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O HOMEM QUE VINHA DE DEUS‖ DE JOSEPH MOINGT

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Academic year: 2023

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A HISTÓRIA COMO ACONTECIMENTO TEOLÓGICO

História e Teologia: uma relação necessária

Concordamos com Joseph Moingt que a fé é um dom que recebemos de Deus. Joseph Moingt investiga assim o que pode ser dito sobre a Trindade de Deus “a partir da história de Jesus com Deus”, ou a partir da narrativa do Evangelho.

Investigação histórica: limites e alcance para a Teologia

O teólogo diante da historicidade e exegese

Joseph Moingt defende o uso de uma hermenêutica mais crítica na leitura dos Evangelhos do que da exegese. Joseph Moingt diz que é a proexistência que revela o sentido da existência de Jesus e revela a sua identidade.

Joseph Moingt: o sentido teológico que nasce da narrativa

Em seu livro “God Coming to Man”, Joseph Moingt esclarecerá como ocorre a “revelação de Deus no corpo de Jesus”. 352 O significado que está no centro da mensagem de Jesus nas suas boas novas sobre o reino de Deus.

A IDENTIDADE DE JESUS EMERGIDA DA HISTÓRIA

As temporalidades da narrativa

A partir da história anterior, os apóstolos percebem o que aconteceu com Jesus, que tomou como seu o projeto de Deus. A ressurreição de Jesus é, portanto, um acontecimento que une a temporalidade: passado, presente e futuro, revela a presença de Deus, que se deixa contar.154 Deste acontecimento, a ressurreição, vem a certeza de que de facto o Passado que Jesus vivido é um portador para as pessoas das inovações de Deus. Este é o clímax da narrativa, onde o passado, o presente e o futuro assumem o significado da boa nova aos olhos dos discípulos e daqueles que estão prontos a acolher os “milagres de Deus” em Jesus.

O motivo da história é baseado na narrativa dos acontecimentos humanos, pois através da narrativa temos acesso ao significado do que aconteceu. Portanto, os apóstolos e profetas testificam que os acontecimentos que aconteceram com Jesus fazem parte do propósito de Deus.

A narrativa: o personagem

À pergunta que Jesus faz aos seus discípulos “Quem dizem os homens que eu sou?” Joseph Moingt comenta: “A identidade de Jesus refere-se à origem e ao propósito de sua missão”. Como vimos, Joseph Moingt concorda com Wolfhart Pannenberg, aceitando a retroatividade de Hegel para a compreensão do messianismo de Jesus. Já através do texto de “O homem que veio de Deus”, pode-se perceber seu esforço em demonstrar a humanidade de Jesus como único escopo das narrativas evangélicas: Jesus é completamente consubstancial ao homem.

Através da narrativa da relação de Jesus com Deus, é possível perceber o surgimento de sua identidade na história. No entanto, não pode ser considerada uma cristologia ascendente porque Joseph Moingt não quer contar ou provar a divindade de Jesus a partir da história.

A narrativa: o ator

O acontecimento cristão é o ponto de partida da teologia e da história, o lugar onde este acontecimento se realiza.198 Distingue entre religião e revelação para mostrar a singularidade da revelação de Deus em Jesus. O ato criativo de Deus é uma concepção cara ao povo da Bíblia, nascida da reflexão sobre a sua experiência salvífica. Joseph Moingt salienta que em Jesus temos um novo começo e até muitas coisas novas sobre Deus que podem ser contadas para chegar à história de todas as pessoas.

Na crítica que dirigem, ele encontra a ontoteologia, o aspecto teológico da recusa de Deus em nomear de uma forma conceitual que está longe da experiência existencial.214 A partir disso ele constrói. Como conciliar o monoteísmo judaico com a imagem de Jesus assumindo uma posição sem precedentes diante de Deus, agindo até mesmo como “Deus”.

