O que me dará Que me queime por dentro, que me dará Que me perturbe o sono, que que todas as vibrações venham me abalar Que todas as queimaduras venham me agitar. Objetivou-se compreender os fundamentos teóricos da resistência e reconhecer a resistência manifesta dentro do processo terapêutico de uma abordagem psicanalítica. Ao estabelecer a existência de resistência, inicia-se a sua classificação. Reconhecer esse tipo de funcionamento dentro de um processo terapêutico permite encontrar as lacunas na compreensão da teia tecida pelo inconsciente. Ao tornar consciente a forma defensiva, podem ser encontradas novas formas de expressão que melhor correspondam aos desejos do sujeito, através de teóricos como Freud, Bion e Malanie Klein.
INTRODUÇÃO
A mobilização no paciente de uma busca por uma pausa se dá por meio da percepção inconsciente do perigo e do aumento da tensão, que é causada pela possibilidade de mudança, e essa busca por uma pausa ocorre em diferentes níveis de dificuldades que ele mesmo cria. A compreensão do sujeito que está em processo psicoterapêutico o leva a uma busca por satisfação e possível cooperação (colaboração), que é percebida dentro do ambiente de forma completamente oposta, pois fica claro que o indivíduo possui diferentes usos inconscientes de recursos, buscando a todo custo, sabotando a ideia de ajudar ou de se conhecer. Ao mesmo tempo em que a resistência faz parte do processo terapêutico, ela delimita um contexto que ameaça todo trabalho analítico.
O DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO DO SUJEITO
É o que Freud chamou de complexo de castração, que surge no menino após o complexo de Édipo e forma assim o superego. O complexo de Édipo é fundamental para o desenvolvimento de identificações que estabeleçam fundamentos importantes e dimensões duradouras de organização do caráter. Após o estabelecimento do Superego, a fase de latência inicia-se no final da fase fálica, que é o período que se estende desde a resolução do complexo de Édipo, até o início da puberdade (entre 11 – 13 anos).
FUNDAMENTOS TEÓRICOS REFERENTES À RESISTÊNCIA
A resistência não atua apenas sobre as lembranças dolorosas, sobre o que parece desagradável, mas também aborda impulsos inaceitáveis – como os de natureza sexual – que se apresentam de forma distorcida no setting terapêutico. Isto significa que as memórias se apresentam de forma diferente do impulso original, como nos sonhos, onde partes desconectadas ou talvez estranhas aparecem como resquícios do dia, juntamente com alguns impulsos inconscientes e inaceitáveis. Os sintomas têm um significado relacionado às experiências do paciente, conforme descrito por Josef Breuer (entre 1880 e 1882).
Esse sentido está ligado à vida de quem o produz e é, de certa forma, manifestação de um distúrbio psíquico na estrutura física do sujeito. Essas resistências são difíceis de abandonar porque são egossintônicas, ou seja, o sujeito não percebe o sintoma de forma desagradável ou como um incômodo. A realidade não é necessária e é essencialmente caracterizada por processos primários que se dão por deslocamento e condensação (TALLAFERRO, 1996).
Sofre influências vindas do Id (internas, com função de satisfazer os instintos do inconsciente) e influências externas (vindas do contato com a realidade, influência cultural); Dessa forma, podemos pensar que o Ego atua como mediador entre o Id e o mundo, armazenando experiências e escolhendo em parte o conteúdo interno que o sujeito pode expressar (TALLAFERRO, 1996 e MELTZER, 1989). Zimerman em Os Mandamentos do Superego (1999) atribui-lhe um caráter persecutório que varia sua manifestação no sujeito de acordo com a intensidade de tais regras, com diferentes níveis se opondo aos instintos do Id. as transições e apropriações do complexo de Édipo é que determinarão os diferentes níveis de relação de cada sujeito com as normas e proibições que lhe são impostas.
No texto da recomendação aos médicos que se dedicam à psicanálise, Freud (1912) formula que é fundamental que o analista tenha previamente concluído o processo de análise, pois isso o prepara para ouvir o inconsciente do paciente dentro do ambiente terapêutico e apenas desta maneira. - na forma de análise da resistência do analista - é que a escuta se aperfeiçoa em relação à identificação e à possibilidade de interferir na resistência do paciente.
A RESISTÊNCIA COMO PARTE DO PROCESSO PSICOTERÁPICO
É importante pensar como o contato próximo com o paciente perpetua resistências e um possível deslocamento dos impulsos para outras formas de expressão. Pode-se pensar que à medida que a transferência permite uma aproximação aos sentimentos reprimidos – muitas vezes de forma inconsciente – há um aumento da resistência. Quanto ao postulado do amor às verdades, pode ser pensado como referindo-se ao analista e não ao paciente, de forma a transpor as obrigações éticas previstas, como não incluir julgamentos de terceiros não próximos, ou ceder a este convite. feita pelo paciente.
O amor à verdade está relacionado à capacidade do analista de ser honesto, de se reconhecer, para que possa alcançar sua plenitude no contato com os outros. À medida que o analista trabalha com seus mecanismos de resistência, há condições para flexibilizar a resistência do paciente (ZIMERMAN, 1999). Ao propor a ideia de que “quanto mais frágil é o ego do paciente, mais forte ele é para resistir ao analista” (ZIMERMAN, 1999 p. 312), o autor abre espaço para pensar que durante um processo de ajuda terapêutica é necessário fortalecer esse ego. ego, que parece frágil e extremamente resistente às intervenções e interpretações do analista, e à medida que se fortalece, o paciente encontra outras formas de expressão para seus relacionamentos, pois encontra um suporte interno que permite é apoiar e resolver os conflitos que existem em cada situação .
