• Nenhum resultado encontrado

IDENTIDADE E MISSÃO DOS FIÉIS LEIGOS E LEIGAS

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share "IDENTIDADE E MISSÃO DOS FIÉIS LEIGOS E LEIGAS"

Copied!
128
0
0

Texto

A identidade e missão dos fiéis leigos: a participação dos leigos na missão da Igreja na perspectiva da CNBB/Antônio Rogério Verissimo Duarte. Finalmente, destacaremos algumas reflexões sobre a atualidade da integração dos leigos na missão da Igreja.

Antecedentes da noção do laicato

O uso do termo leigo na Igreja patrística, Medieval e na Modernidade

Este modelo é apresentado novamente no século III na organização da igreja de Hipólito11. Contudo, ele observa cuidadosamente que a relação da Igreja com o mundo moderno ainda não é dialógica, mas alternativa.

A Ação Católica como motivação ao engajamento dos leigos na missão

Assim, um modelo claro que emerge com o objectivo de aproximar a Igreja do mundo é o movimento da Acção Católica. Essa inserção fez com que os membros da Ação Católica vivenciassem uma “dupla função” de participação em suas ações no mundo e dentro da Igreja.

Contribuição de Yves Congar para uma teologia do laicato

É preciso ter presente que a ideia do Povo de Deus ainda precisa de algum tempo para amadurecer na consciência dos cristãos. Juntamente com os Padres conciliares, aprofundou as noções eclesiológicas da Igreja, entendida como “Povo de Deus”, “Corpo de Cristo” e “Templo do Espírito Santo”39.

O laicato na eclesiologia do Vaticano II

  • Os leigos como membros efetivos do povo de Deus
  • A relação dos leigos com o mundo na Constituição Pastoral Gaudium et Spes
  • A missão dos leigos no decreto Apostolicam Actuositatem
  • Consonância e atualização do laicato na exortação apostólica pós-sinodal

A definição da igreja como povo de Deus procurou reduzir a tensão que ainda existia entre os leigos e a hierarquia. O segundo capítulo do decreto trata dos “objetivos a alcançar” para o apostolado leigo na missão da Igreja.

A compreensão do laicato na Igreja Latino-Americana e do Caribe

  • A Conferência de Medellín como referencial da renovação eclesial do continente
  • A Conferência de Puebla como afirmação da participação dos leigos na missão da
  • Fiéis leigos e leigas como colaboradores da Nova Evangelização
  • Discípulos por vocação formados para a missão

A Conferência Episcopal de Medellín tem promovido grandemente as ações dos movimentos leigos para o bem da Igreja. O tema da reflexão desta conferência sobre os leigos é “a participação dos leigos na vida da Igreja e na sua missão no mundo” (DP 777). O texto conclui a sua reflexão sobre os leigos sublinhando a contribuição e a “importância das mulheres na missão da Igreja”, bem como “reflectindo sobre a sua igualdade e.

O texto conclusivo de Aparecida reconhece que a evangelização da Igreja na América Latina e no Caribe “não pode ser feita sem a cooperação dos fiéis leigos”. De facto, este novo modelo revela a necessidade de novas atitudes face à consciência e à urgência da formação em função da cooperação dos leigos na missão continental da Igreja.

A realidade do laicato: um caminho de avanços e desafios

O marco histórico para o laicato

O protagonismo do laicato: um caminho feito de avanços e retrocessos

Entre os avanços destaca-se o desenvolvimento da teologia dos leigos10, que desperta maior interesse, fortalece e aumenta a ação evangelística dos leigos, o que por sua vez tem levado ao aumento do número de leigos e leigas que estão conscientes deste papel e amplamente treinado em teologia. Entre os retrocessos expostos12, destacamos o facto de ainda ser insuficiente e mesmo negligenciável a presença e acção dos leigos nas estruturas e realidades do mundo devido à tendência de valorizar o serviço dos leigos apenas no interior da Igreja, e assim a sua ação eficaz no mundo eclesial e o fortalecimento do “amadorismo sustentado em relação à preparação da liderança”. O protagonismo dos leigos fica assim imerso entre avanços e retrocessos (ou desafios) e conta com uma variedade de rostos que estão engajados na ação evangelizadora da Igreja mesmo com limites ou que necessitam de maior atenção para este trabalho.

Entre estes rostos aparecem: casais cristãos que constituem a “Igreja doméstica”; crianças que já estão comprometidas no serviço da Igreja e são “a semente de um leigo maduro”; mulheres, Ele assume que “este é o caminho primeiro e fundamental da Igreja, o caminho que o próprio Cristo traçou, o caminho que passa invariavelmente pelo mistério da encarnação e da salvação”17 (RH 14).

