A biblioteca escolar brasileira: origens, parâmetros e realidade diante da lei da universalização / Fabrício Morais; Conselheiro Hamilton Oliveira.__. O objetivo geral é buscar compreender o contexto em que a biblioteca escolar brasileira está inserida, através de sua origem, os parâmetros que a regulam, seu papel na escola; e como objetivo específico demonstrar a realidade da biblioteca escolar frente à referida lei. Seu objetivo geral é buscar compreender o contexto em que a biblioteca escolar brasileira está inserida, através de sua origem, os parâmetros que a regulam, os função na escola e, por fim, e em seu objetivo específico mostra a realidade quantitativa da biblioteca escolar antes da lei de Universalização das Bibliotecas Escolares.
Contudo, os colégios jesuítas não foram os únicos a desenvolver atividades com a biblioteca escolar no Brasil.
Normas legais que certificam a biblioteca escolar
O segundo programa – Programa Nacional Biblioteca Escolar – PNBE8 – é administrado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação, e tem como objetivo atender escolas públicas das redes federal, estadual, municipal e distrital federal. da educação infantil (creches e pré-escolas), ensino fundamental, médio e escolas de jovens e adultos (EJA), com fornecimento de obras de diversos gêneros literários e outros materiais de apoio à prática da educação básica, tanto para alunos quanto para professores. Estabeleceu um prazo de cinco anos para os sistemas educativos e a União promoverem a universalização das bibliotecas. Nenhum dos outros tipos de bibliotecas mereceu ser mencionado, nem nesta lei nem em outras, durante décadas.
Atualmente, tramita no Senado Federal o Projeto de Lei nº 2.811, do senador Cristovam Buarque, que institui a Política Nacional de Bibliotecas. Papel do MPF: na fiscalização da implementação da lei de universalização das bibliotecas nas escolas. Outra norma que regulamenta a questão das bibliotecas é a Lei nº 12.343, de 2 de dezembro de 2010, que institui o Plano Nacional Cultural (PCN) e cria o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC).
No entanto, contém apenas directrizes e objectivos, mas não medidas concretas para dotar o nosso país de uma política bibliotecária nacional eficaz. Como exemplo temos o Decreto nº. 520, de 13 de maio de 1992, que institui o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, ou seja, refere-se apenas às instituições públicas. Além da contribuição efetiva do Estado, leis de incentivo fiscal para empresas que queiram cooperar com recursos para criação e manutenção de bibliotecas escolares, observação e fiscalização da aplicação de recursos por representantes da sociedade civil, também podem ser alternativas.
Breve abordagem sobre formação e atuação profissional
Com a criação da Escola de Sociologia e Política em São Paulo e do Departamento Administrativo do Serviço Público no Rio de Janeiro, na década de 1950, novos cursos, incluindo o de Biblioteconomia, foram criados no país. Ainda na década de 1960, foi fundada a Associação Brasileira de Bibliotecários e Documentação Educacional (ABEDB), com o objetivo de estabelecer diretrizes para atividades educativas nessa área e promover a troca de experiências educacionais (GUIMARÃES; GUAREZZI,1994). Como resultado, são lançadas quatro revistas especializadas de circulação nacional: Ciência da Informação, Revista de Biblioteconomia de Brasília, Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação e Revista da Faculdade de Biblioteconomia da UFMG.
Com a reformulação do currículo mínimo em 1982, o ensino da Biblioteca assume o seu carácter interdisciplinar, tratando não só do documento e da sua organização, mas também da informação nos seus diversos suportes, vista como um produto essencial para o mesmo. Vale ressaltar que neste período o computador passou a fazer parte da realidade dos bibliotecários como um novo suporte para suas atividades (GUIMARÃES; GUAREZZI, 1994). A formação é o primeiro passo na construção da imagem profissional que o indivíduo irá desenvolver e, por isso, o papel das Bibliotecas Escolas e dos professores é essencial para este processo de formação de pessoas que se reconheçam como responsáveis pelas mudanças e necessidades sociais, que sejam abertas. e capaz de adquirir novos conhecimentos e habilidades.
