Esta pesquisa tem como objetivo mostrar os danos morais causados aos descendentes pelo exercício imperfeito do poder familiar por parte do pai, nas situações em que o pai não convive no quarto com o filho e se exclui voluntariamente da vida do filho, não cumpre a obrigação parental de criar, criar e acompanhar os filhos menores apesar do cumprimento dos seus deveres de subsistência e destacar as consequências jurídicas daí resultantes, especialmente a admissibilidade da indemnização por danos imateriais decorrentes deste tipo de negligência moral. São diversos os deveres decorrentes do exercício do poder familiar consagrados no atual ordenamento jurídico nacional, entre eles os relativos à convivência entre pais e filhos e os compromissos com a formação moral, intelectual e psicológica dos descendentes, que enfatizam o caráter protetivo do instituto .
BREVE HISTÓRICO DO INSTITUTO DO PODER FAMILIAR
Neste sentido, o poder pátrio, a autoridade familiar ou o dever pátrio destinam-se principalmente a proteger os filhos menores. Assim, o atual Código Civil adotou a nomenclatura de “poder familiar” para afastar incondicionalmente a ideia de que o pai tenha qualquer domínio sobre os filhos, em detrimento da autoridade da mãe.
CONCEITO DOUTRINÁRIO E CARACTERÍSTICAS DO PODER FAMILIAR
Na visão atual de Guilherme Strenger, “o poder familiar é um direito e um dever que cabe aos pais, enquanto titulares, para proteger os interesses da criança e manter as suas condições existenciais”. 22. Em suma, o poder familiar pode ser definido como o conjunto de direitos e deveres dos pais relativamente à pessoa e aos bens dos filhos menores que possuem.
TITULARIDADE DO PODER FAMILIAR
O atual Código Civil estipula ainda que, em caso de separação judicial, divórcio ou dissolução de união duradoura, a titularidade do poder familiar deve permanecer comum a ambos os progenitores, com exceção do direito de ter filhos na sua companhia, que aqui significa o direito à tutela legal (artigo 1.632). Em suma, “são sujeitos passivos do poder familiar todos os filhos menores e não emancipados que tenham pai ou mãe, vivo e conhecido, habilitado para exercê-lo”.
EXTINÇÃO, SUSPENSÃO E DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR
A Lei da Criança e do Adolescente menciona a perda e privação temporária do poder familiar no artigo 24, que se refere ao descumprimento das obrigações descritas no artigo 22. Por fim, a Seção IV menciona que o pai ou a mãe que comete infração penal novamente perde poder familiar. especificado no artigo anterior.
AS OBRIGAÇÕES GENÉRICAS DERIVADAS DO PODER FAMILIAR ASSENTADAS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
A primeira parte do artigo 229.º da Lei Fundamental aborda especificamente o poder familiar, quando afirma que “os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores”85. Os pais têm o dever de proporcionar aos seus filhos, pelo menos, o ensino básico, que será fornecido gratuitamente pelo Estado aos necessitados. Ressalte-se que este dispositivo constitucional deve ser visto como uma norma programática sobre o poder familiar, mostrando que os deveres parentais envolvem uma série de obrigações, como estar presente na vida dos filhos e nela participar efetivamente, para com eles de todas as formas. de assistência, que incluem, entre outros, o dever de companheirismo e tutela, o dever de educação e educação.
229: “Os pais são obrigados a ajudar, criar e educar os filhos menores, e os filhos mais velhos são obrigados a ajudar e apoiar os pais na velhice, nas dificuldades ou na doença”.
OBRIGAÇÃO DE CRIAR
Os pais são responsáveis pelo apoio, supervisão e educação dos filhos menores e, no seu interesse, também têm a obrigação de cumprir e fazer cumprir as ordens judiciais. Yussef Said Cahali explica que a obrigação de criar e manter os filhos, porque decorre do poder familiar, é mais ampla e genérica e continua mesmo quando os filhos menores já possuem bens ou rendimentos que possam satisfazer as suas necessidades (como nos casos de heranças e doações ). ). Quanto à forma de pagamento, a obrigação alimentar é normalmente prestada em espécie e a obrigação alimentar é, em regra, operacionalizada por pagamentos periódicos, geralmente em dinheiro.