A globalização como desafio à missão

Retoma assim o ensinamento da encíclica Redemptor Hominis de João Paulo II, que afirma que “o homem é o caminho que a Igreja deve percorrer na sua missão”16. Além das contradições do mundo globalizado, são apresentadas algumas características socioculturais do mundo em que os fiéis leigos estão inseridos e devem viver a sua missão. A Igreja, imersa neste mundo claramente globalizado, deve interrogar-se sobre os discernimentos necessários que contribuam para o cumprimento da sua missão.

Mas para que isso aconteça, existem alguns desafios que os leigos, assim como toda a Igreja, devem aprender a distinguir para viver a sua missão no mundo de hoje:26 a) distinguir a pluralidade do relativismo; b) a laicidade do secularismo; A missão da Igreja é, portanto, estar no mundo como serva, através da escuta, através do diálogo, como quem ensina e aprende.

As características e fundamentos teológicos da missão do laicato como sujeito do povo

Características da Igreja Povo de Deus

O conceito de povo de Deus expressa a profunda unidade, a dignidade comum e a competência fundamental de todos os membros da Igreja para a participação na vida da Igreja e para a corresponsabilidade na missão»37. Portanto, todos os membros da Igreja têm a missão de contribuir para a realização do Reino no amor, no serviço e na liberdade. Ao adotar a compreensão da Igreja como povo de Deus, reafirma-se que a sua missão e tarefa são da responsabilidade de todos os seus membros.

Outra característica da Igreja entendida como Povo de Deus é a unidade na diversidade universal de carismas, funções, Igrejas particulares, tradições e culturas que levam à perfeição desta unidade55. Desta forma, a expressão Povo de Deus evoca a variedade de carismas, serviços e ministérios que o Senhor distribui entre os fiéis em vista da vida e da missão da Igreja»57.

A missão da Igreja como o fundamento para a ação do laicato

Na mesma perspectiva, José Adalberto Vanzella afirma que a ideia da Igreja ministerial contribuiu para a retomada de grandes valores da vida eclesial. Do que foi dito, verifica-se que o ministério da Igreja não se limita ao aspecto funcional, mas sustenta a missão dos leigos e das mulheres e confere-lhes a cidadania na própria Igreja. A missão evangelizadora da Igreja foi sendo compreendida pouco a pouco como aquilo que melhor poderia expressar a sua própria vocação.

Portanto, uma vez que a Igreja se constitui como povo de Deus, o tema dos fundamentos teológicos da missão da Igreja diz respeito também aos leigos. Desta forma, a missão evangelizadora da Igreja é desempenhada por todo o povo de Deus, com a sua variedade de vocações e ministérios [...] que se harmonizam, sem se confundirem, no desempenho da tarefa comum»106.

Mudança de atitudes e proposições para um agir missionário

Da fé à vida: uma espiritualidade encarnada

Portanto, ao apresentar as diretrizes para a ação evangelizadora da comunidade em missão, o documento 62 trata da necessidade de formação espiritual dos leigos com vistas à missão. Tendo em vista este serviço, as orientações indicam a competência e a participação dos fiéis leigos como fundamentais na transformação da sociedade que visa sobretudo o benefício dos mais pobres. Com vista a esta transformação, os cristãos leigos devem envolver-se na política, acompanhados por grupos de reflexão que os ajudem a exercer o seu compromisso de fé.

O documento Cristãos Leigos na Igreja e na Sociedade apresenta a Igreja como “preeminentemente missionária” caracterizada por uma espiritualidade encarnada. Assim, os leigos e as leigas são “convidados a viver a espiritualidade da comunidade e da missão” na sua inserção no mundo.

Formação integral e permanente

Desta forma, a espiritualidade encarnada lembra para Maria Grazia Fasoli que “aos leigos cabe, portanto, um papel decisivo na construção da nova compreensão conciliar da Igreja de Cristo”. 157 A doutrina social da Igreja não foi sistematicamente concebida e organizada de um dia para o outro. A encíclica Sollicitudo rei socialis define bem a doutrina social: “A doutrina social da Igreja não pertence ao domínio da ideologia, mas ao da teologia, precisamente da moral” (João Paulo II, n. 41).

Nesse sentido, as Diretrizes Gerais para a Evangelização da Igreja Brasileira indicam que o projeto diocesano inclui a educação holística dos leigos como tarefa prioritária das Igrejas particulares162. Os três níveis dizem respeito ao método correto e à estrutura epistemológica da doutrina social da Igreja (cf.

