Assim, por meio de pesquisa multimetodológica, que combinou métodos quantitativos com pesquisa etnográfica, em duas regiões periféricas da cidade de São Paulo, procuramos investigar as mudanças e continuidade no estilo de vida desses sujeitos a partir de mudanças no seu padrão de vida. Pois parto da perspectiva de que a interação social deve ser a unidade básica de análise – tanto do pesquisador com os pesquisados, quanto dos pesquisadores entre si – e que é a partir do encontro com esses saberes diversos que ela se torna possível. para produzir novos conhecimentos, mais do que uma reflexão sobre a minha posição como pesquisador na estrutura social, é necessário também refletir sobre uma configuração.
Mobilidade social no Brasil contemporâneo: a emergência de uma “nova classe
Novamente, este foi “um pedido de justiça, não um pedido de favor”. Tendo em conta que o enquadramento desta investigação assenta numa perspectiva relacional, conforme explicado na introdução desta dissertação, o objectivo central deste capítulo não é uma discussão sobre políticas de segurança pública e anti-crime, nem uma discussão aprofundada da organização do "mundo do crime" em São Paulo.
No meio do caminho havia um acontecimento
As razões da migração
Mas há muitas biografias sobre esse processo de chegada e da luta para “criar uma vida” em São Paulo. A primeira questão que se coloca com este processo de mudanças radicais na vida das pessoas está relacionada com as razões da migração.
A conciliação (im)possível na busca pelo trabalho
Por ser subordinado, não tive o privilégio de fazer o que queria, entende. Depois que comecei a trabalhar por conta própria, comecei a fazer o que queria.
Mudanças no modo de vida e reorganização na família
O processo de migração em si não ocorreu individualmente, mas a partir de um grupo primário, principalmente familiar, que se desfez e se organizou durante o processo (DURHAM, 1978). Acho que é mais correcto, do meu ponto de vista, dizer que tenho colegas, quase amigos porque amigos, amigos mesmo.
A casa como símbolo de mobilidade social
O caminho sonhado para as crianças passou, portanto, pelo ensino secundário ou superior e pela transição para o trabalho manual não manual ou altamente qualificado ou mesmo pela abertura de um. Foi, portanto, através da aquisição de um terreno e da construção de uma casa que o migrante se estabeleceu como morador da cidade de São Paulo, tornando muito menos provável o seu retorno à sua terra natal.
Da casa ao bairro: a construção de um modo de vida comunitário
Na verdade não tinha asfalto, nem esgoto, nem escola, tivemos que lutar por tudo; Então para cada uma dessas questões fizemos um movimento específico para lutar e conseguir ter as coisas que queríamos. E a partir dos clubes mães criamos vários movimentos sociais para lutar por água, esgoto, asfalto, creche, escolas, tudo que não tínhamos no bairro, começamos a lutar.
A emergência de uma esfera pública popular
É possível notar uma forte aproximação entre o conceito de matrizes discursivas e a ideia de esferas públicas dependentes. Dessa forma, as “matrizes discursivas” seriam melhor compreendidas como esferas públicas subalternas e, no caso em questão, como esfera pública popular, composta nos subúrbios de São Paulo59.
Antecedentes: as Sociedades Amigos de Bairro e a teologia da libertação
Com esta opção explícita de renovação da Igreja baseada em novas práticas sociais que se opunham ao individualismo da vida nas metrópoles, as CEBs encontraram grande sintonia com o modo de vida mais comunitário praticado nas periferias urbanas e encontrado no capítulo anterior foi discutido. . 4.3 – Defesa de um modo de vida comum: as CEBs como espaço de reconhecimento e construção de dignidade.
A defesa de um modo de vida comunitário: as CEBs como espaço de
A criação de uma comunidade ativa e eficaz requer um processo de construção conjunta, ou seja, práticas que ativem a percepção de cada pessoa como parte de um todo maior (MACEDO, 1986). Antes de encerrar esta seção e passar às demandas “externas” que emergiram das CEBs é preciso tratar, ainda que brevemente, da construção de uma dignidade específica que foi fundamental para a politização do cotidiano das classes populares e para a formação de diferentes movimentos sociais.
A “caminhada” e a “luta”: da conscientização à ação, da solidariedade à
Na mesma frase, ouvi mais de uma vez entre os ativistas participantes das Comunidades de Base que “a fé sem política não funciona”. Além das práticas permanentes de solidariedade interna, que nunca deixam de existir, as formas de reivindicações e as pequenas conquistas foram interpretadas como parte delas.
