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MONOGRAFIA - NEFTHALES.pdf

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Academic year: 2023

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O DISCURSO DE ÓDIO E A ANÁLISE DO PESO ENTRE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E A DIGNIDADE HUMANA. Portanto, esta pesquisa busca analisar o equilíbrio entre liberdade de expressão e dignidade humana.

A liberdade de expressão como direito fundamental

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 contém restrições à liberdade de expressão diretamente em seu texto. A liberdade de expressão pode ser afetada não apenas pelas restrições expressamente estabelecidas pela Constituição Federal. Discurso de ódio contra minorias sexuais e restrições à liberdade de expressão no Brasil.

Em síntese, Daniel Sarmento explica como a garantia da liberdade de expressão está incluída nas constituições de alguns países. Liberdade de expressão e proteção dos direitos humanos na internet: Reflexos do discurso de ódio nas redes sociais e a ação #HumanizaRedes. No entanto, se encorajarmos a sociedade a desfrutar plenamente da liberdade de expressão, reconheceremos o discurso de ódio como uma expressão legítima, mesmo que seja ofensivo e prejudicial.

A aplicabilidade da liberdade de expressão em relação ao direito à igualdade e à não discriminação: o discurso de ódio na perspectiva internacional e no direito brasileiro. Ao analisarmos os escritos dos autores, percebemos que o discurso de ódio é a materialização ofensiva da liberdade de expressão. O conflito causado pelo discurso de ódio entre os princípios da liberdade de expressão e a dignidade da pessoa humana que ocorre em nosso país.

Analisando os escritos dos autores, fica claro que o discurso de ódio é uma materialização ofensiva da liberdade de expressão.

Limitações constitucionais ao ao direito de expressão

Elementos conceituais do discurso de ódio

O termo “discurso de ódio” provém do termo americano “discurso de ódio”, que pode ser definido como uma manifestação de pensamento na qual se encontram elementos que promovem a violência, o desprezo ou a intolerância em detrimento de grupos étnicos e religiosos e de pessoas com especializações. precisa. física ou mental, incluindo a definição de orientação sexual. 20. Ana Patrícia Vieira Chaves Melo e Bricio Luis da Anunciação Melo acreditam que o discurso de ódio pode ser entendido como “a manifestação de ideias intolerantes, preconceituosas e discriminatórias em relação a indivíduos ou grupos. O discurso de ódio, repleto de ideias e pensamentos, teria, portanto, dois aspectos no que diz respeito ao livre desenvolvimento da personalidade: não apresentaria nenhuma contribuição para o livre desenvolvimento da personalidade, pois seu objetivo principal é incitar à violência, causar manchas , sem base para se efetivar como pensamento necessário e indispensável à formação do indivíduo; o outro aspecto é que as ideias expressas no discurso de ódio devem ser protegidas pela liberdade de expressão, quando são expressas com o objetivo de estabelecer diálogo e buscar conhecimento, sem incitar à violência, ou seja, não mostram discurso de ódio, mas uma manifestação de pensamento. 22.

A Convenção Interamericana contra Todas as Formas de Discriminação e Intolerância, assinada pelo Brasil, embora ainda não ratificada pelo Congresso Nacional, estabelece em seu artigo 4º parâmetros para a compreensão do conceito de discurso de ódio. Disponível em: . Disponível em: .

As formas de manifestações de discurso de ódio

A exposição a ideias odiosas coloca as pessoas em conflito com vários direitos fundamentais, principalmente a liberdade de expressão e a igualdade (no sentido de não discriminação). Como consequência, os grupos alvo do discurso de ódio, acima mencionados, podem ter alguns dos seus direitos, como a liberdade e a vida, restringidos. Um exemplo muito claro e actual das manifestações de ódio foram os discursos xenófobos e racistas, de intolerância para com judeus, muçulmanos e imigrantes, propagados na campanha do republicano Donald Trump, nos Estados Unidos da América.

