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Academic year: 2023

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Isso não pode ser normal”: A vida na favela sob o olhar de um corpo desordenado / Gabriel Lima Simões. Isso não pode ser normal': a vida na favela sob o olhar de um corpo desordenado.

Capacitismo como efeito da biopolítica no meu corpo

Campbell (2009, p. 17) também discute os efeitos subjetivos da normalização do comportamento na vida das pessoas com deficiência, que a partir do momento em que uma criança nasce com deficiência, o mundo já está enviando mensagens para elas de que sua condição é uma das inferioridade. . Quando notadas, as pessoas com deficiência são vistas com um olhar de pena, arrependimento ou preocupação acrescida.

Tentando entender a favela

É verdade que nem tudo que vi lá de cima eram flores, mas o que vi foi muito diferente do que pensei que seria uma favela. Foi muito importante debater com esse grupo de jovens para poder confrontar as percepções que tive quando visitei o Alemão assim que cheguei para morar no Rio de Janeiro.

Política racista em nome da preservação da vida (de alguns)

A minha visão de um país que se concentraria na expansão do bem-estar da população em geral fazia parte do discurso ilusório em que estava preso. Como no caso do estado do Rio de Janeiro: a torre de controle dentro da sede da polícia pode ser uma excelente estação de observação, monitoramento e controle para diferentes comunidades que. A função assassina do Estado só poderá ser assegurada enquanto o Estado operar na modalidade do biopoder, com racismo (FOUCAULT, 2016, p. . 215).

Segundo ele, a função do racismo é regular a propagação da morte e viabilizar as funções assassinas do Estado. Como pode ser observado em vários dos relatos que percorrem este texto, o governo do estado do Rio de Janeiro tem implementado e intensificado estratégias de segregação social e racial que constituem políticas de morte.

De quem o Estado é inimigo?

Desde a segunda metade do século XX, um argumento comum a favor da produção inimiga tem sido a luta contra o comércio ilegal de armas, drogas e mercadorias. Como explica Batista (2003), essa estratégia faz parte do jogo de produção de subjetividade por meio do qual a favela se espalha como zona perigosa, ao mesmo tempo em que cria uma campanha em nome da paz para justificar abordagens violentas contra essa população. .. Porém, a ação violenta do Estado concentra-se apenas nas áreas mais pobres, onde vive a parte mais explorada da população e cujas vidas interessam menos ao Estado e principalmente ao mercado económico.

Numa análise sobre a questão racial, a governança dos corpos e a branquitude a partir das teorias de Achille Mbembe, Teles (2018) chama de “acampamentos” territórios inseguros que estão sob constante ação violenta do Estado. Essa prática de tratar a diferença como algo a ser combatido é uma característica que indica a incorporação dos valores neoliberais à prática estatal.

O morador de favela como ‘o outro’

Uma vez subjetivada como “criminosa”, a população que vive nas favelas tem sido alvo constante de uma política de morte, especialmente sob um governo estadual que se identifica com a ideia de que “um bom criminoso é um criminoso morto”. Tudo isso sob aplausos de uma população capturada por esse discurso produzido subjetivamente de que os riscos devem ser eliminados. Num território que se acredita ser uma zona de concentração de “criminosos” e pessoas perigosas, a precisão do disparo a partir do topo de um helicóptero ou de uma torre de controlo torna-se irrelevante.

Moradores de Manguinhos acordaram com uma batida policial após uma noite de muitos tiros. 19 Relato de morador de Manguinhos publicado na rede social de uma Comissão de Agentes Comunitários de Saúde.

Institucionalização da violência e captura das máquinas de guerra

É por meio desses mecanismos, por exemplo, que se produz e se naturaliza o medo dos pobres, dos negros e dos favelados. São recorrentes os casos em que os direitos da população são fragilizados e violados por agentes policiais, fazendo com que suas vítimas não tenham a quem recorrer, pois torna-se impossível denunciar as violações aos próprios infratores. Ao lado do que se entende por direitos humanos, o conceito de segurança é apresentado como condição para a garantia de direitos, e para que tal segurança exista o controle populacional é uma prática fundamental (SCHEINVAR, 2010, p. 2).

A reportagem é vista, assim, como uma prática de produção de verdade que se apoia na defesa da lei. Este discurso de guerra, segundo Calveiro (2019, p. 34), só beneficia o Estado, que dele se aproveita para estabelecer direitos e práticas que introduzam a lógica bélica na vida social, em busca de um inimigo percebido como ameaçador e que deve ser eliminado. .

