CONCEITO DE FAMÍLIA
PEREIRA48 ensina num sentido geral que família é “um grupo de pessoas que provêm de uma linha ancestral comum”. Em sentido estrito, “a família é considerada um conjunto de pessoas ligadas por laços matrimoniais e de parentesco. Portanto, como visto acima, o conceito de família ora é visto como algo limitado que pode ser analisado, ora como algo complexo que pode ser observado sob diferentes perspectivas.
Se em algumas leis a definição de família é vaga ou vazia, em outras ela é limitada, mas ampliando o rol daqueles por ela abrangidos. 1º Para os efeitos do disposto no capítulo, entende-se por família o conjunto de pessoas elencadas no art. Nota-se, com o passar do tempo, que o conceito de família se desenvolveu e se transformou, deixando de ser apenas a família nuclear burguesa50 (pai, mãe e filhos) e passou a ser vista como algo muito mais inclusivo.
CONTEÚDO DO DIREITO DE FAMÍLIA
Do ponto de vista constitucional, é clara a concretização do direito à vida digna e do princípio da solidariedade (art.1º, III, CF/1988). O direito da família constitui o conjunto de normas que regulam a celebração do casamento, a sua validade e as consequências dele decorrentes, as relações pessoais e económicas da comunidade matrimonial, a sua dissolução, o compromisso firme, as relações entre pais e filhos, o vínculo de parentesco e os institutos complementares de tutela e curatela.58. Portanto, o Direito da Família é a lei que regula as relações de amor, afinidade e parentesco entre as pessoas e protege os direitos daqueles que advêm dessas uniões.
O direito da família garante e protege o sustento daqueles que não podem fazê-lo sozinhos. O direito de família trata, assim, de questões relativas ao casamento, às relações estáveis, às relações de parentesco e aos institutos do direito tutelar59. Embora cada autor tenha a sua própria definição de família e de direito da família, todos concordam que a família é a base da sociedade e que o direito constitucional é, sem dúvida, um dos pilares do direito da família.
PRINCÍPIOS DO DIREITO DE FAMÍLIA
Tal como outros ramos do direito, o direito da família rege-se por princípios que determinam os seus fundamentos e valores. É importante sublinhar que as mudanças sociais, religiosas e económicas alteraram os princípios básicos do direito da família. Devido ao desenvolvimento da família e às transformações decorrentes, as relações pessoais não permitem mais que a união ocorra sem que esta seja satisfatória para ambos os companheiros de quarto.
O princípio da liberdade é, como o próprio nome indica, um princípio que permite aos cidadãos tomar decisões sobre a construção e manutenção de famílias. E essa liberdade inclui a liberdade de casar, de contrair união estável ou mesmo de se afastar dessas instituições.68. Com base na igualdade dos sexos na nova Constituição Federal, o poder da família também foi aceito pelo direito de família como dever e poder de ambos os conviventes.
Ambos os cônjuges ou parceiros devem tomar decisões em conjunto, e a submissão de uma mulher a um homem já não é aceitável. Gozando de um pouco mais de regulamentação, cabe destacar que a união estável possui regulamentação específica e separada (lei 8.971/94 e lei 9.278/96), mas não tem a mesma perceptibilidade no Código Civil de 2002, pois surgiu de as reformas aprovadas com o federal ao Senado.77. De acordo com os princípios da dignidade humana e da igualdade jurídica dos cônjuges e companheiros, o princípio da consagração do poder familiar confere ao casal o controlo sobre a família.
A monogamia, que surgiu através de ditames religiosos, é o princípio jurídico que estabelece que uma pessoa pode casar80 ou manter união estável com apenas mais uma pessoa. Todo o Direito da Família está organizado em torno deste princípio, que também funciona como um ponto-chave de conexões morais.” Sobre a adoção do referido princípio no Direito de Família brasileiro, DINIZ afirma que “nosso ordenamento jurídico consagra a monogamia, cuja violação autoriza a aplicação de duas sanções: a nulidade do ato praticado e a punição ao infrator”. 84.
Ou seja, enquanto alguns princípios sugerem que a família é mais que um casamento, mas uma entidade que une as pessoas pelo seu carinho e respeito, existe um princípio da monogamia que afirma que mesmo que haja carinho, afeto e respeito entre vários coabitantes , Aceito é apenas a união de uma pessoa com outra, sem possibilidade de aceitação de um terceiro (ou mais) companheiros de quarto.
CASAMENTO
- D A CAPACIDADE PARA CONTRAIR CASAMENTO
- D AS CAUSAS IMPEDITIVAS E SUSPENSIVAS
- D A PRÉVIA HABILITAÇÃO
- D A CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO
- D AS PROVAS DO CASAMENTO
Segundo AZEVEDO88, o casamento “nada mais é do que um vínculo espiritual que une os cônjuges, sob a proteção da moral e da lei”. Esta situação perdurou até a criação da República, quando finalmente foi criada a figura do Casamento Civil. Para produzir efeitos erga omnes, o casamento é registado na Conservatória do Registo Civil das Pessoas Singulares, constituindo prova do acto o extracto da certidão.
Apesar de ter evoluído em matéria de capacidade, o atual Código Civil ainda apresenta indícios da preocupação do legislador em manter a moralidade e os bons costumes. Excepcionalmente, será permitido o casamento para quem ainda não atingiu a maioridade nupcial (art. 1.517), para evitar a imposição ou execução de pena criminal ou em caso de gravidez. Certas condições pessoais ou circunstâncias objetivas que impedem a realização do casamento são consideradas obstáculos conjugais.
