A análise do crime de estuprar pessoa vulnerável é de suma importância para evidenciar a reflexão sobre a vulnerabilidade demonstrada pelo artigo 217-A, caput, do Código Penal, que, apesar de absoluto neste momento, poderia ser relativizado. 217-A do Código Penal, que trata do crime de estupro de pessoa vulnerável, bem como das circunstâncias que podem fazer com que a vulnerabilidade da vítima menor de quatorze anos seja relativizada. No terceiro capítulo será analisada a presunção e a possibilidade de relativização da vulnerabilidade no crime de estupro de pessoa vulnerável, com especial ênfase nos princípios constitucionais que sustentam a possibilidade de relativização da vulnerabilidade.
CRIME DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL
- Bem jurídico tutelado
- Sujeitos do crime
- Conduta
- Consumação e tentativa
- Qualificadoras
- Ação penal
Obrigar alguém, pela força ou ameaça grave, a ter relações carnais ou a praticar ou permitir qualquer outro ato com essa pessoa. A relação sexual vaginal, a introdução do pênis na vagina da mulher, é considerada uma relação carnal; todos os outros atos que servem ao prazer sexual são considerados libidinosos, como o sexo oral ou anal. A forma criminosa de violação refere-se ao facto de o agente, através de violência ou ameaça grave, ter forçado alguém a praticar, ou permitir que pratique, união carnal ou qualquer outro acto libidinoso, independentemente de o sujeito passivo ser do sexo feminino ou masculino.
O cerne do tipo penal é representado pelo verbo constranger (obrigar, obrigar, obrigar, fazer cumprir), tendo como objeto material qualquer pessoa (alguém), e as seguintes finalidades: com conjunção carnal; praticar outro ato libidinoso; permitindo que outro ato libidinal seja realizado com ele. Por se tratar de crime material, só será cometido com o aparecimento da consequência naturalista: união carnal ou outro ato libidinal. Se a vítima tiver menos de 14 anos, o crime é o estupro de pessoa vulnerável (KP, art. 217-A), independentemente do uso de força ou ameaça grave.
Com a nova lei, os casos criminais são agora tornados públicos, tornando as vítimas com menos de 18 anos ou pessoas vulneráveis incondicionalmente públicas. Contudo, será instaurada ação penal pública incondicional caso a vítima seja menor de 18 (dezoito) anos ou seja pessoa vulnerável.13.
A Vulnerabilidade da Vítima em Razão da Idade
Consentimento da vítima
No caso de estupro de pessoa vulnerável, o agressor que tenha conhecimento carnal ou pratique qualquer outro ato lascivo com vítima menor de 14 anos (caput) ou que tenha doença ou deficiência mental e esteja incapaz de praticar o ato, ou que você não pode oferecer por qualquer outro motivo. 217-A, que, sem mencionar qualquer forma de presunção, pune no caput a conduta de manter relação carnal ou praticar qualquer outro ato lascivo com menor de quatorze anos. Os menores de 13 anos podem ser considerados absolutamente vulneráveis, a ponto de o seu consentimento para o ato sexual ser completamente ineficaz, mesmo que tenham experiência sexual comprovada.
Se a natureza da presunção de violência – seja ela relativa ou absoluta – vem sendo debatida há anos no Brasil, sem consenso, de fato, a criação de um novo tipo penal não será o elemento extraordinário que abrirá as portas para a vida real. não perto ". A maioria das doutrinas ensina que não há espaço para discussão sobre a presunção de vulnerabilidade, pois a lei não pressupõe nenhuma. O projeto de reforma do Código Penal enfatiza, portanto, a vulnerabilidade de determinadas pessoas, não apenas crianças e adolescentes até 14 anos, mas também pessoas que, por doença ou deficiência mental, não têm capacidade de discernimento para praticar atos sexuais, e aqueles que, por qualquer motivo, não podem, não podem oferecer resistência; e com essas pessoas considera crime ter relações carnais ou praticar qualquer outro ato libidinoso; sem entrar no mérito da violência e da sua presunção.
