Sobrino, categoria do Reino de Deus em relação aos povos crucificados, no contexto atual da América Latina. Sobrino sobre a concepção do Reino de Deus, que se baseia na articulação entre o Reino de Deus e os pobres6.
Jon Sobrino e o espaço vivencial de sua produção teológica
Breve biografia de Jon Sobrino
Sua primeira obra, publicada em 1976, foi Cristologia da América Latina: um esboço do Jesus histórico: uma obra que o coloca entre os teólogos da libertação. Outros livros publicados em português: O Reavivamento da Igreja Verdadeira: Os Pobres, Terra Teológica da Eclesiologia, 1982; Jesus na América Latina: sua compreensão da fé e da cristologia, 1985; Espiritualidade de Libertação: Estrutura e Conteúdo, 1992; O Princípio da Misericórdia: A Descida dos Povos Crucificados da Cruz, 1994; Jesus, o Libertador: a história de Jesus de Nazaré, 1996; Fé em Jesus Cristo: Um Ensaio Baseado nas Vítimas, 2000; Onde está Deus?
Traços significativos da teologia de Jon Sobrino
O perigo manifesta-se em ignorar a relação histórica constitutiva e dupla de Jesus entre o Reino de Deus e o Deus do Reino16. Sobrino parte da consciência de que é através do Jesus histórico e da prática de segui-lo que se dá o acesso ao Cristo da fé22.
O despertar teológico de Jon Sobrino
Mas não demorou muito para que ocorresse o “despertar dogmático” da singularidade de Deus escondida na realidade dos pobres e das vítimas do Terceiro Mundo. O testemunho a favor dos pobres revela a sua compreensão cristã e teológica, reacendendo a possibilidade de tornar digno o “princípio da misericórdia” na vida, de tirar da cruz os crucificados.
Descrição da realidade da pobreza salvadorenha
- Conceituação: povos crucificados e/ou vítimas da história
- Perseguições ao povo salvadorenho no final da década de setenta
- Panorama da realidade atual da América Latina e salvadorenha
- Equiparação da realidade salvadorenha com a latino-americana
E em qual ídolo não se acredita?110 Quais são as situações de dor e sofrimento dos pobres que duvidam da fé cristã. A Igreja reconhece nos injustos “os traços sofredores de Cristo” (Puebla, 31) e a atitude de misericórdia prevalece sobre o sacrifício (cf. Os 6, 6; Mt 9, 13).
Os pobres da América Latina na visão de Jon Sobrino
Mas «quando os pobres decidem viver e invocar o Deus que os defende e liberta, nem sequer são reconhecidos como povo de Deus»136. Os direitos básicos são violados, mas tal como os servos de Yahweh, os pobres esforçam-se por implementar a justiça e a lei e lutar pela libertação.
A categoria Reino de Deus na Teologia da Libertação
Entre os projetos cristológicos mais bem desenvolvidos do ponto de vista da relação entre Jesus e o Reino de Deus está o projeto do teólogo da libertação hispano-salvadorenho J. Vemos constantemente Jesus na sua relação constitutiva da Trindade com o Pai e com o Reino do Senhor. Deus.
Conclusão
A vida, a missão e o destino de Jesus de Nazaré constituem o facto gerador do processo de reapropriação da categoria do Reino de Deus. Neste capítulo, procuramos também analisar a redescoberta da categoria do Reino de Deus e a importância desta categoria no continente latino-americano pela Teologia da Libertação. A preocupação do próximo capítulo será identificar e destacar a contribuição específica deste Autor para a redescoberta da categoria do Reino de Deus em favor do povo crucificado.
Outras questões se entrelaçam na sistematização da categoria Reino de Deus no pensamento deste autor: O que ele oferece especificamente para a categoria Reino de Deus.
Categoria Reino de Deus: desenvolvimento bíblico-teológico
Via nocional: a esperada utopia no meio da miséria humana
Sobrino explora os conceitos do Reino de Deus no AT, a expectativa do Reino no tempo de Jesus e os conceitos de Jesus sobre o Reino de Deus. João Batista aparece no deserto e anuncia a chegada iminente de Deus, mas no sentido do julgamento de Deus e não do reino de Deus15. A continuidade de Jesus com a tradição israelita revela a sua participação na antecipação do reino de Deus e do Deus do reino.
