A Constituição Federal dá prioridade fundamental à dignidade humana e à autonomia, entendendo que esse direito deve acompanhar a vida de todas as pessoas. O problema com este tema é que se a nossa constituição prioriza fundamentalmente a dignidade da pessoa humana e a autonomia, por que esse direito deveria ser removido no final da vida? O objetivo do estudo em questão é relatar situações em que pacientes terminais optam por não prolongar o sofrimento causado por suas doenças com tratamentos que não retornarão – a não ser o prolongamento artificial da vida – e aguardam a ocorrência da morte. , e assim garantir a dignidade no último momento da vida.
No segundo capítulo, trataremos da conceituação, interpretação e aplicação dos princípios da dignidade humana e da autonomia privada, dado o que se entende por “morte digna”. No terceiro capítulo, trataremos da questão que envolve o tema e mostraremos que o que se entende por dignidade humana e autonomia privada deve ser levado em consideração no final da vida. O artigo 1º, inciso III, da Constituição da República de 1988 afirma que o Brasil é um Estado democrático baseado no Estado de Direito, que tem como um de seus fundamentos a dignidade da pessoa humana.
Para compreender a ideia de “morte digna” esta deve ser verificada face aos princípios da dignidade e da autonomia, pois existe uma ligação intrínseca.
BIOÉTICA E BIODIREITO
CONCEITOS FUNDAMENTAIS: EUTANÁSIA, ORTOTANÁSIA E
- A RESOLUÇÃO 1.805/2006 DO CFM
- A RESOLUÇÃO 1995/2012 DO CFM
Esta é a atitude médica que, com o objetivo de salvar a vida de um paciente terminal, o submete a grande sofrimento. Na fase terminal de doenças graves e incuráveis, é permitido ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do paciente, garantindo os cuidados necessários ao alívio dos sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva de uma assistência integral, com respeito pela a vontade do paciente ou de seu representante legal.35. Infere-se também que tal resolução tende a garantir os princípios bioéticos de autonomia, beneficência, não maleficência e os direitos do paciente ao consentimento informado e à liberdade de segunda opinião médica, previstos no Código de Ética Médica.
É um documento que busca a transparência na prática da ortotanásia, que quebra a relação de subordinação entre o paciente e o médico e lhe garante autonomia quanto ao tratamento que deseja receber. 2° O médico deixará de levar em conta as diretivas antecipadas do paciente ou representante que, em sua análise, conflitem com as normas impostas pelo Código de Ética Médica. 3° As diretivas antecipadas do paciente prevalecem sobre qualquer outra opinião não médica, inclusive a vontade dos familiares.
Tal declaração constitui, portanto, uma declaração prévia de intenção do paciente sobre quais tratamentos será ou não submetido, podendo ainda incluir a nomeação de procurador nos casos em que seja impossível ao paciente terminal manifestar sua vontade. Nesse sentido, a declaração prévia do paciente terminal nada mais é do que um meio de garantir uma morte digna. Segundo a resolução em questão, a diretiva antecipada do paciente terminal tem efeitos erga omnes, que se sobrepõem à vontade previamente manifestada pelo paciente sobre a de terceiros, como a da família e dos médicos.
ORTOTANÁSIA: PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E
Acima de tudo, quando falamos em dignidade da pessoa humana, incluímos uma série de direitos como a vida, a liberdade, a autonomia pessoal, entre outros, que a constituem, e isso para melhor fundamentação do tema discutido de análise e compreensão , para servir de base para uma melhor compreensão do instituto que precisa ser desenvolvido neste trabalho, ou seja, o “direito à boa morte”. No início será conceituada a dignidade da pessoa humana e a autonomia privada e como esta é aceita em nosso ordenamento jurídico. A constituição federal protege o princípio da dignidade da pessoa humana e seus efeitos em todo o ordenamento jurídico, pois serve de base para a proteção da pessoa, estabelece limites e direciona a atuação do Estado de certa forma para a concretização da democracia.
Da mesma forma, Paulo Bonavides enfatiza que “nenhum princípio é mais válido para compor a unidade material da Constituição Federal do que o princípio da dignidade da pessoa humana”.52. O princípio da dignidade humana nutre e permeia todos os direitos fundamentais que, em maior ou menor grau, podem ser considerados como a sua concretização ou expressão. A dignidade da pessoa humana é o princípio mais importante da nossa ordem jurídica, que confere unidade de significado e valor, portanto deve condicionar e inspirar a interpretação e aplicação de todas as leis vigentes. 57.
Kant destaca que a autonomia da vontade, entendida como a capacidade de determinar-se e agir de acordo com a representação de determinadas leis, é uma qualidade encontrada apenas nos seres racionais, que constitui a base da dignidade da natureza humana.59. Ainda segundo Sarlet, é justamente no pensamento de Kant que a doutrina jurídica, tanto nacional como estrangeira, ainda hoje parece identificar as bases para uma fundamentação e conceituação da dignidade da pessoa humana.60. Desta forma, podemos perceber a importância deste princípio e a dificuldade de se chegar a um consenso universal sobre o que realmente é a dignidade da pessoa humana, uma vez que não pode ser universalizada, desde que aconteça de acordo com a personalidade do indivíduo, o que devem ser vistos como um fim e não como um meio, respeitando a sua autonomia e liberdade, mas sempre respeitando os direitos de terceiros.
