Esta pesquisa traz em discussão questões de responsabilidade civil por atos ilícitos no ambiente virtual, com foco na responsabilização dos agressores e possíveis meios utilizados como instrumentos de propagação de possíveis agressões morais e psicológicas. Talvez a mudança mais importante seja a enorme abrangência da Internet e o acesso aos conteúdos expostos no ambiente virtual, que introduz novos meios de comunicação.
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA RESPONSABILIDADE CIVIL
O direito romano foi, portanto, responsável por criar a estrutura jurídica da responsabilidade civil extracontratual, que trouxe a culpa como elemento primordial da recuperação dos danos. A norma jurídica constitucional (seguida pelo artigo 186 do CC), que atende às questões sociais, possibilitou ampliar as possibilidades de proteção da responsabilidade civil, que antes se limitava à proteção do dano material, que agora passa também à recuperação de danos não monetários.
RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL E EXTRACONTRATUAL, SUBJETIVA E OBJETIVA
Responsabilidade civil contratual e extracontratual
A responsabilidade contratual está prevista nos artigos 389, que trata do descumprimento da obrigação positiva (dar e fazer); 390, o do descumprimento da obrigação negativa (não fazer); e 391, que consagra o princípio da responsabilidade pecuniária, que estabelece que todos os bens do devedor respondem pelo descumprimento da obrigação pactuada, todos do Código Civil (TARTUCE, 2015, E-book parágrafo 12.5). Tartuce (2015, E-book parágrafos 12.7 a 12.11) relata que o modelo dual ou binário de responsabilidades, atualmente aceito pelo direito civil, caminha para uma tendência à unificação da responsabilidade civil, citando como exemplo o Código de Defesa do Consumidor que não não faça essa divisão. Eis aqui um dispositivo unificador do sistema de responsabilidade civil, superando a dicotomia responsabilidade contratual x extracontratual (TARTUCE, 2015, E-book parágrafo 12.5).
Contudo, cabe ressaltar que há uma tendência ao reconhecimento da responsabilidade sem danos” (TARTUCE, 2015, E-book parágrafo 12.23). 187 do Código Penal traz uma nova dimensão de ilegalidade, sancionando a teoria do abuso de direito como ato ilícito, também conhecida como teoria dos atos emulativos” (TARTUCE, 2015, E-book parágrafo 12.26).
Responsabilidade civil subjetiva e objetiva
Essa teoria, conhecida como objetivo ou perigo, postula que todo dano é compensável e deve ser reparado por qualquer pessoa causalmente ligada a ele, independentemente de culpa. Nos casos de responsabilidade objetiva, não é necessária a prova da culpa do agente para que este seja obrigado a reparar o dano. 927, parágrafo único, do Código Civil, que determina a responsabilidade objetiva nos casos definidos em lei, salvo aqueles casos em que se configura a chamada teoria do risco (um dos fundamentos da teoria objetiva).
Segundo a teoria do risco, qualquer pessoa que exerça uma atividade que represente risco de danos a terceiros deve ser obrigada a remediá-la, mesmo que a sua conduta seja impecável. 933 CC, que trata da responsabilidade objetiva pelo ato alheio, como a responsabilidade dos pais pelos danos causados aos filhos.
PRESSUPOSTOS RESPONSABILIDADE CIVIL
Pela conduta culposa, a ação do agente demonstra falta de cuidado exigido do homem comum, ou seja, o agente agiu por imprudência, negligência ou imperícia. A causalidade é a ligação entre o comportamento e o resultado produzido, o que constitui elemento indispensável para o desenho da responsabilidade civil, pois se não houver nexo causal entre o comportamento do agente e o dano, não há, portanto, obrigação de indenizar. Vale ressaltar que o Código Civil costuma adotar a responsabilidade objetiva (art. 186), de modo que a vítima deverá comprovar a intenção ou culpa do agente stricto sensu (aquilian) do agente (descuido, negligência ou imperícia), além dos demais pressupostos legais, consistentes com a ligação entre causalidade e dano.
Para configurar a responsabilidade civil objetiva dentro das hipóteses legalmente previstas, é fundamental que a caracterização comprove a relação causal e o dano. Pode-se, portanto, dizer que é possível responsabilidade sem culpa, mas nunca responsabilidade sem nexo causal (CAVALIERI, 2010, p.47).
