O primeiro capítulo do livro – de Márcio Luiz Corrêa Vilaça e Elaine Vasquez Ferreira de Araujo, ambos da área de estudos linguísticos (organizadores do livro e autores dos capítulos desta obra) – apresenta uma discussão introdutória sobre o papel das tecnologias de informação e comunicação na sociedade. Dessa forma, o que antes era um processo cultural produzido no sistema "um-para-muitos", ou seja, produzido por uma pessoa para atingir um grande público, hoje se transformou em um sistema "muitos-para-muitos", onde muitos podem produzir e se comunicar para muitas pessoas usando tecnologias. Márcio Luiz Corrêa Vilaça e Elaine Vasquez Ferreira de Araujo discutem no capítulo 5 questões de comunicação em contextos digitais, cada vez mais presentes na vida social contemporânea.
Ao refletir sobre o uso de tecnologias e a formação de professores, o Capítulo 6 aborda questões sobre a atividade docente, a importância do trabalho coletivo e como o educando pode contribuir para a presença das tecnologias no contexto pedagógico. O Capítulo 8 – dos autores Elaine Vasquez Ferreira de Araujo e Márcio Luiz Corrêa Vilaça, ambos da área de linguística aplicada – apresenta os aspectos fundamentais da interdisciplinaridade e considera o papel das tecnologias de informação e comunicação como ferramenta pedagógica. O nono capítulo trata da educação a distância e sua relação direta com as tecnologias de informação e comunicação na contemporaneidade.
Os autores Marcos Cruz de Azevedo, Cleonice Puggian e Herbert Gomes Martins - das áreas de Matemática, Educação e Ciências respectivamente - oferecem possíveis contribuições das tecnologias de informação e comunicação para o ensino de matemática no décimo e último capítulo deste livro. Os autores, além de discutirem o uso da tecnologia no campo da educação em geral e especificamente no ensino de matemática, também destacam a importância desse conhecimento na formação de professores de matemática, e apontam entraves para o ensino e arquivo. processados por impressões digitais tecnológicas.
TECNOLOGIA E SOCIEDADE
No entanto, o filósofo considera inadequado o uso da palavra impacto, considerando-a uma "metáfora bélica". É importante ter em mente que este não é um processo uniforme em diferentes regiões do país ou mesmo em diferentes países. Castells (2013) observa que as redes sociais não precisam de uma liderança formal para repassar informações ou instruções.
Dentre essas "formações culturais" ─ como o estudioso prefere chamá-las, o que deixa clara a ideia de que não são períodos culturais lineares, mas um processo cumulativo de integrações, reajustes e refuncionalizações (SANTAELLA, 2003a, p. 6 ) ─, que assuntos. é. No entanto, o autor enfatiza que isso não significa a emergência, de imediato, de uma cultura de massa. Mas se é seguro afirmar que os novos media não eliminaram a imprensa, a rádio, o cinema ou a televisão, também é possível afirmar que, com o advento do ciberespaço, a migração dos mass media para o universo online e a instauração de a interconexão cada vez maior entre todas as mídias tem forte repercussão no contexto sociocultural atual.
Isso significa que a passagem da comunicação um-para-todos para todos-para-todos não implica necessariamente uma prática comunicacional acessível a todos, pré-condição essencial para uma apropriação legítima de novas formas de conhecimento. Segundo o autor, o sujeito é confrontado com uma “ciência que não se limita a situações simplificadas, idealizadas, mas traz à tona. Não é apenas uma 'coleção de órgãos organizados de acordo com as leis da anatomia e da fisiologia.
Cada vez mais, através de um crescente nó de experimentos e transplantes, esses corpos se tornam parte do organismo humano.” Segundo Le Breton (2011, p. 396), "Os cirurgiões hoje possuem um repertório surpreendente de próteses (aparelhos artificiais que substituem um órgão ou uma função orgânica) e órteses (que reforçam um órgão ou função danificada)". Além de fins funcionais, as dentaduras também são usadas para fins estéticos. O filósofo Mario Perniola (2005) radicaliza a questão do ser híbrido que é o ciborgue, apontando que se trata de um corpo que é uma “coisa que sente”.
Entender que compartilhar uma cultura virtual significa fazer parte de uma nova sociedade contemporânea é fundamental para compreender verdadeiramente a importância da inclusão digital na vida das pessoas. O Baixada Digital é uma política pública voltada para a inclusão digital, baseada na instalação de rede de internet sem fio em locais públicos (telecentros, Hotspop em praças e também em residências). O crescimento do ciberespaço é principalmente resultado de um movimento internacional de jovens que querem experimentar coletivamente formas de comunicação diferentes das oferecidas pela mídia tradicional.
Essa é uma realidade que aconteceu mais cedo e com mais intensidade, e pode ser constatada no uso de celulares, tablets e computadores pelas crianças, entre outros. Ou seja, trata-se, portanto, de um processo gradual de migração das práticas sociais presenciais (offline) para práticas virtuais (online). O crescimento da Internet e as mudanças na forma de participar dela contribuíram para o entendimento de uma chamada web 2.0, na qual os usuários não apenas consomem informações, mas as produzem e distribuem em conjunto (VALENTE e MATTAR, 2007; VILAÇA , 2011 ), de diferentes formas.
