PERSPECTIVAS DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM CURSOS DE PEDAGOGIA NA MODALIDADE EAD: a percepção de estudantes e coordenadores de
curso no município de Naviraí-Ms
Edna Silva Galiza Bezerra Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS/CPNV) [email protected] Telma Romilda Duarte Vaz Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS/CPNV) [email protected]
RESUMO
A pesquisa que aqui relatamos tem como objetivo central verificar a qualidade dos cursos de formação inicial de professores em pedagogia na modalidade de EAD, em IES privadas no município de Naviraí/MS, segundo a percepção de estudantes e coordenadores de curso.
Partindo dos pressupostos da pesquisa qualitativa, foi realizado uma pesquisa de campo em Instituições de Ensino a Distância da cidade de Naviraí-MS. Os dados foram coletados a partir de dois instrumentos: documentos e entrevista semiestruturada. Os resultados da pesquisa indicam que a formação de licenciados em pedagogia exige esforço e disciplina tanto de alunos quanto de docentes das IES nas atividades de ensino. Entretanto, existe necessidade de maior investimento em atividades de pesquisa e extensão. Os sujeitos respondentes da pesquisa indicam que a escolha pela educação a distância leva em conta a facilidade de acesso e comodidade para concluir os estudos, contudo, desconsideram a qualidade da formação oferecida por essa modalidade de ensino.
Palavras-chave: Formação de Professores; Curso de Pedagogia; Educação a Distância.
1 INTRODUÇÃO
Esta pesquisa parte do pressuposto de que a formação de professores é um tema de grande relevância na atualidade, especialmente no que tange à constituição do conhecimento docente, que coloca em destaque discussões entre a modalidade de Educação a Distância (EAD) e a modalidade de Educação Presencial (EP). Neste estudo, o foco principal é a modalidade de ensino à distância.
Atualmente no Brasil, o número de cursos a distância tem crescido substancialmente e já supera a modalidade de cursos presenciais. Destaca-se, conforme aponta o censo da educação no período de 2014 a 2015 um elevado crescimento no número de ingressos em cursos de EAD, cerca de 3,9%, atingindo o maior crescimento percentual registrado nos IFs (Instituto Federal) e Cefets (Centro Federal de Educação Tecnológica), cerca de 8,4%. Entretanto, no ano de 2014, houve uma queda significativa para o ingresso de alunos nos cursos presenciais e a distância, sendo 4,6% para cursos a distância e 6,6% para a presencial. (BRASIL, 2015). Mesmo se tratando de modalidades diferentes é possível perceber uma diminuição mais ascendente em relação à cursos presenciais do que à distância, mas que a procura pela graduação vem diminuindo gradativamente em ambos os segmentos.
A educação à distância, sob a égide dos discursos governamentais regidos pelo neoliberalismo, surge no Brasil como uma modalidade eficiente, cuja promessa é a de contribuir para melhoria do acesso à formação superior de forma mais ágil e fácil. Não é incomum, atualmente, encontrar justificativas e fundamentações de todos os segmentos envolvidos na EAD (instituições, especialistas, professores, estudantes, governo, etc.) centradas na facilidade e agilidade de cursar essa modalidade de ensino.
Não obstante aos avanços quantitativos, o que expressa o alcance do objetivo de democratização da modalidade de ensino, ainda existem lacunas teóricas importantes sobre a qualidade da formação oferecida por cursos EAD. Se por um lado observa-se o crescimento da quantidade de recursos financeiros (investidos na abertura de faculdades, pólos, no marketing, na sofisticação tecnológica, nas metodologias de ensino, na gestão etc.), da área de abrangência dos cursos no Brasil e consequente aumento de alunos, por outro, ainda não existe um corpo consolidado de estudos que expressem com mais clareza os resultados qualitativos alcançados por esses cursos.
A formação inicial de professores em cursos de EAD constitui uma dessas questões, que demandam pesquisas, estudos e debates de forma que se amplie a reflexão e o conhecimento
mais aprofundado sobre essa realidade. Ao mesmo tempo em que se constata um expressivo aumento dos cursos de EAD, observamos também o aumento da procura por cursos de Licenciatura, especialmente, os de Pedagogia. A questão que se coloca em xeque é que a formação de professores é um processo que demanda uma série de desafios apontados constantemente por vários estudiosos, que lutam pela superação da fragmentação do conhecimento, pelo desenvolvimento de um espírito investigativo, pela educação integral, pelo fortalecimento da relação entre a universidade e a escola, entre outras questões (LUCK, 2010;
LIBÂNEO, 2005; NÓVOA, 2007; PIMENTA, 1997; SILVA, 2009). Assim, é importante refletir sobre a capacidade ou possibilidade da formação inicial de professores na modalidade EAD para que se consiga superar as questões aqui apontadas.
Cabe destacar que a avaliação qualitativa da modalidade de ensino à distância não constitui tarefa fácil, pois há de se considerar seus vários aspectos e possiblidades. Assim, esta pesquisa tem como finalidade se debruçar sobre um aspecto muito específico, que é a percepção que os alunos e coordenadores de curso têm sobre a qualidade dos cursos de formação inicial de professores na área de Pedagogia. Para esse fim, os sujeitos da pesquisa são estudantes e profissionais que atuam ou atuaram no Ensino a Distância.
Partindo do contexto apresentado, a questão de pesquisa deste estudo apresenta a seguinte indagação: Como os acadêmicos e coordenadores de curso percebem a qualidade da formação no curso de Pedagogia oferecido pelos estabelecimentos de educação à distância no município de Naviraí?
