Atualmente, muito se discute sobre as possibilidades de compensação moral em caso de rompimento do noivado por parte de um dos noivos. Partindo desse pressuposto, o presente trabalho visa mostrar a inadequação do dano moral nesses casos sob a ótica de que cada pessoa é livre para decidir como bem entender. O benefício jurídico deste projeto é latente, pois existem divergências doutrinárias e judiciais quanto à adequação e inadequação dos danos morais para noivados rompidos, sendo certo que o presente trabalho tomará o rumo quanto à inadequação dos referidos danos morais.
Dentre as diferentes abordagens sobre a importância do dano moral, é necessário discutir a hipótese da ocorrência de dano moral pela dissolução das relações conjugais, que Conrado Paulino da Rosa, Dimas Messias de Carvalho e Douglas Phillips Freitas identificam como "um contrato de casamento celebrado por homem ou mulher que geralmente é entendido como noivado”5. Ao discutir se há dano moral em decorrência da dissolução do casamento, é preciso levar em conta que é garantida ao indivíduo a liberdade de decisão, que determina o rumo de sua vida.
RESPONSABILIDADE CIVIL: Noções gerais
Responsabilidade contratual e extracontratual
Sobre a responsabilidade contratual, César Fiuza nos ensina que: “A responsabilidade contratual é aquela que decorre da celebração ou execução de um contrato. Portanto, na responsabilidade contratual existe um contrato entre o devedor e o credor, e quando uma das partes viola o " não existe qualquer vínculo jurídico entre a vítima e a pessoa causadora do dano quando esta comete o ato ilícito.”16.
Portanto, no caso de responsabilidade extracontratual, há descumprimento do dever de não prejudicar, de não causar dano a ninguém, conforme estabelecido no art. Assim, pode-se concluir que a diferença básica entre os dois tipos de responsabilidade civil reside no facto de a primeira existir por força de um contrato que vincula as partes e a segunda por violação de um dever legal.
Responsabilidade Civil Subjetiva e objetiva
Requisitos da responsabilidade civil
- Conduta
- Do nexo causal
- Do dano
- Dano moral
- Dano patrimonial
Para Maria Helena Diniz, os pressupostos essenciais para a definição de responsabilidade civil são: a) ato, b) dano e c) nexo de causalidade. A doutrina majoritária entende que para a apuração da responsabilidade civil devem ser atendidos os seguintes pré-requisitos: conduta (culpada ou não), dano e nexo de causalidade. como pré-requisitos para a obrigação de compensar o ato ilícito, o dano e a relação causal entre eles, conforme a exegese do art. 186 NCC;- Caso algum desses requisitos não seja atendido, não há responsabilidade civil.25.
Portanto, entendo que os requisitos que dão origem à responsabilidade civil são: a) conduta; b) dano e c) causalidade. Com base nesse pressuposto, conclui-se que, para que a responsabilidade civil seja apurada, o agente causador do dano deve ter agido de forma contrária à norma legal, ou seja, ato juridicamente reprovado, portanto considerado ato ilícito. Esta modalidade não deve ser confundida com a responsabilidade objetiva, pois nesta última há responsabilidade civil sem culpa, enquanto na primeira há a presunção de culpa do agente causador do dano.
Portanto, conclui-se que o caso concreto deve ser analisado para aplicação da responsabilidade civil ao agente. Não há divergência na doutrina e na jurisprudência quanto à necessidade da existência de dano para apuração da responsabilidade civil. Essa questão é de extrema relevância, uma vez que a responsabilidade civil subjetiva tende atualmente a se tornar uma oficina de indenização sem justa causa.
Esta questão é o principal marco deste trabalho, uma vez que a instituição do casamento não foi regulamentada pelo código civil vigente, razão pela qual entendemos que o legislador achou correto deixar a responsabilidade civil pela ruptura do noivado à regra dos atos ilícitos . O facto de o nosso legislador não ter disciplinado o casamento como instituição autónoma prova, como aponta a doutrina, que preferiu deixar a responsabilidade civil pela violação do casamento à regra geral da responsabilidade civil. Direito Civil Brasileiro: Responsabilidade Civil. Referem-se a despesas como convites, salões, cerimônias, enxoval, entre outras despesas da mesma natureza.
O princípio da liberdade não é a única base para a exclusão da responsabilidade civil em caso de quebra de compromisso. Sabe-se que para apurar a responsabilidade civil é necessário cometer um ato ilícito.
ESPONSAIS; AFETIVIDADE NOS RELACIONAMENTOS
Afetividade nas relações amorosas
É um estado psicológico que permite a uma pessoa demonstrar sentimentos aos outros. Afeto pode ser entendido como a relação de carinho ou cuidado que você tem com alguém querido. O afeto é um fato que foge ao controle das intenções e desejos humanos, porque está além da consciência humana.74 O afeto é representado pelo apego a alguém ou a algo, de forma que gera afeto, desejo, confiança e intimidade.
Adriana Caldas diz ainda que “o afeto pode ser entendido como um aspecto subjetivo e intrínseco do homem que atribui sentido à sua existência, que constrói o seu psiquismo a partir das relações com outros indivíduos”.75 Maria Berenice Dias acredita que a Constituição é uma implicação um extenso rol de direitos sociais e individuais destinados a garantir a dignidade do homem, com o objetivo de assegurar o afeto que representa a busca incessante da felicidade pessoal.77. Hoje, a formação familiar é pautada pelo amor e pelo carinho e pela busca pela realização sexual e pela intimidade.
