Água que escorre dos olhos sem poder controlá-la, corpo que não se deixa controlar. Esse caminho levanta questões, elementos de um jogo a ser composto pelo fazer em conjunto, empregando uma ética que se redesenha nessa relação entre corpo e texto. A imagem do poder como algo relacional que ocorre nos desenvolvimentos e está ligado à força da vida é o que dá consistência na forma como esse termo é utilizado ao longo da escrita.
O Corpo: apresenta uma série de provocações sobre o poder de revolução contido no corpo, abordando a ideia de corporeidade e seus desenvolvimentos como corpo e – e corpo – numa prática que acessa múltiplos deste corpo em constante implicação com o meio ambiente em que se encontra; . Como não podemos contribuir para a propagação do ódio, da crueldade dos corpos que se evidencia na repetição da violência. Tais questões parecem um convite para perceber a arte e assim superar os limites e jargões atribuídos à sua relação com o conceito de estética, que está relacionado à beleza, à padronização e ao julgamento de valor.
Por outro lado, esta estética deriva de uma ética do afeto que favorece a melhoria da vida, sem pressupor que se é capaz de mudar o mundo, que já transita por um complexo sistema de relações que envolve vida e morte, composição e decomposição. .
O que
Arte e vida - ousadamente - que se compõem num entrelaçamento ético-estético-político que não descura o ambiente que cria e nele se produz em conascimento. Quebrar a noção do sujeito incomensurável, de contornos impermeáveis, que olha de fora, que não interfere, que acredita estar desencarnado. Não se trata de defender a ideia de um sujeito exposto que se dissolve completamente.
Um dos meios apresentados por Jullien (2001) é a incorporação de uma sabedoria que se afasta da imagem de um sábio. A próxima posição foi tentar preencher os pacotes que se formaram com bolhas de sabão. Ao entrar em contato com o Modo Operativo AND, você percebe desde o início que ele é um convite para inventar outras formas de convivência coletiva, muito longe da negociação de desejos individuais e muito longe de uma noção ultrapassada de prática da democracia em que cada um pessoa tem suas ideias e escudos preservados.
A prática assume a forma de um jogo que se desenvolve a partir da atenção aos assuntos em discussão, sugerindo que os cargos busquem a oportunidade de ampliar o relacionamento.
Pode
Na vanguarda desta discussão está esse intervalo entre a percepção do que é apresentado, os materiais disponíveis e o mapeamento do que o corpo tem a oferecer. 17 Um vídeo representando uma posição em um dos jogos em modo operacional IN e referente. É uma oportunidade de vivenciar a ética do possível que ocorre no intervalo entre a apresentação da situação e a posição.
O desejo é tratado como o apetite que se desenvolve pelas coisas, incluindo a consciência que se tem desse apetite. Uma das possibilidades está na referência que temos ao que nos afeta, o que não garante assertividade em relação ao outro. Aparecer e participar são formas de estar presente no aqui e agora, apreender a si mesmo e ao mundo que se apresenta como acontecimento.
Fazer um balanço é observar as possibilidades do que se apresenta, perceber forma, textura, cores, sabores, modos de funcionamento, entre tantas outras formas de perceber. Se a vida é o que se mobiliza nesta performance, os modos de fazer arte também podem considerar as vidas que são postas em movimento. A definição de “Ciência” como lugar de privilégio, trazida por Latour (2004), é o que muitas vezes se apresenta de forma a destruir a ciência.
Enquanto Kastrup (2004) trata das possibilidades de invenção do mundo, Latour (2004) trata das relações em rede entre os seres no mundo, o que permite a configuração pictórica de um ciclo retroinfluenciado. Mas para fazer parte disso, esteja atento às condições especiais que sempre se apresentam como desafios aos relacionamentos. É necessário um refinamento da percepção para que a posição mais justa possa ser tomada.
Ao contrário de uma noção de articulação composicional recorrente em algumas práticas artísticas, a composição na perspectiva de Spinoza (Ética) também implica decomposição. A ideia de uma arte que adere a temas de denúncia de sistemas opressivos, ou de uma arte engajada pode, muitas vezes, tornar-se uma emboscada, pois é uma relação muito mais complexa do que se poderia prever. ), apontam, operar contra uma noção de qualidade sem comprometer aspectos que permitam reconhecer que se trata de um ato artístico – e não de outra coisa – também não parece tão superficial.
Apesar da grandiosidade do posicionamento de Bruguera (2016), um aspecto que precisa ser destacado nesse contexto é a sua forma de pensar o conceito de utopia: como algo que de fato pode ser construído e não como algo impossível de ser alcançado.
O corpo
Não continuaremos a mencionar o corpo como corporificação porque a própria necessidade de dizer que é um corpo cuja mente está corporificada o admite. A partir de um referencial da Física Quântica, a individuação é apresentada por este autor como um processo vital que se dá inevitavelmente em mobilizações ligadas ao meio, em contraposição a uma noção de indivíduo acabado, com contornos claros e rígidos. Ao discutir o corpo a partir de Simondon (2003), como intensivo, como energia potencial que muda em relação a.