Acontece que a obrigação de sustentar o outro mantém-se caso não haja coabitação entre pais e filhos e a guarda seja atribuída a um dos progenitores, que nestes casos é convertida em pensão alimentícia.
OBRIGAÇÃO DE EDUCAR
Pela tarefa da educação, que se relaciona com a tarefa da criação, cabe aos pais iniciar os filhos na escolha de um modelo espiritual ou opção religiosa, que satisfaça os desejos de espiritualidade que estão integrados em cada ser humano. , no sentido do bom, do certo, do virtuoso, do útil e do social. Outra componente da educação é o dever de orientar o filho, ou seja, transmitir ao pai experiências e ensinamentos que lhe permitam viver bem em sociedade e seguir o caminho certo. A tarefa de educar um filho inclui também a tarefa de correção, essencial para a construção do caráter, o reconhecimento de que os pais são os melhores precursores na formação dos filhos e a necessidade constante de estabelecer os limites necessários à adequação do comportamento infantil. censura ou reprovação.
Integra também o dever educativo atribuído aos pais de exigir obediência e respeito (art. 1.634, VII do CC), por serem elementos de harmonia familiar e convivência social.120.
OBRIGAÇÃO DE TER EM COMPANHIA
Uma das formas mais relevantes de externalização do direito ao companheirismo, inerente ao poder da família, é o direito à visitação, que ocorre nos casos em que os pais não moram juntos, seja em decorrência de casamento desfeito ou de outras situações. onde as crianças nascem fora do casamento.123. Strenger enfatiza que o exercício do direito de visitação pode gerar conflitos entre os pais e represálias contra o menor, onde os pais não se interessam pelos filhos e não querem exercer esse privilégio. É, portanto, possível que o juiz, tendo em conta os interesses dos filhos menores, limite ou amplie o direito de visita, mas não é concebível que esse direito seja definitivamente extinto.
A suspensão ou perda do direito de visita aplica-se apenas em casos graves, tais como atos que violem a moral ou os bons hábitos, ou lesem a integridade física ou mental da criança.
OBRIGAÇÃO DE GUARDA
Por esta razão, os pais sem tutela conservam a obrigação de poder de visitar os filhos menores, pois este é um direito de personalidade destes últimos e resulta da obrigação de assistência imaterial que os pais têm para com os seus descendentes. 1.583 do CC 150, as relações entre cônjuges e filhos obedecem ao pactuado pelos primeiros no acordo relativo à tutela dos segundos. 9º: “Na hipótese de dissolução da união conjugal por meio de separação judicial consensual (art. 4º), será observado o que os cônjuges acordarem quanto à guarda dos filhos.”
1. Se a separação judicial for da responsabilidade de ambos os cônjuges, os filhos menores permanecem em poder da mãe, salvo se o juiz decidir que tal solução lhes pode causar danos morais.
MEDIDAS APLICÁVEIS COMO CONSEQÜÊNCIA DO DESCUMPRIMENTO INJUSTIFICADO DAS OBRIGAÇÕES DO PODER FAMILIAR
Primeiramente, há a suspensão ou perda do poder familiar nos casos previstos na legislação civil, que são respectivamente as situações do artigo. No mesmo sentido, Cahali esclarece que o abandono do pai que não exerce o direito/dever de visitar o filho (nas situações em que não vivem juntos) é insuficiente para motivar a retirada do poder familiar. 249 do estatuto, aplicável às violações das funções do poder familiar, que pune o infrator com multa.
O diploma repressivo refere-se pela primeira vez aos crimes resultantes do incumprimento das obrigações do poder familiar, no art.
REPARAÇÃO CIVIL PELO DANO MORAL
A política, que relaciona o dano moral ao sofrimento físico ou psicológico do indivíduo, tornou obrigatória a sua indenização, conforme observado nos incisos V. O dano moral é tema incontroverso. O pagamento de danos morais em dinheiro deve proporcionar ao lesado uma satisfação, tanto moral quanto psicológica, capaz de neutralizar ou minimizar ao máximo as consequências do sofrimento sofrido.201.