Esses laços de amor começam durante o namoro, embora possam ou não durar. É um fato interno do ser humano que foge ao controle das intenções do indivíduo, ou seja, o afeto surge de um estado psicológico do ser humano, no sentido de que é independente da vontade. O amor é como um passaporte para o amor, são sentimentos que vêm de dentro da pessoa e não estão sujeitos ao controle material.
E assim, por se tratar de um sentimento “incontrolável” para uma pessoa, na mesma intensidade que pode surgir, também pode deixar de existir. O noivado é baseado no sentimento de carinho e amor que os noivos sentem um pelo outro. Como nos ensina Silvio Rodrigues, até o casamento, qualquer noivo é livre para se arrepender, sendo-lhes garantida a liberdade de casar ou não.78.
Princípio da Dignidade da Pessoa Humana
Tal garantia representa um valor absoluto para cada ser humano e está intimamente ligada à autonomia e autodeterminação de cada pessoa.83. A constituição federal estabelece o direito de resistência a todo ser humano, dá-lhe capacidade de liberdade, é capaz de conduzir sozinho a própria vida.84. Kildare sublinha incansavelmente que a dignidade da pessoa humana está intimamente ligada à liberdade que lhe é concedida.
É evidente, então, que as pessoas têm plena capacidade de decidir o rumo das suas vidas sem intervenção estatal, um direito garantido pela Carta Magna. A liberdade é um direito inalienável do homem e revela a condição do homem que não está sujeito à opinião ou às regras dos outros e, portanto, pode agir de acordo com a sua vontade. Sob esse ponto de vista, Luiz Roberto Barroso nos ensina que a autonomia é um elemento da dignidade da pessoa humana, que confere ao indivíduo o poder de autodeterminação sem interferências externas, para poder tomar decisões sobre sua vida por meio de decisões religiosas . , vida emocional, trabalho, entre outros.
É verdade que não há forma de retirar tais direitos às pessoas sem violar o princípio da dignidade humana. Portanto, as pessoas devem ser livres para realizar o seu projeto de vida, e assim ter plena liberdade de escolha sem interferência governamental. Como vimos, a liberdade individual é um elemento da dignidade da pessoa humana, é uma garantia expressamente prevista na Constituição Federal em seu artigo 5.89 Toda pessoa com capacidade tem a liberdade de dirigir a sua vida.
É importante ressaltar que, como consequência lógica do fato das pessoas terem liberdade de escolha, o indivíduo sempre toma decisões na busca pela felicidade, tanto na área emocional quanto profissional, ou seja, Partindo deste pressuposto, a felicidade é um direito individual, que é também um elemento da dignidade humana, mesmo que não esteja explicitamente declarado na Carta. Se as pessoas têm direito a uma vida digna, o direito ao mínimo existencial, isso pressupõe que tenham direito a ser felizes.
O DANO MORAL E O ROMPIMENTO DOS ESPONSAIS
O certo é que existe um entendimento doutrinário e jurisprudencial de que o simples rompimento do noivado sem justificativa credível pode punir o noivo que rompe o noivado com danos morais. Esta posição defende que, para que a obrigação de indemnizar seja eliminada, é necessária uma justa causa para a ruptura da relação conjugal. Portanto, cabe ressaltar que, para tais doutrinadores, o rompimento do contrato deve ser precedido de justificativa credível para que o sócio cancelante não seja responsabilizado civilmente.
Contudo, independentemente destes entendimentos, não se pode considerar correto exigir uma justificativa pesada para a retirada do dever de indenização. Isto permite, em nossa opinião, excluir o rompimento do noivado, por si só, como causa de dano moral, uma vez que o ato, por mais sofrimento que possa causar, deve proteger aquele princípio da liberdade, componente da dignidade humana . Acontece que quando o noivado é rompido não há violação de nenhum direito, pelo contrário, o princípio da liberdade confere ao indivíduo a liberdade de fazer suas escolhas como desejar, respeitando sempre os limites estabelecidos.
Assim, o rompimento de um noivado, embora possa causar mágoa e surpresa, não tem capacidade de ser considerado ato ilícito, pois não há violação de direitos em tal conduta, quando exercida dentro dos ditames da lei. E o que deve prevalecer para que duas pessoas fiquem juntas é o amor e o carinho, e se estes deixarem de existir, não haverá mais motivo justo para a relação continuar. Conseqüentemente, a exigência de justa causa para o rompimento do noivado significaria, sem dúvida, coação e ameaça, uma vez que o noivo que se retirava só poderia quebrar sua promessa se ficasse desempregado, paralítico, cego, etc.
Portanto, nenhum outro motivo além do fim do amor e do carinho deveria ser necessário para romper o noivado. Apesar de este trabalho tratar da não apropriação de danos morais pela simples ruptura de um noivado, existem entendimentos doutrinários e jurídicos que favorecem o dano moral pela dissolução de um noivado, dependendo do caso. Existem escolas de pensamento que defendem um julgamento de danos morais pela simples rescisão de um noivado desacompanhada de justificativa plausível.
E no caso da responsabilidade civil, especificamente por dano moral, em razão da quebra do contrato, essa configuração torna-se impossível, tendo em vista que tal atitude não enseja ilícito ilícito. Portanto, apesar dos entendimentos contrários, podemos concluir que a compensação monetária pelo rompimento do noivado não é correta, pois agindo dessa forma, o Judiciário se concentraria em questões puramente sentimentais.