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PDF Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Texto

Essa concepção de leitura como prática social, em que o leitor constrói os significados do texto a partir do contexto histórico-social em que está inserido, interage com os ensinamentos de BAKHTIN (2006); Nesse sentido, Freire enfatiza a necessidade de compreender criticamente o ato de ler, uma vez que este não se limita à simples decifração da escrita, mas é precedido de uma compreensão do mundo e também se desenvolve a partir dela.

Representatividade e formação de identidades

O autor apresenta ainda três dimensões da pesquisa-ação, a saber: a dimensão ontológica (refere-se à natureza do objeto a ser conhecido), que diz respeito à realidade social da prática a ser investigada para buscar melhorias; a dimensão epistemológica (referente à relação sujeito-conhecimento) a que se refere. Um dos alunos que se definia como aborígene mudou sua resposta para pardo, pois, segundo ele, agora entendia que não é apenas aborígene, mas “um”. Continuamos conversando sobre o possível racismo contido no texto até passarmos para as questões sugeridas na cartilha onde o texto foi estrategicamente desmembrado para que pudessem fazer uma pausa durante a leitura e os alunos pudessem fazer inferências e palpites sobre o enredo.

As circunstâncias em que a mensagem é produzida determinam a sua correta compreensão.” (RIO DE JANEIRO, 2018). Aquele chamado ‘rei do Ndongo’ repete o discurso do personagem sobre como Njinga se autodenominava. Quando comecei este estudo, decidi “construir as identidades negras dos meus alunos” e, por fim, descobri que tinha de construir a minha com eles. Este trabalho destaca, assim, a perspectiva de uma professora que se viu num processo de desconstrução de diferentes ideias sobre si e sobre a sua prática pedagógica, cristalizadas ao longo de uma década de prática profissional.

Minha preocupação era fazer da gramática uma ferramenta para que meus alunos pudessem ler e compreender os textos da “boa literatura” que escolhi para eles, na esperança de que se tornassem sujeitos críticos, capazes de se expressar no mundo e exercerem a cidadania plena.

Figura 2 – Mapeamento dos nomes africanos
Figura 2 – Mapeamento dos nomes africanos

Diversidade para ensinar a aprender

Políticas públicas de enfrentamento ao racismo na educação

Em meio ao processo de redemocratização do país, a perspectiva de investir na educação antirracista ou na educação nas relações étnico-racistas está cada vez mais consolidada, mas somente na década de 1990, a ideia de uma educação que visa valorizar a diversidade cultural e étnica -raça ganha espaço de destaque em documentos oficiais e currículos que surgiram em conexão com as grandes reformas educacionais que marcaram esta década no Brasil (GOMES, 2005). Nessa perspectiva, propõe a difusão e produção de conhecimento, a formação de atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos que se orgulhem de sua filiação étnico-racial – descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes de europeus, asiáticos – a interagir na construção de uma nação democrática onde todos tenham seus direitos assegurados e sua identidade valorizada em pé de igualdade (BRASIL, 2004, p. 10).

Natureza da pesquisa

Além disso, esperava-se que por meio da leitura literária contribuísse para que a identidade negra fosse representada e reforçada positivamente em sala de aula, para ultrapassar os muros da escola e provocar efetivamente mudanças na forma como os jovens saíram dessa façanha. ver e se posicionar no mundo como protagonistas de sua história, bem como analisar quais práticas se mostraram mais eficazes no ensino da leitura para atingir esse objetivo, ampliando o debate e a reflexão sobre a importância de uma educação antirracista e empoderadora para os negros . estudantes.

A pesquisa-ação

A investigação-acção é um tipo de investigação participativa empenhada, em oposição à investigação tradicional, que é considerada “independente”, “não reactiva”. Este caráter autoavaliativo da pesquisa-ação permite que o trabalho seja reformulado ainda durante o seu desenvolvimento, sendo reajustado de acordo com as necessidades identificadas.

