Este trabalho aborda a aplicação do instituto da responsabilidade civil por dano existencial no direito do trabalho, realizada por meio de consulta à literatura, doutrinas, artigos, legislação e jurisprudência pertinentes. O último ponto centra-se no tema central desta pesquisa “danos existenciais nas relações de trabalho”.
ORIGEM
As discussões que se seguiram sobre o reconhecimento do dano à vida da relação fizeram um grande avanço no campo da responsabilidade civil no direito italiano e, a partir desses estudos, surgiram as principais definições do que hoje se conhece como dano existencial. O dano existencial constitui uma ampliação do conceito de dano à vida de um relacionamento, com o acréscimo de que para sua configuração não é necessário que o dano tenha consequências econômicas para a vítima (ALMEIDA NETO, 2016).
CONCEITO
Pois às vezes o definem como dano moral por não saberem identificá-lo como dano existencial (SOARES, 2009). Os danos existenciais são divididos em danos ao projeto de vida e danos à vida no relacionamento.
Danos ao projeto de vida
O que determina a caracterização do dano existencial é justamente a produção de danos ao bem-estar pessoal ou ao projeto de vida. A expressão projeto de vida refere-se ao que o acidentado escolheu para o seu futuro, a sua vida.
Danos à vida de relação
Se realizada de forma regular, a jornada excessiva de trabalho causa danos à esfera existencial do homem, condição que permite a recuperação do dano existencial na relação de trabalho. Outra forma indubitável de dano existencial é a exposição de determinado trabalhador a uma condição humilhante ou servil.
A Previsão Constitucional
Os direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988 trazem diversos princípios inerentes à condição de vida humana, como os direitos que se aplicam aos trabalhadores", nos quais temos: a dignidade da pessoa humana e os valores sociais trabalho (artigo 1.º, alíneas III e IV); o direito social à saúde, ao trabalho, ao lazer e à segurança (referido no artigo 6.º); o direito ao livre desenvolvimento profissional (artigo 5.º, ponto XIII) e o direito a um emprego jornada diária não superior a oito horas diárias (art. 7º, inciso XIII) e serve de orientação para a Justiça do Trabalho conceder indenização por dano existencial, apesar do entendimento jurídico não o ter feito em sua totalidade.
Dano Existencial Como Lesão à Dignidade Da Pessoa
Segundo Paulo Bonavides (2016, p.577) “os direitos de 1ª geração são os direitos de proteção na constituição contra a intervenção estatal, os direitos de liberdade”. Os direitos e garantias sociais “nasceram tendo em conta o princípio da igualdade” (Bonavides, 2016, p.578) e estão mais próximos do princípio da dignidade humana, pois visam acabar com a desigualdade humana, proporcionando melhores condições de vida aos indivíduos. A dignidade da pessoa humana, como visto, consolida-se na medida em que são respeitados os direitos fundamentais e os direitos da personalidade, o que é importante afirmar que “a determinação dos direitos humanos fundamentais visa fundamentalmente a proteção da dignidade humana no seu sentido mais PT.
Artigos 1º, III e 5º, V e . Caso contrário caracteriza-se como conduta ilícita que viola os direitos sociais previstos na Constituição Federal de 198. Haverá obrigação de reparação do dano, independentemente de culpa, nos casos específicos previstos na lei em que a actividade normalmente exercida pelo autor, o dano pela sua natureza implique risco para direitos alheios.
A jornada de trabalho, quando realizada de forma excessiva, fere os direitos básicos do trabalhador e causa danos à esfera existencial da pessoa humana, situação que permite a reparação do dano existencial na relação de trabalho.
