Aqui também podemos destacar problemas metodológicos no ensino de LPE para surdos (STROBEL, 2008; LODI, 2009; QUADROS, 1997). Razões acadêmicas surgem da produção do ensino de LPE para surdos.
O ensino de Língua Portuguesa Escrita como língua não materna para
Ensino de língua não materna e educação de surdos
Seguindo o percurso das metodologias de ensino de línguas não nativas, é apresentada a metodologia audio-oral (MARTINEZ, 2009) ou audiolinguística (BOLACIO FILHO, 2012). Esta lacuna entre as metodologias de ensino de línguas não nativas e as abordagens à educação de surdos pode ser justificada por uma tensão entre elas.
O ensino de Língua Portuguesa Escrita como língua não materna: desafios e
Portanto, essa complexidade da escrita deve ser levada em conta quando se pensa no ensino de português nesta modalidade. A formação específica para o ensino do português como língua não materna ainda é escassa, ainda mais no âmbito da educação de surdos.
O ensino de Língua Portuguesa Escrita como oportunidade de
Letramento: revisitando conceitos e enfoques
Considerando a alfabetização como um conjunto de práticas de leitura e escrita incluídas nas práticas sociais, são apresentados os conceitos de eventos de letramento (HEATH, 1982) e de práticas de letramento (SREET, 1984). Os eventos de alfabetização são ocasiões em que a escrita faz parte da natureza das interações. Com base nesses conceitos, destacam-se outras formas de compreensão das práticas e dos eventos de letramento.
No sentido mais simples, as práticas de alfabetização são o que as pessoas fazem com a alfabetização. Tanto as práticas quanto os eventos de alfabetização são destacados como formas de compreender a alfabetização como prática social.
Entre os letramentos múltiplos e os multiletramentos
Novas formas de lidar com a produção e recepção de textos são introduzidas e uma multiplicidade de semioses passa a envolver a leitura e a escrita, bem como a questão da imagem e dos sons. Com isso, novas formas de lidar com a produção e leitura de textos são inseridas na sociedade contemporânea. As fronteiras físicas já não limitam os costumes e as formas de usar as línguas.
Diversas áreas do conhecimento também utilizam os estudos de alfabetização para elucidar suas questões, inclusive o campo da surdez, conforme mencionado anteriormente. Os conceitos e perspectivas aqui apresentados – o foco dos estudos sobre alfabetização, a presença de múltiplos letramentos e multiletramentos, a trajetória desses estudos e sua adequação no Brasil e no campo da surdez – ajudam a compreender como os professores que atuam no ensino de LPE para a Os alunos surdos têm a oportunidade de promover a alfabetização nesta educação.
O ensino de Língua Portuguesa Escrita para surdos: desafios para a
O professor e suas relações plurais
Essas dimensões da relação com o conhecimento influenciam a forma como os professores se relacionam com o ensino da LPE aos alunos surdos, aos alunos surdos e a si mesmos. Nesse sentido, a relação epistêmica com o conhecimento pode ser entendida como a forma como os professores se relacionam com as estratégias de ensino da LPE, bem como com o conteúdo da própria língua portuguesa como universo de saberes distintos. Esse “conhecimento inclusivo” deve estar presente na formação dos professores que têm que atuar com o ensino de LPE para surdos.
Esta é uma das abordagens que pode favorecer mudanças na dimensão social das relações dos professores com os alunos surdos e do ensino da LPE nessas disciplinas. Portanto, se essas questões forem abordadas na formação, as expectativas dos professores podem estar voltadas para a possibilidade ou.
A organização do trabalho docente
Esses aspectos também são relevantes na formação de professores que irão atuar no ensino de LPE para surdos. Essas prioridades destacadas pelos autores vão ao encontro do que se espera como resultado do ensino de LPE para alunos surdos. Ainda é importante ressaltar que a escolha pela utilização de sequências didáticas para o ensino de LPE aos alunos surdos se deve à diversidade de situações linguísticas dos alunos surdos.
Vale ressaltar que as análises realizadas neste estudo centram-se nas narrativas de professores que ensinam LPE para alunos surdos na Baixada Fluminense. Serão aqui apresentados aspectos identificados nas narrativas dos professores que compuseram o grupo de pesquisa, no que diz respeito às relações estabelecidas entre a língua e o ensino de LPE para surdos.
Perspectivas do professor sobre ele próprio
- Desconhecimento sobre o surdo e a surdez
- Crenças restritivas a respeito do ensino de LPE para surdos
- Inabilidade didático-pedagógica
- Conhecimento sobre o surdo e a surdez
- Crenças propositivas a respeito do ensino de LPE para surdos
- Alternativas didático-pedagógicas
Basicamente, observam-se duas crenças sobre a necessidade ou inutilidade da LPE e sobre a compreensão das escalas como língua materna. Os professores apontam abordagens para o ensino de LPE para surdos que eles próprios não aprovam. Como não existe esse contato, Libra não é a língua nativa do surdo e para que isso aconteça seria necessária a interação mútua.
P8 enfatiza a esperança de que essa perspectiva influencie sua atuação no ensino de LPE para alunos surdos. Eu achava que a língua nativa dos surdos era Libra, mas hoje comecei a pensar que nem sempre é assim.
Perspectivas a respeito do aluno surdo
- Limitações do aluno surdo para aprender LPE
- Possibilidades do aluno surdo para aprender LPE
- Dimensão epistêmica
- Dimensão de identidade
- Dimensão social
É necessário que o professor esteja em contato com os fundamentos epistemológicos que podem nortear a construção de suas práticas de ensino de LPE para alunos surdos. Isso pode ser indicado como um dos princípios norteadores da ação docente dos professores que atuam com o ensino de LPE para alunos surdos. As formas como os professores se relacionam com o ensino de LPE para alunos surdos são discutidas aqui.