Não há diferença entre a pregação do Reino de Deus que Jesus propõe e a boa notícia que o próprio Jesus traz.
Via do destinatário: Reino de Deus dos pobres
Sobrino entende que o Reino de Deus pertence aos pobres, àqueles que não têm o básico da vida. No AT, é evidente a parcialidade do reino de Deus em defender ativamente os pobres porque eles são pobres. A parcialidade do Reino de Deus para com os pobres permeia todo o Apocalipse56 e manifesta-se dialeticamente: quem aceita e quem rejeita.
O Reino de Deus realiza-se dinamicamente como o mínimo que se torna máximo para os pobres: a vida65.
Via da prática de Jesus
73 Semeion (sinal que pressagia, milagre que dá testemunho): em contraste com os milagres de cura e atos de poder (dynameis) de Jesus, os sinais revelam a justiça auxiliar do reino de Deus e pressupõem fé. Lutamos contra os poderes demoníacos (cf. Mc 3,27) e mostramos a ruptura do reino de Deus neste mundo (cf. neste sentido, se os milagres apenas exprimem sinais, ajudam a compreender o reino de Deus.
Jesus prega as parábolas da alegria de Deus para que os pobres e desprezados possam sentar-se à mesa do Reino.
Categoria Reino de Deus: organização sistemático-teológica
Jesus como mediador absoluto do Reino de Deus
Quando Jesus expulsa demônios (cf. Lucas 11:20), isso simboliza a proximidade do reino de Deus e não o máximo sobre si mesmo. Com esta reflexão, J. Sobrino quer dar sentido à realidade de Jesus como mediador absoluto do reino de Deus. Assim, a partir do reino de Deus, formula-se a realidade de Jesus, e a partir da finalidade do reino, formula-se a finalidade de Jesus153.
Seguir Jesus sugere que a plenitude do Reino seja compreendida a partir e na realidade histórica, o que permite viver e construir o Reino segundo a vontade de Deus.
A centralidade do Reino anunciado por Jesus em favor dos pobres
Para o autor salvadorenho, seguir Jesus no serviço do Reino permite pensar nas seguintes questões: Quais são as intercessões concretas que nos aproximam do Reino de Deus? Sobrino destaca que a construção do Reino de Deus se dá na luta contra as forças opressoras, contra o reino. No Evangelho, a dificuldade de seguir Jesus vem da prática de construir o Reino e de enfrentar o anti-reino.
A sucessão de Jesus realizada na história recria a estrutura fundamental do Jesus histórico: o que se segue está essencialmente relacionado com a construção do reino de Deus e a destruição do anti-reino.
Conclusão
Como a categoria Reino de Deus ilumina a prática pastoral na realidade dos povos crucificados da América Latina. Que novidades a ressurreição de Jesus traz aos crucificados na construção do reino de Deus. O próximo passo se concentrará em mostrar como a categoria Reino de Deus ilumina a prática pastoral latino-americana.
O escritor salvadorenho oferece um novo alento com a visão da proximidade de Cristo e do Reino de Deus.
Perspectiva a partir das vítimas deste mundo: a esperança da proximidade
A cristologia observa e leva em conta os sinais que apontam para a presença de Cristo e o mistério de Deus na história. Esta afirmação leva em conta a realidade histórica e enfatiza também a novidade de conter a presença ou projeto de Deus. A Igreja professa a fé – em Jesus Cristo – seguindo e testemunhando o anúncio e vivendo o Reino de Deus em comunidade.
Os pobres e as vítimas deste mundo são pelos valores que têm - muitas vezes - e por causa disso - sempre - os sacramentos de Deus e a presença de Jesus Cristo entre nós.
Que significa descer da cruz o povo crucificado hoje?
Quando a solidariedade e o amor de Deus revelados aos pobres na pessoa de Jesus de Nazaré estão presentes, a libertação acontece. O reino de Deus não é apenas entendido como esperado, mas está preso na construção e no serviço da luta contra o anti-reino25. Portanto, no caminho da construção do reino de Deus e do seguimento de Jesus, a acessibilidade à missão – dar testemunho – é essencial para compreender a realidade da ressurreição26.
Seguir Jesus em benefício do reino de Deus, para o autor, está enraizado na encarnação e na cruz.