Esta é uma questão importante, pois remete-nos a uma série de conjecturas, tendo em vista o crescimento desta modalidade de ensino, bem como a procura desta, em grande parte, ofertados por IES privadas, em detrimento de cursos presenciais gratuitos. Considerando a pergunta de pesquisa apresentada, o objetivo desta pesquisa foi verificar a qualidade dos cursos de formação inicial de professores em Pedagogia na modalidade de EAD, em IES privadas no município de Naviraí/MS, segundo a percepção de estudantes e coordenadores de curso.
2. REFLEXÕES SOBRE A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE PEDAGOGIA EM CURSOS DE EAD
A metodologia da educação a distância implica em uma construção do ensino e aprendizagem que se desenvolvem de maneiras diferenciadas, na qual se adequam as diferentes tecnologias, visto que a educação a distância tem como característica primordial o ensino por
meio dos meios tecnológicos de multimídia (POSSOLLI, 2012).
Segundo Gomes (2009) os alunos do contexto de educação a distância conseguem interagir em diferentes ambientes, longe uns dos outros e da própria instituição que oferta o curso. O ambiente escolhido pelo aluno para estudar o material do curso em que proporcione o seu aprendizado se difere de aluno para aluno. Sendo que cada lugar desempenha um determinado resultado. Ressaltando que este ambiente de aprendizagem pode ser desenvolvido no trabalho, no domicílio, na sala de aula, no hotel e até mesmo num avião. Deste modo, é relevante salientar que a educação a distância tem um amplo espaço tanto no tempo como na questão do ambiente em que o aluno faz jus do seu processo de aprendizagem.
Ao elencarmos a educação a distância como uma modalidade de ensino diversificada que integra um conjunto de desafios e inovações, pontuamos que esta deve ser avaliada de um modo contínuo, sistemático e abrangente. Neste sentido o Referencial de Qualidade da EAD destaca que a avaliação nos sistemas contempla duas dimensões, sendo elas a proposta de avaliação de um projeto de educação a distância e do processo de aprendizagem e aquela que se refere à avaliação institucional. (BRASIL, 2007).
Talvez pareça simples estudar a distância, porém é preciso que o aluno assuma uma postura diferenciada, diante desse novo contexto educacional, em que predomina a autonomia, disciplina, organização do tempo, automotivação, interpretação e domínio de leitura nas diferentes linguagens e conhecimentos tecnológicos.
Para tanto, o educando deve desenvolver e aplicar várias habilidades, sendo que esta realidade deve estar expressa nas informações dadas ao aluno quando contrata uma instituição de ensino superior. Assim, tanto a publicidade como o edital dos cursos a distância têm a função de deixarem claro ao público os documentos que permitem o exercício do curso, estabelecendo os direitos e deveres exigidos, os prés- requisitos para o ingresso, o tempo de dedicação aos estudos que o aluno deve ter durante o dia e/ou semana, o limite de tempo para completar o curso, o deslocamento para locais em que se realizarão provas, estágios ou laboratórios, valores e formas de pagamento, a cobertura de custos que a mensalidade não cobre durante o programa, os recursos e os materiais e os meios de comunicação que estarão disponíveis aos alunos, indicar as mínimas características que o equipamento do aluno deve ter, em caso de curso online, os meios de contato com o professor orientador ou tutor, informações sobre possibilidades de interromper os estudos mesmo que temporariamente, condições a respeito de como diminuir a duração do curso por meio do aproveitamento nos estudos, dentre outros aspectos (NEVES, apud POSSOLI, 2012).
A atual configuração de formação inicial expõe uma importante necessidade de estudos relacionados à modalidade a distância. Freitas (2007) refere-se às críticas à EAD, normalmente relacionadas à compreensão de educação e de formação que indicam os cursos e programas de educação a distância, e que atribuem ações conservadoras para a formação de professores por meio de encontros presenciais de 4 horas semanais não obrigatórios, que contestam a atuação de tutores, bem como a inconsistência dos trabalhos de formação superior, tanto quanto a metodologia de preparação dos materiais didáticos, até o financiamento e demais mecanismos necessários à formação superior.
Para Bahia (2012), a crescente procura por esse tipo de formação também provoca discussões a respeito da luta pela identidade do curso de pedagogia, em que se coloca em questão a necessidade de se pensar uma formação sólida, de um professor pesquisador e ao mesmo tempo reflexivo sobre a sua práxis, que consiga relacionar os saberes científicos e pedagógicos, em especial, a análise crítica e a amplificada do contexto educacional a que está inserido.
Assim, é importante discutir e refletir sobre a efetividade da formação do pedagogo em cursos a distância, pois são profissionais que atuam no cenário educacional e deles depende em muito, a qualidade da educação que se deseja para o país. É nesse sentido que Rios (2003, p.
63) defende a ideia de que “o ensino competente é um ensino de boa qualidade”, fazendo a conexão entre técnica, política, ética, e estética da atividade docente. Segundo a autora é importante levar em conta os saberes que se encontram em relação na formação dos professores, pois ao pensar em qualidade é preciso pensar que:
O conceito de qualidade é totalizante, abrangente, multidimensional, é social e historicamente determinado porque emerge de uma realidade especifica de um contexto concreto. Portanto, uma análise crítica da qualidade deverá considerar todos esses aspectos, articulando aqueles de ordem técnica e pedagógica aos de caráter político ideológico. (RIOS, 2003, p. 64).
Em termos educacionais, a autora afirma que se usam termos de qualidade e competência no trabalho do educador, numa frequente multiplicidade de significados relacionadas à educação de qualidade, ou a uma série de atributos que supostamente, a educação deveria possuir. Entretanto,
mais do que investigar, do ponto de vista lógico, qual é a significação correta dos termos/conceitos, vale perguntar do ponto de vista ético e político quais são suas implicações de sua utilização e de que maneira podemos evitar distorções, não apenas na configuração teórica, mas – e principalmente – na prática que se desenvolve socialmente. (RIOS, 2003, p.67).