O tempo: o “traço” da eternidade

O acontecimento da história de Jesus contado pelo Evangelho traz consigo uma dupla revelação: Deus como Pai e Jesus como Filho. Muitos acreditam que a Trindade é mais um acontecimento na história da relação de Jesus com Deus do que um acontecimento que ocorre na imanência de Deus.363. A Trindade Económica é a Trindade imanente tal como aparece na história de Jesus com Deus e de Deus com Jesus, na relação de comunhão no amor.

É no tema do Reino de Deus que a cristologia latino-americana reflete sobre a pessoa e a missão de Jesus. O Verbo se torna carne, na carne de Jesus, tornando-se assim lugar-tenente de Deus na história.

A IDENTIDADE CRISTÃ EMERGIDA DA HISTÓRIA

As ressonâncias de Cristo na história

E ainda, que todos os homens e mulheres, segundo o livro do Gênesis, são criados à imagem e semelhança de Deus. Encontramos ressonâncias de Cristo na narrativa que identifica a humanidade de Jesus como portadora de revelação. Joseph Moingt aponta trabalhos teológicos mais recentes “especialmente protestantes e alemães, que buscam novas linguagens para falar de Cristo a partir do ateísmo”.

Portanto, não é possível falar de Deus ou refletir sobre o mistério de Cristo sem levar em conta as experiências que caracterizam a situação histórica de Cristo e do povo. Na sua abertura e interrogação ele é capaz de acolher em si o mistério de Deus dado ao homem na sua Palavra.

Os vínculos entre história e sentido na emergência da identidade cristã

O tema do sentido é caro ao cristianismo e está entre os problemas actuais da pregação do Evangelho, uma vez que o mundo se tornou «vazio da presença de Deus».271 Uma das causas deste problema é a consciência que o homem moderno tem da falta de fé. . Na verdade, para o teólogo francês, a ligação entre história e significado deriva da relação entre Deus e Jesus e Jesus com Deus. Dessa forma, Joseph Moingt se junta à visão de Dietch Bonhoeffer sobre a necessidade do homem compreender sua autonomia diante de Deus.

34; desapega-se da presença de Deus” e percebe a emancipação da sua realidade diante dele, da autonomia da razão através da qual retoma a responsabilidade pela história. 282. É esta condição criativa que “determina a existência do mundo e de toda a humanidade em todo o mundo”. história." 297 Como podemos perceber esta dependência do plano salvífico de Deus para as pessoas distantes da fé cristã?

O lugar da fé a partir da história

A história de Jesus com Deus é a história que nos faz visualizar a presença de Deus no mundo, resultando numa leitura da sua transcendência ou na percepção do invisível no visível. Qual é então a expressão de Deus para que possamos encontrá-lo na carne do mundo transmitida por Jesus. Ele percebe a economia trinitária como sendo a história da Trindade, a história de Deus que se entrega à história e recapitula toda a história no seu Verbo encarnado.

A escrita do livro “o homem que veio de Deus” conclui afirmando a importância de resgatar a história através da teologia. Neste tratado, Joseph Moingt reafirma a originalidade e a seriedade do amor gratuito de Deus pela humanidade. Joseph Moingt está consciente da reconciliação da teologia com a modernidade e procura uma forma autêntica de falar de Deus hoje.

Esta é uma oportunidade profundamente cristã que nos faz contribuir para a sua missão na história, a história de Deus com os homens.

A IDENTIDADE DE DEUS EMERGIDA DA HISTÓRIA

Tempo e eternidade: o desvelamento da história

Da história para a profissão de fé

A narrativa acontece na carne de Jesus Cristo, na palavra de Deus que se faz carne, na sua carne, o que permite que a encarnação continue na história, como a história de Deus com os homens, na parceria que ele forma com eles. Este é o momento em que os discípulos reconhecem a singularidade da relação de Jesus com Deus, o momento em que ele é confirmado como Cristo e Filho de Deus. É interessante notar que Jesus anuncia o Reino de Deus como o maior presente de seu Pai à humanidade.