Que novidade traz a ressurreição de Jesus para os povos crucificados
- Teológica
- Cristológica
- Antropológica
- Comunitária
Esses pressupostos antropológicos, presentes na ressurreição de Jesus, são o fundamento da espiritualidade cristã, que possibilita a aceitação do dom de Deus: o Reino de Deus. Não a cruz pela cruz, mas a cruz em conexão com a vida de Jesus, na fase de serviço ao Reino de Deus. Mas neste mundo os sinais do Reino de Deus desenvolvem-se e mantêm viva a esperança ao serviço do amor e da solidariedade.
Desta forma, a ressurreição de Jesus torna-se símbolo de esperança para os crucificados52, o que se traduz no “princípio da misericórdia”, como sinal do Reino de Deus.
A esperança no “princípio misericórdia” como sinal do Reino de Deus
Segundo o autor salvadorenho, é necessário compreender bem o termo “princípio” combinado com o termo “misericórdia” para evitar as limitações do conceito de misericórdia e os mal-entendidos a que ele se presta. O “princípio da misericórdia” orienta a ação de Deus e não indica apenas a obra de misericórdia em favor dos necessitados. Segundo o escritor salvadorenho, “quem vive segundo o 'princípio da graça' alcança o aspecto mais profundo do ser humano, para se tornar como Jesus”72.
Sobrino acredita que o “princípio da misericórdia” inclui todas as dimensões do homem: conhecimento, esperança, celebração e prática74.
Exigências pastorais do “princípio misericórdia”
Orientar a vida com a atitude misericordiosa do perdão-acolhida
Na realidade social e histórica que atravessa povos inteiros, é necessária uma atitude de perdão e de acolhimento: «extirpar a culpa dos pecadores e procurar a sua salvação»82. O perdão cristão-aceitação da realidade, ao contrário de outras formas de erradicar o pecado, também requer suporte. A espiritualidade do perdão-aceitação inclui a tensão entre o amor e a destruição: por amor é preciso estar pronto para perdoar o pecador - para aceitar e prevenir frutos desumanizados para os outros e para si mesmo93.
Praticar a espiritualidade da saudação do perdão é necessário a nível estrutural e também na vida quotidiana.
A vivência da práxis misericordiosa na história fortalece a fé e
O Autor acredita que, quando este acolhimento e convite são acolhidos, a reconciliação, a solidariedade e o futuro do Reino de Deus estão presentes na história100. A boa nova de Jesus significou um anúncio de vida e de esperança, especialmente para os pobres, aos quais Jesus anuncia a proximidade do Reino de Deus (cf. Segundo os Evangelhos, significa fazer-se carne e tornar-se carne na história real; proclamar as boas novas do Reino de Deus com sinais de todos os tipos e condenar a terrível realidade do anti-reino; usar o.
A misericórdia desafia o cristão e desafia-o a encarnar a boa nova do Reino como uma questão prioritária no mundo dos pobres.
A história como lugar de salvação para as vítimas na reflexão teológica de Jon
- A manifestação atual de Deus na história
- A reação misericordiosa como intellectus amoris
- A opção pelos pobres como pré-compreensão da teologia
- Eixos da teologia do “princípio misericórdia” como salvação na história
A pré-compreensão do mundo dos pobres como espaço objetivo de teologização permite captar teologicamente os sinais dos tempos e ver neles a presença histórico-salvífica de Deus e de Jesus Cristo. Jesus de Nazaré é Jesus Cristo, o Cristo de Deus, que permite à humanidade conhecer e experimentar Deus144. Na teologia de Sobrin, os “princípios da misericórdia” tornam central a relação de Jesus de Nazaré com o Reino de Deus e a relação com o Pai145.
Os textos evangélicos mostram que o aspecto mais histórico de Jesus é a sua prática, ou seja, o conjunto de atividades em relação ao reino de Deus.
Conclusão
Esta tese não quis esgotar o tema de Jesus e do anúncio do reino de Deus à luz do povo crucificado, segundo J. Na reapropriação histórica da vida de Jesus, o conceito de reino de Deus adquire uma dimensão caráter sistemático e totalizante. Jesus experimenta, como realidade última da sua existência, a relação com o reino de Deus e com o Deus do reino.
Revista Latinoamericana de Teología, San Salvador, n. Cristología sistemática: Jesucristo, mediador absoluto del Reino de Dios.