• Nenhum resultado encontrado

O DANO MORAL NO ROMPIMENTO DO NOIVADO

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share "O DANO MORAL NO ROMPIMENTO DO NOIVADO"

Copied!
41
0
0

Texto

Diante dessa situação, surge o seguinte questionamento: Caso a obrigação seja descumprida, cabe indenização por danos morais. Dentre os temas a ele relacionados, destaca-se a indenização civil por danos morais em caso de descumprimento de compromisso. Conforme mencionado em outro lugar, o objetivo deste trabalho é discutir o cabimento do dano moral pelo rompimento do noivado.

Uma das modalidades de responsabilidade que surge em nosso ordenamento jurídico é a responsabilidade civil por danos morais e materiais quando o compromisso é descumprido. Como o objetivo específico do trabalho é discutir a responsabilidade civil por danos morais durante o descumprimento de um compromisso, não haverá como abordar o assunto detalhadamente sem antes fazer considerações preliminares sobre o conceito de compromisso, responsabilidade civil e expor substancialmente . e danos morais. .

O NOIVADO (ESPONSAIS)

CONCEITO E ASPECTOS HISTÓRICOS

  • A esponsais no Direito Brasileiro Direito Comparado

No direito romano, o significado jurídico e social do noivado era tão fluido que se houvesse copula carnalis – conjunção carnal – sem quaisquer formalidades, o casamento era convertido em casamento. Pela importância atribuída ao casamento, não devemos esquecer que os casamentos no direito romano tinham o chamado "arras conjugal", vulgarmente conhecido na nossa sociedade como dote, que era uma garantia em espécie oferecida pelos noivos em caso de vencimento. à violação de um contrato de casamento, uma promessa de casamento. O rompimento do noivado também teve consequências ilícitas no direito eclesiástico, onde, como já discutiu o estudioso Augusto Zenun.

Sabe-se que o direito, especialmente no que diz respeito ao direito de família, sempre foi fortemente influenciado pela religião e pelos valores da sociedade, que se refletem na sua ordem. Assim, não se pode negar que o direito romano, embora fosse considerado um direito individualista excessivamente preocupado com a herança, foi influenciado pelo direito canónico em termos de valores sociais, justiça e boa fé. Na lei pré-codificada, a Lei portuguesa de 6 de outubro de 1784 conferiu expressamente ao contrato uma natureza contratual, exigindo a forma de documento público para a sua execução e exigindo a reparação de perdas e danos por incumprimento.

Apesar da omissão legislativa quanto à necessidade de criação do contrato conjugal formal, o legislador deixou claro que os efeitos jurídicos da união estável estavam presentes em nosso ordenamento jurídico, ao determinarem sua natureza. Por outro lado, em termos de direito estrangeiro, nota-se que a lei portuguesa permite o direito matrimonial ao permitir a compensação civil por perdas de rendimentos e danos consequentes decorrentes da violação dos votos conjugais. Na legislação italiana, o casamento matrimonial é considerado um "voto matrimonial" escrito e solene que, quando quebrado e cumprido dentro da forma legal, permite o reembolso de despesas e obrigações pecuniárias contraídas, ao contrário do Paraguai, onde a indenização por danos morais inadimplentes . do noivado está legalmente previsto.

Como veremos mais claramente no terceiro capítulo, a doutrina e a jurisprudência compensaram de forma plausível a falha do legislador em abordar a disciplina conjugal, particularmente a reparação civil em casos de transgressão.

RESPONSABILIDADE CIVIL

Conceito de responsabilidade civil

O conceito de responsabilidade pode ser derivado da origem da própria palavra, que vem do latim responder para responder a algo, ou seja, da necessidade de responsabilizar alguém por suas ações danosas. Esta imposição estabelecida pelo meio social regulado, através dos membros da sociedade humana, de impor a todos a obrigação de prestar contas pelos seus atos, reflete justamente a ideia de justiça que existe no grupo social estratificado (..) A partir disso pode-se deduzir que a responsabilidade é uma forma de externalizar a própria justiça e a responsabilidade é a tradução para o sistema jurídico do dever moral de não prejudicar os outros, ou seja, o neminem laedere.11. É importante ressaltar que nem sempre a responsabilidade civil decorre única e exclusivamente do descumprimento de norma jurídica positiva, uma vez que o insucesso contratual diz respeito à violação de lei estabelecida entre as partes contratantes e que pode igualmente ser caracterizada como ato ilícito. ato que dá origem à responsabilidade civil de quem causou o dano.

A responsabilidade civil exige o dano a terceiro, particular ou Estado, para que a vítima possa requerer a reparação do dano, refletida na restauração do status quo ante ou numa quantia em dinheiro12. Comete ato ilícito quem, por ato ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direitos e causar dano a outrem, ainda que de natureza puramente moral. O titular de um direito que, no exercício do mesmo, exceda manifestamente os limites impostos pela sua finalidade económica ou social, de boa-fé ou de bom costume, comete também ato ilícito14.

A seguir, serão vistos detalhadamente os requisitos necessários à configuração da responsabilidade civil, bem como os tipos em que ela se manifesta, de forma objetiva e subjetiva, para que no próximo capítulo possamos tecer considerações sobre a responsabilidade civil do cônjuge, por prejudica a moral, no rompimento do noivado.