Rio de Janeiro sob exceção?

Este relatório conclui que os alvos populares da “guerra às drogas” no Rio de Janeiro são os mais vulneráveis ​​entre fabricantes, traficantes e consumidores. o Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Estado de Administração Penal – SEAP; articular de forma coordenada as instituições das unidades federativas e fortalecer o caráter institucional da segurança pública e do sistema prisional. As Forças Armadas têm sido mobilizadas para realizar operações em conjunto com o contingente policial nas comunidades, nas estradas federais que atravessam o estado do Rio de Janeiro e também em suas fronteiras marítimas.

O estado do Rio de Janeiro passava por uma grave crise financeira, que a partir de 2016 provocou falta de recursos até para pagar os salários dos servidores públicos. O caso da intervenção federal no Rio de Janeiro se enquadra em uma dessas 'lagoas' que têm dado ao Estado a capacidade de exercer violência legítima, mesmo com o apoio de grande parte da população.

Os efeitos da intervenção?

Durante os dez meses de intervenção, em vez de promover ações de inteligência para desmantelar o crime organizado, ou investir na modernização da polícia, o saldo registrado foi de 711 confrontos e ocupações policiais em favelas e 221 ações de patrulhamento controlado, em 296 localidades do Rio. . de Janeiro. Marielle foi eleita em 2016 aos 37 anos com 46.502 votos e foi a quinta parlamentar mais votada do Rio de Janeiro e a segunda mulher mais votada. Como consta no Dicionário de Favelas Marielle Franco23, como parlamentar, a vereadora seguiu uma política de defesa feminista em apenas um ano e três meses.

Como integrante da comissão especial que acompanhou a intervenção federal, Marielle recebeu denúncias de moradores sobre abusos cometidos por policiais do batalhão do bairro Acari, conhecido como o batalhão que mais mata no Rio de Janeiro. Mais de um ano depois, policiais da Divisão de Homicídios da Polícia Civil e procuradores do Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam o policial militar aposentado Ronnie Less e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, acusados ​​de participação nos assassinatos do vereador e seu motorista Anderson Gomes.

A construção de um legado de violências

Em seu livro A Vida no Fogo Cruzado, Alves e Evanson (2013) investigam o universo dos moradores de favelas e suas relações com a polícia do Rio de Janeiro e com grupos que eles chamam de traficantes de pessoas. Dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro - ISP26 mostram que apenas nos primeiros seis meses de 2019 (período em que o país não esteve mais sob intervenção federal) o número de assassinatos causados ​​por agentes do estado do policiais, totalizaram 881 pessoas, o que significa um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Parte da região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro mostra que nos primeiros seis meses do mandato de Wilson Witzl como governador, iniciado apenas em janeiro de 2019, 813 pessoas foram mortas pela polícia.

Uma característica importante da cidade do Rio de Janeiro (que você pode ver no mapa abaixo) é que nem todas as favelas estão localizadas nas regiões periféricas. 29 Disponível em: https://pt.map-of-rio-de-janeiro.com/favelas-mapas/rio-de-janeiro,-favelas-mapa.

Figura 1 – Mapa de favelas da cidade do Rio de Janeiro
Figura 1 – Mapa de favelas da cidade do Rio de Janeiro

Mecanismos para fazer morrer as potências nas favelas

A extensão dessas subjetividades fabricadas tem sido estratégica para que os moradores das favelas desacreditem seu potencial e dificultem sua força para resistir à subjugação à condição de subjetividade. Para o autor, a força representa “o que pode ser feito” e a vontade de poder representa “o que se deseja” ou “o que se quer fazer”. É entendendo a importância da vontade de poder para conectar o que pode ser feito com o que se deseja que seja feito que analiso os efeitos do racismo e da violência no cotidiano da população que está condicionada a viver em situação. de tensão e desqualificação, mortificação.

Existe alguma vontade de transformar as realidades e subjetividades construídas sobre o que significa ser morador de favela? Em nome da paz, a prática da discriminação, da desconfiança, do medo e de diversas formas de preconceito contra os moradores das favelas é normalizada para alguns.

