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Metáfora Conceitual

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Academic year: 2023

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Este trabalho examina os processos de construção da metáfora conceitual SUBIR NA VIDA, representada por meio da abstração da figura da escada e do modo de subir/descer. Nesta pesquisa, estamos enraizados em uma delas, a perspectiva lingüística e cognitiva, mais especificamente a Teoria da Metáfora Conceitual. Os procedimentos adotados na descrição da metáfora SUBIR NA VIDA, detalhados na seção 1.2, consistem em identificar quais elementos linguísticos e quais não linguísticos (visual-espaciais) permitem o trânsito de propriedades no domínio - -fonte ( caracterizado ou qualificado ) pela experiência de aspectos físicos ou concretos) ao domínio-alvo (caracterizado por aspectos abstratos).

OBJETO DE PESQUISA, QUESTÃO, OBJETIVOS E HIPÓTESE

Na seção seguinte, são abordados os procedimentos metodológicos previstos para o desenvolvimento da pesquisa, bem como o material que dá origem à metáfora SUBIR NA VIDA analisada nesta investigação. É justamente essa abordagem da metáfora conceitual para ancorar conceitos abstratos da experiência corporificada do locutor (repórter e telespectador) que nos interessa para análise, haja vista que a representação do conceito de desenvolvimento social e econômico se desenvolve com recursos linguísticos e não linguísticos. recursos. elementos linguísticos relacionados ao instrumento (escalas) e modo de movimento (direcionado para cima/para baixo; com ou sem ação mecânica). No capítulo 3, desenvolve-se a descrição e análise da metáfora conceitual SUBIR NA VIDA, conforme os passos metodológicos descritos anteriormente.

A EMERGÊNCIA DA LINGUÍSTICA COGNITIVA

Todos os outros elementos da linguagem que constituem a fala estão eles próprios subordinados a essa ciência primeira, e é graças a essa subordinação que todas as partes da linguística encontram seu lugar natural (SAUSSURE, 1974, p. Para Saussure, o pensamento está subordinado à linguagem, porque é através da linguagem, dos signos, externos aos sujeitos, que se pode pensar as coisas do mundo, ou seja, a organização da linguagem reflete a estrutura do mundo, portanto a linguagem dá forma ao pensamento. Não quero dizer apenas que os conceitos expressos e as distinções desenvolvidas na linguagem normal nos revelam os modelos de pensamento e o universo do 'senso comum' construído pela mente humana.

A LINGUÍSTICA COGNITIVA

A experiência corporificada

Por várias décadas, a ciência cognitiva baseou-se na tradição cartesiana de separar corpo e mente. Embora esses elementos de medição sejam objetos – e não partes do corpo – eles estão inscritos no campo da experiência humana (como instrumentos manuais) e refletem fatores culturais que afetam a operação mental comum de quantificação. Se ainda estamos nos referindo ao corpo humano, também usamos termos como frente, atrás, esquerda, direita, alto e baixo, que podem ser delimitados de acordo com a posição do corpo no mundo.

Modelos Cognitivos Idealizados (MCIs)

  • Frames
  • Categorização e prototipicidade
  • Espaços mentais

Com base nesses elementos de interação física entre o corpo e o meio em que está inserido, toda função cognitiva, segundo Lakoff e Johnson (1999), é composta por nossas habilidades de perceber o mundo em relação às coisas, a forma de lidar . objetos, mover nossos corpos no espaço e analisar nossas relações de interação. Na definição de Fillmore (1982, p. 111), um frame é um “[..] sistema de conceitos relacionados de tal forma que, para compreender qualquer um deles, é necessário compreender toda a estrutura na qual está inserido. .”.Frame Semantics and the Nature of Language” foi um dos primeiros trabalhos de Charles Fillmore em que o conceito de frame foi sistematizado e difundido pelo linguista.

Ao ativar um determinado quadro, para compreender um fragmento, é fundamental compreender o todo no qual o conceito está contido. Assim como exemplo da categoria “pássaro”, em que a memória de aves como o sabiá pode ser representada de forma absolutamente intuitiva, este elemento traz aspectos como penas, bicos e sobretudo a capacidade de voar, que não é tão bem representada por outros elementos como galinhas, patos e muito menos pinguins. Ainda assim, há casos em que um termo pode fazer parte de duas categorias, integrando a chamada “zona cinzenta”.