Compromissos e encaminhamentos

Para tanto, o Conselho Nacional dos Leigos propõe168: a) articular e integrar as organizações laicais entre si e representá-las perante as organizações eclesiais e a sociedade civil; b) encorajar e encorajar a organização dos leigos nos diferentes níveis da Igreja no Brasil; Consequentemente, os fiéis leigos são chamados a agir nos campos modernos ou areópagos de ação a partir da sua própria vocação, identidade e dignidade batismal. Portanto, todos na Igreja são convidados a encorajar, consagrar, acolher e reconhecer a missão dos fiéis leigos como sujeitos eclesiais188.

Com este regresso, há indicações e orientações de que a Igreja, uma comunidade missionária, pode apoiar e fortalecer eficazmente as atividades dos fiéis leigos como súditos eclesiais. Nos capítulos anteriores apresentamos alguns aspectos eclesiológicos dos leigos na vida da Igreja e como a questão dos fiéis leigos aparece em documentos específicos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre este tema.

A importância de um laicato comprometido: uma experiência que parte da oração para

A Originalidade das CEBs: sua contribuição à renovação e atualização eclesial

As Comunidades Eclesiais de Base: um modo de participação dos leigos na missão da

Movimentos originantes das Comunidades Eclesiais de Base no Brasil

A questão do surgimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEB) é muito debatida e estudada desde a sua fundação, desenvolvimento e integração na Igreja no Brasil a partir da riqueza dos diferentes horizontes em que se abrem. A variedade de estudos sobre o tema da origem das Comunidades Eclesiásticas de Base apontam para o seu surgimento como ideia original da prática pastoral da Igreja da América Latina. Esses três movimentos se caracterizam como as células iniciais do que virão a ser as Comunidades Eclesiais de Base, à medida que essas novas experiências se tornarem conhecidas na Igreja da América Latina e que têm como berço a preocupação com a vida pastoral e eclesial no Brasil.

O segundo movimento considerado por Marins alinhado ao surgimento das CEBs no Brasil é o Movimento de Educação Básica Comunitária (que ficou conhecido pela sigla MEB) criado em 1968. Esse movimento de Educação Básica aparece na Arquidiocese de Natal (RN) como uma sugestão e busca por algo que pudesse aliviar o sofrimento das pessoas nas diversas áreas da vida.

Traços da situação eclesial

Não é à toa que a consciência crítica tem sido uma das marcas das comunidades de base desde o início”218. Esta afirmação refere-se a algumas das proposições que foram decisivas no desenvolvimento das comunidades de base. As diretrizes também consideram a multiplicação de comunidades de base como um desafio para a igreja no Brasil.

Em novembro de 1982, o Conselho Permanente da CNBB aprovou o Documento 25 intitulado Comunidades Eclesiais de Base na Igreja do Brasil. Em suma, a CNBB deu uma contribuição inegável para a criação, organização e fiscalização das comunidades eclesiásticas de base.

Outros modelos de expressão do laicato na atualidade

Fenômeno estritamente eclesiástico, as CEBs em nosso país nasceram dentro da instituição da igreja e tornaram-se “uma nova forma de ser igreja”. Estas comunidades foram e são, portanto, um importante modelo de integração e de protagonismo para os leigos, seja com vista a uma participação efectiva na missão da Igreja ad intra (no seio da comunidade de fé) ou ad extra (no seu envolvimento no mundo). As diversas formas associativas dos leigos são garantidas como direito confirmado pelo decreto Apostolicam Actuositem.

Algumas destas formas associativas leigas inspiram-se nos carismas de ordens e congregações religiosas com metodologia e organização próprias. Hoje, estes grupos têm grande visibilidade, tanto dentro da Igreja como fora dela.

Luzes e esperança para participação dos leigos na missão da Igreja hoje

A importância da Igreja local para a emergência e afirmação do sujeito eclesial 110

Nesta pesquisa, percebemos a ajuda que a Conferência Episcopal Nacional do Brasil dá aos leigos engajados e comprometidos com a missão da Igreja. No primeiro capítulo apresentamos, ainda que de forma concisa, a eclesiologia de II. da preocupação do Vaticano e do ensinamento latino-americano como base fundamental de um leigo comprometido com a missão da Igreja. Por outro lado, ao reexaminar a história do desenvolvimento e o lugar dos leigos na vida da Igreja, percebemos como o surgimento do sujeito moderno foi de essencial importância para o despertar dos fiéis leigos para o compromisso eclesial.

Desta forma, as Conferências adoptam a dimensão participativa dos leigos como necessária para a acção da Igreja dentro e fora da comunidade eclesial, que se reflecte no mundo através do envolvimento político e social. Finalmente, toda esta reflexão nos fornece luz e esperança que iniciam a necessária participação efetiva dos fiéis leigos na missão da Igreja hoje.

Referências

Documentos relacionados

Objetiva-se com este capítulo apresentar como a Igreja Católica tem-se utilizado dos meios de comunicação para alcançar seus fiéis e apregoar as leis e as boas-novas do