A individuação é uma operação de atraso que surge diante da diferença de potencial, ou seja, da tensão que cada elemento da individuação pode trazer, o que garante a metaestabilidade, visto que não é só. Este sistema de tensão está presente nas diversas formas de vida e nos interessa porque evidencia um corpo que não se fecha, que tem a noção de vida ligada a um estado de metaestabilidade constante em relação ao meio em que se encontra. Nancy (2014) explica que se trata tanto de abrir o ser como ressonância quanto de abrir a ressonância do ser.
Como já discutimos no capítulo Can, é uma forma aparentemente semelhante de listar as possibilidades oferecidas nas situações. Cultivar sua atenção permite expandir seu arsenal sensível e, por sua vez, seus modos de percepção. Há coreografias conhecidas que se rendem aos estereótipos de beleza que ainda hoje estão presentes no imaginário do público que busca arte.
A definição de vida (tal como a usamos hoje na cultura ocidental) foi designada pelos gregos em duas palavras distintas: zoé, que se refere a uma vida natural, ligada ao seu funcionamento, aos instintos animais (algo comum a todos os seres vivos, por exemplo seu povo, animais ou deuses); e bios, que se refere ao modo de vida específico de um indivíduo ou grupo, que leva em consideração aspectos histórico-culturais, um modo de vida único. E esse poder carente é importante porque nos traz elementos para a percepção do potencial de rebelião de um corpo que se considera ingovernável, capaz de tirar poderes, uma vez sujeito a determinados aspectos. Esse poder carente seria um poder anárquico que se separa do poder representativo, normativo e dos parâmetros do poder.
A rebeldia desses corpos é uma consciência voltada para a superfície, colocando-se como provocação por onde passa. Eu simplesmente tento garantir que minha vida cotidiana e minha arte estejam conectadas, se sobreponham e se alimentem. A questão que se coloca é: como pode o corpo ser uma força ingovernável e desprovida de forças opressivas, quaisquer que sejam.
Afinar, em vez de enfraquecer, fortalece, pois é uma forma de se colocar à disposição, mostrar-se com sua intensidade e mapear seus pontos fortes no encontro.
Ninguém
A frase “escreva, não sou ninguém” está longe de ser a conclusão da discussão, mas levanta questões sobre os efeitos do uso orquestrado das noções de individualismo e subjetivação e enfatiza a possibilidade de uma comunidade guiada mais pela noção da diferença (Agamben, 1993) do que por dispositivos de identidade, como na proposta de Nancy (2000). Discutindo a comunidade disfuncional (perdida), Nancy (2000) trata da desmobilização da comunidade, em que a noção de comum culmina na fixação da identidade ligada à ideia de harmonia e conformidade entre iguais, o que abre um precedente para a propagação da intolerância à multiplicidade e à diferença. Ninguém é qualquer um na multidão, o que Pelbart (2003) descreve com base na teoria do filósofo italiano Antonio Negri (2004), que trata da rede de conexões entre os corpos.
A Choreopolicia também atua na organização da coreopolítica, que fala sobre o que é efetivo como história na relação entre corpo e espaço. A ação foi o culminar de uma série de confrontos violentos entre manifestantes pró-democracia e o governo chinês. É ele quem em pouco tempo vai carregar o que se pode chamar de demanda do coletivo e como ninguém consegue sinalizar a diversidade da composição da comunidade dissidente.
Pelbart (2003) observa que a resistência ocorre no ato de colocar a própria vida em pauta, nesta cultura incerta e marginalizada, na forma de vida e de comunidade inventada diante de uma exclusão evidente nas diferenças de acesso. Ao tratar da proposição de revoltas extraordinárias como rebelião no contexto de uma sociedade colonial, o escritor, historiador e poeta norte-americano Peter Lamborn Wilson, que atende pelo pseudônimo: Hakim Bey (2011), lembra o quanto uma força de transformação é . por exemplo, inerente a uma cultura indígena. Aí reside também um dos problemas de uma falsa ideia de democracia, que se baseia no individualismo, e na qual teoricamente todos os pontos de vista devem ser respeitados.
O argumento de Pelbart (2003) a favor da visibilidade cultural para um público que foge aos padrões hegemônicos pré-estabelecidos é uma forma de responder, mesmo que não à altura, ao grau de violência a que esta população está exposta. É uma força vital que emerge na reciprocidade afetiva, na criação de vínculos, na invenção de meios. Para este autor, a sociedade é o resultado da constante reconfiguração coletiva dos problemas psíquicos e vitais de uma diversidade de indivíduos capazes de conferir maior poder do que o do indivíduo isolado.
O círculo dos nossos semelhantes não é definido de uma vez por todas em termos de semelhanças ou diferenças que definiriam uma natureza especificamente humana. Não é uma composição coreográfica baseada na força de um bailarino, mas é algo que se faz na pulsação de cada corpo, no seu envolvimento com o grupo.