Os movimentos sociais e o enfrentamento com o Estado
No Jardim Ângela a memória de Santo Dias continua presente entre os militantes desta primeira geração. O movimento contra a fome e os episódios da morte de Santo Dias da Silva, no Jardim Ângela e da "Pancadaria do Ó", em Brasilândi destacam a dialética entre eles.
A atualidade do conceito de identidade
Portanto, “as identidades estão sujeitas a uma historicização radical, estando constantemente em processo de mudança e transformação” (HALL, 2014, p. 108). São o resultado de uma articulação ou “fixação” bem-sucedida do sujeito ao fluxo do discurso.” (HALL, 2014, p. 112).
Trabalhadores e não-trabalhadores: a oposição no nível da cidadania
Assim, ter um registo oficial de “trabalhador” deu às pessoas uma garantia não só de que teriam acesso a certos direitos sociais, mas também de que os seus direitos civis não seriam violados pelas acções da polícia. Então, aqueles que não tinham esse status por motivo de desemprego ou informalidade tentaram tê-lo de uma forma ou de outra, para buscar alguma garantia de sua dignidade.
O trabalho industrial e a construção da dignidade do trabalhador
Como destaca Magnani (2003), a carteira de trabalho era um “passaporte” controlado pela polícia e que dava direito a frequentar bares, mesas de sinuca ou simplesmente circular pelo bairro. Assim, como evidenciado nos casos de José e Francisca acima mencionados, ser operário industrial, especialmente no sector metalúrgico, era gozar da identidade de um trabalhador sério, dotado de uma “dignidade nacional” e, numa certa massa, diferenciado do resto da turma.
Trabalhadores e bandidos: a oposição no nível da vizinhança
A crise do “mundo do trabalho” e o fortalecimento do “mundo do crime” aparecem como duas faces da mesma moeda nas narrativas de muitos ex-moradores das periferias urbanas. A outra face deste processo de aumento da violência é o que Feltran (2011a; 2011b) chama de “a expansão do mundo do crime”.
O aumento da violência e a crise na sociabilidade nas periferias
Olha, eu cresci no Jardim Ângela na década de 90, sei que muita coisa mudou. No Jardim Ângela o crescimento dos crimes contra o patrimônio, como pode ser observado no gráfico 8, é ainda mais intenso.
As periferias como “lugar de bandido”: a produção da estigmatização
Além disso, como destacado acima, o processo de aumento da criminalidade e de estigmatização territorial das periferias das cidades traz diversas consequências para o modo de vida dos habitantes dessas regiões. Portanto, se nos capítulos anteriores procurei analisar o processo de construção do que chamei de “sujeitos políticos”, agora trata-se de uma análise de como se dá o processo de estigmatização dos moradores das periferias e o próprio fortalecimento do “santo o crime" na periferia da cidade produz subjetividades que, do ponto de vista da sociabilidade, da civilidade e da cidadania urbana, não são tão virtuosas.
A expansão do mundo do crime e a consolidação do PCC como ator em disputa
A apropriação do léxico dos trabalhadores
Outra estratégia adotada pelo “mundo do crime” para se legitimar na periferia de São Paulo e intimamente relacionada a essa convergência de realidades entre quem está dentro e fora da “vida do crime” pode ser vista na apropriação pelo “mundo do crime” "crime". O ‘patrão’ paulista é certamente uma pessoa importante em qualquer bairro da periferia, mas só é ‘patrão’ no sentido da relação de inquilinato que estabelece com seus empregados” (HIRATA & GRILLO, 2017, p. 81) . ).
Consumo, ostentação e assistência aos moradores
Dessa forma, a violência permanece presente como uma possibilidade permanente no “mundo do crime” em São Paulo, como uma “ferramenta” que pode ser acionada a qualquer momento. Em outras palavras, o objetivo desta seção é discutir as diferentes formas de relacionamento que aqueles que não estão envolvidos no “mundo do crime” mantêm.