O que interessa efetivamente, portanto, é o tratamento que os conceitos ganham em educação. Rios (2003) afirma que parece haver uma tendência ou acordo em se utilizar determinados predicados quando se trata da prática do educador, e explica que a palavra
‘Qualidade’, quando usada com a letra maiúscula, é na verdade um conjunto de "qualidades".
De acordo com a autora, para Aristóteles "a qualidade é uma das categorias que se encontram em todos os seres e indicam o que eles são ou como estão. Para o filósofo essas categorias são:
substância, quantidade, qualidade, relação, tempo, lugar, ação, paixão, posição e estado" (...) Qualidades são, portanto, propriedades que se encontram nos seres. (RIOS, 2003, p. 69).
Para Rios (2003), a qualidade da formação tem a ver com as dimensões docentes (técnica, política, ética, estética) que evidenciam a articulação existente entre as mesmas e extrapolam o campo conceitual. Nesse sentido, a autora pontua a importância do domínio do conhecimento, do alcance da sensibilidade e da criatividade, afirmando que “A educação será tão mais plena quanto mais esteja sendo um ato de conhecimento, um ato político, um compromisso ético e uma experiência estética” (RIOS, 2003, p. 93).
Nesse sentido, compreendemos que o trabalho de formação docente deve ir além da técnica, pois precisa considerar as dimensões estética (sensibilidade, criatividade, afeição, disponibilidade), política (envolvimento com a realidade, atuação, compromisso) e ética, que envolve as demais dimensões e tal como a dimensão política, se funda no compromisso, na consciência do fazer bem, para o bem. Neste sentido, é importante destacar que os critérios mínimos para avaliação da qualidade evoluíram e geraram um documento oficial do MEC, transformado em Instrumento de Credenciamento para Oferta de Educação a Distância (LEMGRUBER, 2003).
De acordo com Neves (2003), esse documento apresenta os “nós” que sustentam a qualidade de um curso de formação de professores na modalidade EAD: são eles: 1. Concepção educacional do curso (compromisso dos gestores); 2. Desenho do projeto: a identidade da educação a distância; 3. Sistema de tutoria: cursos a distância têm professores, sim; 4. Sistema de Comunicação: a interação é fundamental; 5. Recursos educacionais; 6. Infraestrutura de apoio; 7. Sistema de avaliação contínuo e abrangente; 8. Ética na informação, 9. Publicidade e Marketing; 10. Capacidade financeira de manutenção do curso.
“A área de Pedagogia é uma das mais atraentes para as instituições ofertantes, seja porque há muitos professores motivados para adquirirem um diploma superior, seja porque muitas instituições consideram esse um curso “barato”. (NEVES, 2003, p. 01).
A autora recomenda que é preciso, ao escolher um curso, investigar a instituição, para saber como são avaliados seus cursos, quem são os docentes que respondem pelo curso, analisar o projeto com base nesses referenciais básicos, pois como futuro profissional da educação, é necessário que o sujeito seja bastante exigente com sua própria formação.
Partindo desses pressupostos, é preciso também considerar que o modelo de educação a distância tem sido produzido pelo sistema neoliberal, cujo valor se funda nos lucros do capital e que tem orientado a expansão da educação superior, pelo viés privatista, transformando a educação em mercadoria, bem como, produzindo a sua massificação.
3. METODOLOGIA
A pesquisa de campo que aqui relatamos foi realizada na cidade de Naviraí, onde estão localizados os polos de EAD que oferecem o curso de pedagogia, objeto da pesquisa. Os dados foram coletados a partir de dois instrumentos: os documentos e a entrevista semiestruturada. Os documentos utilizados para esse artigo foram extraídos dos sites das Instituições, são eles:
manual do aluno e apresentação do curso de pedagogia. A segunda fonte de coleta de dados foi a entrevista que constitui uma das formas adequadas para coleta de dados em pesquisa qualitativa.
Para realização das entrevistas foi elaborado um roteiro semiestruturado com perguntas que contemplavam três dimensões: 1) o perfil demográfico dos sujeitos respondentes; 2) a avaliação da estrutura do curso; 3) a avaliação das questões pedagógicas e da qualidade geral do curso. Para garantir e preservar a qualidade dos dados, as entrevistas foram gravadas e transcritas, e não revelados os nomes dos sujeitos envolvidos.
Os sujeitos escolhidos para respondente da pesquisa foram: a) 2 (dois) coordenadores (as) do curso de Pedagogia à distância, sendo que um(a) deles(as) já não exerce mais atividade remunerada na instituição; b) 5 (cinco) acadêmicos, sendo que 4 (quatro) deles estão cursando o 5º ao 6º semestre e 1(um) já concluiu o curso. A opção e escolha por esses acadêmicos se fez pelo fato de constituírem elementos chave para contribuir com informações que atendem os critérios da pesquisa. No caso dos coordenadores (as), constituem sujeitos com condições de trazer informações sobre os objetivos e estrutura do curso, assim como sua qualidade. Já os acadêmicos, são elementos centrais para compreensão da qualidade do curso, segundo sua percepção. Destaca-se também o critério de aceitação e contribuição voluntária com a pesquisa.
As entrevistas foram realizadas no mês de outubro e novembro do ano de 2016.
Buscando preservar o anonimato dos respondentes, estes foram identificados por acadêmico 1(AC1), acadêmico 2 (AC2), acadêmico 3 (AC3), acadêmico (AC4), acadêmico 5 (AC5), e os coordenadores, por coordenador 1(C1) e coordenador (C2). As Instituições serão identificadas por instituição 1 e instituição 2.