Na web 2.0 estamos passando de uma internet predominantemente receptiva - de 'ler' e 'ouvir' - e consumo de informação para uma internet ativa de.
INTERNETÊS X NETIQUETA
No campo dos estudos linguísticos, os gêneros advindos das tecnologias digitais de informação e comunicação são objeto de estudos de linguistas, linguistas textuais e linguistas aplicados. Marcuschi (2010, p. 37) diz que os gêneros digitais são gêneros “mediados pela tecnologia computacional que oferece um programa como base (...) possuem características próprias e devem ser analisados em particular”. Rojo (2013) também afirma em sua pesquisa que gêneros digitais são gêneros textuais produzidos e circulados no ambiente virtual.
Podemos dizer que os gêneros textuais são o resultado de relações complexas entre mídia, uso e linguagem. Alguns gêneros textuais comuns na interação online são blog, chat, fórum, e-mail e listas de discussão (ARAÚJO e COSTA, 2007; KOCH e ELIAS, 2008). Por meio do fórum é possível visualizar a construção da conversa, que pode ser síncrona ou assíncrona.
Por tudo isso, Marcuschi (2010) alerta que é preciso cautela na caracterização dos gêneros textuais em contexto digital, principalmente devido ao rápido avanço tecnológico. Rojo (2015, p. 68) também adverte contra as rápidas mudanças que ocorrem na sociedade, pois “como mudam o funcionamento, os instrumentos e as relações sociais nas esferas, os gêneros também mudam de acordo com essas mudanças”. Para Marcuschi (2010), também é preciso ter cuidado para não confundir gêneros textuais digitais com programas de computador ou serviços eletrônicos.
Nesse sentido, o autor defende que o hipertexto não é apenas um gênero digital, mas um programa de computador que possibilita a produção de textos em sequência, o que possibilita, inclusive, a construção de sentido em uma variedade de gêneros textuais diferentes no contexto digital. Conforme afirma Silva (2010), por meio dos gêneros textuais é possível articular uma série de competências que conduzem à compreensão de um texto, como conhecimento prévio, organização textual, elementos linguísticos e não linguísticos. Nesse sentido, é possível discutir o letramento praticado por meio do contexto digital, ou seja, o indivíduo pode realizar práticas sociais que envolvem leitura e escrita também por meio de textos eletrônicos.
Portanto, além da alfabetização por meio de materiais impressos, diversas interações acontecem com as mídias digitais, principalmente com a internet. A alfabetização é necessária na implementação das práticas sociais, para que o indivíduo possa compreender o que leu e se expressar com a linguagem adequada em diferentes contextos, inclusive no contexto digital. Um indivíduo que se considera alfabetizado é capaz de interagir com diferentes gêneros textuais e consegue incorporar a prática da leitura e da escrita em seu cotidiano.
TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO
Hoje, acreditamos que muitos professores também já vivenciaram algumas dessas situações em suas atividades docentes e no trabalho coletivo. Essa formação, portanto, renova-se diária e constantemente, a partir do contato com os demais sujeitos da comunidade escolar, que tece as relações humanas na atividade e na equipe de trabalho. Portanto, na primeira parte, discutiremos as TIC na atividade do professor e no trabalho coletivo.
Portanto, apresentamos a atividade de trabalho do professor como pontos-chave, como ela é considerada. Por outro lado, as decisões que circulam no coletivo de trabalho convocam e movem seus sujeitos a negociar com o que a equipe propõe. Nesse sentido, acreditamos que a aprendizagem se efetiva na atividade laboral do professor, a partir da relação com outras pessoas do coletivo de trabalho, que propicia a formação humana.
Entendemos que a atividade laboral é parte integrante do que as pessoas fazem, pois elas inculcam o que fazem em suas próprias vidas. Nesse sentido, reconhecemos que ele próprio é resultado da atividade e do trabalho coletivo das pessoas. Destacamos, portanto, que o conhecimento e o acesso a esses produtos resultantes do trabalho humano se refletem no processo de (re)formação humana.
Diante disso, iniciaremos discussões sobre a formação dos professores tanto na atividade quanto no coletivo de trabalho. Além disso, confiamos que o coletivo de trabalho irá estimular a reflexão e, portanto, outras formas de pensar sobre as TICs. Defendemos que a aprendizagem que se dá no coletivo de trabalho não é algo exclusivo da escolarização ou da atividade laboral dos professores, mas de qualquer espaço onde haja trabalhadores.
Ao refletirmos sobre a formação de professores, vemos que experiências diversas e singulares são postas em questão e nesse processo surgem novos recursos práticos que atendem às necessidades e urgências do contexto em que o coletivo de trabalho atua. Além disso, os alunos também formam o coletivo de trabalho e, em outras palavras, devem ser vistos como sujeitos formadores da escola. O fato de professores e alunos poderem ser de gerações diferentes não impede o diálogo a partir das relações que se entrelaçam no coletivo de trabalho.
O pensamento reflexivo leva à tomada de consciência do que ainda precisa ser aprendido e do que já foi dominado, o que possibilita o compartilhamento do conhecimento com os demais sujeitos do coletivo de trabalho. Nesse sentido, a reflexão sobre a formação docente implica o reconhecimento de que a atividade e o coletivo de trabalho participam da [formação] docente e constituem as forças que contribuem para ela, que não se limitam.