Oposição e “limpeza simbólica”
Assim, para aqueles cuja identidade e subjetividade são parcialmente construídas sobre esta oposição, o tema do “mundo do crime” é geralmente tratado como algo muito distante das suas realidades. 102 Tal como acontece com outras questões relacionadas com o “mundo do crime”, quando perguntei a estas pessoas como sabiam que os traficantes eram os promotores ou organizadores dos “pancadões”, a resposta mais repetida foi: “sabemos por ouvir falar disso. ".
Reconhecimento da importância do PCC no controle dos homicídios
Assim, apesar das críticas e da consciência de que as ações do KPK ou das facções criminosas são “erradas” e ilegais, há um reconhecimento relativamente generalizado de que o “mundo do crime” desempenha um papel no controlo do crime, além de atuar para ajudar os residentes. . dos subúrbios, como mencionado anteriormente. Portanto, do ponto de vista de outros moradores das periferias, não se trata de proteger as práticas criminosas, mas de reconhecer o papel ativo que o próprio “mundo do crime” tem em manter o crime dentro de certas regras.
Desconfiança e medo: polícia x crime
Portanto, se por um lado há o reconhecimento de que a organização do “mundo do crime” em torno do PCC tem desempenhado um papel importante na redução dos assassinatos na região e a visão de que não há interesse por parte dos criminosos em perturbar ou colocar em risco a vida de quem vive na periferia, até para evitar danos aos seus próprios “negócios”; por outro lado, um sentimento constante de desconfiança e medo em relação a. Assim, muitos se encontram num ambiente de constante tensão e medo tanto em relação ao “mundo do crime” como em relação à polícia.
A relação de respeito com as Organizações Sociais
Patrícia, 35 anos, gerente de Centro da Infância e Adolescência (CCA), Jardim Ângela, depoimento à autora, 2016). Julieta, 45 anos, gestora de Centro da Infância e Adolescência (CCA), Jardim Ângela, depoimento à autora, 2016).
A humanização do “bandido”: “um trabalhador como outro qualquer”
As explicações que encontrei para esta “perda de controle” por parte do “submundo” são variadas. Neste capítulo tentei analisar os diferentes níveis de interação entre os “trabalhadores” e os “envolvidos no mundo do crime”.
Espaços de formação: família, igreja, ONGs e sindicatos
Eu trabalhava na igreja com jovens, uma senhora da igreja que era presidente da ONG me viu, da ACTI, a dona Ilda me viu, eu estava desempregado, fui embora. A família e o que restou da igreja progressista foram, portanto, os principais responsáveis pela formação política e pelo engajamento social dos filhos de Nair e, em menor medida, pelo sindicalismo, pelo ativismo partidário e pela participação em projetos sociais.
O repertório dos convênios: “uma coisa foi puxando a outra”
A história da Santos Mártires é muito semelhante à da SAEC e de outras organizações da sociedade civil existentes na periferia de São Paulo, desde seus primórdios até os dias atuais. A Casa Sofia nasceu em 1999 a partir de uma demanda da creche, de uma das creches da Sociedade Santos Mártires, que era a Creche Fujihara.
A ação social como forma de combate à violência
O alcance do Fórum e da Caminhada foi muito além de dar visibilidade ao problema da violência na região. Dada essa visibilidade, em março de 2000 conseguiram assinar um convênio com a Prefeitura para ampliar o projeto.
Isto não impediu que os activistas locais continuassem a apoiar candidatos ou mandatos de uma forma mais ou menos ideológica. É raro encontrar pessoas que se voluntariem para eleger um deputado ao Parlamento, como acontecia até ao início da década de 2000.
Nem tudo é negociação: formação e o repertório político-judicial
Consolidação de direitos ou perda de autonomia?
Mudanças no padrão de vida das classes populares nas periferias de São Paulo
Do padrão de vida ao modo de vida: a experiência concreta da mobilidade social
A reinserção econômica pós-crise do trabalho ou a ascensão pela renda e pela
Da informalidade ao empreendedorismo: autonomia e crise
A perspectiva e a frustração de uma ascensão mais estável pelo acesso ao ensino
Limites da mobilidade recente: frustração, instabilidade e redução da
O acobertamento do estigma: distanciamento social, pretensão e distinção
Do incômodo com o individualismo à crítica ao “espírito da Freguesia”
A literatura marginal e o hip-hop: empoderamento e identidade periférica
A emergência de uma esfera pública periférica: os saraus como espaços de
A entrada em cena de novos sujeitos políticos?
Questionário quantitativo
Roteiro das entrevista qualitativas