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AGROPECUÁRIA PARANAENSE

No documento PARANÁ (páginas 55-78)

O espaço rural paranaense continua sendo marcado pela heterogeneidade estrutural e pela desigualdade social. O desempenho produtivo dos segmentos agrícolas e pecuários e a capacidade do setor em responder às demandas do mercado freqüentemente obscurecem a permanência das desigualdades econômicas e sociais entre os agricultores e entre a população rural de um modo geral. Esse desempenho produtivo e a importância econômica, para o Estado e para o país, da produção agropecuária e agroindustrial paranaense fazem com que, para muitos estudiosos, analistas e governantes, as questões do mundo rural sejam reduzidas às questões agrícolas e às variáveis clássicas de preço, quantidades, financiamento e taxas de juros, entre outras. Mas a pobreza que insiste em fazer parte do cenário rural do Paraná tem causas estruturais, principalmente na estrutura de posse da terra, origem básica das desigualdades. Ou seja, os problemas do mundo rural ultrapassam as questões agrícolas e se inserem, principalmente, em questões agrárias.

A sociedade rural é composta em sua maior parte por agricultores em regime de economia familiar. O número de estabelecimentos e a área controlada pelos agricultores familiares variam, conforme a fonte consultada.10 Para o Incra, a agricultura familiar detém 86,9% dos estabelecimentos rurais do Estado e 41% da área, enquanto que os estabelecimentos controlados por empresários – a denominada agricultura patronal – detêm 12% dos estabelecimentos e 58,2% da área. Se adotarmos como critério de definição apenas o tamanho dos estabelecimentos e considerarmos que os agricultores em regime de economia familiar possuem até 50 hectares de área total, eles representariam 85,9% dos estabelecimentos e 27,7% da área. Quanto ao Valor Bruto da Produção (VBP), os agricultores familiares foram responsáveis, segundo o Incra, por 48% do valor total.

10Neste documento usaremos os dados do trabalho Novo retrato da agricultura familiar (INCRA, 2000) e do IBGE - Censo Agropecuário de 1995/1996.

No entanto, é importante compreender que a agricultura familiar apresenta enorme diversidade interna, como expressão dos diversos processos de diferenciação e de reprodução social que condicionam a existência dessa população. Fazem parte dessa categoria social desde agricultores de subsistência, praticamente sem renda, até aqueles tecnificados, articulados às agroindústrias e com rendas semelhantes às de pequenos empresários rurais. A compreensão da diversidade interna da agricultura familiar é fundamental para a proposição de políticas públicas.

Em recentes pesquisas realizadas pelo IPARDES11 com agricultores que participam de programas governamentais, todos enquadrados na categoria de agricultores familiares, o diagnóstico da agricultura familiar indica, sim, a presença de famílias que combinam ocupações e fontes de rendas agrícolas e não-agrícolas, bem como famílias com renda monetária exclusiva de fontes não-agrícolas, porém como um fenômeno incipiente, sem tendência definida, mas aparentemente ligado à situação de pobreza das famílias rurais.

Mais importantes do que as ocupações não-agrícolas, como fonte de renda – pela ocorrência, regularidade e garantia –, são os pagamentos da previdência rural, que, em regra, constituem a principal fonte de renda das famílias que recebem esse benefício. Mas a situação de pobreza permanece como uma característica marcante na agricultura familiar.

Das 1.500 famílias pesquisadas, em 34,6% a renda familiar mensal per capita era de até ½ salário mínimo e em 46,1% delas era de ½ até 1 salário mínimo, englobando rendas da produção, de salários, de serviços, previdenciárias, enfim, de todas as fontes.

Retoma-se, aqui, o paradoxo da agricultura paranaense e brasileira, que no mesmo processo de transformação da sua base técnica incorporou as tecnologias mais desenvolvidas, elevou seus rendimentos físicos aos níveis das nações mais desenvolvidas, mas mantém uma diversidade estrutural e social com forte presença de agricultores familiares pobres. Esse quadro, tomado como orientador das políticas públicas no Paraná, mostra um segmento social formado por empresários rurais de elevado padrão tecnológico que, embora numericamente minoritário (12% dos estabelecimentos), controla mais de 50%

da área e do valor da produção. Esse segmento dedica-se às principais commodities tradicionais, como soja, cana-de-açúcar, pecuária bovina, entre outras, e articula-se a agroindústrias e cadeias produtivas. Orienta-se pela margem de lucro da atividade e

11Trata-se das pesquisas de avaliação dos impactos socioeconômicos das atividades do Projeto Paraná 12 Meses. Foram aplicados 1.500 formulários em mais de 200 municípios de todas as regiões do Estado.

demanda políticas tradicionais de preço, oferta de crédito e condições de financiamento.