Pressupostos da responsabilidade civil

  • Conduta (ação ou omissão)
  • Nexo de causalidade
  • Dano

Portanto, para que se estabeleça responsabilidade civil, um ato (ação ou omissão) que constitua violação de norma normativa deve ocorrer por meio de conduta de pessoa física imbuída de ilegalidade. 186: “É praticado ato ilícito aquele que, voluntariamente ou por omissão de ato, negligência ou descuido, violar direitos e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral”. Historicamente, é claro que a definição de ilícito tem sido muitas vezes atrelada ao conceito de culpa, mas esse entendimento carece de utilidade diante da responsabilidade civil objetiva independente da configuração da culpa.

Em síntese, podemos dizer que a causalidade é condição sine qua non para a configuração da responsabilidade em qualquer uma de suas modalidades. Além do nexo de causalidade, o dano é elemento essencial para o estabelecimento da responsabilidade civil e, consequentemente, das obrigações indenizatórias. 927 do Código Civil diz: “Quem causar dano a outrem por ato ilícito é obrigado a repará-lo”.23.

Humberto Teodoro Junior enfatiza, nas palavras de Sebastião Geraldo de Oliveira, que “o dano material é o prejuízo financeiro real sofrido pela vítima, causando como consequência uma redução de seu patrimônio, avaliado monetariamente”. Por outro lado, Sebastião Geraldo de Oliveira considera o dano estético como um tipo de dano independente, separado do dano moral, portanto ambos podem ser combinados. Não só é possível, mas principalmente correto, combinar o dano estético com o dano moral porque são dois tipos diferentes de dano moral a uma pessoa, portanto afetam interesses jurídicos diferentes.

O dano moral é o dano à imagem social, a nova dificuldade na vida de relacionamento, o complexo de inferioridade na sociedade humana.32.

Os direitos da personalidade

Orlando Gomes afirma que no direito da personalidade pode-se confundir objeto e sujeito de direito, mas considera-o como objeto. Os direitos da personalidade são aqueles direitos que não se expressam no património material, mas sim no património imaterial da pessoa. Os direitos da personalidade são, portanto, direitos subjetivos, sem a limitação histórica que tiveram, para expressar e perseguir valores económicos. Portanto, todos os direitos subjetivos que não têm finalidade econômica e são inatos e essenciais à realização da pessoa são direitos da personalidade, e suas violações são passíveis de indenização por danos morais.

Embora a violação dos direitos pessoais seja evidente em alguns casos de rompimento de noivado, como se verá a seguir, a doutrina e a jurisprudência ainda não concordam quanto ao reconhecimento de indenização por danos morais nos casos de casamento desfeito.

O DANO MORAL E A RUPTURA DO NOIVADO

  • Da boa fé objetiva
  • Aplicabilidade do dano moral no rompimento do noivado: divergência doutrinária
  • Do cabimento do dano moral na ruptura do noivado
  • Precedentes Jurisprudenciais

Sobre a possibilidade de indenização por dano moral na dissolução da união conjugal, o estudioso Wladimir Valler afirma que. Embora a Carta Magna preveja a indenização civil por danos como direito e garantia fundamental, existem divergências doutrinárias e jurídicas quanto à aplicação da indenização por danos morais quando esta decorre do rompimento da relação conjugal. Não podemos fechar os olhos para afirmar categoricamente que não há dano moral no rompimento do noivado, pois a forma como isso é feito poderá causar danos de toda espécie, inclusive danos morais, que dependerão da análise do caso concreto. .

Com base nessas considerações, não se pode afirmar que não haja dano moral no descumprimento do compromisso, pois em situações excepcionais não se trata apenas de transtorno, mas de dano a um bem intangível. Há estudiosos que em hipótese alguma concedem indenização civil por danos morais em conexão com o descumprimento de um compromisso - Thiago Rodovalho - há estudiosos que concedem indenização em caso de rompimento injustificado de um compromisso declarando alguns requisitos para essa reparação - Washington Monteiro de Barros e Maria Helena Diniz - e há estudiosos que concedem indenização cível por danos morais nos casos em que a forma como ocorre o descumprimento causa dano ao patrimônio imaterial do noivo inocente. Dado que a reparação do dano imaterial em violação do dever está vinculada à prova efetiva do potencial dano imaterial, trata-se, portanto, de uma responsabilidade civil extracontratual decorrente de ato ilícito e depende, portanto, da prova da culpa lato sensu do agente causal. . do dano, neste caso o noivo culpado.

A indenização pelo dano moral causado pela violação é desnecessária quando o evento não se caracteriza por episódio de violência física ou moral e não houve violação à honra ou à dignidade da pessoa. Da análise dos acórdãos acima, observa-se que o dano moral no rompimento do noivado, em ambos os casos, para se chegar à conclusão se o dano moral no rompimento do noivado exige ou não a presença de dano à personalidade direitos dos noivos, a compensação é inadequada quando este requisito está ausente. Caso ocorra dano que afete a parte social do ofendido, exige-se seu patrimônio moral, como honra, reputação, causando dor, tristeza, com privação de sossego, tranquilidade, indenização por dano moral.

A conduta ofensiva do réu que leva à assunção dos prejuízos alegados pelo autor é denominada dano moral puro. Portanto, fica claro aos juízes que só haverá indenização por dano moral quando o término do noivado resultar em prejuízo da personalidade dos noivos, sendo desnecessário o dano moral nos casos em que haja provas do mesmo. Diante do conteúdo aqui apresentado e dos precedentes mencionados, pode-se concluir que há dano moral por violação do noivado, desde que a violação prejudique os direitos de personalidade dos noivos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

São citados, por exemplo, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o Supremo Tribunal de Justiça, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.

Referências

Documentos relacionados

01 - 2015 Página 386 incontestável, acolheu o instituto do dano moral, a partir da Constituição Federal de 1988; d dificuldade de descobrir a existência do dano: é uma questão