Portanto, é importante promover essas discussões, pois o envolvimento contribui para o reconhecimento e fortalecimento da turma como um todo. Funciona como um centro de recursos educativos, integrado no processo de ensino-aprendizagem, tendo como principal objetivo desenvolver e promover a leitura e a informação. Vale ressaltar que a biblioteca escolar não deve ser entendida como um espaço de apoio às atividades da escola, mas apenas como suporte à pesquisa.
Letramento e a formação de leitores
A vida acadêmica favorece o processo educativo e constitui uma contribuição decisiva para a formação de cidadãos autônomos e competentes (VIEIRA, 2014). Basicamente, a criação de um espaço para teatro, cinema, música, palestras, seminários, cursos e serviços de informação utilitária será um atrativo para reunir quem está distante da biblioteca. Conhece os locais onde se encontram livros e material de leitura, seja em bibliotecas, livrarias, entre outros;.
Além de ampliar as habilidades no manejo dos diversos tipos de suporte de informação, a verdadeira leitura vai além da decifração de códigos; o ato de ler deve ser um processo contínuo que conduz à reflexão, à análise, ao pensamento crítico, ampliando os horizontes do indivíduo para que ele possa compreender melhor o universo que o rodeia. A leitura deve ser algo que faça sentido para o leitor, agregando novas experiências e reformulando suas ideias, fazendo parte do seu contexto e permitindo-lhe aprender e reaprender. Nesse sentido, as bibliotecas desempenham um papel fundamental ao proporcionar às pessoas o acesso à leitura, através do seu acervo e, mais precisamente, daquela que é a tradução de conhecimento mais fiel disponível no mundo, os livros.
Algumas pessoas desenvolvem o gosto pela leitura através do exemplo de familiares, outras através da influência de professores ou de circunstâncias aleatórias em sua história de vida. A formação de leitores em larga escala, através da escola, só acontecerá se houver uma política de leitura, traduzida na formação adequada de professores leitores, numa ampla oferta de bons livros e de material escrito variado, bem como na criação de bibliotecas e salas de aula com bom atendimento. - instalações de leitura equipadas, facilitadas por bibliotecários. Transformar o Brasil em um país de leitores não é uma tarefa fácil, principalmente no contexto da sociedade da informação, onde o novo suporte informacional é apenas diretamente ao domínio das novas tecnologias, sendo apenas instrumentos de competências primárias que visam inserir o cidadão, o distanciar-se ainda mais da educação como leitor.
Como deveria funcionar a biblioteca na escola
Portanto, uma biblioteca que tem o usuário como foco principal deve garantir dois serviços básicos; o ponto de referência e educação dos usuários, esta última relacionada não apenas ao uso do espaço, mas também ao respeito, à interação social e à preservação dos bens de uso coletivo. Toda biblioteca escolar possui duas categorias de usuários: os que fazem parte direta da organização, da escola a que pertence, que podemos identificar como “usuários principais”, e os que mantêm vínculo com a escola, mas não a frequentam. no dia a dia, não participam das decisões e não participam do ensino. Para os primeiros, a biblioteca deve investir todos os esforços na identificação e satisfação das suas necessidades de informação.
São alunos, professores, diretores, coordenadores, consultores pedagógicos educacionais, pessoal técnico e administrativo, todos que fazem a escola acontecer, trabalham nela e passam boa parte do dia (BANDEIRA; CÔRTE, 2011). A implantação de uma biblioteca é desenvolvida pelo perfil dos seus usuários, refletido no seu planejamento, organização do acervo, serviços que serão prestados, características do prédio e equipamentos instalados. O conteúdo de uma biblioteca é determinado pela natureza e pelo nível de informação, ou seja, informação técnica, científica ou aplicada.