Ao analisar a gramática de algumas línguas que possuem a expressão gramatical da categoria gênero, também é possível encontrar diferenças, como acontece com a palavra “sangue”: em espanhol essa palavra é feminina – “la sangre” – e em português é o masculino - "o sangue". O esboço descritivo de Fauconnier (1994), identificado como um esquema de projeção de elementos entre diferentes espaços mentais, em que o ponto a serve de referência para a interpretação do ponto b, mostra a origem de uma imensa rede de conexões entre domínios cognitivos estruturados em linguagem. Em situações em que ocorrem atos comunicativos, diferentes espaços mentais são estimulados e diferentes segmentos desses espaços são conectados, criando uma rede de projeções, de modo que a linguagem se caracteriza como um emaranhado de componentes entre domínios e projeções.

Se entendermos a metáfora conceitual SUBIR NA VIDA dentro do esquema de projeção de elementos entre espaços mentais ilustrado pela Figura 4, então podemos explicar como diferentes domínios são motivados a representar a meritocracia como um erro, dado o tipo de diferença. que ela se faz entre os modos existentes de deslocamento ascendente – o que, afinal, representa a desigualdade das condições sociais.

Figura  1 - Imagem  da categorização
Figura 1 - Imagem da categorização

A METÁFORA NA TEORIA COGNITIVA

A metáfora é definida como um processo de compreensão de um domínio conceitual por meio de outro. Como mencionado acima, as metáforas conceituais estão presentes em todas as experiências humanas e são encontradas em diferentes formas de discurso. O Gráfico 2 abaixo mostra uma correlação entre dois domínios conceituais para a instanciação da metáfora O AMOR É UMA VIAGEM (LAKOFF; JOHNSON, 2002).

Pode-se traçar, a partir do mapeamento, através da metáfora em estudo, e fazer-se uma correspondência entre: (i) quando um casal decide caminhar junto, numa viagem a dois, a relação passará por diferentes fases/fases de coabitação nos relacionamentos e (ii) há momentos em que ocorrerão situações difíceis, discórdias conjugais. A metáfora AMOR É UMA VIAGEM enquadra-se no primeiro tipo, entre as metáforas estruturais, uma vez que o conceito de AMOR é construído a partir dos elementos de uma viagem, um conceito entendido em função do outro. Em resumo, de acordo com os estudos realizados por Lakoff e Johnson (2002, p. 18) sobre metáforas de orientação, determina-se que.

Nas palavras dos próprios autores, considera-se que “[..] talvez as metáforas ontológicas mais óbvias sejam aquelas em que objetos físicos são concebidos como pessoas” (LAKOFF; JOHNSON, 2002, p. 87). Assim, as metáforas ontológicas, como são chamadas essas experiências, “[..] são formas de conceber eventos, atividades, emoções, ideias como substâncias” (LAKOFF; JOHNSON, 2002, p. 26). Com base nas três classificações de tipos de metáforas conceituais que apresentamos, foram elaborados alguns exemplos para ilustrar como as metáforas conceituais são utilizadas e incorporadas em nossa linguagem cotidiana, segundo Lakoff e Johnson (2002): . a) "O jovem colidiu com a mãe".

Nesse cenário, as metáforas são vistas não apenas como parte da linguagem, do pensamento e da ação, mas também como uma forma de vivenciar o mundo (LAKOFF; JOHNSON, 1980).

ESTUDOS PRÉVIOS SOBRE A METÁFORA CONCEITUAL

O trabalho estudou as metáforas primárias e complexas e como os modelos cognitivos idealizados moldam as concepções de emoção. Em conclusão, com base nestes resultados, determinou-se que as metáforas mais representativas do sentimento AMOR assentam em exemplos profundamente enraizados na nossa cultura e que remetem para as origens da civilização grega, através de Platão e Aristóteles. Ainda em 2019, o estudo “Metáforas conceituais categorizando a reforma trabalhista no gênero cartoon: uma análise semântico-cognitiva”, de Luiz Henrique Santos de Andrade, teve como objetivo analisar as metáforas conceituais e respectivos fenômenos linguísticos associados aos elementos visuais utilizados no corpus composto por desenhos animados com um determinado tema.

