Propôs uma teologia da graça numa perspectiva antropocêntrica e uma cristologia fundamental crítica e libertadora, buscando a relevância da fé cristã para os dias de hoje. Em segundo lugar, abrem um horizonte de investigação muito amplo, pois o método da teologia da libertação propõe e reimagina uma releitura da realidade histórica e social para que sejam dadas respostas pertinentes ao ser humano de cada época.
RAÍZES FILOSÓFICO-TEOLÓGICAS DO PENSAMENTO DE JUAN LUIS
DADOS BIBLIOGRÁFICOS E TRAJETÓRIA DE VIDA ACADÊMICA
5 Vários testemunhos da presença constante e sistemática de Juan Luis Segundo nesses grupos são mencionados em LIGORIO, Juan Luis Segundo. Diante do que surgiu até agora, apresentaremos agora os principais elementos do pensamento de Juan Luis Segundo.
Fundamentos do pensamento de J. L. Segundo
- Categorias de Nicolau Berdiaeff
- Categorias de Karl Rahner
- Categorias de Teilhard de Chardin
- Categorias de Gregory Bateson
- Categorias de R. Bultmann
As categorias de Bateson influenciaram o método e a epistemologia de Juan Luis Segundo, especialmente no que diz respeito à relação entre crença e ideologia57. Apesar de alguns comentários e críticas em contrário, o método do círculo hermenêutico de Juan Luis Segundo tem origem em Rudolf Bultmann61.
Temas centrais da Teologia Complexa de Juan Luis Segundo
- Elementos antropológicos
- Círculo Hermenêutico
- Massas e minorias
- Temas complementares
O diálogo em J. L. Segundo é um pressuposto metodológico que se torna um espaço de convergência entre a teologia dogmática e a teologia fundamental165. A era moderna não apoia um cristianismo de verdades prontas; pelo contrário, requer um discurso corporificado que na realidade expresse uma mensagem de esperança e salvação, como uma categoria fenomenológica onde a teologia se torna dialógica no seu método166.
GRAÇA E CONDIÇÃO HUMANA
Longitude: a condição humana
Um indivíduo só pode ser libertado em toda a sua condição humana, ou seja, no seu contexto social. Outra diz que um indivíduo só pode libertar-se de toda a sua condição humana, ou seja, do seu contexto social.
Altura: a atitude religiosa radical
Tal visão moralizante via a ação da graça não como uma elevação do que é humano, mas como uma elevação em relação ao humano. 14 Dom Hélder Câmara tem uma frase que expressa exatamente essa ação da graça: “Faça com a alma o que lhe foi dado fazer na vida.
Largura: horizonte da graça
Portanto, cada momento presente é um encontro entre o homem e este agora de julgamento, de graça. A ação pastoral não pode distanciar-se do mundo; É precisamente inserindo-se na história como lugar do encontro do homem com Deus que ela produz o seu efeito.
Profundidade: liberdade e salvação
A salvação não é apenas uma opção legal oferecida, mas uma realidade que está ativa na humanidade, e a sua eficácia reside (..) no facto de a nossa liberdade (..) atravessar o muro cego de forças que claramente pretendem derrotá-la31. Movemo-nos entre dois pólos extremos: por um lado, a força do egoísmo, que se expressa na lei do menor esforço, que substitui completamente o homem; de outro, a força criativa que reside no homem e que o torna capaz de utilizar livre e pessoalmente todos os determinismos, através de relações de amor32. Por outro lado, tudo o que o egoísmo consegue é o retorno à força pré-humana e passa sem levar consigo o que foi construído no amor33.
A questão que se coloca nesta perspectiva é a seguinte: qual o papel da liberdade face aos determinismos a partir dos quais fazemos as nossas escolhas. Não é tanto no proibido que reside a ameaça, mas sim no “bem” possível ao qual podemos fechar-nos35.
Reflexões críticas I
- Libertar a liberdade
- Obstáculos a uma verdadeira compreensão da relação graça-liberdade
- Necessidade de reelaboração do conceito de graça
Deus aparece pela mediação do homem, para quem a conquista da liberdade não é um comportamento contrário ao encontro com o divino, mas, sobretudo, à sua condição indivisível. Como ilustra o caráter criativo da liberdade: “Santo Inácio disse ao Padre Laínez: - Diga-me, mestre Laínez, o que você faria se Deus, nosso Senhor, lhe propusesse este caso e lhe dissesse: Se você morresse logo , Eu vou. A fraqueza intrínseca do estado de graça em relação ao pecado fez-nos temer este estranho poder da liberdade de colocar o homem em situações quase desesperadoras.
A abordagem negativa de como a graça foi concebida não diminuiu o protagonismo da liberdade; em vez disso, destacou o seu valor e destacou o seu significado. Em segundo lugar, ele alerta que há aqui outra armadilha, porque ao enfatizar o protagonismo divino, o papel da liberdade é diminuído em favor de uma espécie de predestinação.