3.1 Perfil da Amostra
O número total de alunos matriculados nas três IES na modalidade à distância é de 218, desse total, 50 alunos estão nos últimos anos da graduação. O quadro 1 apresenta uma síntese do perfil dos sujeitos que constituem a amostra da pesquisa.
Uma primeira constatação que se apresenta a partir dos dados é que os sujeitos são do sexo feminino e com idade média de 27,4 anos, sendo que a acadêmica mais nova tem 21 anos e mais velha 34. Essas informações permitem inferir que o curso de Pedagogia na modalidade de EAD, é realizado por pessoas com média de idade mais elevada quando se compara com a trajetória normal de entrada na Universidade, com 18 anos em geral. Tal aspecto evidencia que ainda existe uma demanda represada em relação ao acesso a Universidade no tempo adequado, evidenciando que muitos dos futuros professores obtêm sua formação inicial em idade mais avançada.
Quadro 1 – Perfil Demográfico dos Sujeitos
Sujeitos Respondentes
Perfil Demográfico da Amostra
“Acadêmicos”
Sexo Idade Instituição que faz o
curso Residência Local Ocupação Atual (trabalho) Sujeito 1 (AC1) F 34 Instituição 1 Naviraí - Autônoma Sujeito 2 (AC2) F 28 Instituição 1 Naviraí - Arrecadadora
Sujeito 3 (AC3) F 28 Instituição 1 Naviraí - Estagiária (Educação) Sujeito 4 (AC4) F 21 Instituição 2 Naviraí - Estagiária (Educação) Sujeito 5 (AC5) F 26 Instituição 2 Naviraí - Estagiária (Educação)
Sujeitos Respondentes
Perfil Demográfico da Amostra
“Coordenadores”
Sexo Idade Formação e Tempo de Coodenação
Local de
Residência Instituição onde Coordena o Curso Coordenador 1
(C1) F 49
- Pedagoga
- Especialista - Educação
- 2 anos Naviraí - Instituição 1
Coordenador 2
(C2) M 41
- Ciências Econômicas - Não tem Pós-Graduaçao
- 7 anos Naviraí - Instituição 2
Fonte: Elaborado pela autora
Observa-se que todos os sujeitos entrevistados são da cidade de Naviraí, em geral (com exceção de 1), têm conhecimento da existência de cursos de pedagogia na modalidade presencial, inclusive, em instituição pública, sem a necessidade de pagar mensalidades, entretanto, em momento algum cogitaram a possibilidade de cursar pedagogia nessas instituições, alegando que era mais fácil fazer o curso indo a IES uma ou 2 vezes por semana.
Uma justificativa relevante para escolha de EAD dos sujeitos foi a necessidade de dispor tempo para cuidar dos filhos. Por fim, observou-se que 3 sujeitos estão atuando como estagiários remunerados na área de educação, enquanto outros 2 têm profissões que não se relacionam.
Em relação aos coordenadores, o coordenador 1(C1) é do sexo feminino, tem 49 anos, reside em Naviraí, é pedagoga, formada em pedagogia em Paranavaí/MS, tem pós-graduação em Séries Iniciais e Educação Infantil. Atualmente está trabalhando na coordenação do estado, numa escola estadual, tendo saído da instituição 1 há poucos meses. O coordenador 2 (C2) é do sexo masculino, tem 41 anos, reside em Naviraí, é formado em Ciências Econômicas e está na coordenação da instituição 2 há 7 anos e não possui nenhum curso de pós-graduação.
É importante refletir sobre a condição do C2 que não tem formação de graduação na área de Educação, sendo bacharel em economia, nem mesmo pós-graduação em educação que permita atuar na condição de coordenador do curso de pedagogia. Em sua percepção, tal formação é adequada para ocupar a condição de coordenador. Destaca-se que seria importante avaliar essa questão de forma mais profunda em pesquisas mais específicas.
3.2 Os Cursos de Pedagogia EAD – Qualidade da Estrutura
Acreditando que a formação de professores é algo de grande relevância pois trata do aprendizado de indivíduos que estarão integrados na sociedade, acreditamos ser necessário que seja oferecida uma formação que promova o senso crítico do acadêmico, não sendo voltada somente para uma educação mercadológica. Para tanto, é preciso investigar que tipo de proposta de formação de professores tem sido instituída pelos estabelecimentos de educação a distância.
Nesse sentido, acreditamos ser essencial fazer o contraponto desses dados com a fala dos sujeitos desta pesquisa. O quadro 2 apresenta a avaliação dos cursos na percepção dos entrevistados.
Quadro 2 – Qualidade dos Cursos de Pedagogia - Estrutura e Funcionamento
Critérios de Avaliação da Qualidade do Curso – questões Estruturais e de Funcionamento
Avaliação da qualidade do Curso (Percepção dos Sujeitos) (Ótima, Boa, Regular, Ruim, )
Sujeitos da IES 1 Sujeitos da IES 2 C1 IES 1
C2 IES 2
AC1 AC2 AC3 AC4 C5 C1 C2
Estrutura Física (prédio) Boa Ótima Ótima Boa Ótima Ótima Boa Infraestrutura (biblioteca e
laboratórios, salas de aula) Ótima Ótima Ótima Boa Ótima Ótima Ótima Setor Administrativo Ótima Ótima Ótima Ótima Ótima Ótima Ótima Estrutura Tecnológica Ótima Ótima Regular Regular Regular Ótima Ótima Forma de Funcionamento do Curso Ótima Ótima Ótima Ótima Ótima Ótima Ótima Fonte: Elaborada pela autora
De forma geral os sujeitos entrevistados (acadêmicos e coordenadores) foram unânimes em afirmar que os aspectos relacionados a estrutura física, infraestrutura, questões administrativas, tecnológicas e forma de funcionamento do curso são excelentes nas IES.