Por fim, confirma-se que as metáforas investigadas contribuem para a crítica feita pelos cartunistas e para a função/estratégia semântico-discursiva de condenação dos efeitos da Reforma, conforme apontado pelo autor. Em 2021, a pesquisa "Luz e escuridão na Terra-média: as metáforas conceituais que regem 'O Senhor dos Anéis'", desenvolvida por Mariana Moreira Nunes Santa Maria, analisou as metáforas mal é escuro, bem é luz, ou seja, claro e escuro, bem como a divisão entre o bem e o mal na obra literária O Senhor dos Anéis, de J. Em 2021, a nova pesquisa “Metáforas sistemáticas na fala de adultos em processo de alfabetização” de Wilza Karla foi publicado. Leão de Macedo, investigou as metáforas que aparecem na fala de adultos em processo de alfabetização.

Segundo Macedo (2021), as metáforas se manifestam no discurso adulto no processo de alfabetização em torno do tema “(Não) aprender a ler”, estabelecendo uma conexão teórico-discursiva entre os estudos sobre a metáfora e o discurso. Portanto, as metáforas sistemáticas não surgiram de uma única metáfora e, no entanto, um novo item foi criado, o Outro, coerentemente transposto para o corpo discursivo, para o estado emergente da situação, demonstrando a existência de suas ideologias, crenças e diálogos observados. Qualitativo-quantitativo, em uma escola do município de Itabuna, Bahia, com duas turmas de alunos adultos em processo de alfabetização.

Sua pesquisa, além de compreender o fenômeno, também abre um imenso campo de reflexão sobre como as metáforas são criadas, como as metáforas são estruturadas, como o sistema conceitual organiza o pensamento.

Figura  5 - Metáfora:  Domínio-fonte  e domínio-alvo
Figura 5 - Metáfora: Domínio-fonte e domínio-alvo

METÁFORA CONCEITUAL: SUBIR NA VIDA

Para ampliar a análise da metáfora conceitual SUBIR NA VIDA, é relevante retornar à teoria do frame (sistema de definições interligadas, necessárias para a compreensão de todos os elementos que o compõem), com base em Fillmore (1982 ). Quando abordamos o conceito de forma mais concreta, temos o objeto (a escada conforme as Figuras 6 a 17) em sua abstração para representar uma perspectiva cognitiva da linguagem, consolidando a metáfora SUBIR NA VIDA. Para representar a metáfora UP IN LIFE, há uma associação com as escadas que sempre realizam a ação UP, sinônimo de acesso a conquistas materiais ou ascensão social.

Isso resulta no estímulo no espectador de um "modo de pensar" e é resultado da realização da metáfora SUBIR NA VIDA. Resultados concretos são dados e, no caso investigado, trechos do relatório e imagens de escadas (mecanizadas ou não) contribuem para a instanciação da metáfora SUBIR NA VIDA. A metáfora SUBINDO NA VIDA (considerada no trecho do relato e nas estampas das imagens das escadas) aponta para a conexão dos elementos descolados com as modalidades sensoriais, como o visual, o auditivo e também o cinético.

Desdobra-se em um sistema conceitual que os interlocutores projetam para compreender a fusão das inferências semióticas e assim configurar a metáfora SUBIR NA VIDA. O presente trabalho corrobora outros estudos sobre CL, particularmente com metáfora conceitual, ao relacionar a metáfora RISING IN LIFE (considerada em uma reportagem televisiva) à perspectiva de Lakoff e Johnson (1980) sobre a cognição. Também encontramos o significado da metáfora ESCALANDO NA VIDA, com o objetivo de LC explorar a compreensão de sistemas cognitivos que se submetem à construção do conhecimento por meio de estruturas de linguagem ou não.

Não obstante, procuramos explorar os processos de construção da metáfora conceptual SUBIR NA VIDA de modo a enfatizar a concepção abstrata da desigualdade de condições sociais e económicas. E como propósitos especiais, queremos compreender o funcionamento da metáfora conceitual SUBIR NA VIDA no contexto do fenômeno metafórico investigado. Demonstramos ainda que a simbiose entre estímulos verbais e não verbais é determinante na construção da metáfora SUBIR NA VIDA instanciada no relato, resultando em uma projeção metafórica verbo-visual complementar.

Figura  6 - Escada não mecanizada à direita  e escadas mecanizadas à esquerda
Figura 6 - Escada não mecanizada à direita e escadas mecanizadas à esquerda

Imagem

Figura  1 - Imagem  da categorização
Figura  2 - Zona  cinzenta
Figura  3 – Esquema de projeção  de elementos entre espaços mentais diferentes
Figura  4 - Esquema de projeção de elementos  entre espaços mentais
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Referências

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O autor Flávio Desgranges confirma que é o “[...] mergulho no jogo da linguagem, que provoca o espectador a elaborar uma compreensão destes variados elementos linguísticos