Discursos que deram legitimidade a diversos indivíduos, que, em resposta à posição do candidato presidencial, passaram a propagar mensagens de ódio com o mesmo objetivo: denegrir as referidas minorias.26. O discurso de ódio é formado não apenas pela transmissão de palavras apenas por meio da fala, mas também por meio de outras expressões, tais como: gestos, imagens e atos discriminatórios diversos, necessitando apenas do conteúdo discriminatório e de sua natureza externa como elementos essenciais para sua configuração 27 Tendo em vista disto, é claro que o discurso de ódio consiste em todas as formas de expressão que propagam, incitam, promovem ou justificam o ódio racial, a xenofobia, a homofobia, o anti-semitismo e outras formas de ódio baseadas na intolerância.

Consequências do discurso de ódio

Também não importa se ocorrem manifestações desproporcionais de intolerância e discriminação devido à raça, cor, etnia, identidade cultural, nacionalidade, género, orientação sexual, religião, origem social, estatuto de migrante, refugiado, repatriado, apátrida, deficiência, etc. fatores. O discurso de ódio é utilizado como elemento que inibe o direito à não discriminação porque ofende membros de minorias tradicionalmente discriminadas que se encontram em inferioridade numérica ou em situação de subordinação socioeconómica, política ou cultural. Para Gabina, a manifestação do excesso de liberdade pode resultar em preconceito, discriminação ou racismo.28 A consequência básica do discurso de ódio é, portanto, valorizar indivíduos ou grupos e afetar a dignidade dessas pessoas.

O discurso de ódio utiliza argumentos que afectam a psicologia individual e colectiva das pessoas, a fim de isolar socialmente as minorias. Desta forma, a consequência básica causada pelas manifestações de ódio é a desvalorização da pessoa humana, que despreza as pessoas na sua identidade, pressupõe fraqueza e inferioridade e perde o seu valor significativo.

Princípio constitucional da dignidade da pessoa humana

Portanto, a dignidade humana está intimamente ligada ao conceito de democracia, pois é justamente a valorização das liberdades e garantias individuais que distancia a sociedade de um regime bárbaro e autoritário. Luis Roberto Barroso, ao tratar do conceito, consegue verificar três elementos que compõem a dignidade humana. A dignidade humana cumpre quase todo o conteúdo do direito à vida e só deixa espaço para algumas situações específicas e controversas, como o aborto, o suicídio assistido e a pena de morte.

A dignidade humana ocupa apenas parte do conteúdo da ideia de igualdade e, em muitas situações, pode ser aceitável distinguir entre as pessoas. No entanto, tais intervenções devem ser justificadas com base numa ideia legítima de justiça, num consenso sobreposto que possa ser partilhado pela maioria dos indivíduos e grupos. O valor comunitário, como limitação da autonomia pessoal, procura a sua legitimidade para atingir três objectivos: 1. O conceito de dignidade humana dificilmente será o mesmo de uma doutrina para outra, mas a tese aqui escolhida é de facto bastante razoável em relação a o objetivo do presente trabalho: a autonomia dada às pessoas para expressarem as suas ideias e crenças pode ser limitada pela dignidade humana como um valor comunitário, uma vez que a não discriminação se enquadra numa perspectiva de valor social partilhado.

Do direito a não discriminação

Portanto, os direitos daqueles que promovem o discurso de ódio podem ser limitados para garantir que toda uma comunidade, os seus valores e objetivos caminhem em direção a uma sociedade mais justa e igualitária. Portanto, os Estados devem tomar medidas positivas para propor o reconhecimento destes grupos minoritários, para que possam estar envolvidos numa posição de igualdade no debate social. Neste sentido, as recomendações aos Estados incluem diversas áreas de atuação, tais como: a revogação de leis discriminatórias, o estabelecimento e aplicação de leis protetoras, a afirmação dos direitos das minorias sexuais em possíveis requisitos legais, a adoção de políticas públicas visando a educação da população em geral no domínio da sexualidade, incluindo a adopção de medidas positivas que visem a valorização da diversidade sexual.43.