O ciclo da pesquisa-ação

Engel (2000) destaca ainda que a pesquisa-ação permite ao pesquisador agir sobre determinada situação com o objetivo de modificá-la ao longo do processo, que é cíclico. O esquema cíclico de pesquisa-ação apresentado por Tripp, no diagrama 1, é composto pelas seguintes etapas: planejamento, implementação, ação para implementar a melhoria planejada; monitorar e descrever os efeitos da ação; Esse movimento cíclico da pesquisa-ação é relatado por Tripp (2005, p. 446), no desenvolvimento de diferentes tipos de pesquisa-ação, como pesquisa-ação, aprendizagem-ação, prática reflexiva, projeto-ação, aprendizagem experimental, ciclo PDCA, deliberativo prática, pesquisa prática, investigação apreciativa, prática diagnóstica, avaliação-ação, metodologia de sistemas e aprendizagem transformacional.

O contexto social da pesquisa

De Lewin a Elliot, argumenta-se que uma característica importante da pesquisa-ação é o seu processo integrativo de pesquisa, reflexão e ação, que se repete constantemente na forma de espirais cíclicas, permitindo tempo e espaço para o aprofundamento da integração pesquisador-grupo, o que permite que a prática deste processo se torne gradualmente mais familiar, bem como tempo para o aprofundamento do conhecimento interpessoal e, através de tais espirais, tempo e espaço para compreensão cognitiva/impacto emocional de novas situações vividas por todo o grupo – profissionais e investigadores (FRANCO , 2005, pág. 493). Como nos ensina Franco (2005), foi possível vivenciar esse movimento de ação-reflexão proporcionado pela pesquisa-ação, o que mostra que a associação desses elementos é de fundamental importância para o profissional da educação. Outra questão importante destacada pelo autor é que as práticas estabelecidas pela pesquisa tendem a se tornar familiares ao pesquisador, embora a implementação de ações diferentes das tradicionais e já naturalizadas possa inicialmente parecer uma mudança muito grande.

Lócus da pesquisa: a escola Assis

Sujeitos da pesquisa

Os alunos

Professora aprendiz-pesquisadora

Nesse sentido, SOARES (2011), citando Bourdieu, nos diz que “‘uma lei ignorada é uma natureza, um destino; uma lei conhecida aparece como uma possibilidade de liberdade”. O pesquisador tem o direito de reter o conhecimento que produz àqueles que têm direito a essa possibilidade de liberdade, porque são os que estão mais diretamente sujeitos a leis das quais desconhecem. Criar para eles a possibilidade de liberdade de que fala Bourdieu, a possibilidade, tendo reveladas as leis sociais, de optar por mantê-las ou transformá-las.

Metodologia do ensino de leitura

A diferença entre uma série e outra consiste na complexidade do trabalho a ser desenvolvido, dependendo das necessidades e propósitos do grupo que o realizará (COSSON, 2016, p. 30). Os planos são acompanhados de uma descrição do desenvolvimento das atividades e, quando necessário, de uma breve descrição ou resumo dos textos e vídeos utilizados. Este não pode ser o curso de ação de um educador cuja escolha é libertadora.

Aula 1: Raça e etnia

Os termos são incluídos intencionalmente. preto” e “preto”, com o objetivo de avaliar as respostas dos alunos a esses termos. Na época em que escrevi essas anotações, meu desconforto não cabia naquela sala de aula, era tão grande. Um aluno disse que sua mãe lhe disse que seu nome significava “querido” e que ele queria um pseudônimo com o mesmo significado.

Aula 2: Viajando pelo continente africano a partir dos nomes

Antecipando que alguns alunos não completariam a busca, peguei uma lista impressa, obtida no site taofeminino.com, para que cada um pudesse escolher seus próprios nomes africanos para criar a lista. Solicitei um breve inquérito sobre as contribuições africanas para a nossa sociedade, que seria entregue dentro de duas semanas. Entreguei aos alunos uma lista de referências para suas pesquisas e expliquei como o trabalho deveria ser organizado e apresentado.