Responsabilização Civil Por Dano Existencial
Assim diz Soares (2009, p. 46): “O dano existencial manifesta-se como uma renúncia involuntária às atividades cotidianas de qualquer espécie, que põe em risco a própria área de desenvolvimento pessoal”. O dano moral é caracterizado por situações que humilham e constrangem o empregado, chocando seu estado emocional, enquanto o dano existencial decorre de comportamento do empregador que resulta na perda da vitalidade da pessoa, ou seja, da convivência em sociedade e a prejudica. de um indivíduo, alcançando os valores de sua dignidade, sua essência humana, honra, imagem, a. Ao considerar o dano existencial no direito do trabalho, deve-se ter em mente o princípio da proteção do trabalhador, que é a direção que todo o significado do estabelecimento do direito do trabalho determina, a fim de proteger a parte mais vulnerável da situação jurídica da relação, o empregado, que antes estava desprotegido pelo seu empregador.
Segundo a autora uruguaia América Plá Rodriguez (2000, p. 85), esse princípio é “a própria razão da existência do direito do trabalho”. Este princípio afirma que o direito do trabalho, com regras, institutos, princípios e pressupostos próprios, estrutura em si uma rede de proteção ao interessado na relação de trabalho (o trabalhador), cujo objetivo é corrigir (ou mitigar) os danos jurídicos nível. , desequilíbrio que faz parte do próprio desenho do contrato de trabalho (DELGADO, 2016, p. 198). Decisão regional proferida em contravenção à reiterada, notória e atual jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (Súmula nº 333 TST).
Revisão do recurso, conhecido e provido para afastar o pagamento de danos morais da condenação. (Tribunal Regional do Trabalho-RR.
Comprovação Do Dano Existencial Laboral
O período considerado Hora de trabalho é o período diário em que o trabalhador se coloca à disposição do empregador nos termos do respetivo contrato. A jornada de trabalho mede a principal obrigação contratual do empregado — o tempo para realizar o trabalho ou, pelo menos, para estar à disposição do empregador (DELGADO, 2016, p.953). Muitas vezes o trabalhador é submetido a longas jornadas de trabalho, por ser a parte insuficiente na relação de trabalho, que é obrigado a submetê-la, pois necessita do salário para sustentar sua família. Extrapolação do limite máximo permitido ao trabalhador para realizar horas extras , previsto no art.
59, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) “A jornada normal de trabalho poderá ser prorrogada por horas adicionais, em número não superior a 2 (duas), mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou por meio de termo de compromisso. contrato coletivo de trabalho” (TARTUCE, 2016). Havendo necessidade imperiosa, a duração da obra poderá ultrapassar o limite legal ou convencionado, quer por motivos de força maior, quer para dar cumprimento à execução ou conclusão de serviços que não possam ser adiados ou cuja não execução possa resultar dano evidente (CLT, Decreto Legislativo nº 5.452, de 1º de maio de 1943). Reduzir alguém a uma condição análoga à de escravo, seja submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornadas extenuantes, seja submetendo-o a condições degradantes de trabalho, ou restringindo de qualquer forma sua movimentação em razão de uma dívida que com o empregador ou agente: (Art. 149 do CP, alterado pela Lei nº 10.803, de
Embora o agente não prenda diretamente a vítima, cria condições desfavoráveis para que esta não manifeste a sua vontade (artigo 149.º do Código Penal).
O Dano Existencial e a Saúde Do Trabalhador
Os direitos sociais, segundo Paulo Bonavides (2006, p.563), “nasceram para abraçar o princípio da igualdade” e são aqueles que mais se aproximam do princípio da dignidade humana e da cidadania, pois visam reduzir as desigualdades entre as pessoas, proporcionar indivíduos com melhores condições de vida. A configuração das lesões existenciais também pode advir de doenças adquiridas através do trabalho. Entre as doenças mais comuns que afetam os trabalhadores e que podem causar danos existenciais, L.E.R. sair. lesões por esforço repetitivo, também chamadas de distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho.
