Agradeço primeiramente a Deus, responsável por uma força que alguns homens chamam de fé em si mesmos e que me trouxe até aqui. Dentre eles gostaria de citar vários, mas para este simples trabalho gostaria de citar um que esteve comigo nessa jornada, meu amigo e mentor Paulo Roberto de Andrada Pacheco, pela paciência de sempre e pelo sorriso incondicional. Também gostaria de agradecer à educação pública e gratuita que agracia muitas pessoas que não teriam condições de pagar seus estudos.
Por fim, quero agradecer à História, que me fez perceber que ela, a História, não é escrita apenas por generais ou governantes, mas também por educadores, como é o caso do nosso atual objeto de pesquisa. A Comissão Julgadora, composta pelas professoras Virgínia Buarque e Glícia Salviano Gripp, da Monografia de Bacharelado de Luís Antônio da Costa intitulada "DOM ANTÔNIO FERREIRA VIÇOSO E A EDUCAÇÃO NO SEMINÁRIO DE NOSSA SENHORA DA BOA MORTE PARA CRIANÇAS E JOVENS POBRES NECESSITADOS EM O CONTEXTO EDUCACIONAL DE MINAS GERAIS”, reunidos no dia para
NTRODUÇÃO
Porém, não era apenas o seminário que estava no centro das preocupações de Dom Viçoso quanto à educação das crianças pequenas e pobres. Uma literatura bastante utilizada foi a biografia de Dom Viçoso escrita por Dom Silvério Gomes Pimenta. Além de biógrafo da casa de Antônio Ferreira Viçosa, Pimenta tornou-se muito importante para nossa pesquisa por ter sido aceito na casa de Viçoso ainda criança no seminário.
Na obra, é bastante comum notar o grande apego que Pimenta tem à pessoa de Dom Viçoso. A escolha de estudar a vida de Dom Viçoso em relação à questão que o vincula ao aspecto educacional não é sem sentido.
A FORMAÇÃO DO EDUCADOR VIÇOSO
- Sua educação familiar e as primeiras letras
- Ingresso na Congregação da Missão
- O irmão Joaquim Francisco do Livramento
- Entre o Caraça e Jacuecanga: Viçoso conhece o Irmão Joaquim
- A escravatura Ofendida e Defendida
Durante sua estada no Rio, o padre Viçosa conheceu o irmão Joaquim do Livramento, que mais tarde fez grandes esforços para obter seus serviços no seminário de Jacuecanga, no litoral do Rio de Janeiro. O Irmão Joaquim Francisco do Livramento foi uma figura de excepcional importância para uma melhor compreensão da ideia de empar que foi adotada por Dom Viçoso. Apesar de sua determinação, sua viagem não teve sucesso, o que fez com que Irmão Joaquim permanecesse em Florianópolis.
Quanto ao regimento da Casa, o Irmão Joaquim "seguiu São Vicente de Paulo, cujo regimento foi executado e aprovado pela experiência, antes de ser incluído no corpo de leis e estatutos"18. Mas enquanto Padre Antônio cuidava das crianças do Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens, Irmão Joaquim passava muito tempo movido pelo desejo de levá-lo para Jacuecanga e. Chegando a Jacuecanga, o padre Antônio Ferreira Viçoso teria uma grande tarefa: cuidar do Seminário, para que o irmão Joaquim pudesse dividir mais confortavelmente suas funções entre a casa de Itu e Jacuecanga.
O Padre Viçoso não podia aceitar a triste sorte dos negros pobres, homens como nós, traficados, mas como animais indefesos, desenraizados de uma pátria distante, onde deixaram parentes e amigos, já reduzidos a trabalhos forçados, exploração infelizmente. Através de um diálogo entre dois amigos, Padre Viçoso tenta defender o negro africano, através da figura de um homem chamado Luiz. Ainda sobre esse assunto, padre Viçoso cita Santo Afonso Maria de Ligório, advogado e grande defensor das resoluções do Concílio de Trento no século 18 - e usa a figura do santo para citar as leis.
