Vivências de pessoas com deficiência mental no mercado de trabalho / Maria Helena Féres Valle. Um dos maiores desafios para a educação das pessoas com deficiência mental tem sido o desenvolvimento de propostas de formação profissional para esses indivíduos. Com base em dados estatísticos, estimativas mostram que no Brasil o número de indivíduos com deficiência mental corresponde à metade do total de pessoas com deficiência1.
Daí a importância de oferecer às pessoas com deficiência mental oportunidades de aprenderem comportamentos socialmente apropriados. Devemos olhar para as pessoas com deficiência mental e ver nelas mais do que a sua deficiência, todas as suas outras possibilidades.
2 – REFLETINDO SOBRE A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA MENTAL
Ressalta-se que, assim como a já citada educação para o trabalho, a área prioritária não é considerada apenas pelos especialistas, mas sobretudo pelos próprios deficientes. Estudos mostram que as pessoas com deficiência mental, se devidamente formadas, são plenamente competentes para desempenhar as atividades que lhes são atribuídas e podem integrar-se perfeitamente no competitivo mercado de trabalho (Justino, 1994; Souza, 1995; Pacheco, 1997; entre outros). Concordamos com este autor e por isso enfatizamos que a educação das pessoas com deficiência intelectual deve ir além da formação académica.
Quando se trata de pessoas com deficiência mental, todos os três tipos de trabalho podem ser implementados por instituições que queiram profissionalizá-las. O mais importante é que fique claro tanto para a pessoa com deficiência e seus familiares, quanto para a própria instituição, o tipo de trabalho que lhe é oferecido. Goyos (1989) destaca que falta controle externo para avaliação de instituições que trabalham com a profissionalização de pessoas com deficiência.
Também foi frequentemente mencionado por pais de pessoas com deficiência entrevistados por Glat e Duque (2003). Ao discutirmos o serviço de profissionalização no “mundo do trabalho” oferecido às pessoas com deficiência intelectual, precisamos fazer algumas distinções. Os dados desta pesquisa mostram um exemplo de experiência bem-sucedida em ambiente regular de trabalho, que demonstra até que ponto as pessoas com deficiência mental conseguem desenvolver atividades produtivas.
O número de participantes no projeto de bolsa de trabalho varia consoante o valor atribuído e inclui pessoas com deficiência auditiva e física. Uma das consequências negativas desta situação é que as pessoas com deficiência enfrentam enormes dificuldades para entrar no mercado de trabalho. Os problemas da educação profissional das pessoas com deficiência e os problemas da sua integração no mercado de trabalho devem ser abordados simultaneamente, pois ambos têm uma relação de causa e efeito.
Por onde começar a resolver tais problemas: por pessoas com deficiência despreparadas ou por empresas cheias de barreiras de todos os tipos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam mais de trezentos milhões de pessoas com deficiência em todo o mundo.
3 – PESQUISA DE CAMPO
Muller e Glat (1999) nos ensinam que o aspecto essencial desta metodologia é que os temas abordados são uma escolha espontânea do sujeito. Para dar continuidade a essa trajetória, a opção metodológica do presente estudo privilegia, portanto, a opinião das pessoas com deficiência mental inseridas no mercado de trabalho sobre sua trajetória profissional, e tenta captar fatos relevantes sobre essa trajetória por meio de seus depoimentos. Essa visão do sujeito sobre sua história comunica ao interlocutor e, principalmente a ele mesmo, um quadro abrangente dos fatos investigados, e que, acreditamos, contribuirá significativamente para a ampliação do conhecimento sobre as capacidades do indivíduo com deficiência mental. .
O único critério foi que tivessem estudado em instituições especializadas e estivessem atualmente no mercado de trabalho formal. Fizeram parte do Projeto Bolsa Trabalho para alunos com necessidades educacionais especiais, coordenado pela pesquisadora, para inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, numa parceria entre a escola, o Ministério da Educação e empresas locais, conforme descrito no capítulo 2 Em seguida, entramos em contato com as empresas onde cada participante trabalhava, explicamos o estudo a ser realizado e solicitamos que as entrevistas fossem realizadas no local de trabalho.
Neste contato com empresas também foi solicitada autorização para gravação do local de trabalho, entrevista e. O objetivo desta campanha foi criar um documentário sobre a história de vida de um trabalhador com deficiência intelectual. Todas as empresas permitiram o registo da recolha de dados, mediante acordo prévio, sujeito à disponibilidade do assunto e da empresa.
Conforme já mencionado, a coleta de dados ocorreu nos locais de trabalho dos entrevistados conforme cronograma elaborado. O rigor metodológico exigiria a retirada dessas duas entrevistas da amostra, pois a presença do gestor poderia comprometer as falas do sujeito. Embora a confidencialidade e o anonimato tenham sido garantidos, todos os participantes e empresas deixaram claro que não se importavam que os seus nomes fossem revelados.
4 – ESCUTANDO OS TR ABALHADORES
A taxa de desemprego, sobretudo nas grandes cidades, é sem dúvida um fator que dificulta a inserção das pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho. As pessoas com deficiência intelectual têm problemas cognitivos reais e, portanto, enfrentam maiores barreiras à aprendizagem de forma independente, sem assistência, tarefas e hábitos. A preparação e a formação desempenham, portanto, um papel importante na formação profissional das pessoas com deficiência intelectual.