Dentro do segmento familiar pode-se distinguir outros três. O primeiro, menor em termos numéricos,12 é o mais importante em valor bruto da produção. É tecnologicamente moderno, fortemente articulado às agroindústrias, inclusive em regime de integração, demanda principalmente políticas de garantia de preços, que assegurem a renda, e políticas de crédito diferenciadas que lhes permitam a manutenção e renovação de máquinas e equipamentos produtivos. O segundo segmento sofre restrições estruturais, como pouca terra, precariedade de instrumentos de trabalho (máquinas e equipamentos), mas ainda tem na agricultura e na produção agrícola seu elo principal de integração com a sociedade.

Demanda tanto políticas produtivas, para ampliarem a produção, a produtividade e a renda agrícola, quanto políticas agrárias, que aumentem as oportunidades de ocupação agrícola, e políticas não-agrícolas, que ampliem a oferta de trabalho e emprego na própria região. O terceiro segmento, formado pelos mais pobres, provavelmente mantém-se na zona rural por falta de oportunidades de migração. Para a sua permanência no espaço rural serão necessárias políticas de promoção de desenvolvimento em seus locais, municípios e regiões. A reforma agrária, ao redistribuir riqueza e renda, é um instrumento de promoção do desenvolvimento. Além da reforma agrária, algumas atividades agrícolas podem ser desenvolvidas em pequenas áreas e produzir rendas condizentes, a exemplo da produção de frutas e olerícolas.13

12A quantificação desses segmentos da agricultura familiar depende dos critérios adotados para o dimensionamento da renda obtida e para a classificação em renda alta, média e baixa. Para o Incra, já citado, no Paraná os agricultores familiares de rendas maiores, Tipo A, representam 14,3% dos estabelecimentos, 13,8%

da área e 28,6% do VBP; os de renda média, Tipo B, detêm 27,1% dos estabelecimentos, 12,9% da área e 12,3% do VBP; os agricultores de renda baixa e quase sem renda – Tipos D e C – respondem por 45,5% dos estabelecimentos, 14,2% da área e 7,3% do VBP.

13Essas atividades já estão em franco crescimento no Estado e em 1999 participavam com aproximadamente 6% do VPB agrícola; em 1991 essa participação era de menos de 1%.

3.2.1 Desempenho Recente

A agricultura paranaense sofreu profundas transformações ao longo da década de 90, refletindo as mudanças estruturais da economia brasileira. A produção paranaense de grãos cresceu de forma significativa nos últimos anos, atingindo a marca de 21,62 milhões de toneladas na safra 2001/2002, o que correspondeu a 21,77% do total colhido em nível nacional.

Vale notar que esse desempenho transcorreu em paralelo ao agravamento da crise fiscal do Estado brasileiro. Foram realizados cortes drásticos nos gastos públicos com o financiamento da agricultura, levando à redução da oferta de recursos pelo Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR). Segundo dados do Banco Central, os financiamentos do SNCR concedidos aos produtores e às cooperativas do Paraná atingiram uma média de R$

2,59 bilhões/ano na década de 90 (a preços de dezembro de 2002, com valores atualizados pelo IGP-DI da FGV), muito abaixo da cifra de R$ 5,51 bilhões/ano relativa ao decênio 1981- 1990, cabendo ressaltar que as decisões macroeconômicas voltadas ao controle da inflação também foram responsáveis pela retração do volume de crédito.

Diante disso, pode-se afirmar que a agricultura comercial, responsável pela maior parte da produção de grãos, apresenta atualmente menor dependência em relação ao crédito rural oficial, uma vez que foram viabilizados instrumentos alternativos de financiamento, baseados na utilização de poupanças privadas.