A lei a que padre Viçoso se refere no fragmento acima é a lei de 7 de novembro de 1831, que proibia o tráfico de escravos no Brasil e previa pena de 3 a 9 anos de prisão ou multa de $ 200.000 por escravo, segundo padre Viçoso a si mesmo em seus manuscritos. O Padre Viçoso infunde na personagem de Teodoro uma ideologia legitimada por conceitos reais e muitas vezes retirados de contextos hagiográficos, mas também, em algumas passagens, de códigos canónicos ou da Bíblia. Ainda sobre a questão dos africanos escravizados, pela lei de 7 de novembro de 1831, o padre Viçoso escreveu uma resposta a um panfleto escrito por um padre que legalizava tal escravidão.
Com a defesa do escravo, por meio do texto “Escravatura Offendida e defendida”, o então padre Viçoso cultivaria “uma longa inimizade com seu primeiro companheiro no Brasil, o padre Leandro Rabello Peixoto, favorável à escravidão”26. Ao manter esse ideal de igualdade entre as pessoas e, consequentemente, a defesa do escravo, percebe-se a disposição que o padre Viçoso usa para tomar partido dos menos afortunados.
A OBRA DE DOM VIÇOSO: O BISPO E SUAS REFORMAS EM MINAS
Nomeação para o Bispado
Dom Antônio Ferreira Viçoso lançou os olhos para a penosa situação em que se encontrava sua Diocese Marianense. A partir de então, haverá um salto no apoio aos menos favorecidos, que foram esquecidos pela Província de Minas.
Dom Viçoso e a reforma Ultramontana: suas bases tridentinas
Devido ao processo de colonização e consequentemente aos maus hábitos dos primeiros padres que se instalaram no Brasil, não foi possível à Igreja aplicar as normas tridentinas no exterior.No movimento ultramontano algumas características devem ser observadas, para serem compreendidas. o que evidencia o legado das decisões do Concílio de Trento. Através das ideias difundidas pelo Concílio, o ultramontanismo, neste caso na figura de Dom Viçoso, revisou a posição da Igreja em relação aos costumes brasileiros.
Sua luta incessante contra as más práticas em que se encontravam os membros de sua igreja foi um viés original de seu governo episcopal. Com base nas ideias do ultramontanismo, a constante preocupação de Dom Viçoso também pode ser observada com a educação mineira. Nessa passagem da pastoral de Dom Viçoso para o clero, fica bem clara a intenção de difundir a fé católica.
Assim Dom Viçoso sempre incentivou seus fiéis e principalmente seus sacerdotes à fé cristã e conseqüentemente à presunção cristã de socorrer os necessitados. Numa carta ao pároco de Olhos d'Água, reverendo Gonçalo Ferreira da Fonseca, ficou claro que a intenção de D. Viçoso era fazer com que o seu clero investisse os seus esforços para encorajar os paroquianos a ajudar os necessitados. Sobre as ideias que vinham contra a Igreja Católica, Dom Viçoso era muitas vezes perspicaz.
Com a reforma ultramontana ficou muito claro quando nos deparamos com os ideais de Dom Viçoso de mudar o clero que muitas vezes se envolvia na política, no comércio e na casa para um clero totalmente disciplinado e focado em conduzir o povo na busca de aperfeiçoamento espiritual e estranhamento. às ideias do Iluminismo. Nesse ambiente cresceriam jovens e crianças, abrigados pelo manto do episcopado de Dom Viçoso. Nestes colégios especiais, aos quais serão admitidos ricos e pobres, os futuros sacerdotes receberão simultaneamente uma sólida educação intelectual [...] e uma formação moral que os equipará para a sua grande missão.12.