217-A, caput, do Código Penal, basta que o autor do crime tenha comportamento carnal ou pratique qualquer ato libidinoso com menor de 14 anos; o consentimento da vítima, sua possível experiência sexual anterior ou a existência de relacionamento amoroso entre o agressor e a vítima não excluem a ocorrência de ato criminoso” (REsp 1.480.881/PI, Súmula Rel. 593 STJ: “O ato criminoso A violação de pessoa vulnerável é definida como a relação física ou a prática de actos libidinosos com menor de 14 anos, com eventual consentimento da vítima para o acto, experiência sexual anterior ou existência de relação amorosa, onde o agente é irrelevante".
Vulnerabilidade
A quantidade de informações, explicações e ensinamentos sobre o tema sexo flui rapidamente e sem fronteiras, proporcionando às pessoas de até 14 anos uma visão teórica da vida sexual, permitindo-lhes rejeitar as sugestões e agressões produzidas nesta área. e uma consciência muito clara e distinta da disponibilidade do próprio corpo. O que torna a redação da Lei ainda mais discutível é que a legislação penal é bastante confusa no que diz respeito ao critério de idade que deve ser protegido de forma mais criteriosa pelo Estado, pois ora são “crianças e adolescentes”, ora é “a pessoa menor de idade”. 14 anos”, às vezes “o menor de 18 anos”. É importante ressaltar que para definir o tipo é necessário que o agente tenha conhecimento de que a vítima tem menos de quatorze anos, caso o a vítima mente ou todas as circunstâncias factuais indicam que a vítima tem mais de 14 anos, a vulnerabilidade é coberta pelo erro de digitação.18.
Não bastasse o critério cronológico adotado pelo legislador para impor a qualquer prática crime hediondo, também fixou a idade de 14 anos, enquanto o Estatuto da Criança e do Adolescente considera que os jovens (maiores de 12 anos e menores de 18 anos) ) têm algum julgamento e, portanto, são responsabilizados pelas suas ações criminosas, enquanto as crianças (com menos de 12 anos) não têm julgamento e, portanto, não são responsáveis pelas suas ações. Nucci também pondera o fato de que durante décadas o legislador se ateve à questão cronológica do homem, mantendo a idade de 14 anos quando o código é atualizado. Embora o Estatuto da Criança e do Jovem preveja que o adolescente tem mais de 12 anos de idade, a proteção penal dos menores de 14 anos permanece rigorosa.21.
Conforme ilustrado por Nucci, tendo em vista que a vulnerabilidade é um critério objetivo e absoluto, algumas injustiças podem ocorrer. Dado o demonstrado conflito de normas envolvendo a idade escolhida pelo legislador, o significado mais preciso parece ser a unificação e extensão da capacidade de consentir em atos sexuais aos maiores de 12 anos.
Projeto de Lei do Senado 236/12
Além disso, o legislador também prestou atenção ao surgimento do conceito de “manipulação ou introdução de objetos”, um tipo penal onde a pena está justamente no mesmo nível da violação. Como sabemos, desde a entrada em vigor da Lei nº, a atentado violento ao pudor praticado contra menores de 14 (quatorze) anos passou a ser regulamentado de forma autônoma, em nova modalidade, o art. Neste caso, o acórdão recorrido está em harmonia com a nova orientação da Sexta Turma deste Tribunal, no sentido de que a presunção de violência minoritária, anteriormente prevista no art.
1º Aplicar as mesmas penas: I – quem praticar ato sexual com menor de dezoito e maior de doze anos, submetido, induzido, atraído ou envolvido em prostituição; II – o proprietário, administrador ou responsável pelo local onde ocorrer a conduta referida na letra maiúscula deste artigo ou no inciso anterior. Com essa nova redação, os juízes poderão utilizar o entendimento dos mestres Nucci29 e Bitencout30, já palestrantes, para distinguir as vulnerabilidades dos artigos 217-A e 218-B, chamando-os respectivamente de “vulnerabilidade absoluta”. e “vulnerabilidade relativa” ao tentar compreender a intenção do legislador penal. Contudo, ambos os autores defendem a natureza jurídica juris tantum da vulnerabilidade nos casos de estupro de pessoa vulnerável com base na idade.
