Dedico este trabalho à minha família, em especial aos meus filhos, que são os pilares da minha vida, aos meus amigos e professores, que me incentivaram ao longo do meu percurso académico para concretizar este sonho. Aos meus tios, JORGE, OSWALD, KATSUYUKI E STELLA, por me aceitarem e virem em meu auxílio quando me vi preso. AOS AMIGOS que fiz na faculdade, em especial a TURMA DE CAFÉ, por deixarem os intervalos mais animados.
INTRODUÇÃO
Na verdade, pode-se dizer que a produção de um corpo biopolítico é a contribuição original do poder soberano. Na verdade, pode-se dizer que a produção de um corpo biopolítico é a contribuição original do poder soberano. Dessa forma, a soberania se revela sempre na exposição da vida à violência, consequentemente ao poder da morte, pois o exercício do poder soberano implica o jogo de inclusão e exclusão de pessoas, característico da condição de.
RELAÇÃO ENTRE A PUNIÇÀO, DOMÍNIO E (BIO)PODER
O SUPLÍCIO
Sobre esta forma de punição, para Foucault, “a tortura é uma técnica e não deve ser equiparada aos extremos da fúria da lei”. Deve ser marcante na sua relação com a vítima: seja pela cicatriz que deixa no corpo, seja pela exibição que o acompanha, pretende tornar infame quem é sua vítima; a tortura, mesmo que a sua função seja “limpar” o crime, não concilia; marcas ao redor ou no corpo do condenado que não podem ser apagadas; Em qualquer caso, a memória das pessoas reterá a memória da exposição, da roda, da tortura ou do sofrimento. E do lado da justiça que a impõe, a tortura deve ser arrogante, reconhecida por todos, algo como o seu triunfo.
PODER DISCIPLINAR
O momento em que se percebeu que, segundo a economia do poder, é mais eficiente e mais rentável punir do que punir. Nesse sentido, a multiplicidade pode ser remetida a um padrão comparativo com o auxílio de uma norma, e desta forma, ao mesmo tempo, por meio da comparação, pode-se tornar a individualidade comparável e individualizada, demarcada e fixa. Isto foi necessário por causa deste álibi, em vigor desde o século XVIII, que diz que se alguém é punido, não é para punir o que fez, mas para transformá-lo no que é.
O percurso deste poder pode ser melhor compreendido através da ideia de que ele é exercido através de estratégias e de que os efeitos não são atribuíveis à apropriação, mas a manobras táticas e técnicas. Está nascendo uma “anatomia política”, que é também uma “mecânica do poder”; ele define como se pode ter domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente para fazê-los fazer o que ele quer, mas para agir como quiser, com as técnicas, de acordo com a rapidez e eficiência que ele define. O controle das atividades que os corpos realizam permite o monitoramento de partes mínimas da vida e do corpo dos indivíduos, de forma a evitar distrações.
Quanto aos instrumentos utilizados, não são mais jogos representacionais que são amplificados e divulgados; mas formas de coerção, prescrição aplicada e repetida. E, finalmente, o que se pretende reconstruir nesta técnica de correção não é tanto o sujeito de direito que está preso aos interesses básicos do contrato social: é o sujeito obediente, o indivíduo sujeito a hábitos, regras, ordens, uma autoridade que exerce constantemente sobre ele e ao seu redor, e que ele deve deixar que atue automaticamente sobre ele. É comum acreditar que a prisão era uma espécie de armazém de criminosos, armazéns cujas desvantagens teriam sido verificadas pelo seu funcionamento, de tal forma que se teria dito que era necessário reformar as prisões, para torná-las um instrumento para a transformação dos indivíduos.
Durante a segunda metade do século XVIII, creio que surge algo novo, que é outra tecnologia de poder, não disciplinar neste momento.