O dano moral tem consequências internas, ou seja, na esfera íntima ou nas profundezas do espírito, o que torna a experiência humana isenta de qualquer exteriorização como prova, apesar da própria evidência.
O DANO MORAL NO DIREITO DE FAMÍLIA
O alcance e a extensão do dano moral puro consagrado na Constituição da República de 1988 (art. 5º, incisos V e X) podem atingir o direito de família quando se considera o ato lesivo cometido nas relações familiares e as consequências dos seus sofrimentos208, como a família é a base moral e espiritual para a formação do caráter dos indivíduos. Ainda no âmbito do direito de família, também é plausível a responsabilidade civil decorrente das relações entre pais e filhos. Assim, em relação às lesões puramente morais, há uma tendência, que se poderia dizer universal, de repará-las integralmente.
É por isso que a contínua ampliação do rol de processos decididos nos tribunais que julgam danos morais, como os que envolvem uniões pessoais e problemas conjugais ou familiares, torna mais possível o não reconhecimento das diferentes situações que constam do Direito de Família. cujos insultos e outras ofensas, no âmbito familiar, provocam prejuízos morais plenamente exigíveis pelo lesado.
OS PREJUÍZOS MORAIS PRODUZIDOS PELA AUSÊNCIA DO PAI À LUZ DA PSICOLOGIA
Após extensa pesquisa com filhos de pais divorciados nos Estados Unidos, os autores descobriram que metade das crianças nascidas depois de 1975 viviam longe dos pais e que nesses casos os meninos apresentavam mais distúrbios do que as meninas: baixo desempenho escolar, agressividade com familiares e colegas, uso de drogas, depressão e ansiedade. Estudo realizado pela psicóloga Vera Resende entre crianças e adolescentes do Programa de Atendimento à Infância e Adolescência da Universidade Estadual Paulista de Bauru mostra que a maioria das crianças tratadas com problemas como agressividade, indisciplina, baixo rendimento acadêmico e apatia ficam ressentidas com o pai. ausência. Ainda no que diz respeito ao impacto psicológico e às consequências nefastas causadas pela ausência do pai na vida da criança, destaca-se a tendência estatisticamente demonstrada para a delinquência juvenil, confirmando que uma das implicações da falta de afeto destas crianças é o caminho para a violência, e a formação de um adulto mais individualista e agressivo em suas relações, o que afeta a sociedade como um todo.
Não há dúvida de que a experiência e os resultados neste campo são capazes de comprovar não apenas o dano causado (consequência lesiva), mas também o nexo causal entre ele e a conduta omissa (ato lesivo) do pai ausente, elementos exigidos pela legislação brasileira. sistema jurídico seja possível uma compensação adequada.
A DIGNIDADE HUMANA COMO FUNDAMENTO PARA A INDENIZAÇÃO PELOS PREJUÍZOS RESULTANTES DO ABANDONO PATERNO
Na verdade, um dos postulados do direito constitucional contemporâneo é a íntima ligação entre o princípio da dignidade humana e os direitos fundamentais. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – RELAÇÃO DE AMOR PAIS – PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA – PRINCÍPIO DA AVALIAÇÃO. A dor sofrida pela criança, em decorrência do abandono paterno, que a privou do direito à convivência, ao apoio emocional, moral e psicológico, deve ser compensada, com base no princípio da dignidade humana.
A decisão refere-se também ao princípio do amor nas relações familiares, que em todo o caso decorre do macroprincípio da dignidade humana. RESUMO – INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – RELAÇÕES CONJUNTAS PAIS – PRINCÍPIO DA DIGNIDADE HUMANA – PRINCÍPIO DA AFETIVIDADE. O princípio da afetividade especializa nas relações familiares o macroprincípio da dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III, da Constituição Federal), que preside todas as relações jurídicas e subordina o ordenamento jurídico nacional.