Porém, deve-se considerar que os novos mecanismos ainda se restringem às atividades agrícolas fortemente articuladas à agroindústria, que vêm ampliando a sua atuação como financiadora da produção, excluindo segmentos integrantes de cadeias produtivas pouco organizadas, em geral direcionados quase que exclusivamente ao atendimento do consumo doméstico. Isso explica, junto com os bons preços dos produtos exportáveis, o processo de reordenamento da agricultura paranaense em direção a culturas que fazem parte de sistemas agroindustriais caracterizados pela coordenação entre os seus agentes e pela inserção no mercado internacional.

Esse rearranjo fica evidente quando se acompanham as mudanças na composição do faturamento gerado pelas lavouras temporárias e permanentes, não se limitando, portanto, à produção de grãos. Em 1991, os cinco principais produtos (milho, soja, trigo, algodão e café, em ordem decrescente de representatividade) responderam por 75,79% do valor bruto da produção da agricultura do Paraná, resultado muito próximo do registrado em

2001, quando a participação dos cinco itens mais representativos atingiu 80,45% da receita total (tabela 3.2). No entanto, a estrutura desse grupo sofreu modificações importantes, com a exclusão do algodão e do café e a inclusão da cana-de-açúcar e do feijão, a despeito da relativa estabilidade das participações dos dois últimos produtos no faturamento total.

TABELA 3.2 - COMPOSIÇÃO DO VALOR DA PRODUÇÃO DA AGRICULTURA DO PARANÁ - 1991/2001

PARTICIPAÇÃO (%) PRODUTO

1991 1995 2000 2001

Soja 19,09 26,87 34,47 35,92

Milho 19,63 26,05 22,64 24,67

Cana-de-açúcar 7,23 8,12 8,87 8,24

Trigo 12,86 5,17 2,55 7,37

Feijão 4,16 5,77 3,73 4,23

Batata-inglesa 4,30 5,71 1,98 3,99

Mandioca 1,17 3,62 5,97 2,69

Fumo 1,23 2,12 2,00 2,10

Algodão 12,84 7,06 1,37 1,38

Uva 0,39 1,14 1,24 1,05

Laranja 0,23 0,47 0,78 0,98

Erva-mate 0,05 0,09 0,56 0,94

Tomate 0,38 0,99 1,35 0,92

Tangerina 0,34 1,49 2,22 0,86

Aveia 0,57 0,46 0,36 0,68

Café 11,38 0,55 6,40 0,68

Arroz 1,34 1,08 0,74 0,66

Banana 0,61 0,53 0,57 0,47

Cebola 0,19 0,45 0,23 0,28

Pêssego 0,10 0,20 0,23 0,27

Outros 1,91 2,06 1,72 1,61

TOTAL 100,00 100,00 100,00 100,00

FONTE: IBGE

NOTA: Estão sendo consideradas 29 lavouras temporárias e 33 permanentes.

Considerando somente os dois principais itens, verifica-se uma nítida tendência de especialização da agricultura estadual, com a participação da soja e do milho saltando de 38,71% do valor bruto da produção em 1991 para 60,60% em 2001, o que praticamente condiciona o crescimento da renda setorial à evolução dos preços e da quantidade colhida desses produtos.

Obviamente, deve-se levar em conta que esse movimento reflete a opção natural dos empresários rurais pelas culturas mais rentáveis e que não exigem vultosos investimentos em

reconversão, considerando a estrutura produtiva já estabelecida, o que evidencia a influência do mercado sobre as decisões de plantio. Além disso, é inegável que a agricultura estadual ainda apresenta razoável diversificação, tendo em vista que o Estado ocupa posição de destaque na produção de diversas commodities agrícolas. Contudo, a continuidade da tendência de concentração tornará o setor mais vulnerável às oscilações nos mercados agrícolas, além de imputar a alguns produtos, em geral típicos das pequenas propriedades e de alto valor específico, uma participação pouco expressiva na renda setorial.

Do ponto de vista espacial, verifica-se que três mesorregiões (Norte-Central, Oeste e Centro-Ocidental) responderam, em 2001, por 46,3% do total do Valor Bruto da Produção. No caso da soja, as três principais regiões produtoras responderam por 60,7% do valor e, mesmo no caso do milho, que é um cultivo que se espalha por todo o Estado, apenas 4 mesorregiões são responsáveis por 60,2% do VBP (tabela 3.3).

