Além disso, traz um panorama da legislação vigente que rege o controle do cancro cítrico no Brasil e no estado de São Paulo, que hoje permite o manejo da doença em pomares. Além disso, as lesões do cancro cítrico prejudicam a qualidade dos frutos para o mercado in natura e limitam a comercialização da produção. Porém, devido ao aumento do cancro cítrico nos últimos anos em São Paulo e em outros estados, a legislação federal que rege o controle da doença foi alterada.
Assim, em 2017, o estado de São Paulo introduziu o sistema de mitigação de risco de cancro cítrico (SMR). Nesse caso, as plantas com sintomas são mantidas no pomar e a doença é controlada por meio de medidas que visam proteger os frutos da infecção e reduzir ou mesmo evitar o impacto do cancro cítrico na produção. Além disso, a legalização do manejo de frutas cítricas permitiu intensificar as pesquisas de campo e facilita a divulgação dos resultados aos citricultores e profissionais do setor.
Embora aparentemente menos impactante, a desfolha resultante da alta incidência do cancro cítrico pode comprometer o desenvolvimento do po-. A queda dos frutos devido ao cancro cítrico pode ser observada quando ainda não estão maduros e se estende até a época da colheita.
SINTOMAS
FRUTOS
Os sintomas nos galhos podem causar ressecamento dos galhos (J) e atrapalhar o desenvolvimento da planta, principalmente nos primeiros anos. Danos às frutas cítricas nos galhos são menos comuns, mas são importantes para a sobrevivência das bactérias no pomar, pois permanecem na planta por muitos anos.
JRAMOS
DIFERENÇAS DE OUTRAS DOENÇAS
Caso isso não seja possível, pode-se utilizar o teste sorológico, que consiste em um saco plástico contendo uma solução tampão e uma tira específica para detecção da bactéria causadora do cancro cítrico.
DIAGNÓSTICO
CICLO E CONDIÇÕES FAVORÁVEIS
DISSEMINAÇÃO
SOBREVIVÊNCIA
INFECÇÃO COLONIZAÇÃO
O ciclo do cancro cítrico é composto por quatro fases que estão relacionadas à chegada da bactéria ao pomar, aos danos às plantas e à continuidade da doença na área. Conhecer o ciclo do cancro cítrico e as condições que favorecem a sua ocorrência ajuda a tomar medidas adequadas de controle. Disseminação: consiste em transportar a bactéria de uma lesão previamente formada para plantas sãs ou para partes sãs de uma planta previamente afetada.
A presença de água na superfície da planta onde a bactéria se espalha é o fator ambiental essencial para o sucesso da infecção. As bactérias se multiplicam localmente perto do ponto de penetração no tecido vegetal vivo, onde produzem enzimas que decompõem as células vegetais em busca de nutrientes. A ruptura das células vegetais por bactérias dá uma aparência encharcada e escura ao tecido vegetal afetado.
As bactérias continuam o processo de colonização radialmente a partir do ponto de entrada e permanecem mais ativas na borda das lesões (A).
MARGEM
CENTRO
Sobrevivência: lesões residuais de cancro cítrico presentes na planta de um ano para outro são a forma mais importante de continuidade da bactéria no pomar. Quando as lesões ficam molhadas, as bactérias migram para a película de água na superfície da planta, de onde podem se espalhar e reiniciar o ciclo da doença. A bactéria não possui plantas hospedeiras alternativas aos cítricos, não possui estruturas especializadas de sobrevivência, como esporos, nem sobrevive em insetos.
Esse período pode variar de várias horas, quando células bacterianas são encontradas em superfícies secas, expostas à luz direta e a altas temperaturas, até vários meses, quando em lesões presentes em resíduos de cultura em decomposição.
QUEDA DE FRUTOS
Porcentagem de frutos de laranja Valência caídos e colhidos com lesões grandes e pequenas de cancro cítrico em dois experimentos. Padrão de ocorrência de lesões de cancro cítrico em frutos caídos (esquerda) e descascados (direita). Frutos caídos.
INTERAÇÃO COM O MINADOR
Essa interação resulta em maior exposição da planta à infecção e aumento da área da planta com lesões de cancro cítrico (I, J), o que pode levar ao aumento da severidade e incidência da doença no pomar. As feridas causadas pelo mineiro infeccionam com mais facilidade e permanecem predispostas à penetração da bactéria causadora do câncer dos citros por mais tempo do que os danos mecânicos causados pelo vento ou pelas máquinas. Isso provoca, nos pomares onde a doença se espalha, os danos causados pelo minerador.
Além de contribuir para o cancro cítrico, o bicho-mineiro é uma praga que pode causar danos significativos às plantas cítricas.
LEGISLAÇÃO
STATUS FITOSSANITÁRIO
No Estado de São Paulo, conforme determina a Resolução da Secretaria de Agricultura e Abastecimento nº. A redução do risco permite que os citricultores mantenham plantas com sintomas de cancro cítrico em seus pomares. As ações, que se concentravam na fiscalização dos pomares e na remoção de plantas doentes, passaram a se concentrar na adoção de medidas de controle de doenças e na descontaminação dos frutos.
No estado de São Paulo, os critérios para atendimento dessa exigência são estabelecidos pela Portaria CDA-5, de.