NOTAS SOBRE O CONCEITO DE BIO-PODER
O biopoder, por sua vez, assume o controle da espécie, do homem como ser vivo, da massa global de uma população, sobre cujos processos e ciclos biológicos (como a natalidade, a morbidade, a mortalidade, por exemplo) interfere e controla, que intervém nisso com o apoio de regulamentações legais operacionalizadas por aparelhos e forças estatais. Esta tecnologia do poder não intervém no corpo do indivíduo, no seu corpo, como faz o poder disciplinar; pelo contrário, intervém precisamente nos fenómenos colectivos que podem atingir a população e influenciá-la. Dizer que o poder tomou conta da vida no século XIX é dizer que conseguiu cobrir toda a superfície que vai do orgânico ao biológico, do corpo à população, através do duplo jogo da disciplina tecnológica, por um lado. por um lado, e tecnologias regulatórias, por outro.
Portanto, estamos num poder que se encarregou tanto do corpo como da vida, ou que se encarregou, se quiserem, da vida em geral, com o pólo do corpo e o pólo da população. a partir do qual poderemos em breve localizar os paradoxos que aparecem nos limites extremos do seu exercício. Esses processos fazem parte da vida da população, por exemplo: nascimentos, doenças e mortes. Essa modalidade de poder não suprime a técnica disciplinar simplesmente porque ela é de outro nível, de outra escala, tem uma base de apoio diferente e é auxiliada por instrumentos completamente diferentes (FOCAULT, apud POGREBINSCHI, 2004, p. 197).
O biopoder assume o controle da espécie, do homem como ser vivo, da massa global da população, em cujos processos e ciclos biológicos (como taxa de natalidade, morbidade, mortalidade) ele interfere no propósito de controle, regulação, regulação. Esta tecnologia cuidou da vida, abrangendo toda a superfície, do orgânico ao biológico, a massa global da população, por meio de técnicas disciplinares e técnicas regulatórias. O biopoder regula, portanto, normaliza, controla a vida da pessoa como ser vivo, que abrange toda a sociedade, como acontece atualmente com a segurança social, que regula desde o nascimento do cidadão até à sua morte.
Para enriquecer esta pesquisa, serão abordadas as obras de Agamben, leitor de Foucault, para algumas questões relacionadas à tomada da vida pela política.
AGAMBEN LEITOR DE MICHAEL FOUCAULT: A BIOPOLÍTICA E O
NOTAS SOBRE O CONCEITO DE VIDA NUA
Diante desses conceitos, a vida nua se confunde com a definição de zoé, vida que vive biologicamente, pois a vida nua, sem suas qualidades, aproxima-se da vida assassina e não sacrificial do homo sacer. diz respeito ao estado de total desamparo daqueles que estão encurralados no estado obscuro, sem direitos nem cidadania, em que são forçados a viver. Se um dos objetivos de Agamben, como mencionado no início de Poder Soberano e Vida Nua, era combinar as análises de Hannah Arendt e Foucault em um diálogo, o filósofo italiano neste momento reúne o pensamento desses dois poderosos antecessores porque, a partir de No conceito de vida nua, Agamben articula as reflexões de Arendt sobre o pensamento de Foucault, de modo que entende as declarações de direitos como um meio jurídico para capturar a vida natural, de modo que esta última não era importante para a política no antigo regime (AGAMBEN, 2007). , pág. 134), que agora se torna uma categoria política através da forma jurídica dos direitos humanos. Para Agamben, a vida nua não se refere ao hipotético estado primário da vida humana, mas à vida politizada do homem, alterada por certas condições sociopolíticas, portanto seria uma criação artificial do poder soberano, a vida apenas na sua dimensão biológica . condicionado pelo completo desamparo e sem quaisquer direitos ou cidadania, submetido à vida em condição excepcional.
Assim, na exceção soberana, aplica-se o direito, que se desmorona diante da excepcionalidade, o que implicará na vida do sujeito, com o surgimento da figura do homo sacer, “a vida insacrificável e, todavia, matável, é a vida sagrada". À luz da análise do filósofo italiano, que estrutura o poder soberano sobre a vida nua, o estado de exceção, ou seja, a vida biológica está sempre exposta à decisão soberana de matar ou, portanto, à exceção, na concepção de Agamben. pensamento, torna-se uma categoria importante para compreender a lógica do poder e seus arcanos, pois no limiar da exceção revelaram-se os estreitos laços que a soberania do direito, o poder soberano à ordem unia. O objetivo da determinação da exceção é sempre a preservação da ordem vigente e do direito vigente, mas esconde a produção do homo sacer, portanto, da vida nua.