Esta é a linha de reflexão da teologia da libertação, que redescobre os pobres como os principais destinatários do Reino de Deus. A teologia da libertação aborda a necessidade de falar de Deus no contexto da opressão e do sofrimento da vida dos pobres na América Latina.

Da narrativa da carne ao desvelamento da história

A emergência da Trindade na história

Segundo ele, a história da história de Deus com Jesus permite que as pessoas hoje encontrem Jesus Cristo em sua história, que nos revela o Pai e seu amor. É através da revelação que Deus faz em Jesus de Nazaré, através do reconhecimento do Cristo pela fé, que temos acesso qualitativo e quantitativo à vida de Deus. Não só recebem a luz da história, que nos chega através da história da Sagrada Escritura, mas vêem na história do seu povo a continuidade desta história: a história de Jesus e de Deus na realização do seu Reino.

Além disso, a teologia da libertação trata de como a história pode ser hoje um sinal da revelação da presença de Deus. Por outro lado, a humanidade de Deus é importante para a Teologia da Libertação e assume importância nas suas cristologias.

A IDENTIDADE DE CRISTO NA AMÉRICA-LATINA: DIÁLOGOS COM A

Diálogo da Teologia latino-americana com a de Joseph Moingt

A história da humanidade está entrelaçada com a questão do Reino de Deus, que é o tema central da pregação de Jesus de Nazaré. Parece paradoxal, mas os teólogos da libertação chegam à divindade de Jesus a partir da sua humanidade. É uma teologia que carrega uma memória perigosa de Jesus de Nazaré para quem está no poder.

Portanto, a teologia da libertação surge da necessidade de valorizar a história de Jesus como meio de aproximação com ele e com o Reino. Outra questão abordada por estes teólogos é a questão da humanidade de Jesus como possibilidade de sua historicidade. Podemos perceber, por outro lado, o encontro das duas teologias através da função que atribuem à história de Jesus de Nazaré.

É a memória perigosa de Jesus que continua a ressoar em todos os momentos, realizando a utopia do Reino.

Volta à história: o reencontro da humanidade de Jesus

Cristologia: os vínculos entre fé e história na busca de libertação

É a vontade de Deus ou o resultado da aceitação de um sistema injusto que controla a vida económica, política, social e cultural. A história é o lugar da ação humana e tem uma pista que conduz aos acontecimentos escatológicos da plena realização do Reino de Deus. É na esperança do Reino de Deus que ele baseia a sua acção libertadora, com vista a tornar os pobres.

Questiona também uma teologia e uma prática que não leva em conta a situação de opressão dos pobres, vendo isto como um aspecto funcionalista de um pré-determinismo da vontade de Deus. A Teologia da Libertação levanta suspeitas sobre esta visão e pergunta até que ponto ela contribui para uma visão correta de Deus e da revelação.

História: a memória e a narrativa de Cristo na paixão pelo pobre

A perigosa memória de Jesus sempre reaviva um clima de liberdade e conexão social em torno de sua narrativa. Não é possível no nosso contexto cultural continuar a pensar a pessoa e a humanidade de Jesus Cristo a partir da derivação de princípios universais e a priori. Através da ressurreição de Jesus tomamos consciência de que Deus se revela na forma como Jesus age.

A sua compreensão de Deus, que o fez agir como agiu, ganha legitimidade na sua ressurreição, que é o ponto de partida para compreender o mistério de Jesus e a sua ligação salvífica connosco. Na América Latina, as histórias bíblicas ganham corpo na vida dos mártires e do povo, tornando-se lembranças vivas de Jesus de Nazaré, o Cristo.

Referências

Documentos relacionados

A grosso modo, podemos afirmar que o trabalho, que em seguida será desenvolvido, não tem a pretensão de mostrar toda a História, mas de fixar-se em momentos