Em resumo, a despeito do crescimento da renda agrícola proporcionado pela expansão de atividades voltadas às commodities de larga escala de produção, o desenvolvimento da agricultura paranaense não pode prescindir de outros segmentos extremamente importantes em termos econômicos e também sociais, caracterizados pela prevalência da agricultura familiar e das pequenas propriedades. Por isso, considerando a forte dependência desses segmentos em relação à intervenção governamental e as limitações do setor público no que tange ao financiamento rural, conclui-se que na distribuição dos escassos recursos disponíveis deverão ser privilegiadas as políticas destinadas à melhoria da qualidade de vida no meio rural, não se restringindo a ações voltadas ao incremento da produção primária.

Evidentemente a priorização de políticas para o desenvolvimento de atividades econômicas em pequenos estabelecimentos rurais não significa o abandono da agricultura empresarial pelo governo. Mas, nesse caso específico, sabe-se que o aumento da competitividade passa necessariamente pela melhoria no ambiente macroeconômico, ou seja, o setor exige principalmente políticas econômicas horizontais.

TABELA 3.3 - VALOR DA PRODUÇÃO DOS PRINCIPAIS PRODUTOS DA PAUTA AGRÍCOLA, SEGUNDO MESORREGIÕES - PARANÁ - 2001 MESORREGIÕES (%)

PRODUTOS Noroeste Paranaense

Centro-Ocidental Paranaense

Norte-Central Paranaense

Norte Pioneiro Paranaense

Centro-Oriental Paranaense

Oeste Paranaense

Sudoeste Paranaense

Centro-Sul Paranaense

Sudeste Paranaense

Metropolitana de Curitiba

TOTAL (R$)