O medo e a insurgência

A juventude em movimento – A experiência do jornal ‘Fala

O projeto que deu origem à Agência Comunitária de Comunicação de Manguinhos foi organizado pela população local, a partir de discussões nas reuniões do grupo de trabalho de comunicação do Conselho Comunitário de Manguinhos. Um ano depois, em 2014, uma alteração no projeto já identificava que a Agência de Comunicação Comunitária de Manguinhos se consolida como um empreendimento socioeconômico focado no desenvolvimento territorial. Ativação de dois canais virtuais interativos de informação: o blog 'Fala Manguinhos!' e a página do Facebook Comunicação em Manguinhos;

A maior parte da comunicação com os moradores da região ocorreu por meio da página 'Fala Manguinhos!' no Facebook. Em meio à rotina de violência, batidas policiais e confrontos entre grupos ligados ao tráfico ou entre eles e a polícia, moradores criaram a página no Facebook 'Fala Manguinhos!' usados ​​para notificar seus vizinhos quando ocorre um incidente de violência na área. .

Figura 2 – Alerta de tiroteios
Figura 2 – Alerta de tiroteios

Resistir pela dor – A experiência do movimento ‘Mães de Manguinhos’

A autora destaca que algumas das mães que compunham o grupo ‘Mães de Manguinhos’ utilizavam instrumentos físicos/simbólicos como ferramentas de memória e resistência, como camisetas com fotos dos filhos e árvores plantadas no bairro em sua homenagem . Mães de Manguinhos enfatiza que a questão vai além da inocência ou culpa das pessoas que foram assassinadas: "Não é que o Estado não precise matar moradores inocentes. Pouco antes de iniciar minha pesquisa de doutorado, comecei a acompanhar 'Mães 'Página de Manguinhos' de Manguinho nas redes sociais.

No dia seguinte, diversos meios de comunicação nacionais e internacionais publicaram notícias sobre a morte da criança pertencente ao coletivo ‘Mães de Manguinhos’. O movimento ‘Mães de Manguinhos’ é um exemplo desse modelo de comunidade emocional que trabalhou para acolher essas famílias.

Impulsionados pelo desejo de mudança – A experiência do ‘Curso Estratégias

A partir do momento em que uma intervenção é proposta, estabelecem-se relações de poder que produzem intervenções no terreno. Ao longo das aulas percebi que todos os que lá estavam já tinham ideias pré-concebidas sobre o que consideravam ser “problemas” existentes no seu território e sobre possíveis “soluções” para tais “problemas”. Propus trabalho de campo para que eles pudessem conversar com seus vizinhos e trazer para discussão em classe quais casos seus vizinhos destacavam como os principais “problemas” a serem resolvidos na área.

Cada grupo escolheu um 'problema' e realizou um exercício coletivo para identificar possíveis abordagens para tais 'problemas', de acordo com a realidade da área, bem como o entrelaçamento entre esses 'problemas' e as diferentes características que o contexto do território. Numa disciplina subsequente, a turma terá aulas para aprender a desenvolver projetos que cumpram os requisitos para a resolução dos ‘problemas’ identificados.

Organização popular periférica em tempos de pandemia: novas lutas e velhas

Vale ressaltar que os primeiros casos de pessoas infectadas pela Covid-19 no Rio de Janeiro foram registrados nestes dois últimos bairros citados. Por falta de informações do poder público, criaram um painel próprio de monitoramento para acompanhar e divulgar a evolução da pandemia nas favelas do Rio de Janeiro. Desde então, se expandiu, passando a reportar acontecimentos de diferentes favelas da cidade do Rio de Janeiro.

Dissertação (Mestrado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana. UPP – Redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro. Relatório da Comissão de Proteção dos Direitos Humanos e da Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ).

Pela Reforma do Rio de Janeiro, palestras proferidas no Rotary Club do Rio de Janeiro.

Figura 4 – Ações do grupo ‘Manguinhos Solidário’
Figura 4 – Ações do grupo ‘Manguinhos Solidário’

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Figura 1 – Mapa de favelas da cidade do Rio de Janeiro
Figura 2 – Alerta de tiroteios
Figura 5 – Cartaz de divulgação da campanha  do grupo ‘Manguinhos Solidário’
Figura 4 – Ações do grupo ‘Manguinhos Solidário’
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Referências

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A partir da análise vibracional, pode-se verificar que os modos normais que envolvem as interações entre o metal e os átomos diretamente ligados a ele, não são modos normais puros de