Na formação do acervo de uma biblioteca escolar dois aspectos devem ser levados em consideração: a propriedade do conteúdo, adequada aos interesses dos usuários, em termos de nível, tipo de documento e idioma; e a natureza da materialidade ou complementaridade, que definirá uma escala de prioridades. A composição do acervo varia de acordo com o tipo de público, especialização ou necessidade que foi descoberta durante sua formação. A organização do espaço será determinada pelas suas dimensões, finalidade, perfil do utilizador; deve-se levar em conta o número de funcionários e os recursos financeiros destinados à biblioteca e, quando necessário, fazer uma previsão quanto à possibilidade de crescimento do acervo.
O perfil predominante da biblioteca na escola
A verdadeira renovação da educação vai muito além disso, requer sobretudo conhecimento através da percepção, da associação, do raciocínio e da imaginação; para isso é necessária a especialização de profissionais específicos da biblioteca escolar que atuam em conjunto com o corpo docente. A real situação da biblioteca escolar no Brasil pode ser simbolizada pelo silêncio, pelo silêncio das autoridades, pela indiferença de pesquisadores, professores e pela omissão dos bibliotecários. Neste sentido, se fizéssemos uma analogia entre a situação da biblioteca escolar e os indicadores sociais, esta estaria certamente muito abaixo do limiar da pobreza, numa situação quase dolorosa de indigência.
Quando se fala em biblioteca escolar vinculada ao ensino público no Brasil, o cenário geralmente é deprimente, e principalmente os comentários levam a uma péssima descrição da situação, principalmente quando observamos que as pessoas não têm plena consciência da necessidade ou da utilidade. da escola bibliotecária. Embora tenha sido escrito há pouco mais de duas décadas, o livro certamente descreve muitos aspectos que ainda são vivenciados pela biblioteca escolar. A lei é considerada um dos maiores avanços no sentido de que o Estado se posicione sobre a biblioteca escolar à luz do Manifesto da IFLA/UNESCO.
Embora não existam evidências quantitativas do avanço da lei, as reflexões sobre a biblioteconomia em relação à biblioteca escolar têm se acentuado. Silva (2011) realizou uma análise mais aprofundada da lei. Embora critique o texto, vê nele “uma conotação de mudança” e uma “possibilidade de transformações que a biblioteca escolar necessita para mostrar o seu potencial”. Finalmente, a biblioteca escolar deve ser reconhecida como um dos problemas públicos que leva à mobilização colectiva e justifica a sua inclusão na agenda política.
A biblioteca escolar e a qualidade da educação
Diante dessa situação, definir a biblioteca escolar brasileira é uma situação complexa, pois a visão que a sociedade tem dela tem sido distorcida ao longo do tempo. O potencial da biblioteca escolar está longe de ser valorizado e as poucas existentes não cumprem suas funções, mantendo o Brasil como um eterno país do futuro, diante daqueles que a reconhecem como fator determinante para o desempenho positivo da economia. indicador e social. Dessa forma, podemos dizer que a educação no Brasil avançou mais em número do que em conteúdo, dada a quantidade de analfabetos funcionais e o desinteresse de sua população pela leitura livre, espontânea ou pelo simples desejo de conhecimento.
Apontou-se a necessidade de implementar políticas que, além de garantirem a aplicação numérica, atentem para a inclusão de mecanismos que coloquem a biblioteca escolar como parte do processo de formação escolar do aluno. Confirma-se assim o pressuposto de que o discurso positivo sobre a biblioteca escolar só existiu no papel apesar das iniciativas profissionais, mostrando que na prática a biblioteca escolar não é reconhecida como um recurso importante no processo de aprendizagem das nossas escolas. Disponível em:
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasília, 2012. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009. Breve História da Leitura no Brasil : livros, emoção e conhecimento na colônia (SÉCULO XXVIII).