A garantia da dignidade da pessoa humana ocorre de diversas formas, no próprio texto constitucional e em seu art. Desta forma, pode-se observar que a dignidade é garantida ao longo do desenvolvimento humano, devendo-se levar em conta que, no final da vida, ela deve ser respeitada mesmo com a penalidade pela violação desta garantia. Quando estamos tratando da dignidade da pessoa humana, é necessário levar em conta a sua ligação interna com o direito à autonomia privada, que no estudo em questão é de grande importância para a garantia da dignidade.
Este é o profundamente pessoal, que considera o ser humano como um valor em si mesmo, axiologicamente superior ao Estado e a qualquer coletividade a que pertence, mas que vê na pessoa humana um ser situado, concreto, que desenvolve a sua personalidade. na sociedade, na convivência com seus pares. Portanto, é importante ressaltar que a liberdade permite o seu exercício por meio da autonomia, mas não significa que seja válido o conteúdo das normas que o indivíduo dita a si mesmo, para que, como mencionado anteriormente, o direito à dignidade humana não seja menosprezado. causando desordem no ambiente social. Para a construção da dignidade da pessoa humana é particularmente necessário que o indivíduo se sinta socializado, seja capaz de determinar as suas escolhas de forma livre e igualitária, respeitando sempre os direitos de terceiros, pois caso haja violação de tais direitos, uma intervenção estatal.
Assim, conclui-se que a saúde deve ser assegurada desde a prevenção até a fase final da doença, o que não significa utilizar, às vezes em vão, todos os meios existentes para preservar a vida do paciente, sob pena de atentado à dignidade da pessoa humana. , penetrado. do artigo 1º, inciso III da Carta Magna.
DIGNIDADE E AUTONOMIA: PRINCÍPIOS
Ao falarmos da autonomia para morrer no estudo em questão, queremos mostrar o quão importante é garantir que os desejos do paciente terminal sejam levados em conta neste processo de morrer, de forma a garantir a sua dignidade e o seu respeito pela autonomia. no final da vida. Não podemos apenas privilegiar a dimensão biológica da vida humana e negligenciar a qualidade de vida do indivíduo. A extensão da vida só pode ser justificada se oferecer algum benefício às pessoas, mesmo que esse benefício não prejudique a dignidade de viver e morrer.88.
No momento em que a saúde do corpo não consegue mais garantir o bem-estar da vida nele contida, outros direitos devem ser considerados, punidos por violação do princípio da igualdade. A inacessibilidade da vida deve dar lugar à autonomia da pessoa que se encontra na fase terminal da sua existência, em meio à dor, ao sofrimento e às limitações.91. Como a dignidade deve ser garantida ao longo da vida, e nascer, viver e morrer fazem parte da vida do paciente, entende-se que no último momento desta vida a dignidade também deve estar presente.
O direito das pessoas em fim de vida ao tratamento e à morte de acordo com os seus valores, crenças e convicções, desde que não interfira significativamente na esfera de liberdade dos outros, parece fazer parte do mínimo ético que pode ser compartilhada por vários indivíduos e comunidades com ideias diferentes sobre o que é a boa vida e a morte. O respeito pela autonomia do indivíduo em questões relativas ao fim da sua vida, bem como o respeito pela pluralidade de visões morais e concepções de vida e morte presentes nas sociedades abertas, implica o reconhecimento de que não existe uma forma única de uma morte digna . Procuramos também conceituar o instituto da ortotanásia para melhor compreender sua utilidade em relação ao princípio da dignidade humana e da autonomia privada.
Considerando os Princípios como norma jurídica, notamos que o segundo capítulo visa demonstrar a importância da garantia da dignidade da pessoa humana e da autonomia privada ao longo da vida de todas as pessoas, para que, à luz do que foi explicado no No terceiro capítulo chegamos ao consenso de que, como em toda a vida, tais princípios são assegurados ao final dela. O princípio da dignidade humana não tem uma definição específica; a dignidade está ligada a um sentimento interno de cada pessoa, e que pode ser alterado dependendo do contexto histórico, dos costumes, da religião e, em última análise, do ambiente em que cada pessoa vive. O que certamente se sabe é que a dignidade da pessoa humana é um princípio constitucional e que serve de base para sustentar todos os direitos inerentes à pessoa humana, como a vida, a liberdade e a saúde.
Para implementar este princípio na vida de todos nós, o trabalho que tem sido desenvolvido tem procurado mostrar o quão importante é ter a dignidade garantida no último momento da vida das pessoas. Não me atrevo a dizer que tal momento é o mais importante na vida de cada pessoa não é, mas Assim como nascer e crescer, a morte faz parte da vida de uma pessoa, e para que este princípio fique claro ao longo da vida, deve ser levado em consideração no final dela. A forma como entendi que a dignidade estaria presente no fim da vida foi através do famoso, polêmico e pouco compreendido instituto que é a ortotanásia. Não pretende permitir uma forma irrestrita de morrer, a única coisa que assegura é a garantia do respeito ao princípio da dignidade e da autonomia.
Com o entendimento de que o Estado deve ter como objetivo permanente a proteção, a promoção e a realização concreta de uma vida digna para todos, e com base numa interpretação principiológica do ordenamento jurídico nacional, entende-se que a ortotanásia está de acordo com o Constituição, pois procura garantir a dignidade e a autonomia no fim da vida.