O desenvolvimento recente do Estado do Paraná significou mudanças que enfatizaram a modernização da base produtiva, mas que também intensificaram a desigualdade, tendo em vista os incentivos limitados no espaço e, sobretudo, sua insuficiência para atuar na dimensão social sem reduzir a pobreza estrutural . O sucesso dessa perspectiva de governo pressupõe o resgate da capacidade de execução de políticas públicas ancoradas em um planejamento que conheça profundamente os diversos processos que compõem a dinâmica econômica, social e ambiental do estado.
DINÂMICA SOCIOAMBIENTAL DA POPULAÇÃO
No ano 2000, três mesorregiões - Metropolitana de Curitiba, Norte-Central e Oeste Paranaense - se destacam por expressivos contingentes populacionais, maiores graus de urbanização e que apresentam altas taxas de crescimento populacional desde a década de 1980 (tabela 1.2). Enquanto aproximadamente 90% dos municípios do Estado tinham mais da metade da população na zona rural na década de 1970, no ano 2000 apenas 29,07% dos municípios preenchiam essa condição (tabela 1.4).
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Se tomarmos como unidades de referência as aglomerações urbanas do Paraná, que se caracterizam por significativa dinâmica econômica e populacional, percebe-se que são estas que reúnem o maior número de municípios com os melhores índices. A distribuição da população rural do país está fortemente concentrada em municípios com nível de desenvolvimento humano inferior ao do Brasil.
INDICATIVOS DO DESEMPENHO DAS POLÍTICAS SOCIAIS
No ensino secundário destacam-se as elevadas taxas de abandono, associadas sobretudo ao ensino secundário noturno (tabela 1.11). No entanto, apenas as mesorregiões da Metropolitana de Curitiba e Oeste são melhores que a média nacional arbitral de 250 para todas as disciplinas e níveis (Tabela 1.12).
NÍVEL DE RENDA DA POPULAÇÃO
Somando-se os da próxima seção, há um total de 339 mil domicílios de baixa renda em municípios com IDH-M inferior ao brasileiro (0,764), representando 48,9% desse tipo de domicílio no estado. No entanto, cabe destacar que os 24 municípios com IDH-M igual ou superior a 0,800 (alto desenvolvimento), em sua maioria de médio e grande porte populacional, agrupam cerca de 164 mil domicílios de baixa renda, representando 24% dos domicílios com chefe de até 1 salário mínimo no Paraná. Da mesma forma, é importante destacar a presença de população de baixa renda nas aglomerações urbanas do estado, pois ao mesmo tempo que concentram municípios nas melhores situações de IDH-M, apresentam maior desigualdade interna.
Assim, as sete aglomerações do Paraná, em seus 47 municípios, concentram 38% dos domicílios de baixa renda do país (Tabela 1.19 e Anexo 1 - Tabela A.1.3), dos quais praticamente a metade está na aglomeração de Curitiba. Ainda que a participação seja a menor em relação ao total da mesorregião de Curitiba, ela passa a ser a maior em relação ao total de domicílios do país e apresenta um número bastante elevado de domicílios de baixa renda, 153.751, concentrados em grande parte em municípios da periferia da metrópole. Os domicílios de baixa renda concentram-se (51%) em oito bairros da cidade (Sítio Cercado, Cajuru, Uberaba, Boqueirão, Pinheirinho, Alto Boqueirão, Xaxim e Tatuquara), que reúnem 30.183 domicílios cujos chefes têm renda de até 1 salário mínimo ou não tem renda.
Porém, observa-se que em alguns bairros com pequeno número de domicílios populares (até 500 domicílios) – Riviera, Ganchinho, São Miguel, Prado Velho, Cachoeira, Cachimba – sua participação no total de domicílios é maior do que 20%. Essa análise indica a necessidade de distinguir duas situações envolvendo a população de baixa renda, com implicações para os programas que serão definidos. A primeira refere-se às grandes concentrações de população de baixa renda localizadas em cidades médias e grandes.