Algodão 17,8 29,1 21,7 6,5 - 24,4 0,1 0,3 0,0 - 97.234,00

Arroz 17,1 6,3 14,8 15,9 2,6 15,1 2,6 11,9 8,9 4,8 46.407,00

Aveia 0,3 5,8 20,4 0,3 36,0 10,1 6,3 15,2 5,4 0,2 47.864,00

Café 17,1 6,3 14,8 15,9 2,6 15,1 2,6 - 8,9 4,8 46.407,00

Cana-de-

açúcar 29,3 5,9 36,1 27,1 0,0 0,9 0,3 0,1 0,0 0,2 581.166,00

Feijão 3,7 2,2 13,2 12,4 13,5 5,7 7,1 10,0 21,1 11,1 298.546,00

Fumo 0,2 0,2 - - 4,7 8,0 13,4 3,6 61,9 8,0 148.187,00

Mandioca 35,5 6,8 6,0 0,7 1,5 27,3 8,4 2,8 5,9 5,2 189.933,00

Milho 2,9 8,0 16,1 5,2 10,5 18,2 12,5 13,4 8,7 4,5 1.739.369,00

Soja 2,5 16,7 18,0 7,2 9,6 26,0 7,1 8,8 3,4 0,7 2.532.449,00

Trigo 0,9 15,5 21,6 15,5 15,4 19,2 5,3 5,1 1,4 0,1 519.430,00

Erva-mate - 0,4 0,1 - 0,9 3,2 2,3 24,8 56,7 11,7 66.464,00

Cebola - - 0,0 7,5 0,9 1,6 4,9 2,0 31,8 51,2 19.443,00

Batata - 0,3 - 0,6 17,7 - 0,1 24,8 15,0 41,4 281.031,00

Tomate 1,4 0,1 34,6 20,3 11,7 6,8 3,1 1,1 2,9 17,8 64.700,00

Banana 1,1 0,8 15,0 31,1 - 6,8 2,5 0,1 0,0 42,6 33.309,00

Laranja 39,7 0,1 28,2 2,7 0,2 2,3 13,8 0,7 0,3 12,0 69.422,00

Pêssego 15,7 10,0 38,7 12,8 0,7 3,3 6,8 4,0 4,0 4,0 18.983,00

Tangerina 0,4 0,2 1,5 1,5 0,2 1,3 1,0 0,0 0,0 93,8 60.395,00

Uva 1,9 0,5 64,5 14,9 0,5 4,7 6,9 0,8 1,7 3,6 74.016,00

TOTAL 6,3 10,6 18,1 8,9 9,1 17,6 7,4 9,1 7,4 5,5 6.934.755,00

FONTE: IBGE - Produção Agrícola Municipal

3.2.2 Agricultura Familiar14 no Paraná

Em 1995, o Paraná, segundo o IBGE, registrava 369.875 estabelecimentos rurais, representando uma redução de 96 mil estabelecimentos em relação a 1985. Os estabelecimentos conduzidos em regime de economia familiar, com até 50 ha, correspondiam, em 1995, a 85,9% do total, apesar de ter sido nesse segmento que se deu toda a redução apontada. A participação da agricultura familiar na área total é de apenas 27,7%. Esses números revelam ao mesmo tempo a importância e a fragilidade da agricultura familiar. Importância porque, como se verá a seguir, a população ocupada na agropecuária paranaense está, em sua maioria absoluta, vinculada à agricultura familiar, e, ainda, porque a participação da agricultura familiar nas principais atividades do meio rural paranaense é expressiva, superior à sua participação na área total.

Em todas as regiões do Estado a agricultura em regime de economia familiar é majoritária quanto ao número de estabelecimentos e pessoal ocupado. Tomando a média estadual como parâmetro, as mesorregiões com maior presença da agricultura familiar, inclusive em termos de área dos estabelecimentos, são: Sudoeste, Oeste, Sudeste e Metropolitana de Curitiba (tabelas 3.4 e 3.5).

TABELA 3.4 - PARTICIPAÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR E DA AGRICULTURA EMPRESARIAL NO TOTAL DE ESTABELECIMENTOS E DA ÁREA, SEGUNDO MESORREGIÕES - PARANÁ - 1995

AGRICULTURA FAMILIAR AGRICULTURA EMPRESARIAL MESORREGIÃO N.o ESTAB. ÁREA (ha)

N.o estab.

%

Área (ha)

%

N.o estab.

%.

Área (ha)

%

Noroeste Paranaense 38.835 2.248.698 81,9 19,7 18,0 80,3

Centro-Ocidental Paranaense 24.041 1.094.808 83,2 25,7 16,8 74,3

Norte-Central Paranaense 52.150 2.221.214 83,9 27,6 16,0 72,4

Norte Pioneiro Paranaense 30.689 1.365.587 84,2 25,9 15,8 74,1

Centro-Oriental Paranaense 21.802 1.926.463 79,2 11,6 20,8 88,4

Oeste Paranaense 56.753 1.818.237 88,3 38,9 11,7 61,1

Sudoeste Paranaense 47.277 1.031.602 92,8 58,1 7,2 41,9

Centro-Sul Paranaense 38.660 2.141.634 83,5 21,8 16,5 78,2

Sudeste Paranaense 35.175 1.222.317 88,0 38,0 12,0 62,0

Metropolitana de Curitiba 24.493 876.073 89,0 31,0 11,0 69,0

TOTAL DO ESTADO 369.875 15.946.633 85,9 27,7 14,1 72,3

FONTE: IBGE - Censo Agropecuário

14Admite-se que a área do estabelecimento serve de proxi para definir e quantificar a presença da Agricultura Familiar na estrutura socieconômica da agropecuária paranaense. Assim, foram considerados agricultores em regime de economia familiar aqueles com estabelecimentos de até 50 ha.

TABELA 3.5 - PESSOAL OCUPADO NA AGRICULTURA PARANAENSE POR TIPO DE AGRICULTOR, SEGUNDO MESORREGIÕES - PARANÁ - 1995

MESORREGIÕES

TOTAL DE PESSOAL OCUPADO (a)

AGRICULTORES FAMILIARES (b)

AGRICULTORES EMPRESARIAIS

(c)

b/a (%)