Reflexões críticas II
- Enfoques da graça no pós-concílio
- Conceito paulino de graça e liberdade
- A graça integra o pecado no destino do homem
Concluiu também que importantes representantes da teologia não conseguiram abordar adequadamente o papel da liberdade face às situações-limite que definem o destino último do homem. Primeiro: o valor da liberdade não consiste em pôr à prova o homem, mas em exprimir a concordância com a liberdade divina e a sua função criadora. Terceiro: Isto significa que Deus não intervém na criação para torná-la o espaço decisivo para a liberdade humana.
Isto acontece quando o homem se recusa a superar a resistência que os mecanismos do mundo criado opõem à novidade do amor que traz consigo o poder da liberdade. Desta forma, a linguagem existencial tem sido um tanto desacreditada pela teologia da graça, pelo facto de temas como o estudo do sentido e os limites da liberdade parecerem um assunto “privado”.
Considerações conclusivas
- Graça/liberdade
- Graça/escatologia/vida filial
- A graça como esperança
O cristão deve enfrentar a realidade do pecado como uma luta desesperada contra um muro intransponível ou integrando os pecados na dinâmica esperançosa da graça e da liberdade criativa. A ação do amor criativo não é considerada criatividade linear, ou seja, não existe uma linha reta entre a intenção e a realização, acionada automaticamente para transformar a realidade. A criatividade em forma de circuito tenta encontrar a síntese mais adequada para cada contexto de inscrição do amor na história vivida.
A missão da liberdade, expressa em gestos de amor criativo, consiste em integrar dialeticamente a imensa quantidade de pecado na potência qualitativamente superior e definitiva da graça, da liberdade e da esperança. Em segundo lugar, experimentamos a graça precisamente na liberdade criativa do amor e na confiança serena na sua vitória final.
CRISTOLOGIA DE J. L. SEGUNDO
Notas metodológicas e hermenêuticas
A primeira coisa a superar nesta tarefa será a dificuldade de chegar à própria história de Jesus de Nazaré. Os Evangelhos parecem transmitir o seu conteúdo como se fosse uma história linear sobre a vida de Jesus. Porque através deles tocamos na importância essencial de Jesus para a interpretação da realidade atual.
A segunda leitura, a da generalização antropológica, tenta compreender e comunicar o significado de Jesus e da sua história para a vida humana. A adesão à pessoa de Jesus se dá no processo de construção da estrutura de sentido de cada indivíduo.
Jesus interpretado em clave política
- Anúncio do Reino
- Milagres e parábolas
- A prática política de Jesus
- Paixão-morte-ressurreição de Jesus
Ele mesmo admite que “é a chave política (..) que nos apresenta como a mais adequada para abordar historicamente as palavras e os feitos de Jesus de Nazaré. São os verdadeiros pecadores que estão fechados à vinda do Reino e se opõem claramente à proposta de Jesus. Numa interpretação política, os gestos de Jesus são inseparáveis do sinal do Reino (Mt. 11,2ss; 12,28).
O anúncio do Reino de Deus nos gestos poderosos de Jesus é de tal natureza que estabelece uma nova ordem que questiona conceitos predeterminados e os desafia a todos. Segundo os critérios de interpretação de Jesus, ele aponta quem pode ser incluído no Reino de Deus e quem ficará de fora.
Cristologia em clave antropológica
- A condição humana
- A humanidade interpretada a partir de Cristo
- Análise crítica
Partindo de preocupações existenciais, ele recorre à pessoa de Jesus Cristo para ensaiar respostas que vão ao encontro da realidade do ser humano concreto. A ligação entre a ressurreição e o projeto do Reino torna-se clara no paralelo que Paulo faz entre o projeto de vida de Jesus e o de Abraão. Em segundo lugar, pretendem devolver aos homens latino-americanos a esperança que advém de uma interpretação pertinente do sentido da vida de Jesus de Nazaré.
A abordagem antropológica de Paulo consegue captar a essência da mensagem de Jesus, relendo-a e aprofundando-a num novo contexto. As decisões históricas de Jesus revelam o caráter operativo da graça através dos mecanismos de eficácia.
Jesus em clave evolutiva
- A cristologia em clave evolutiva
- A evolução em clave cristológica
Em segundo lugar, explicará o significado da pessoa de Jesus de Nazaré para o homem de hoje: em categorias evolutivas. Primeiro, na afirmação “Jesus é Deus”, a informação não passou de um predicado já conhecido para uma figura histórica de Jesus ainda indefinida ou ambígua. Um exemplo da entropia integrada na vida e na mensagem de Jesus é o facto de ser um homem histórico; ou seja, culturalmente situado.
Por fim, a ressurreição de Jesus mostra que o amor manifestado na sua pessoa é, além de uma força recapituladora, também uma força criativa. Como a pessoa de Jesus contribui para a tarefa responsável do homem de levar adiante o processo evolutivo de forma criativa e rítmica.