Entretanto, é necessário refletir sobre alguns aspectos contraditórios.
Se por um lado a percepção de que a qualidade geral é muito boa, por outro observa-se que os acadêmicos fazem pouco uso de muitos desses recursos. A biblioteca, por exemplo, foi apontada como um recurso muito pouco utilizado, em geral, os sujeitos fazem referência a utilização do material que é disponibilizado no apostilamento oferecido por cada disciplina.
Alguns sujeitos afirmaram até não saberem se existe biblioteca como é o caso dos sujeitos AC1 e AC3 que afirmaram:
(...) A gente não precisa da biblioteca porque devido ser aula com vídeos aulas, a gente se prepara em casa para ir para sala tirar as dúvidas. (...) não sei se tem biblioteca, porque eu nunca precisei. (AC1)
De laboratórios eu sei que dispõem de um lá no polo, agora de biblioteca eu não posso te falar porque eu tenho acesso à biblioteca on-line, mas a biblioteca no polo eu não posso afirmar. (AC3)
Destaca-se que os acadêmicos da Instituição 2 foram unânimes em afirmar que não vão a IES para “quase nada”, mas têm uma boa percepção sobre a qualidade da estrutura e da infraestrutura. Os sujeitos AC4 e AC5 afirmaram:
Têm laboratório e biblioteca, porque o nosso polo é aqui no colégio maxi reino, a estrutura assim não aquela 100% que né... (AC4)
Não é espaço amplo, tem uma secretaria, mas não é uma coisa ampla. (...) não, a gente só tem acesso na instituição 2 quando tem prova, ninguém vai na instituição tipo estudar, procurar ajuda. (AC5)
Já os coordenadores foram unânimes em afirmar que as IES atendem às necessidades de oferta dos cursos de pedagogia, conforme se observa:
Quando eu comecei a instituição 1 era numa escola cedida, numa escola municipal, mas agora ela tem cede própria. Então ela é totalmente preparada para isso tem aparelhagem, tem biblioteca, tem sala de computação, então é outra estrutura como era antes quando comecei e fiquei um ano nessa escola e depois de um ano nessa estrutura que é hoje. (C1)
A estrutura física ela é a exigida pelo MEC, nós tivemos uma visita do MEC há um ano atrás e tivemos nota 4 no nosso polo. Dentro da estrutura que nós oferecemos que seria laboratórios, bibliotecas, salas de aula, acessibilidade, tudo que engloba as exigências do MEC. (C2)
Uma primeira constatação que se apresenta a partir da percepção dos sujeitos é que as Instituições estão preocupadas em oferecer recursos de estrutura e infraestrutura adequados para oferta dos cursos. Por outro lado, constata-se que os sujeitos não sentem necessidade, por exemplo, de utilizarem o laboratório das IES, bem como a biblioteca. Tal perspectiva expressa um aspecto importante que é o pouco estímulo à pesquisa, por exemplo, uma vez que não se tem necessidade de visitar a biblioteca que constitui o coração da universidade. Cabe destacar que as IES disponibilizam em algumas situações acervos online, contudo, os acadêmicos fazem referência apenas a leituras que são obrigatórias.
Com relação ao atendimento necessário na secretária, todos foram unânimes em afirmar que as IES oferecem um ótimo atendimento, seja via recursos oferecidos pela internet ou presencial, questão que tem oferecido tranquilidade para todos realizarem as atividades pedagógicas, conforme destacam:
Tem secretarias, tem atendimento, tem normal. (AC1)
Era bom também, todas as vezes que eu precisei deles fui bem atendida. Eu nunca tive problemas assim, de notas ou de não ter notas no programa, nunca tive esse problema. Então teve uma época que a tutora presencial, ela costumava dar um ponto no final do semestre para aqueles alunos que não faltavam, porque tinham muitos alunos que eles iam só no dia da prova mesmo, mas eu não tinha esse problema com às faltas não, mas é ... questão de faltas, tipo assim ganha um ponto se não faltou. (...)Tem uma porcentagem de faltas e no blog tem tudo lá o dia que você faltou, tem tudo certinho, eles sabem.
(AC2)
Essa questão é bem prática, bem organizada, tem uma secretária disponível para gente com bastantes funcionários onde todas questões burocráticas podem estar indo até o polo resolver, caso você não consiga resolver elas on-
line.É uma cobrança em relação as faltas a gente têm que ter uma totalidade por semestre de presença nas aulas. (AC3)
Temos acesso a qualquer momento, você pode ir lá, ligar, se não pode conversar pelo celular com o diretor geral. (...) Faltas não temos, mas notas sim. Você tem que completar, tem que fazer as suas atividades para adquirir uma certa nota. (AC4)
Geralmente é pela internet, online, a gente manda, nos comunicamos mais pelo WhatsApp, tem o grupo e lá a gente tira as dúvidas de algum documento que alguém está precisando, de prova e só, a gente vai La só quando a gente quer pegar alguma assinatura aí você tem que ir na instituição 2 para pegar a assinatura. (AC5)
Do ponto de vista da tecnologia utilizada para atividades pedagógicas e de ensino observou-se que os acadêmicos apontaram alguns problemas relacionados à qualidade dos computadores que em alguns momentos travam. Já os coordenadores afirmaram que a tecnologia atende as necessidades dos cursos. Para um dos coordenadores o problema maior está na dificuldade que os alunos têm de utilizar a tecnologia, o que na sua opinião tem sido superado a medida em que os alunos entendem como funciona a tecnologia. Os sujeitos afirmaram que:
Diariamente no dia a dia é bem prático, há questões de travas essas coisas quando a gente tem que postar trabalhos e documentações de estágio. Fora esses dias ele é bem rápido, prático. Eu não utilizo o laboratório de informática. (AC3)
Os computadores do nosso polo não é aquele computador que mais ...