Noroeste Paranaense 143.998 89.204 54.794 61,9

Centro-Ocidental Paranaense 89.943 63.855 26.088 71,0

Norte-Central Paranaense 186.619 132.242 54.377 70,9

Norte Pioneiro Paranaense 105.185 73.539 31.646 69,9

Centro-Oriental Paranaense 75.998 51.610 24.388 67,9

Oeste Paranaense 181.379 148.811 32.568 82,0

Sudoeste Paranaense 159.559 143.103 16.456 89,7

Centro-Sul Paranaense 133.328 104.228 29.100 78,2

Sudeste Paranaense 119.825 99.985 19.840 83,4

Metropolitana de Curitiba 91.686 76.491 15.195 83,4

TOTAL 1.287.520 983.068 304.452 76,4

FONTE: IBGE - Censo Agropecuário

Assim, a agricultura familiar, com menos de um terço da área agrícola do Estado, é responsável por ¾ do pessoal ocupado. Essa relação expressa o desequilíbrio na distribuição da terra que está na base da pobreza de parcela significativa dos agricultores familiares, pois estes não dispõem de terra suficiente para gerar a renda necessária à melhoria de suas condições de vida.

As dificuldades de parcela da agricultura familiar se expressam também, e principalmente, nas condições de produção. Um indicador importante dessas condições é o tipo de força usada nas operações da produção, que pode ser alugada ou própria.

O tipo de força com maior proporção de informantes entre os agricultores familiares é a força animal, com 69,2% na média estadual. O uso de força mecânica foi informado por 48,8% dos agricultores familiares. Em algumas regiões essas proporções se invertem, com destaque para a mesorregião Oeste, evidenciando mais um aspecto da diferenciação interna da agricultura familiar, que é a localização geográfica (condições naturais de solo e clima) (Anexo 2 – tabela A.2.1).

Em toda produção de lavouras, seja o produto considerado importante ou não na pauta de cultivo do Estado, verifica-se a presença marcante das estruturas familiares, quer pelo número de estabelecimentos conduzidos em regime de economia familiar como também pelos indicadores de área colhida e produção total, apesar da concentração da posse da terra. Para vários produtos, a exemplo do fumo, uva de mesa, mandioca, feijão e arroz, a participação do VBP familiar é superior à da agricultura empresarial.

Para evidenciar a presença e a importância da agricultura em regime de economia familiar em nível regional foram selecionados onze produtos, dimensionando-se a participação da agricultura familiar, nesses produtos, nas dez mesorregiões geográficas do Paraná. O que se observa é que os produtos com maior vinculação à agroindústria, como soja e cana-de-açúcar, são produzidos em sua maior parte pela estrutura empresarial. Nas frutas e produtos mais intensivos em mão-de-obra, a exemplo do fumo e café, a participação da agricultura familiar é superior à da agricultura empresarial. Esse comportamento é praticamente o mesmo em todas as mesorregiões, como se pode ver na figura 3.1, a seguir.

3.3 A INDÚSTRIA PARANAENSE: DESEMPENHO, ESPECIALIZAÇÃO E REGIONALIZAÇÃO 3.3.1 Quadro Geral da Indústria de Transformação

A década de noventa, no Brasil, experimentou o primado do ajuste estrutural da economia à nova ordem mundializada. No caso paranaense, a política recente de atração de investimentos externos contribuiu para aproximar a estrutura industrial ao padrão nacional.

Entretanto, é necessário lembrar que esta modificação iniciou-se nos anos setenta e decorreu não somente da modernização na agropecuária paranaense, mas também da expansão da indústria nacional, sobretudo a localizada na Região Metropolitana de São Paulo.

Concretamente, na primeira metade dos anos noventa a indústria estadual sofreu forte ajustamento do seu tecido industrial, para retomar gradativamente, na segunda metade, o seu crescimento. Essa retomada gradual justificou-se na permanência de um ajuste produtivo induzido basicamente pelo processo de abertura da economia brasileira.

O impacto de tal ajuste significou, segundo a RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego, uma ampliação entre 1990 e 2000 no número de estabelecimentos industriais e do emprego, de 12.853 para 18.933 e de 273.142 para 356.220, respectivamente. Do parque industrial instalado em 2000, segundo a Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA), 85% constitui-se de pequenos estabelecimentos, 13,21% de médios, e apenas 1,74% de grandes estabelecimentos. Vale destacar que, dentre os pequenos, 61,7% correspondem à faixa de faturamento anual de até R$ 150 mil, constituindo-se nos potenciais beneficiários da atual política de isenção fiscal do governo estadual (Anexo 2 – tabela A.2.2).