Carreira (1997) e Pastore (2002) recomendam que as pessoas com deficiência sejam inicialmente colocadas com pessoas que melhor as possam ajudar. Outro desafio que as pessoas com deficiência intelectual enfrentam ao ingressar no mercado de trabalho é conseguir realizar todas as atividades propostas pela empresa. Os ajustes que precisam ser feitos para a admissão e sustentabilidade das pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho também são importantes.
Estes devem ser adaptados às necessidades dos colaboradores com deficiência intelectual, sem prejudicar as suas atividades. Para a maioria das pessoas com deficiência intelectual, trabalhar representa a realização de um sonho que parecia praticamente impossível de alcançar dados os preconceitos que sofriam, deixando-as num estado de dependência perpétua. Outro aspecto interessante que deve ser enfatizado é que as pessoas com deficiência intelectual também querem viver uma vida rotineira ou “normal”.
Para as pessoas com deficiência intelectual, o processo e o significado de trabalhar e trabalhar não são diferentes dos demais, mas há um agravante. Os pais são elementos cruciais para o desenvolvimento global das crianças com deficiência intelectual, porque encontram apoio na família. Embora seja importante que todos sejam aceites e reconhecidos no seu ambiente de trabalho, isto também se aplica às pessoas com deficiência intelectual.
Portanto, essas relações interpessoais podem tornar-se um suporte emocional fundamental para o sucesso dos trabalhadores com deficiência intelectual. Podemos constatar que a integração no grupo de trabalho é um fator de orgulho e satisfação e desempenha um papel importante na integração dos indivíduos com deficiência mental na sociedade.
5 – CONCLUSÃO
Vale ressaltar a importância que os entrevistados manifestaram sua satisfação em poder expressar seus sentimentos, experiências, preocupações e sugestões quanto à sua inserção no mercado de trabalho. A proposta deste estudo vai, portanto, ao encontro do pensamento de Glat (1989) quando afirma que “as pessoas com deficiência mental raramente têm a oportunidade de se expressar e lutar pessoalmente pelos seus direitos” (p.25). É necessário realizar novas pesquisas sobre o tema, levando em consideração que as pessoas com deficiência mental são as que têm maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho.
Se souberem colocá-los no lugar certo, aceitar as suas limitações e fracassos, bem como reconhecer os seus sucessos, os seus valores, as suas capacidades, sem negar as suas limitações, o trabalhador com deficiência intelectual sentir-se-á definitivamente um sujeito integrado no contexto. , em que atuam e, assim, reduzir a situação de exclusão. Devido a esse respeito familiar, as pessoas com deficiência intelectual sem dúvida recuperam o respeito próprio, o respeito e se sentem capazes de realizar seus sonhos e esperanças, sendo independentes e independentes. Quanto mais pesquisamos e pensamos sobre a inclusão das pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho, mais nos convencemos de que o maior obstáculo que esses indivíduos enfrentam é a valorização da sua deficiência em detrimento do seu potencial.
Indivíduos com deficiência intelectual desenvolverão seus próprios valores e agirão de forma independente somente se forem libertados do rótulo de incompetentes, dependentes e malsucedidos. O mercado de trabalho deve proporcionar condições favoráveis em sua estrutura para que essas pessoas possam demonstrar que, apesar de suas limitações, possuem o potencial necessário para desempenhar funções compatíveis com suas capacidades. Esperamos que após a conclusão deste trabalho tenhamos contribuído para a discussão sobre a inclusão de pessoas com deficiência intelectual no trabalho produtivo, embora tenhamos percebido que os requisitos e qualificações para desempenhar uma função no mercado de trabalho estão se tornando cada vez mais complexos. dominar várias habilidades.
Hoje, as empresas pedem aos funcionários que sejam eficientes em muitas situações que precisam ser feitas rapidamente e exigem deles uma versatilidade que não observamos na preparação de pessoas com deficiência no contexto educacional. Observamos nesta pesquisa que o sucesso dos funcionários entrevistados decorre da persistência em concretizar parcerias entre escolas e empresas num enorme esforço por parte da instituição de ensino para superar as barreiras para abrir espaços onde as pessoas com deficiência pudessem desempenhar funções e mostrar sua capacidade de atuação profissional, o que abre novas perspectivas para futuros estudos na área. Por fim, transcrevemos abaixo os depoimentos que expressam a dificuldade de inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho e a satisfação de ser hoje um indivíduo produtivo.
A atuação da escola especial estadual na formação profissional de alunos com deficiência intelectual. Profissionalização da pessoa com necessidades educacionais especiais em ambiente regular de trabalho. Como atuam os serviços de profissionalização para pessoas com deficiência intelectual na aquisição de comportamentos adaptativos segundo o princípio da integração da educação especial.
Mapear as necessidades de implementação de serviços profissionais por profissionais de uma instituição de ensino para deficientes mentais. Preparar e colocar jovens e adultos com deficiência intelectual no mercado competitivo – instrução no ambiente real de trabalho.
BIBLIOGRAFIA