Se considerarmos o que é a resistência, o que é o processo terapêutico e o seu espaço (ambiente), podemos perguntar como a resistência se manifesta, em última análise, neste espaço físico e psicológico, o espaço emocional que envolve o espaço físico. Portanto, compreender os sintomas manifestos, que muitas vezes são os motivos que levam o sujeito à psicoterapia, e compreender suas outras formas de manifestação é crucial para a inclusão e desenvolvimento do processo terapêutico de ajuda (FREITAS, 1985). Podemos imaginar que quanto maior a força de supressão que existe sobre um determinado sentimento ou impulso, maior o poder que esse impulso tem na procura da sua expressão.
Pode-se imaginar como reviver um conflito infantil quando o sujeito já é adulto, ou mesmo como reviver indefinidamente o que lhe foi prazeroso.
ASPECTOS METODOLÓGICOS
- Sujeitos/amostra
- Instrumento
- Procedimentos para a coleta dos dados
- Análise e interpretação dos dados
Com esses dados é possível evidenciar com mais clareza a forma como a paciente apresenta sua atuação dinâmica no ambiente terapêutico. O material coletado nas gravações foi transcrito e analisado por Oliveira (1997) sob a ótica da análise de conteúdo na perspectiva kleiniana. A pesquisadora participa da análise do material coletado sem observar o momento do atendimento, o contato também é mantido durante a supervisão do cuidado com o consultor.
Hanna Segal (1975) diz que a única maneira de aprender sobre a técnica de outro analista é discutindo casos em sessões supervisionadas, seminários ou grupos de estudo; Portanto, a proposta de análise de um estudo de caso cumpre o propósito de compreender a resistência dentro de um processo analítico. Os dados coletados foram analisados sob a perspectiva da análise de conteúdo de Oliveira, sendo as observações realizadas analisadas por meio de categorias e subcategorias definidas com base nos objetivos existentes, que não foram contemplados pela revisão bibliográfica. Neste caso específico, foi considerada a forma como a paciente se apresentava e se comunicava com a terapeuta e como estabelecia seus vínculos nesse contexto.
Esta categoria resume dois importantes objetivos específicos apresentados neste estudo de caso, que se relacionam com a identificação da resistência como parte do processo analítico e que se relacionam com a análise da resistência manifestada no processo terapêutico. Esta categoria foi dividida nos mecanismos de defesa apresentados durante o tratamento analítico, sendo também levadas em consideração as formas de defesa que se manifestaram durante o período de triagem e no início do processo terapêutico (que o terapeuta descreveu nos relatórios mensais), a saber: Generalização, Divisão, Projeção. , Transferência Positiva, Silêncio e Mudança de Tópico. Esses mecanismos ficaram evidentes no material coletado e também foram apresentados pelo paciente na fase inicial do processo terapêutico.
O objetivo abordando o referencial teórico sobre resiliência foi elaborado durante a apresentação metodológica e será abordado no discurso analítico da categoria anterior.
APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Freud apresentou em A Dinâmica da Transferência (1912) que esta pode se tornar a maior resistência dentro do processo terapêutico. Reich (2004) apresenta a transferência sob a mesma perspectiva freudiana, que pode se tornar a maior resistência dentro do setting terapêutico, e varia sua percepção sobre a forma de manifestação, pois a transferência parece infantilizada, na modulação da voz, no seu movimento dentro do ambiente, em sua cortesia. Dessa forma, podemos compreender como ocorre essa relação no âmbito quando se refere à transferência positiva.
Reich (2004) apresenta-a como uma forma de transferência muito mais próxima da realidade do sentimento, uma vez que as forças que atuam de certa forma para manter o equilíbrio das funções egóicas vão contra o trabalho terapêutico, e esta posição hostil é a manifestação desta . luta pela permanência, e deve mais tarde retornar a uma transferência positiva, modificada para uma forma mais verdadeira. Isso é percebido na maneira insinuante com que se veste e em seu comportamento no ambiente, que sempre busca alguma forma de contato físico com o terapeuta. Essa forma de sentimento, em que o próprio paciente se percebe cindido, é a mesma que a autora Hanna Segal (1975) apresenta sobre as ideias kleinianas, onde o objeto é cindido pelo aumento da ansiedade e projetado para o mundo e para fora. .
O que se percebeu durante o processo analítico foi o quanto ela negligenciava o marido em quase todas as atividades diárias. O silêncio torna-se uma forma de resistência ao processo terapêutico, pois afasta o paciente do contato com o conteúdo apresentado, ou mesmo com o terapeuta, dificultando o estabelecimento de conexão e desenvolvimento. A princípio, os períodos de silêncio causaram desconforto, recriando uma situação de tensão, o que evidenciou resistências dentro do ambiente terapêutico.
Embora isso continue a se manifestar, fica claro que seu uso dentro do setting perde sua função, criando espaço para aproximação entre terapeuta e paciente, mas também entre o paciente e o conteúdo reprimido. Diante dessa defesa, o terapeuta deve identificar a presença dessa resistência a fim de chamar a atenção do paciente para as dificuldades de permanência no tema que está sendo definido. A paciente utiliza a generalização como forma de racionalizar a situação projetada para que encontremos novamente o mix de mecanismos de defesa, para não sermos atacados por seus impulsos destrutivos M.
CONCLUSÃO
Edição Standard As Obras Psicológicas de Sigmund Freud: Notas sobre a Psicologia do Inconsciente: Rio de Janeiro: Imago, 2004.
ANEXO A – TERMO DE CONCIENTIMENTO DA CLÍNICA/ESCOLA