78,3%

76,8%

8,8%

26,3%

Cana-de-Açúcar Total do Estado

9,3%

58,0%

Trigo em Grão Total do Estado

29,5%

17,6%

Soja em Grão Total do Estado

29,8%

Milho em Grão Total do Estado

41,8%

59,3%

Café em Coco Total do Estado

54,4%

77,4%

Laranja Total do Estado

59,4%

Arroz em Casca Total do Estado

63,9%

77,0%

Feijão em Grão Total do Estado

64,3%

96,8%

Mandioca Total do Estado

72,5%

88,8%

Uva de Mesa Total do Estado

85,7%

92,8%

Fumo em Folha Total do Estado

92,9%

A agricultura familiar, segundo o INCRA/ FAO, participava em 1995 com 48% do valor bruto da produção agrícola do Estado

Metrop.

de Curitiba

Mesorregiões Geográficas

FIGURA 3.1 - IMPORTÂNCIA RELATIVA DA NO VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA NAS MESORREGIÕES GEOGRÁFICAS E NO TOTAL DO ESTADO, SEGUNDO OS PRINCIPAIS PRODUTOS - 1995

AGRICULTURA FAMILIAR

FONTES: IBGE - Censo Agropecuário, IPARDES - Tabulações Especiais

Os grandes estabelecimentos concentram-se nos gêneros da química e de produtos alimentares. Neste último destacam-se os estabelecimentos/atividades que, embora operando em segmentos tradicionais, são inovativos. Já os médios predominam no gênero madeira e produtos alimentares, gêneros estes que, da mesma forma que os anteriores, apesar de considerados tradicionais, incluem estabelecimentos com relativo grau de inovação tecnológica ou em ambientes propícios à inovação. E, finalmente, os pequenos distribuem-se pelo conjunto dos segmentos tradicionais não inovativos, em particular dos gêneros vestuário, produtos alimentares, madeira e mobiliário.

A par de tal ajuste, novos investimentos em indústrias como a automobilística, a da madeira e a de carnes propiciaram importante expansão da capacidade instalada industrial do Estado. Em complemento, as inversões realizadas ampliaram as relações intra- industriais, tendo sido exemplares entre ramos da metalurgia e de material de transportes;

madeira e químico; e entre insumos químicos e alimentação.

Em termos estruturais, ocorre, no período 1990-2000, uma tendência de crescente diversificação. De acordo com o valor adicionado fiscal,15 ramos da metalmecânica (especialmente material de transporte) e da química avançam com maior vigor sobre ramos tradicionais, como alimentos e fumo (tabela 3.6).

Agregando-se os ramos industriais em três grupos diferenciados16 – tecnológico, fornecedor e tradicional – é possível observar como tendência o declínio de atividades industriais tradicionais no Estado e o aumento da presença de indústrias de maior conteúdo tecnológico, que passam a responder por mais de 35% da capacidade instalada (tabela 3.7).

Vale destacar a tendência de crescimento desse tipo de indústria, iniciada na primeira metade da década passada e reforçada nos anos subseqüentes.17

15Valor adicionado fiscal (VAF) é a diferença entre os valores das operações de saídas (VS) de mercadorias e serviços, sujeitos ao ICMS, em relação aos valores de entrada (VE), consideradas as variações de estoques final (Vf) e inicial (Vi). Ou seja: VAF= VS – VE + (Vf – Vi).

16Um maior detalhamento está disponível em IPARDES (2002). Basicamente, o grupo tecnológico compõe-se de indústrias que investem mais intensivamente em tecnologia. O grupo fornecedor é formado por indústrias intensivas em capital, de alta escala de produção e que tendem a produzir bens homogêneos (commodities). O grupo tradicional envolve a produção de bens não-duráveis cujas estruturas industriais organizam-se, predominantemente, em oligopólios competitivos.

17Apesar disso, tal processo de reconfiguração ainda não se refletiu totalmente na estrutura de agregação de valor, em virtude de provável efeito do preço do petróleo na petroquímica (inserida no grupo Fornecedor) entre 1995 e 2000, interferindo na composição global da indústria. Por isso, em 2000 o Grupo Fornecedor detém 48,1% do valor adicionado, enquanto o Tecnológico e o Tradicional respondem por 29% e 22,8% respectivamente.

No documento PARANÁ (páginas 55-78)

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