avançado, são aqueles antigos, mas eles têm a biblioteca para você ir lá, a sala de tecnologia onde a gente faz a nossa prova, porque a nossa prova é on-line na instituição. (AC4)
É uma salinha com computadores antigos, por várias vezes trava e você tem que tomar cuidado para você não perder prova. No começo tinha que fazer no papel porque os computadores porque alguns enguiçavam, daí se você não salva né ..., mas é computadores antigos, não de última geração. (AC5) A dificuldade maior que as minhas alunas encontravam, tinha cerca de 38/40 alunos no início, hoje é 33. Então a dificuldade maior deles era com a internet mesmo, de saber manusear, de digitar a senha errada, era questão de costume, de entrar no portal, de conhecer, de vasculhar, essa era a dificuldade maior.
Antigamente a uns dois, três anos atrás era mais difícil o acesso, mas cada ano a instituição 1 foi inovando buscando novos portais, novas maneiras de entrar.
Então hoje o acesso é mais fácil, eles trouxeram novo estruturamento lá dentro, agora está melhor, até para o tutor também. (C1)
A tecnologia é dentro do padrão e dentro daquilo que é exigido e a capacidade exigida para que o aluno consiga fazer suas atividades, não há necessidade de ter equipamentos de alta tecnologia para esse curso de Pedagogia, onde o aluno tem apenas acesso on-line, onde que basta o computador suporte para
este tipo de atividade. São computadores normais que a sala dispõe de 17 computadores para estar atendendo os alunos. (C2)
Cabe destacar que a estrutura tecnológica, sobretudo o desenvolvimento e o avanço tecnológico alcançado nos últimos anos tem constituído um dos pilares para o avanço e democratização do ensino a distância. Kenski (2013) faz referência à democratização do acesso a novas tecnologias, sobretudo a internet, como um dos fatores que tem possibilitado o acesso de pessoas aos cursos oferecidos na modalidade EAD. No caso dos sujeitos aqui entrevistados, não é possível afirmar que apenas esse fator explica a escolha pelo curso na modalidade EAD, uma vez, como já foi discutido anteriormente, a escolha se dá principalmente pela facilidade de acesso e realização do curso, já que a cidade tem instituições (pública e privada) que oferecem cursos presenciais.
Outro aspecto avaliado foi a estrutura de funcionamento das aulas. Como se observa a partir do quadro, os sujeitos têm uma ótima percepção sobre a qualidade de oferta do curso de Pedagogia. Os cursos são oferecidos de forma semipresencial com encontros sendo realizados 2 vezes por semana no caso da IES 1 e 1 encontro no caso da IES 2. Os acadêmicos têm atividades específicas e individuais que são ofertadas via plataforma das IES. O restante das atividades é realizado pelo próprio aluno em sua casa ou em outro ambiente que ele escolher.
Destaca-se que nenhum dos sujeitos fez referência a realização de atividades conjuntas ou participativas no curso, bem como de pesquisa ou extensão. Os acadêmicos foram unânimes em afirmar que as atividades de esclarecimento de dúvidas por parte dos tutores eram adequadas e rápida. Entretanto, o sujeito AC5 relatou alguma dificuldade de apoio dos tutores, fazendo referência à necessidade de se “virar sozinho”. Os sujeitos relataram que:
É uma vez na semana normal, aí a gente tem acesso ..., você pode olhar todos os dias na sua casa com aulas pelo computador. (AC1)
Eles são ótimos, eles tiram todas as dúvidas da gente. (AC1)
Funciona através de um portal, que nós temos acesso pela internet com aulas, conteúdos, materiais disponibilizados pelo portal, uma aula semanal presencial na qual a gente assisti e também a aula através da televisão e quando há um intervalo algumas explicações do tutor presencial. (AC3)
O curso de pedagogia ele tinha os estudos feitos a distância em casa onde o aluno tinha essa oportunidade e 1 dia na semana tinha que ir na escola assistir as aulas presenciais, no meu caso era no sábado. (C1)
É respondido de imediato, por e-mail, por vídeo chamada, pela nossa própria plataforma mesmo, a gente pode estar mandando mensagem de imediato, não demora, tudo muito rápido. (AC4)
Ele é assim você estuda só em casa, você tem que correr atrás, é só você e não tem tanto apoio de professores no caso e as provas nós só vamos lá quando tem prova, a gente marca e vai lá e faz, mas o estudo é só em casa. (AC5) As dúvidas demoram um pouco, tem uns que não chegam nem a responder, mas no meu caso em questão de dúvida eu nem vou ao professor da plataforma, eu procuro eu encontrar em outros artigos da internet, eu pesquiso outros artigos, eu procuro outros vídeos, mas geralmente os vídeos que eles postam, alguns professores não focam no que está no livro porque no dia da prova cai o que está no livro e a maioria deles não vão pelo livro foge do livro, mas no meu caso eu procuro outros meios. (AC5)
Após esses questionamentos sobre esse estruturamento das instituições relacionados à estrutura física, tecnológica e pedagógica, fica evidente que os alunos têm boa percepção quanto a oferta do curso de pedagogia que estão realizando. Tal perspectiva está diretamente relacionada a flexibilidade que o funcionamento do curso oferece, em detrimento da rigidez dos cursos presenciais, que em geral, são muito rígidos em relação a horários e espaços fixos para estudar (POMNITZ, 2015).