Portanto, neste trabalho são consideradas as relações entre professores e o ensino de LPE para surdos e com alunos surdos, conforme apresentado a seguir. As três dimensões estão entrelaçadas nas relações que os professores estabelecem com o ensino da LPE para surdos e com os alunos surdos.
Marcas epistêmico-sociais presentes na organização didática
Conhecimento sobre ensino de LPE para alunos surdos
É preciso estruturar um novo sistema na sala de aula para que as coisas funcionem, criar alguns roteiros para preparar essas crianças para o conteúdo que será apresentado (narrativa do P3, gravada em. Além disso, também é preciso respeitar as condições especiais sobre o surdo que ele nunca tem acesso à escrita através do som (narrativa de P13, gravada em Quando pensei em planejar e ensinar, a única coisa importante para mim eram os objetivos e o conteúdo e pronto (narrativa de P6), gravada em .
Quando aprendi na faculdade era tudo muito simples e tínhamos que focar principalmente no objetivo e o resto se desenrolava (história do P9, capturada em No plano que me deram tinha até um passo a passo, mas lá tem não tinha tempo para todas as atividades, então não sabia nem dizer se era só um dia ou se duraria mais (história do P12, gravada em.
Conhecimento sobre a aprendizagem de LPE para alunos surdos
No contexto da organização do ensino de LPE para alunos surdos, a situação-problema pode apresentar-se como o motivo, o motivo que desencadeará o desenvolvimento de recursos ou ações necessárias à construção da relação de conhecimento entre alunos surdos e LPE. Ao enfatizar os personagens epistêmico-sociais presentes nas narrativas dos professores, é possível, conforme destacado na Figura 5, notar a necessidade de conhecimento sobre como organizar didaticamente o ensino de LPE para alunos surdos. Isso indica um problema principalmente, mas não exclusivamente, pedagógico relacionado aos desafios apresentados pelos professores que atuam no ensino de LPE para alunos surdos.
Isso aponta para os desafios que os professores destacam como iminentes e para além dos conteúdos que compõem o ensino de LPE para surdos. O ensino da LPE é apresentado aos professores como uma oportunidade para os alunos surdos se alfabetizarem.
Letramento(s) como capacidades
Acho que me falta sensibilidade para entender esse contexto social do surdo e trazê-lo para a sala de aula (narrativa de P3, gravada em. De Surdos e percebo que o aluno surdo não tem conhecimento do mundo, da realidade em que se encontra). é um presidiário (narrativa de P10, gravada em. Agora percebo que tenho que usar estratégias diferentes, mesmo que eles sejam surdos (narrativa de P14, gravada em.
Vejo isso como a capacidade de compreender o que nos rodeia, o conhecimento do mundo que permeia toda a nossa experiência, seja na escola ou não (narrativa de P2, incluída em. Ir além de codificar e decodificar palavras, mas compreender o significado do que está lendo (narração de P12, incluída no
Letramento(s) como prática
Acho que se refere a escrever e a se comunicar com o mundo, a estabelecer uma relação com as coisas do mundo (relato de P9, registrado em. Essa forma de compreender a alfabetização, que vai além da leitura e da escrita ensinadas no contexto escolar, é e De acordo com o que Soares (1998) aponta a possibilidade de compreender a alfabetização, ou de deixá-lo curioso para saber algo novo (narrativa de P13, registrada em
Embora reconheçam que a alfabetização pode ser entendida como práticas fora da escola, P4 e P13 sugerem que a escola também tem um papel a desempenhar na promoção de práticas de alfabetização que levem em conta os aspectos sociais desses sujeitos. Penso em ler o mundo tal como ele é representado, em ler a si mesmo e em ler os outros.
Adaptação e negociação de estratégias de comunicação
Além disso, os conflitos e momentos de tensão presentes podem levar os professores a buscar alternativas para promover o ensino de LPE. As narrativas aqui analisadas sugerem que encarar o ensino de LPE para alunos surdos como uma oportunidade de alfabetização nos permite (re)pensar a forma. A partir das narrativas dos professores que ensinam LPE para surdos e dos aspectos destacados a respeito desse ensino como oportunidade de alfabetização, é possível observar alguns elementos que podem ser entendidos como indicadores de alguns princípios que estão presentes nas práticas pedagógicas desses professores. estão presentes.
Nesse sentido, vale ressaltar a baixa incidência de elementos que indiquem a percepção da relação entre sua área de conhecimento, o ensino da LPE e outras áreas. No que diz respeito às formas como os professores percebem o ensino de LPE como uma oportunidade para os alunos surdos se alfabetizarem, eles parecem estar quase exclusivamente imbuídos da ideia de serem capazes de ler o mundo.
Sintetizando sinais ouvidos
O que foi apresentado neste estudo permite compreender alguns aspectos relacionados ao ensino de LPE para alunos surdos. A implementação deste estudo permitiu, assim, refletir sobre as questões associadas ao ensino de LPE a alunos surdos. Surge, portanto, a questão de qual seria o espaço legítimo para reflexões sobre as questões do ensino de LPE para alunos surdos.
13, a inclusão de conteúdos voltados ao ensino de LPE para alunos surdos na formação de professores para atuação nas aulas introdutórias. Prática pedagógica no ensino de português como segunda língua para alunos surdos do ensino fundamental.