OS CONSELHOS MUNICIPAIS ENQUANTO MECANISMO DE GESTÃO
A combinação dessas decisões e a consequente intensificação do processo de reestruturação produtiva, protagonizado principalmente pelas grandes empresas industriais, comerciais e de serviços, contribuíram para que a desestruturação do mercado de trabalho, iniciada na década anterior, ganhasse maior intensidade e gerasse níveis mais elevados de desemprego e condições de trabalho cada vez mais precárias. Como esperado, as estratégias regionais de atração de investimentos estrangeiros que alguns governos estaduais implementaram na segunda metade da década não foram suficientes para compensar os efeitos das políticas acima mencionadas no mercado de trabalho. No Paraná, segundo a PNAD-IBGE, a população economicamente ativa (PEA) apresentou taxa de crescimento anual de 1,74% no período, com o número de pessoas ingressando no mercado de trabalho passando de 4,4 milhões para 5,1 milhões (Tabela 2.1).
Uma delas é a das mulheres, que responderam por quase 2/3 do aumento da PEA no Paraná, com 450 mil entrando no mercado de trabalho. Olhando para o percentual de ocupados com carteira de trabalho assinada ou vínculo jurídico no serviço público – taxa de formalização no mercado de trabalho – verifica-se uma recuperação do nível de formalização das relações de trabalho no Paraná, com taxas variando de 34,6 % em 1992 para 38,3% em 2001. Também é relevante incluir a análise da renda obtida nos mercados de trabalho estaduais e a formação de trabalhadores.
Por si só, essa informação indica que a pobreza é uma condição que transcende o próprio mercado de trabalho. Essa evidência pode ser interpretada como uma medida de subemprego no mercado de trabalho paranaense (VAZ e CARLEIAL). é esse segmento que perdeu o emprego e sofreu a maior perda de renda (VAZ e CARLEIAL, 2003).
ANÁLISE DE DESEMPENHO DO PIB
AGROPECUÁRIA PARANAENSE
12A quantificação desses segmentos da agricultura familiar depende dos critérios utilizados para determinar a renda obtida e classificá-la em alta, média e baixa renda. Em 1991, os cinco principais produtos (milho, soja, trigo, algodão e café, em ordem decrescente de representatividade) responderam por 75,79% do valor bruto da produção agropecuária paranaense, resultado muito próximo ao de . Considerando apenas os dois componentes principais, há uma clara tendência à especialização da agricultura estadual, com a participação da soja e do milho passando de 38,71% do valor bruto da produção em 1991 para 60,60% em 2001, praticamente renda setorial para a evolução dos preços e a quantidade colhida desses produtos.
Se tomarmos como parâmetro a média nacional, as mesorregiões com maior presença da agricultura familiar, também em área vegetal, são as seguintes: Sudoeste, Oeste, Sudeste e Metropolitana de Curitiba (Tabelas 3.4 e 3.5). 14 Admite-se que a área fabril sirva como proxy para definir e quantificar a presença da agricultura familiar na estrutura socioeconômica da agricultura paranaense. As dificuldades de trabalhar na agricultura familiar se expressam principalmente nas condições de produção.
Para diversos produtos, como fumo, uva de mesa, mandioca, feijão e arroz, a participação da VBP familiar é maior que a da agricultura empresarial. Para evidenciar a presença e a importância da agricultura em regime de economia familiar em nível regional, foram selecionados onze produtos, que ampliaram a participação da agricultura familiar, nesses produtos, nas dez mesorregiões geográficas do Paraná. Em frutas e produtos mais intensivos em mão de obra, como fumo e café, a participação da agricultura familiar é maior do que a da agricultura empresarial.
COMÉRCIO EXTERIOR
O aumento das vendas de bens de transporte reduziu o grau de concentração da pauta de exportação, que até então era liderada pelo complexo soja. A Tabela 3.11 sintetiza o comportamento dos principais grupos de produtos no período, cabendo destacar também os grupos madeira, carnes e açúcar por sua participação excepcional na pauta e taxas de crescimento superiores às registradas nas exportações totais do país. Ressalte-se que a intenção expressa do governo federal de promover o comércio exterior brasileiro aproxima-se dos interesses locais do setor exportador, para o qual os estados federais têm poderes limitados para promover e implementar políticas ativas de comércio exterior.