3.3 Os Sujeitos e sua Formação – a Qualidade da formação inicial na EAD
O quadro 3 apresenta uma síntese da percepção dos acadêmicos sobre dificuldades, facilidades e qualidade geral do curso que estão cursando.
Quando se analisa a qualidade do curso segundo a percepção dos acadêmicos e dos gestores, e ainda, quando se analisa os documentos coletados no site das Instituições, a primeira constatação inevitável é que as IES estão dando muita atenção aos critérios de infraestrutura em detrimento, por exemplo, da formação e condição de trabalho dos professores tutores, isso principalmente na Instituição 2. Essa questão é muito fácil de ser constatada nas propagandas em todas as mídias e veículos (mídias sociais, facebook, WhatsApp, carros volantes, outdoors, rádio e tv) que utilizam o apelo da facilidade, rapidez, custo baixo e tecnologia como os principais atributos que o futuro estudante vai encontrar.
Quadro 3 – Percepção dos Sujeitos Sobre Qualidade dos Cursos de Pedagogia EAD Sujeitos
Respondentes
Dificuldades, Desafios e Qualidade do Curso A Visão dos Sujeitos – Acadêmicos Sujeito 1 (AC1)
- dificuldade é que o aluno é responsável por sua formação;
- custos relacionados ao pagamento de Internet.
- sobre a qualidade, acredita que a formação é boa, que o aluno faz a escola. Estudar um dia ou todos não faz diferença, as vezes o aluno não tem o “Dom” para ser
professor;
- somente quando estiver em sala vai se tornar professor. A teoria é uma coisa, a prática é outra.
Sujeito 2 (AC2)
- dificuldade relacionada ao tempo de estudos e para fazer certos trabalhos complexos;
- desafios relacionados a compreensão do próprio papel como estudante individual;
- desafios relacionados ao Plágio (não plagiar no momento de fazer as atividades);
- acredita que a formação é boa. Entende que o empenho do aluno supera as dificuldades que o curso oferece;
- entende que aprendeu muita coisa no curso e com a experiência no estágio na creche.
Sujeito 3 (AC3)
- dificuldade relacionada a dedicação necessária para fazer o curso;
- a credita que a formação é mediana. É fácil entrar no curso e fácil sair. Assim, bons e maus professores vão se formar;
- entende que tem uma boa formação, mas principalmente por conta do curso de normal que fez no ensino médio.
Sujeito 4 (AC4)
- dificuldade de adaptação e falta de apoio dos professores tutores;
- acredita na formação que está recebendo, mas entende que somente quando for professor é que vai aprender de verdade.
- entende que o curso à distânncia se assemelha ao curso presencial.
Sujeito 5 (AC5) - falta de professor tutor presencial para ajudar na discussão e solução de problemas;
- acredita que a formação é igual ao presencial. Os diplomas são todos iguais;
- entende que o estágio tem sido mais importante que as aulas teóricas no curso.
Fonte: Elaborado pela autora
Fatores relacionados a qualidade do projeto pedagógico, multidisciplinariedade das equipes de trabalho e qualificação dos professores, não foram destacados, sendo considerados fundamentais conforme destacou Lemgruber (2008), isso nem mesmo foi mencionado pelos coordenadores.
É importante que os estudantes de EAD tenham essa percepção sobre a necessidade de comprometimento com seu curso. Entretanto, os cursos de EAD não podem transferir para o acadêmico toda a responsabilidade sobre a formação. Os professores são agentes fundamentais para o sucesso da formação. Nesse caso, o professor deve ultrapassar o papel de transmissor de conhecimento, agindo como mediador do processo de ensino aprendizagem (FONTANA, 2013). As falas dos sujeitos evidenciam que se atribui a responsabilidade quanto ao sucesso do curso com o compromisso pessoal de cada um com seus estudos, como se a IES só precisasse oferecer a tecnologia e não precisasse se preocupar com estratégias de ensino que extrapolem a perspectiva da tecnologia como meio. Conforme se observa:
É essa questão de você ter que voltar para casa sem sanar dúvidas, porque o professor é um só, é uma vez na semana, então ele não vai dar conta sanar as dúvidas de todo mundo, então você tem que meio se virar sozinho. (AC3) Sempre a falta do professor para explicar melhor porque tem vez que a gente expõe uma pergunta lá, mas eu entro todo dia, sempre tem uma pergunta lá o professor fala que não pode dar a resposta, ela tem que ver um jeito dela pelo
menos tentar te explicar para não te deixar no vácuo e para elas parecem que se elas explicar ali elas estão passando a resposta para o aluno. Então elas não conseguem contornar para te dar uma explicação, abrir um pouco a ideia da pessoa, isto aí deixar um pouco a desejar. (AC5)
Você tem que gostar mesmo da profissão, se dedicar, porque não está fácil para ninguém. (AC2)
De um modo geral assim é uma formação bem mediana, porque há alunos que se dedicam mesmo e querem e há alunos que estão ali mesmo porque fala assim... se a gente for olhar Pedagogia agora qualquer um cursa, qualquer um faz, é só entrar dentro de uma sala de aula, não sei que, é só cuidar ali. Então assim irão sair bons formadores, mas irão sair ruins também. (AC3)
Eu acho assim que às vezes o pessoal desvaloriza a faculdade por ser no EAD, mas eles têm que conhecer mais, saber como que é isso daí. A gente prepara o nosso aluno para isso, para não chegar lá ter um choque, e falar “poxa”, porque é diferente, mas exige, exige estudo, não é fácil, às vezes falar “Ah! Vamos para a instituição 1 porque é fácil, não, não é, é difícil o aluno tem que se empenhar porque senão ele não vai conseguir, se eu quero ser um bom profissional... não tem aquele que fala vou estudar para ser um mau profissional, não existe, se você vai estudar o incentivo é esse, é estudar, fazer bem para ser um profissional bom, um profissional de destaque, o objetivo da faculdade é esse o destaque do seu aluno. (C1)