Apesar de existirem mais obstáculos no código civil de 1916 (havia dezasseis obstáculos), o actual código civil não tornou as questões matrimoniais menos rígidas. Proibição do casamento por parentesco ou proximidade - é por motivos fisiológicos, pois o casamento entre parentes é desfavorável à melhoria da raça [..] 110. Criado em decorrência de conjugicídio, previsto no decreto 181. i de 1890 ( Art. 7º, §4º), a obstrução pelo crime exigia a condenação do cônjuge sobrevivente e a participação de terceiros no crime.
As questões patrimoniais do falecido devem ser tratadas separadamente e não devem ser confundidas com questões conjugais. As causas suspensivas, antes denominadas proibitivas ou obstáculos proibitivos (CC/16, art. 183, XIII, são. autorização judicial." 121. Há também a suspensão do casamento se a divisão dos bens do casal ainda não tiver sido aprovada ou decidida, com o objectivo de evitar confusão nos bens das uniões conjugais.128.
E, por fim, é causa de suspensão do casamento o facto de a tutela ou tutela não ter cessado quando o idoso ou tutor se casar com o seu tutor ou curador, respetivamente, e enquanto não tiverem sido efetuadas as respetivas contas. Como se refere no referido artigo, a ampla gama de documentos exigidos indica o grau de formalidade do casamento. Depois de devidamente resolvidas as diligências anteriores, o responsável “emitirá o aviso, que será afixado durante quinze dias nas circunscrições do Estado Civil de ambos os cônjuges e será publicado na imprensa local, se existir”, segundo o artigo.
UNIÃO ESTÁVEL
- C ONCEITO E EVOLUÇÃO HISTÓRICA
- R EGULAMENTAÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL ANTES DO CÓDIGO CIVIL DE 2002
- A UNIÃO ESTÁVEL NO CÓDIGO CIVIL DE 2002
- R EQUISITOS PARA A CARACTERIZAÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL
- Pressupostos subjetivos
- Pressupostos objetivos
Durante muito tempo, antes da promulgação da CF/88, as uniões estáveis não recebiam nenhum reconhecimento por parte do governo. Seria de esperar, portanto, que tal lei protegesse definitivamente os direitos dos parceiros e acabasse com as dúvidas sobre a instituição da União Estável. Além disso, considerou a União Estável como pertencente ao Direito de Família, e incluiu-a no Livro IV, Direito de Família.165.
Quanto à definição de união estável, o legislador optou por reiterar o termo união estável e reafirmar os obstáculos a que está sujeita. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre homem e mulher, constituída em público, convivendo de forma contínua e duradoura e estabelecida com a finalidade de constituir família. Primeiramente, nota-se que o legislador não estabeleceu prazo mínimo que deva ser comprovado, cabendo o reconhecimento da união estável dependendo do caso específico apresentado.166.
Portanto, mesmo que não sejam casados, é pré-requisito para o reconhecimento da união fixa que assim o pareçam, desde que assim seja. Portanto, torna-se difícil comprovar a ligação estável justamente por se tratar de uma entidade familiar formada pela ausência de formalidades, sendo então objeto de análise de cada caso específico e de acordo com os elementos contidos e comprovados nos autos. Diferentemente do casamento, em que seu início e fim são claros, a união estável não possui marcos temporais.
Diferentemente do casamento, em que o vínculo conjugal é formalmente documentado, a união estável é um fato jurídico, um comportamento, um relacionamento. Assim, salvo o impedimento ao casamento (se estiver divorciado de facto ou legalmente), aplicar-se-ão à união fixa os mesmos impedimentos a que está sujeito o casamento.178. Conforme já discutido no elenco de princípios do Direito de Família (Capítulo 1, 1.4), a monogamia é considerada a base do casamento e suas consequências se estendem às uniões estáveis.
Portanto, fica excluída a possibilidade de união estável caso já exista configuração de outra entidade familiar.179.
FAMÍLIA MONOPARENTAL
Vale ressaltar que este tema será melhor estudado quando tratarmos do concubinato e da possibilidade de reconhecimento de famílias paralelas. Ao abandonar a protecção secular e exclusiva da família como instituição constituída apenas pelo casamento, ao dirigir a sua protecção individual a cada membro do grupo, sob a protecção sobretudo do princípio da dignidade, era uma comunidade formada por um pai. e seus descendentes à categoria de entidade familiar, o que lhe confere a mesma condição do casamento e da união estável, como se verifica no art. Chamamos esse grupo de família monoparental ou unilinear, termo que foi inicialmente utilizado na França, embora a Inglaterra lhe preste especial atenção desde a década de 1960 e o chame de família monoparental.181
Apesar deste inconformismo, o facto indiscutível a que a nossa Constituição se rendeu é que surgiram outras entidades familiares para além do casamento, aumentando o número de mulheres e homens solteiros nas estatísticas e criando os seus filhos de forma isolada. na verdade, a verdadeira antítese da família natural, mas requer respaldo jurídico justamente para proteger as crianças expostas a todo tipo de discriminação nos relacionamentos. Esse ajuste, baseado na realidade que se apresentava, acabou por afastar a presunção de casamento da ideia de família. Para sua configuração não é mais necessária a necessidade da existência de um par, o que consequentemente afasta a proliferação de sua finalidade.
Apesar deste descaso, é importante sublinhar que a família monoparental, pela sua própria natureza, é uma entidade familiar que necessita do apoio e da protecção do Estado.
UNIÃO DE PESSOAS DO MESMO SEXO
CONCUBINATO
POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DAS UNIÕES DÚPLICES
- D OUTRINAS E JURISPRUDÊNCIAS CONTRÁRIAS AO RECONHECIMENTO
- D OUTRINAS E JURISPRUDÊNCIAS FAVORÁVEIS AO RECONHECIMENTO