SISTEMA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Incubadoras e centros tecnológicos, arranjos institucionais de pesquisa e inovação tecnológica e programas de governo envolvendo instituições públicas e privadas aparecem e acontecem na estrutura da ciência e tecnologia no estado do Paraná (Tabela 3.2). Desse percentual, 30% são destinados à Fundação Araucária, 20% ao Tecpar e 50% ao Serviço Social Autônomo Paraná Tecnologia, instituição responsável por projetos considerados estratégicos para o governo, como o projeto Uniamérica, Intranet Paraná, Paraná Biotecnologia e Centro de Design do Paraná. Federal UFPR – Universidade Federal do Paraná (Curitiba, Palotina e Pontal do Paraná) CEFET/PR (Curitiba, Cornélio Procópio, Campo Mourão, Medianeira, Pato Branco . Ponta Grossa) Público.
CITPAR – Centro de Integração Tecnológica do Paraná CEHPAR – Centro de Hidráulica e Hidrologia Parigot de Souza CITS – Centro Internacional de Tecnologia de Software IBEG – Instituto de Bioengenharia Erasto Gaertner IBMP – Instituto de Biologia Molecular do Paraná. FAPEAGRO – Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Agronegócio IBQP/PR – Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Paraná CITPAR – Centro de Integração Tecnológica do Paraná. Universidade Regional do Norte do Paraná da UEL PBTec Soft – Fábrica de Software do Sudoeste do Paraná.
Unidades representativas da iniciativa privada IEL/PR – Instituto Euvaldo Lodi do Paraná (estágio profissional) CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola (estágio profissional) FIEP – Federação das Indústrias do Estado do Paraná. FACIAP – Federação das Associações Comerciais e Industriais do Paraná FAEP – Federação da Agricultura do Estado do Paraná. APEBI – Associação Paranaense das Empresas de Biotecnologia ASSESPRO-PR – Associação dos Fabricantes de Informática do Paraná Órgãos e Programas de Fomento à Ciência e Tecnologia FINEP.
INFRA-ESTRUTURA
Do ponto de vista do fortalecimento da integração do Paraná com o principal centro dinâmico do país, é relevante destacar o crescimento exponencial da ligação entre Curitiba e São Paulo, medido pelo número de passageiros a bordo de aeronaves comerciais em ambos instruções. Naquele ano, o número de passageiros embarcados para São Paulo chegou a 5,8 milhões, sendo 2,0 milhões do Rio de Janeiro. Segundo o Anuário de Transportes da Empresa Brasileira de Transportes (Geipot), o estado do Paraná possui hoje 261,3 mil quilômetros de estradas pavimentadas e não pavimentadas, praticamente a mesma extensão de 1997.
Se forem consideradas as estradas asfaltadas, em 2000 a extensão total dessas estradas no estado do Paraná era de 15.600 km. O transporte ferroviário no país é feito por duas empresas operadoras: América Latina Logística S.A.-ALL (2.216 km) e Ferrovia Paraná S.A.-Ferropar (248 km). De acordo com o plano diretor de transportes do Codesul - PDT, os portos e terminais do litoral paranaense são os mais interiores e protegidos entre os portos brasileiros, permitindo a navegação segura de navios de até 120 mil toneladas DWT pelo Canal da Galheta, que dá acesso a beliches.
Segundo o PDT, a infraestrutura aeroportuária do estado do Paraná conta atualmente com 43 aeroportos e aeroportos públicos, sendo 37 deles com pavimento asfáltico. Apesar dos avanços observados na educação e na saúde na última década, refletidos na evolução do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), a 6ª posição ocupada pelo Estado do Paraná é extremamente desfavorável em relação aos estados da Região Sul e com São Paulo. O adequado aproveitamento das principais oportunidades apresentadas ao estado e a correção simultânea de alguns constrangimentos permitem projetar a capacidade de crescimento econômico do Paraná de 5,5% ao ano.
A DIMENSÃO SOCIAL
Nota: 83,22% corresponde ao percentual de domicílios atendidos por disposição direta ou indireta de lixo no Paraná; 79,01, em relação aos domicílios no Brasil. CLASSES DE RENDA NOMINAL MENSAL DO RESPONSÁVEL PELO FAMILIAR (SALÁRIO MÍNIMO) CLASSES DO IDH-M Sem.
A DIMENSÃO ECONÔMICA
PARANA