Não. Na realidade nós somos polo, então, como eu disse o principal é que nós fazemos parte de uma instituição que é nota 4 no MEC, outra coisa importante é que o pessoal acha que existe muita diferença entre o semipresencial e o presencial, onde na realidade o aluno tem que ter comprometimento como o presencial ou as vezes até mais porque senão ele não consegue fazer as atividades e acompanhar o andamento do curso. Como falei tivemos visita, tivemos nota 4 no nosso polo e nota 4 da instituição 1 que poucas universidades têm essa nota. (C2)
Como se constata, os dados da pesquisa indicam que os alunos buscam por meio do estágio remunerado uma maneira de interiorizar conhecimentos obtidos pela prática, o que parece evidenciar uma lacuna na formação destes. Em momento algum os sujeitos, bem como os coordenadores, fizeram referência as atividades de pesquisa e extensão, ou outras atividades como necessárias para sua formação. Da mesma forma, observa-se que os sujeitos atribuem o sucesso e qualidade do seu curso a seu esforço pessoal, quase eximindo as IES de suas responsabilidades. É bem possível que as estratégias de marketing tenham efeito sobre essa percepção, uma vez que os alunos estão reproduzindo o discurso das IES sobre qualidade e compromisso.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo desta pesquisa foi verificar a qualidade dos cursos de formação inicial de professores em Pedagogia na modalidade de EAD, em IES privadas no município de Naviraí/MS, segundo a percepção de estudantes e coordenadores de curso.
A revisão da literatura evidenciou uma grande expansão na oferta de cursos universitários na modalidade a distância. Da mesma forma observou-se uma sofisticação das estratégias de marketing e dos recursos tecnológicos utilizados por essas instituições. Do ponto de vista teórico, é importante a realização de pesquisas que avancem para além da questão da oferta e de sua democratização, tanto de cursos, quanto de vagas e da ampliação do escopo de oferta no território nacional.
O modelo de educação a distância ainda carece de uma discussão teórica e prática, tanto do ponto de vista da sua concepção e perspectiva teórica, quanto da sua operacionalização.
Ainda é necessário que se avance em questões relacionadas à qualidade dos cursos envolvendo um compromisso real da instituição e dos seus gestores, da elaboração de um bom projeto político pedagógico (concepção, objetivos, estratégias pedagógicas, mecanismos de avaliação etc), de bons profissionais de apoio e docentes/tutores, do processo de comunicação interno e com os acadêmicos, consequentemente, da tecnologia utilizada para as atividades administrativas, de apoio pedagógicos e demais recursos educacionais que permitam a boa comunicação e transparência nas informações.
Do ponto de vista da pesquisa empírica realizada, destaca-se primeiramente o fato de que a amostra investigada tem uma visão bastante superficial sobre o que consiste qualidade de ensino na modalidade EAD. Os dados evidenciaram que alunos e coordenadores justificam a qualidade indicando a “facilidade” para fazer o curso, seja do ponto de vista do acesso, do preço, ou mesmo da não necessidade de realizar qualquer tipo de atividade durante o decorrer do curso, além das atividades indicadas pela tutoria.
Uma conclusão importante desta pesquisa é o fato de os agentes (alunos e coordenadores) estabelecerem uma clara distinção entre teoria e prática, atribuindo à experiência a única forma de o futuro professor se qualificar. Duas questões se colocam de forma relevante: 1) a primeira é a tentativa de dissociar teoria e prática e, como consequência, a instituição do discurso de que é somente na vida profissional que o futuro professor estará apto a se tornar um professor competente; e 2) não possibilitar ao futuro professor compreender que teoria e prática são indissociáveis e que a tentativa de separação vai empobrecer de forma
definitiva sua prática.
Destaca-se que os sujeitos entrevistados (alunos e coordenadores) foram quase unânimes em afirmar que o processo de comunicação com tutores ocorre de forma rápida nas respostas a suas demandas. Contudo, essa relação ocorre apenas na esfera do ensino e tem sido prejudicada pela falta de professores tutores em alguns momentos. Nenhuma referência foi destacada em relação às atividades de pesquisa ou extensão que evidenciassem estratégias inovadoras de ensino, de pesquisa ou de extensão, limitando a formação dos professores a mero repasse de informações. A análise das entrevistas permite inferir que essas questões, na percepção dos entrevistados, não prejudicam a sua formação geral, mostrando a limitação dos agentes envolvidos sobre o que é educação e de como ela deve ser pensada para formação inicial de professores.
É preciso um estudo cuidadoso, isento de preconceitos, mas que vise um ensino de
“qualidade”, voltado para o comprometimento de profissionais conscientes e capazes de questionar sua própria realidade, independente da modalidade de ensino a que se propõe, pois entendemos que a ética deve permear todo e qualquer processo educacional. Faz-se necessário rever alguns paradigmas relacionados à educação, é preciso mudar esta visão de que a educação é um sistema que requer um rebanho para robotizar, em que temos a educação somente como um mecanismo de transmissão de informações e qualificação para o trabalho.
Neste viés, a educação deve servir como instrumento de libertação cuja finalidade é a formação do homem pleno, é preciso ter uma educação que não seja voltada somente com características mercadológicas, na qual o aluno é somente preparado para o mercado de trabalho, mas que seja para a vida, o que implica a formação cidadã, do sujeito consciente, crítico e transformador.
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