Se chamarmos esta vida de mera vida ou vida santa, que constitui o conteúdo primeiro do poder soberano, ainda temos um princípio de resposta à pergunta de Benjamin sobre a “origem do dogma da santidade da vida”. A vida no reino soberano é originalmente sagrada, isto é, matável e insacrificável, e a produção da vida nua é, neste sentido, o serviço original da soberania. A santidade da vida, que hoje se gostaria de afirmar contra o poder soberano como um direito humano fundamental em todos os aspectos, exprime, pelo contrário, na sua origem, precisamente a sujeição da vida a um poder de morte, a sua exposição irreparável na relação de abandono .
Portanto, para Agamben, soberania significa expor a vida à violência e consequentemente ao poder da morte, para que não haja ruptura entre a biopolítica e o poder soberano.
O ESTADO DE EXCEÇÃO E O CAMPO
O CAMPO BIOPOLÍTICO BRASILEIRO: SENZALAS
Através da exploração dos conceitos de pensadores que se dedicaram aos temas: estado de emergência, vida nua e campo13, este tema abordará as condições em que viviam os escravos africanos nas senzalas brasileiras e sua proximidade com o campo e o homo sacer . A santidade da vida, que hoje as autoridades soberanas gostariam de impor como um direito. 18 Os preços foram determinados de acordo com idade, sexo, peso, altura, saúde, procedência, etc.
Na visão do filósofo italiano, “o campo é o espaço que se abre quando o estado de exceção começa a se tornar regra” (AGAMBEN apud NASCIMENTO, 2015, p. 89). Por isso tudo é possível e permitido dentro do campo. pois a partir do momento em que o sujeito é privado de toda regulação legal e política, seu corpo fica exposto à violência e sujeito à morte, e portanto reduzido à vida nua. Enquanto o estado de exceção se apresenta como a base oculta do sistema político e jurídico, a exceção é ao mesmo tempo um instrumento paralelo da biopolítica (AGAMBEN, apud NASCIMENTO, p. 21), aquela política em que o cálculo baseado na a vida está sempre enredada no exercício do poder estatal e paraestatal. Em particular, este trabalho aponta-nos para uma reflexão sobre o contexto político – do tema do direito e dos direitos humanos numa perspectiva mais geral, pois leva em conta o problema da configuração de um verdadeiro estado de exceção e a questão biopolítica presente nestes fatos.” (RAMIRO, 2015, p. 25).
Na visão de Agamben, o campo pretende servir de paradigma da condição que lhe é imposta pela aplicação do sistema jurídico por suspensão, pelo qual os direitos e garantias constitucionais são revogados durante o estado de emergência. Para a pesquisadora, garantir a efetividade dos direitos humanos pressupõe e exige a cidadania da qual deveriam estar separados. Isto é, no mundo de hoje vivemos sempre num estado de exceção, pois somos vigiados e controlados o tempo todo.
Esta investigação pretende também demonstrar a importância de refletir sobre o estado de emergência, que se revelou um paradigma de governo, e também os efeitos do poder soberano que prevaleceu durante séculos como monopólio da violência legal. Desta forma, significa dizer que o próprio Estado contém a exceção na sua estrutura, onde através de situações extraordinárias (crise) declara o estado de emergência contra aqueles que considera não integrar para manter a ordem. À luz das leituras e das pesquisas, a conclusão é que vivemos em estado de emergência o tempo todo, pois um dispositivo que deveria ser usado apenas em caso de perigo hoje se tornou a regra, e o Estado, através de suas técnicas, controla e fica de olho nos EUA.
REFUGIADOS DO HOTEL HUANDA