Linguagem cristológica
Em segundo lugar, analisa o processo de definição do dogma cristológico que sustenta simultaneamente a divindade e a humanidade de Jesus para falar do mistério de Deus revelado na história. Portanto, não é coerente falar da realidade de Jesus Cristo com base em uma ideia pré-definida de Deus. Superar no sentido de que a divindade de Jesus é a sua história levada à transcendência absoluta, ou seja, elevada à categoria de Deus.
Manifesta a liberdade de Deus se tornar homem e a liberdade do homem para construir uma história de amor. Truques do amor em busca de sua eficácia: as reflexões de Juan Luis Segundo sobre “o homem de hoje diante de Jesus de Nazaré”.
GRAÇA E CRISTOLOGIA EM J. L. SEGUNDO
Relação da teologia da graça com as claves de interpretação cristológica
A prática de Jesus torna-se um modelo de fé e ideologia que deve ser redesenvolvido pelo homem, independentemente do tempo e do contexto. Em segundo lugar, a vida de Jesus tem um tom político coerente com a sua história e mostra uma atenção ao apoio teológico à prática do compromisso com a libertação. Além disso, como diz Boff, a prática tem uma conotação essencialmente ‘política’, ‘na medida em que é através da política que a influência pode ser exercida nas estruturas sociais’”.
152 Qualquer pessoa que se encontre envolvida na prática histórica da transformação social sente “em primeira mão” os efeitos da resistência ao projecto de mudança. A experiência de Jesus de Nazaré transformou radicalmente a existência humana, porque Ele mesmo é graça por excelência.
Agraciados em Cristo
- Graça filial
- A vida de Cristo: liberdade realizada na história
No mais profundo do nosso ser somos apresentados à intimidade de Deus e ao Seu amor, como Aquele que se torna o mais íntimo da minha própria intimidade. A graça traduz a presença amorosa de Deus na história e liberta e salva a humanidade de toda escravidão. Segundo São Paulo, a nossa libertação do pecado vem da justiça de Deus concedida em Cristo.
A presença de Cristo em nós através do seu Espírito é a presença de Deus por excelência na existência humana; em outras palavras, é graça. A revelação de Deus para nós na história é seguida pela revelação de Deus em nós, a revelação do Espírito”.
Cristificados pela graça
- Herdeiros em Cristo para transformar a história
- O acontecido com Jesus Cristo como estrutura da existência humana
Pelo contrário, postula a liberdade criativa e responsável do homem como o núcleo da revelação que Deus recebeu na fé em Jesus Cristo. Portanto, a existência concreta de Jesus de Nazaré e o que lhe aconteceu da parte de Deus após a sua morte é um apelo à nossa liberdade humana para construir a história. Ele nos diz, nos sugere e às vezes até nos sacode para que entendamos que a única forma, a do Filho, é a liberdade dos filhos de Deus.
A Encarnação é o fundamento último da liberdade como graça, dom gratuito, pois nos torna filhos, introduzindo-nos na intimidade de Deus através de Cristo. Contudo, em Cristo e através do Cristo Pascal, o plano de Deus realiza-se plenamente em nós, homens.
Balanço crítico sobre a teologia da graça de J. L. Segundo à guisa de Conclusão
O nosso autor sublinha a responsabilidade da resposta humana ao desafio da graça, sem retirar a primazia de Deus no dom da salvação55. Depois de trabalhar explicitamente o tema da graça em duas obras da Coleção Teologia Aberta56, J. distingue entre graça incriada, isto é, o dom que vem da realidade do próprio Deus, da graça criada, que concentra o que a teologia sabe sobre as vicissitudes deste dom na existência humana58.
Ele mesmo admite que a teologia da graça ganharia muito “se fosse formulada a partir do verdadeiro nome da graça incriada: a teologia do Espírito Santo”63. Nesta retomada da graça incriada como ponto de partida para a reflexão teológica sobre este tema, um aprofundamento do enfoque cristológico de J.
Balanço crítico sobre a cristologia de J. L. Segundo à guisa de Conclusão
Compromiso – Hermenéutica – Praxis: Un estudio en la metodología de Juan Luis Segundo (Dissertatio ad Doctoratum). Salvación y liberación cristiana en la teología de J.L. El valor absoluto de la acción humana en la teología de Juan Luis Segundo. Releyendo la salvación cristiana en Juan Luis Segundo - Estudiando las mediaciones culturales que subyacen a su soteriología ochentera.
Umi Ñe’ẽpoty, Filosofía Existencial ha Teología joajuhápe: Juan Luis Mokõiha pensamiento ypykue», Estudios de Lovana, Lovana, v. Kuatiahaipyre Teología rehegua, Buenos Aires: ISEDET, v. Ateísmo ha idolatría Juan Luis II teología-pe.