As medidas acima referidas devem também ser adoptadas pelos entes estatais em relação a outras minorias que se encontrem em situação de desvantagem, precisamente com o objectivo de equalizar a desigualdade social que existe entre eles e os grupos maioritários, mesmo com o objectivo de desobediência de certos indivíduos. O objectivo do direito à não discriminação é, portanto, evitar não só a limitação injusta dos direitos de uns em favor de outros, mas também os efeitos discriminatórios de medidas aparentemente neutras, e também permite a adopção de tratamento preferencial de certos grupos quando se pretende superar situações de discriminação.44. O discurso de ódio está, portanto, em conflito directo com a legislação acima explicada, uma vez que promove a discriminação contra as minorias e, ao promover a marginalização, coloca-as num nível ainda maior de desigualdade.

Limites da liberdade de expressão no contexto internacional

Por outro lado, a liberdade de expressão na sua dimensão objetiva é um elemento constitutivo da ordem democrática, pois permite a formação de uma opinião pública bem informada e garante um debate plural e aberto sobre assuntos de interesse público.48. A dignidade da pessoa humana também tem uma posição central na constituição alemã e, apesar da protecção da liberdade de expressão, o modelo alemão submete-a a considerações à luz dos choques entre direitos e da rejeição do discurso de ódio.49. Portanto, o modelo alemão não aceita o discurso de ódio, ou seja, a discussão do ódio, mas também não descura a protecção da liberdade de expressão.

Nesse sentido, a avaliação da validade das restrições à liberdade de expressão é sempre realizada caso a caso, orientada pelo princípio da proporcionalidade.51. Na principal jurisprudência americana, a liberdade de expressão, incluindo o direito de expressar mensagens de ódio, é um direito prioritário que normalmente prevalece sobre os interesses concorrentes de dignidade, honra, civilidade e igualdade. A abordagem dos modelos conceituais do direito à liberdade de expressão no âmbito internacional reflete diretamente no tratamento jurídico do fenômeno, sendo claramente um caso de conflito com os princípios dos direitos fundamentais, que serão tratados detalhadamente a seguir.

Ponderação do direito à liberdade de expressão e dignidade humana

No entanto, discordam entre si sobre a possibilidade de o princípio fundamental da liberdade de expressão ser limitado, obstruído e suprimido. Contudo, não concordamos com as ideias de Dworkin, dada a necessidade de adotar os princípios da proporcionalidade e do equilíbrio de interesses para limitar a liberdade de expressão e desmistificar o discurso de ódio. Portanto, devem ser impostas restrições ao direito fundamental à liberdade de expressão daqueles que expressam discursos de ódio, a fim de garantir a fraternidade numa sociedade plural, à luz da dignidade da pessoa humana como critério fundamental do sistema jurídico.60 .

Daí o equilíbrio entre os princípios da liberdade de expressão e da dignidade humana, que acaba sendo mais favorável ao direito à igualdade e à não discriminação em comparação ao direito à liberdade de expressão. O objetivo deste trabalho foi analisar se a liberdade de expressão permite o discurso de ódio como manifestação legítima, mesmo que seja prejudicial a quem é ofendido. A repressão não faz parte do sistema jurídico, mas, ao ser expressamente proibida, incentiva-nos a desfrutar ao máximo da liberdade de expressão.

Embora a liberdade de expressão seja um direito fundamental garantido pela Constituição Federal, os princípios da proporcionalidade e do equilíbrio dos interesses sociais devem ser utilizados para limitar a liberdade de expressão e desmistificar o discurso de ódio. Para resolver este conflito entre princípios fundamentais, utiliza-se uma consideração que, através da análise do caso concreto, permitirá estabelecer a primazia de um princípio sobre o outro, ou seja, reconhecer que o princípio da dignidade humana nos casos envolvendo discurso de ódio, conteúdo discriminatório e ofensivo pesa contra a liberdade de expressão.

Referências

Documentos relacionados

“i) o acolhimento do chamado direito ao esquecimento constitui atentado à liberdade de expressão e de imprensa; ii) o direito de fazer desaparecer as informações que