Ressalte-se que ambos os autores entendem que a Lei nº 12.015/09 não alterou a presunção sistemática de violência, no sentido de que o rótulo não altera seu conteúdo, ou seja, continuam reconhecendo a possibilidade de relativização da idade. dados se for comprovada a ausência de violência física ou moral. Acontece que, sob a perspectiva da problemática do estupro de pessoas vulneráveis, a formulação pretendida pelo projeto do novo Código Penal tem muito a agregar ao Judiciário brasileiro, e traria muitas mudanças positivas para que a população possa fazer.
A PRESUNÇÃO E A POSSIBILIDADE DE RELATIVIZAÇÃO
- Princípio da Dignidade da Pessoa Humana
- Princípio da lesividade
A dignidade da pessoa humana é o princípio fundamental do Estado democrático de direito, que rege todos os outros princípios. De forma geral e simplificada, a dignidade da pessoa humana é tudo o que deve ser protegido para e por cada pessoa para que tenha as condições mínimas para viver plena e satisfatoriamente. A dignidade da pessoa humana é o significado da ordem jurídica e ainda mais especificamente do direito penal e da ordem processual penal.
A dignidade da pessoa humana tem essencialmente um valor significativo para a vida de cada cidadão. A dignidade da pessoa humana é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se revela único na autodeterminação consciente e responsável da própria vida, e que implica a exigência de respeito por parte das outras pessoas, o que constitui um mínimo invulnerável de , que qualquer estatuto jurídico deve garantir que só possam ser feitas restrições em casos excepcionais no exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem prejudicar o necessário respeito que todas as pessoas merecem como seres humanos. O direito à privacidade, à intimidade, à honra, à imagem, entre outras coisas, surge como consequência imediata da iniciação da dignidade humana como fundamento.
A partir de uma simples leitura dos elementos básicos expressos no tipo penal do artigo 217-A, caput, do Código Penal, fica claro que não é necessário falar em necessidade de violência ou de grave ameaça ao crime de estupro . de uma pessoa vulnerável é formalmente típico. Se existir um recurso mais brando que possa resolver o conflito, torna-se abusivo e desnecessário aplicar um recurso mais traumático. Portanto, quando uma pena é imposta, esta deve ser encarada com respeito pelo princípio da dignidade humana.
Aspecto jurisprudencial
Como também foi enfatizado na decisão recorrida, o Supremo concorda por unanimidade que o crime de estupro de pessoa vulnerável se consuma pela prática de qualquer ato libidinoso que viole a dignidade sexual da vítima, independentemente de ser sexual ou não. . é um substituto da união corporal e que revela a depravação da intenção do agente e também é inadmissível que o juiz, de forma manifestamente contrária à lei e utilizando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, reconheça a forma tentada de crime ou desclassificá-lo como contravenção penal, em razão da suposta menor gravidade da conduta (BRASIL, 2018, p. 01). Este voto do relator nos confirma que o entendimento do STJ ainda permanece rígido, não abrindo brechas para que possa ser analisado caso a caso, independentemente do conteúdo dos princípios que norteiam o direito penal, o que para muitos é um alívio dada a premissa de que as crianças ou qualquer outra vítima sofre tanto quanto a violência física ocorreu, enquanto para outros pune severamente um ato que não teve o mesmo nível de agressão física. Nada foi apurado a respeito do posicionamento do Supremo Tribunal Federal quanto à desclassificação do estupro de vulnerável para pena de contravenção.
A intenção era boa, mas o legislador não interpretou o artigo 217-A absolutizando o crime de estuprar pessoa vulnerável. Com este trabalho final objetivo, queremos conscientizar a sociedade e os líderes do nosso país democrático de que nem tudo é o que parece ser. É muito fácil julgar com falso moralismo, mas é difícil procurar razões e considerar um caso concreto, ou seja, procurar o verdadeiro conceito de justiça, que todos desejamos tanto, para que um dos mais preciosos os bens da vida humana não são tirados. , caso contrário, o mais valioso, que é a liberdade de ir e vir e a preservação da imagem e da honra.
Convenção 4 de direito penal: parte especial: dos crimes contra a dignidade sexual aos crimes contra a fé pública. JESUS, DAMÁSIO EVANGELISTA DIREITO PENAL, PARTE ESPECIAL: CRIMES CONTRA BENS INTANGÍVEIS E CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA.