desafio proposto por Swinburne é que compreendamos a sua afirmação de que Deus, que tem direito à sua criação, pode até prejudicar o mundo que criou. E outro desafio é compreender que a enorme quantidade de mal no mundo segue um propósito consistente com a justificação de que o mal pode produzir coisas boas.
Uma das objeções a esse argumento é o fato de que há pessoas cujas vidas são tão cheias de sofrimento que para elas a vida não parece valer a pena ser vivida. Se, nestes termos, se espera que os benefícios venham dependendo do grau de sofrimento que se experimenta nesta vida, então a hipótese teísta estaria salva.
CONSIDERAÇÕES POSSÍVEIS A RESPEITO DA TEODICÉIA DE
- A lógica do problema do mal 125
- Compatibilizar o mal com a existência de Deus 126
- Defender que sem o mal moral não há o livre-arbítrio. 127
- Explicar qual o sentido para que ocorra o mal natural 129
Tal como acontece com o problema do mal moral, uma análise crítica mais profunda neste caso deve examinar até que ponto a existência do mal natural é compatível com um ser criativo absolutamente perfeito, onisciente, amoroso e todo-poderoso. A reflexão desenvolvida até agora desafia-nos a mostrar até que ponto as propostas apresentadas por Swinburne aproximam-se realmente de algum tipo de solução para o problema do mal que o teísmo enfrenta. Na verdade, eles baseiam-se neste raciocínio para argumentar que não há contradição, por exemplo, entre os atributos divinos e o facto do mal.
Ele postula que neste quadro de desenvolvimento cósmico, de acordo com o plano divino, existem situações em que a ocorrência do mal pode servir para criar certas oportunidades de grande valor para o ser humano. A nosso ver, ele não trata o mal como evidência a ser ponderada pelos padrões epistêmicos que ele mesmo propõe como critério para justificar a hipótese teísta em seu livro A Existência de Deus. Sua estratégia, no livro A Providência e o Problema do Mal, é caracterizada por um argumento que apresenta razões que justificariam a causa do mal.
Swinburne continua tentando demonstrar que a ideia de um Deus todo-poderoso e bom é compatível até mesmo com a extensão do mal que existe no mundo que ele criou. Mas é um autor que, pela consistência e abrangência dos seus argumentos, não pode deixar de ser tido em conta na discussão do problema da racionalidade do teísmo e da sua compatibilidade com a facticidade do mal.