ESTADO DE SÃO PAULO
SISTEMA DE MITIGAÇÃO DE RISCO
FRUTA DE MESA
INDÚSTRIA
MANEJO
CONTROLE
ERRADICAÇÃO
MUDAS SADIAS E VIVEIROS
A aquisição de mudas cítricas certificadas, produzidas em viveiros cadastrados pelos órgãos estaduais de defesa fitossanitária, é, portanto, uma medida importante para a formação de um pomar saudável. O ideal é que as mudas de citros sejam produzidas em viveiros fechados, com tampa plástica e tela antifídeo nas laterais (A). Apesar de proporcionar proteção às mudas em formação, os viveiros fechados não estão isentos do risco de cancro cítrico (B, C).
As bactérias que causam a doença podem ser introduzidas nesses ambientes através de materiais vegetais, ferramentas, roupas e sapatos contaminados. Além disso, as bactérias podem entrar nos viveiros através da chuva e do vento que sopram na tela lateral e molham as plantas mais expostas. Para prevenir o cancro cítrico nas mudas, a legislação exige que os viveiros sejam instalados a uma distância mínima de 30 metros dos pomares de citros.
Deve-se também prestar atenção à qualidade fitossanitária do material vegetal que entra nos viveiros, como sementes e brotos, e à integridade, manutenção e limpeza das estufas. A ocorrência de cancro cítrico em estoques de sementes em viveiros fechados implicará na necessidade de retirada de todas as plantas da estrutura individual onde foi detectado o foco da doença e interdição de todas as estruturas por um período mínimo de 120 dias.
VARIEDADES
NÍVEL DE RESISTÊNCIA
VARIEDADE/ESPÉCIE A
Fatores genéticos relacionados à resposta da planta à infecção e à colonização pelas bactérias causadoras da doença desempenham papel fundamental na suscetibilidade, mas aspectos relacionados ao vigor da planta e ao hábito vegetativo também podem ter influência. Mesmo as espécies ou cultivares cítricas utilizadas como porta-enxertos podem afetar a intensidade do cancro cítrico na copa das plantas.
COBRE
MODO DE AÇÃO E PRODUTOS
Dose de cobre metálico por aplicação de acordo com a idade do pomar e intervalo de aplicação. mg cobre metálico/m3) Pomar maduro (kg cobre metálico/ha). Em pomares jovens em desenvolvimento, neste caso normalmente até o quinto ou sexto ano após o plantio, a dose de cobre pode ser determinada com base no volume da copa das plantas. Em ambas as situações, a quantidade de cobre metálico pode ser ajustada de acordo com a frequência de aplicação, que pode variar para ser compatível com o manejo de outras doenças ou pragas ou para intensificar o controle.
Desta forma, as aplicações deverão ser realizadas a cada 21 dias com no máximo 40 mg de cobre metálico/m3 de telhado da planta.
DOSE E INTERVALO DE APLICAÇÃO
PERÍODO DE PROTEÇÃO
VOLUME DE CALDA
SPIF
Queda prematura de frutos em pomar jovem de laranjeira 'Pera' com alta intensidade de cancro cítrico em duas colheitas consecutivas (A) e cobertura foliar na parte interna da planta, avaliada em papel hidro-sensível fornecido por diferentes quantidades de xarope de cobre/m3 dossel (B). A aplicação de cobre pode ser programada de acordo com a idade do pomar, existência de diferentes idades de flores e frutos, ou ainda de acordo com a necessidade de ser compatível com o manejo de outras doenças como a pinta preta. Neste caso, as aplicações de cobre realizadas em intervalos de 14 ou 21 dias podem ser sincronizadas com as aplicações de estrobilurina, que são recomendadas a cada 35 ou 42 dias a partir de novembro.
PROGRAMA DE APLICAÇÃO
POMARS EM PRODUÇÃO: PROTEÇÃO DE FRUTAS CONTRA CÂNCER DE CÍTRICOS E LAÇO JOVEM PONTA NEGRA SEM PRODUÇÃO: PROTEÇÃO DE MOLAS CONTRA CÂNCER DE CÍTRICO LAÇO JOVEM SEM PRODUÇÃO: PROTEÇÃO DE CORDAS CONTRA MOLAS.
QUEBRA-VENTO
Barreiras corta-vento podem ser instaladas nos limites das propriedades e também internamente entre lotes em sistemas de loteamento. O espaçamento entre as linhas do quebra-vento varia de 100 a 500 metros dependendo do destino da produção, variedade e topografia.
CONTROLE DO MINADOR DOS CITROS
INDUTORES DE RESISTÊNCIA
Além de serem importantes para o controle de insetos transmissores de doenças, como o greening dos citros e a traça das folhas, esses produtos também podem ativar a resistência das plantas e reduzir a intensidade do cancro cítrico nos pomares por até três anos. Estudos preliminares mostram que em pomares jovens a supressão do cancro cítrico promovida por esses produtos é semelhante àquela alcançada por aplicações frequentes de cobre. Entretanto, mais pesquisas são necessárias para confirmar se o uso exclusivo de indutores de resistência precoce é suficiente para o controle satisfatório do cancro cítrico.
As formulações utilizadas, doses e frequência de aplicação podem ser as mesmas do controle de Diaphorina citri.
DESCONTAMINAÇÃO
Esses compostos químicos atuam apenas superficialmente, não atingem as bactérias existentes no interior das lesões do cancro cítrico e também não possuem ação residual. Portanto, quando aplicados em folhas, frutos e galhos com lesões de cancro cítrico, não são eficazes no controle da doença, nem previnem novas infecções ou a liberação de bactérias viáveis das lesões.