Aula 3: Crônica – Um olhar branco sobre a negritude

A partir do momento em que a família chega ao bar para comemorar o aniversário da filha, você percebe, nas palavras do narrador, que ele está observando a família com olhar de admiração, respeito e carinho. Temos que nos explicar, temos que contar toda a história em que falamos alguma coisa, para que nos entendam e acreditem que não tivemos a intenção de ofender, desqualificar ou xingar. Até pensei que ele iria se oferecer para pagar a conta, mas nada, ele só estava incomodando.

Aula 4: Vista minha pele

Agora eles verão o que é bom. PROF.: - Você acha que os brancos deveriam passar pelo que os negros passaram para saber como se sentem. PROF.- Então, se não é possível que o mundo seja da cor que todos desejam, qual a solução? Agora acho que entendo porque você disse que não deveríamos lutar contra os brancos.

Aula 5: Conto – Negrinha

PROFª — O que o texto te faz pensar sobre D. Ele escreveu que ela é boa, gentil, mas não tem nada de bom nela. Se você chegasse atrasado para a aula e dissesse: “Que bom que você chegou cedo, Tan!”, que número você usaria? Meu interlocutor é um aluno com grandes problemas de compreensão e atenção, um típico “aluno que não quer nada”, que logo se distrai dos trabalhos escolares e “fala o tempo todo, prejudicando a si mesmo e aos outros”.

Aula 6: Respeitem meus cabelos, brancos

Se eu quiser fazer isso, deixe. Se eu quiser enrolar, deixe. Se eu quiser colorir, deixe. Se eu quiser destruí-lo, deixe-o balançar. Todo mundo quer imitar Você é barato Eles também querem ser bobos Você ri das minhas roupas Você ri do meu cabelo Você ri da minha pele Você ri do meu sorriso A verdade é que você (Todo brasileiro tem!) Tem sangue crioulo Você tem um dificuldade com o cabelo Sarará Crioulo Sarará Crioulo Sarará Crioulo Sarará Crioulo Sarará Crioulo. Assistimos ao videoclip da música "Olhos Colorados", dublado pela cantora Sandra de Sá, e depois assistimos à entrevista do compositor macaense ao jornal O Globo, onde revela a sua inspiração para compor a música.

Aula 7: Sarau Pretinho: é nóis!

Vi valor nesse processo, vi o aluno encontrar formas de me dizer que tinha uma opinião sobre algo do filme e que tinha orgulho de tê-la, o que sem dúvida é muito relevante para o trabalho que fazemos. fazendo Um estudante ele se lembrou da Rainha Njinga, que nos lembrou do forte papel das mulheres em Wakanda, e comparou isso à forma como as mulheres são vistas na sociedade atual. Ao longo do estudo, percebi como é fácil cair em noções estereotipadas de identidade negra, baseadas no senso comum, que limitam as relações étnico-raciais a acontecimentos folclóricos que apenas perpetuam a distância entre a comunidade negra e suas raízes. A produção da tese ficou praticamente paralisada por muito tempo, até se aproximar o prazo de defesa, e embora não visse possibilidade de finalizar o trabalho, incentivado por amigos e professores, escrevi um texto (transcrito no Apêndice A deste trabalho ) para participar do simpósio “Depois ProfLetras”, onde egressos e atuais mestrandos compartilharam suas experiências dentro do curso.

Negros no Brasil: trajetórias e lutas em 10 aulas de história. https://www.youtube.com/watch?v=j3MLNFPGEpw. Mãos com coceira nos nós dos dedos, foi a mão que drenou os fluidos de sua cabeça.

Figura 3 - Sarau Pretinho
Figura 3 - Sarau Pretinho

Tem rainha negra? Tem sim, senhor!

E super-herói preto? Também tá tendo!

Imagem

Figura 2 – Mapeamento dos nomes africanos
Figura 3 - Sarau Pretinho
Figura 4 - Nós no cinema

Referências

Documentos relacionados

Este trabalho traz como objeto de análise a Prática Educativa dos egressos do Curso de Pedagogia para Educadores do Campo, realizado pela Universidade Estadual do Oeste