DORT) e a perda auditiva ocupacional (PAIR), que pode se desenvolver devido às péssimas condições de trabalho a que o trabalhador é obrigado a se submeter, e que em estágio avançado pode levar à incapacidade de realizar diversas atividades. Outro exemplo de ocorrência de dano existencial são os acidentes de trabalho em que a vítima perde um membro ou parte do movimento do corpo, impedindo-a de realizar atividades gratificantes, sejam atividades diárias ou algum projeto de vida com o qual sonhava. no futuro. Não são apenas os problemas de saúde física no trabalho que podem gerar danos existenciais, mas também os psicológicos, como no caso dos indivíduos acometidos pela síndrome de “burnout” (OLIVEIRA).
No estágio avançado, a pessoa não só fica impossibilitada de realizar suas atividades profissionais normais, como também a impede de realizar tarefas simples do cotidiano, como varrer a casa, tomar banho, cozinhar ou realizar atividades de lazer, como tocar violão.
Reparidade e Indenização
Júlio César Bebber (2009) também destaca alguns elementos que devem ser observados pelo juiz na avaliação do dano existencial, “a injustiça do dano, a situação atual, a razoabilidade do projeto de vida, a extensão do dano”. Porém, não há indenização real, a indenização em valor tem como objetivo suprimir “mitigar” o desgaste e o sofrimento sofrido pela vítima do dano existencial. Cavalieri Filho (2010, p.86) entende que, “a indenização por dano moral não se destina a reembolsar integralmente o dano causado, tendo mais uma função genérica de satisfação, com a qual buscamos um bem que sofre de certa forma o sofrimento ou humilhação".
Assim “a indenização é medida de acordo com a extensão do dano” (artigo do Código Civil), o ofendido não deve receber valor excessivo, mas também não deve receber valor superior ao que sofreu. Assim afirma Silva (2007). , p.729) ) “É bom ressaltar que a palavra. Anteriormente, considerava-se impossível a aceitação de indenização por danos não morais, pois a doutrina e a jurisprudência tinham dificuldade em visualizar sua determinação e quantificação. Caso de dano existencial em decorrência de jornadas exaustivas de trabalho (Direito Regional do Trabalho da Décima Região).
Os elementos do dano existencial incluem, além do ato ilícito, a relação causal e a perda efetiva, o dano à realização do projeto de vida e o dano à vida na relação.
Quando Indenizar Por Dano Existencial No Direito
Afirma que o dano existencial pode afetar diferentes setores da vida de uma pessoa: a) atividades da existência biológica; b) relações afetivas familiares; A sujeição habitual dos trabalhadores a jornadas exaustivas de trabalho implica interferência na sua esfera existencial e violação da sua dignidade e dos seus direitos fundamentais, ensejando a caracterização de dano existencial. O dano existencial caracteriza-se quando o empregador impõe ao empregado um volume excessivo de trabalho, impossibilitando-o de desenvolver seus projetos de vida nos âmbitos profissional, social e pessoal, nos termos dos artigos 6º e 226 da Constituição Federal.
Recurso provido para condenar a ré no pagamento de indenização por danos existenciais. A teoria do dano existencial no Direito do Trabalho é recente, mas veio para garantir que o trabalhador possa ser indenizado por lesões que afetem sua personalidade e seu projeto de vida, e não idealizar seus sonhos. Para identificar a figura do dano existencial nas relações de trabalho, são indispensáveis dois pressupostos: a conduta punível do empregador e o dano à existência do empregado, de forma que interfira diretamente nos seus projetos de vida e/ou nas relações sociais e familiares, que é, a vida pessoal.
Portanto, para permitir a responsabilização civil do empregador pelo dano existencial, deverão ser devidamente comprovados a ocorrência do dano, o nexo de causalidade e a conduta do empregador na determinação da jornada de trabalho. A indemnização por danos existenciais no domínio laboral não se destina a compensar prejuízos ou meros inconvenientes resultantes da violação de direitos laborais, ainda que estes estejam abrangidos pela legislação. OLIVEIRA.Leiliane de.O dano existencial nas relações de trabalho.Leiliane Soares de Oliveira - apresentado no curso de Direito da Fundação Universidade de Rondônia-Cocoal/UNIR,2015.