FUNÇÕES DA RESPONSABILIDADE CIVIL
Comportamento intencional é entendido como o comportamento intencional que é resultado de um ato ilícito, ou seja, o agente atua com a intenção de produzir o fato criminoso (CAVALIERI, 2010, p.31). Para compreender a função da responsabilidade civil no direito civil brasileiro, é importante derivar sobre o conceito. Acontece que nem sempre será possível devolver a vítima ao status quo ante, como acontece no caso do dano moral, portanto o direito civil impõe o pagamento de um valor a título de indenização que implementa uma função compensatória de responsabilidade civil (STOLZE), PAMPLONA, 2015, p. 65).
3ª vertente: A indenização por dano moral tem caráter edificante principal e caráter educativo ou disciplinar acessório, com o objetivo de coibir novas condutas. 944, caput, do Código Civil não exclui a possibilidade de reconhecimento da função penal ou educativa da responsabilidade civil”.
EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE CIVIL
O desenvolvimento tecnológico, econômico e industrial teve seu impulso inicial após a revolução industrial, resultando em uma evolução significativa da sociedade em todo o mundo, contribuindo para um processo de globalização, que por sua vez trouxe inúmeros avanços, um deles é o avanço digital, que mudou o hábitos de toda a sociedade e revolucionou a forma de comunicação. Sem dúvida, a revolução digital é um dos passos mais importantes dos últimos tempos, com alcance imensurável, conquistando inúmeros usuários, transformando a forma de receber informação, comunicação e listagem. A grande mudança na comunicação comunitária aconteceu com a criação das chamadas redes sociais que criam um perfil do indivíduo, incentivando-o a interagir com todo o seu círculo social, próximo e distante, proporcionando maior interação aos usuários, com possibilidade de troca de mensagens . , fotos e vídeos com os usuários instantaneamente, e também em busca de novas amizades, contribuindo assim para o crescimento massivo de seguidores. Na Internet, as redes sociais são comunidades online como Orkut, FaceBook e MySpace, entre outras, nas quais os internautas se comunicam, criam comunidades e compartilham informações e interesses semelhantes.
As redes sociais são ambientes que têm como foco reunir pessoas, os chamados membros, que, uma vez cadastrados, podem exibir seu perfil com dados como fotos pessoais, textos, mensagens e vídeos, além de interagir com outros membros e criar listas de amigos. e comunidades (ALTERMANN, 2010 apud file:///C:/Users/Larissa/Downloads PB.pdf). Como resultado de tais mudanças no contexto atual da sociedade, surge a necessidade de adaptar a legislação a determinados desenvolvimentos em que vive hoje o mundo globalizado, criando leis e instrumentos para monitorar e prevenir o abuso das redes sociais existentes.
BULLYING E CYBERBULLYING
Entretanto, na busca pela reparação do dano moral causado à vítima, aplicam-se as regras de responsabilidade civil do ordenamento jurídico nacional. 3º, inciso VI, da Lei do Marco Civil da Internet traz como um dos princípios do grau jurídico a responsabilização dos agentes conforme sua atividade exercida no ambiente virtual. Esse problema, a princípio, também pode ser protegido pelas normas presentes no Código de Defesa do Consumidor, que, dada a relação de consumo entre o fornecedor ou o prestador e o usuário do serviço virtual, determina que o prestador de serviço deve prestar serviços com padrões qualidade adequada. , segurança, estabilidade e desempenho (art. 4º, II, alínea d), podendo endereçar a vulnerabilidade do usuário por meio do fornecimento de informações do seu sistema.
Ainda, estando na cadeia do facto danoso, o prestador de serviço assume obrigações contratuais e extracontratuais decorrentes da sua atividade, bem como obrigações auxiliares previstas nas normas gerais do código do consumidor. No caso da responsabilidade civil aplicável aos crimes cibernéticos, especialmente aos crimes que violam direitos fundamentais, para garantir a máxima eficácia das normas constitucionais, é necessária a realização de uma análise sistemática do ordenamento jurídico para buscar maior proteção aos usuários. , aplicando a Teoria do Diálogo de Recursos, entre o Código Civil, o Marco Civil da Internet e o Código de Defesa do Consumidor.