O Seminário e as Casas de Órfãos
Pelas condições em que se encontrava o povo mineiro, Dom Viçoso tornou-se ainda mais comprometido com a educação. Para que jovens virtuosos fossem educados no seminário, Dom Viçoso logo lhe deu regras. Ao abrir o seminário para que todos pudessem estudar, a casa de Viçoso tratou imediatamente de separar aqueles que não eram destinados ao sacerdócio.
Como mencionado anteriormente, uma das grandes preocupações de Dom Viçoso também será observada através do seminário: a reforma do clero e do povo mineiro. Alguns documentos escritos por Dom Viçoso indicam a preocupação de Dom Antônio Ferreira Viçoso com o apoio que deveria utilizar para os menos favorecidos. Outra questão de grande importância para nossa pesquisa é o momento em que Dom Viçoso fala sobre os alunos pobres e sua presença no seminário.
Neste contexto, podemos notar não só o apoio proposto por Dom Viçoso, mas também a preocupação que Dom Viçoso tem com a manutenção do Seminário e dos seus docentes, uma vez que referiu a origem dos recursos financeiros que este seminário mantinha. Já na pastoral de 21 de abril de 1849, Dom Viçoso havia demonstrado grande preocupação com a questão do amparo aos órfãos. Podemos notar nesse momento uma grande influência na formação de Dom Viçoso como educador: o Irmão Joaquim Francisco do Livramento.
Ao que parece, o contato com o irmão Joaquim fez com que Dom Viçoso aumentasse ainda mais sua qualidade lazarista de socorrer os pobres. Além do asilo para crianças desabrigadas, Dom Viçoso construiu um hospital para atendimento de deficientes e doentes. Outra fonte utilizada por Dom Viçoso foram os apelos ao governo provincial e ao imperador.
Novamente, nota-se a questão da proteção e a preocupação de Dom Viçoso com a segurança de seus súditos. Aqui se vê a real situação em que Dom Viçoso estava inserido: o sustento agregado à educação dos órfãos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em Jacuecanga, Dom Viçoso começou a divulgar suas ideias por meio da evangelização, que não se limitou aos muros do seminário, mas se espalhou por toda a região. Nesse contexto, fica claro que Dom Viçoso fala por meio do personagem Luizo, defendendo assim a figura do escravo e o fim da escravidão. Nessa defesa dos menos favorecidos, no caso o escravo, percebe-se claramente a questão do emparo Dom Viços durante o período em que esteve no Colégio do Caraça.
Esta mudança mostrará duas direções: uma que adotaremos como entendida no contexto das questões concretas, já que Dom Viçoso atuou diretamente na inauguração de orfanatos bem como na reabertura do Seminário de Nossa Senhora da Boa Morte. Assim, como o Brasil não havia reconhecido as reformas do Concílio de Trento, Dom Viçoso logo tentou disciplinar seus padres e também seus seminaristas, usando as idéias tridentinas no Seminário. Dom Viçoso sempre acompanhou de perto a preparação de seus padres e seminaristas, prova disso eram os párocos dirigidos ao clero e à população.
Chegando em Mariano, Dom Viçoso constatou que o seminário havia sido severamente devastado pelo exército que ali se instalara durante a Revolução Mineira de 1842. Com todo o descaso militar, Dom Viçoso logo teve que fazer reformas no seminário para acomodar novos alunos. . Para resumir a passagem do final do segundo capítulo, a preocupação de Dom Viços com os órfãos é marcante em um trecho de sua pastoral dirigida ao povo mineiro, quando conclamava o povo a deter seus órfãos: “Não seja como isso, meus filhos; animemo-nos” (Pimenta, 1920:136).
Com base nesse quadro, pode-se dizer que Dom Viçoso sempre se destacou pelo apoio em seu governo episcopal. O conformismo, para a presente pesquisa, também era tarefa de Dom Viçoso para dar estabilidade a uma população de fé dispersa. Através do prólogo de Calados (1987) pode-se observar algo que todo biógrafo de Dom Viçoso tem enfatizado: sua simplicidade.
BIBLIOGRAFIA