AS MODALIDADES DO CYBERBULLYING
RESPONSABILIDADE CIVIL DO AGRESSOR
Nestes casos, a prática do crime causará dano moral à vítima, pois não é possível a restauração do status quo ante. E foi justamente por considerar a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem como corolário do direito à dignidade, que a Constituição inseriu no artigo 5º, V e X, a reparação integral do dano moral. Nesta área a perda é inimaginável e, portanto, aumentam as dificuldades em determinar uma compensação justa pelos danos.
Muitas vezes o autor comete tais crimes com a intenção de pregar peças ou sob o pretexto de agir sob a proteção da liberdade de expressão. No entanto, a divulgação de infracções penais a terceiros, ao atacar a honra subjectiva da vítima, já não é apenas uma piada de mau gosto ou um exercício regular da liberdade de expressão, mas constitui um ataque à personalidade jurídica da vítima.
RESPOSABILIDADE CIVIL DOS PAIS EM RELAÇÃO AOS FILHOS MENORES
Diante do fato de o crime ser cometido de forma anônima e de não existirem órgãos executivos que possam oferecer proteção adequada ao usuário, a vítima não vê outra alternativa a não ser tomar medidas legais dispendiosas. Dada a evolução das infrações penais, é também necessário desenvolver instrumentos destinados a incentivar essas atividades ilegais. O incapaz é responsável pelos danos que causar se os seus responsáveis não forem obrigados a fazê-lo ou não dispuserem de recursos suficientes. Em suma, o menor só responderá pelos danos causados a terceiros de forma subordinada aos seus pais, sendo possível a invasão de seus bens se a indenização oferecida aos pais violar o mínimo essencial da família, e desde que desde que o menor tenha recursos para responder perante o ilegal.
Outra possibilidade de responsabilização do menor é a solidariedade com os pais quando o menor se emancipa. 928: A única hipótese em que poderá haver responsabilidade solidária entre menores de 18 anos e seus pais é se estes tiverem sido emancipados nos termos do art.
RESPONSABILIDADE CIVIL DO PROVEDOR
Nessa linha, segue o disposto no artigo 18 do Marco Civil da Internet, no qual o usuário é pessoalmente responsável pelo conteúdo postado, isentando assim o provedor de responsabilidade (irresponsabilidade do provedor diante da atuação de terceiros). nos casos que surgem hoje, é necessário regular o uso arbitrário e inconsciente das redes sociais. É importante ressaltar que os artigos 18 e 19, caput, da Lei do Marco Civil da Internet), apesar da proteção à liberdade de expressão, proporcionaram proteção real aos provedores, e por outro lado, os direitos dos usuários que a utilizam sendo um vítima da internet afeta completamente. crimes virtuais. VI - responsabilidade dos agentes com base em suas atividades, na forma da lei; a natureza participativa da rede;
O § 6º dispõe sobre a finalidade social da Internet, que consta de todos os artigos da lei, que merece o apelido de Constituição da Internet. O Marco Civil da Internet oferece em seus dispositivos a garantia de proteção aos consumidores que utilizam a Internet para adquirir produtos e serviços;
JURISPRUDÊNCIAS X PERFIL FALSO
O fornecedor de alojamento do blog não pode ser obrigado a inspecionar previamente cada nova mensagem publicada, não só pela impossibilidade técnica e prática de o fazer, mas sobretudo pelo risco de impedir a liberdade de pensamento. Ele ressaltou veementemente que certas comunidades refletem apenas as opiniões dos usuários, que podem expressá-las com liberdade de expressão. Existem algumas decisões que reconhecem uma relação de consumo entre os usuários e o fornecedor, além disso é importante estabelecer os limites e condições entre a liberdade de expressão e a censura, entende-se que além da liberdade de expressão, o direito à dignidade humana irá precisam ser protegidos para acalmar e regular as relações humanas no ambiente virtual.
A referida dificuldade em identificar quem pode ter causado o dano durante a espera virtual faz com que o lesado pleite medidas reparatórias contra os fornecedores, sob os seguintes argumentos: que eles têm o dever de notificar o cliente que praticou o ato lesivo para declarar, mas existe a liberdade de expressão e a proibição da censura, até cujos limites o prestador seria responsável, há sem dúvida dois princípios básicos que se confrontam nesta relação: O princípio da dignidade humana e da liberdade de expressão. Disponível em: