Primeiramente, são enfatizadas considerações específicas da historiografia das classes subalternas, que ele denomina de necessidade de uma “história integral” que também e sobretudo leve em conta a história das classes subalternas. Contextualizada pela luta hegemônica, estabelece-se a necessidade de formação política de intelectuais orgânicos das classes subalternas. Gramsci elabora critérios metodológicos para a criação de uma “história integral” das classes subalternas no mesmo período em que desenvolve os conceitos centrais do Estado integrado e da revolução passiva.
CONCLUSÃO
O que ele sugere é que todo traço de autonomia dos subordinados seja entendido como um ponto de partida para que possam entrar no jogo da hegemonia. Tais reflexões expressam o acúmulo de estudos e pesquisas realizados no Núcleo de Estudos sobre os Fundamentos do Serviço Social (NEFSS), que visa refletir sobre a profissão, suas conexões e organicidade com as políticas sociais.
INTRODUÇÃO
O pensamento conservador tem seu maior representante e fundador na pessoa de Edmund Burke, quando escreveu “Reflexões sobre a Revolução na França”, publicado em 1790. Portanto, o que marcará este pensamento conservador clássico será uma séria resistência a qualquer modificação no ordem social. Nesse sentido, “[..] o pensamento conservador é uma expressão cultural [..] característica de um tempo e espaço sócio-histórico muito preciso: o tempo e o espaço da configuração da sociedade burguesa [..]” (SCORSIM NETTO, 2011, p. 40-41, grifo nosso).
O aprofundamento das relações sociais na sociedade civil e as contradições e antagonismos que a constituem motivaram estudos e ampliações do pensamento conservador por outros autores, mas sua essência permaneceu a mesma no sentido de manter o que estava estabelecido e os valores que não são compatíveis com o progresso da modernidade, incluindo a democracia que foi alcançada em grande parte do mundo contemporâneo. Com o desenvolvimento sócio-histórico do pensamento conservador – que não desenvolveremos aqui pela natureza da obra, mas que apresenta autores significativos como Durkheim, Tocqueville, Nisbet entre outros – pode-se dizer que hoje “a característica mais imediata do conservadorismo contemporâneo [. .] consiste em que não se apresenta como conservadorismo e, portanto, esconde e dissimula suas raízes e conteúdos conservadores” (SCORSIM NETTO, 2011, p. 16). Esta atualização do pensamento conservador não aboliu a sua essência, mas ressuscitou-a, sobretudo porque é funcional para a lógica capitalista e para a reprodução do capital, portanto apologética do mercado livre, que forja diferentes formas de responder às questões contemporâneas, sempre subsidiadas a partir de uma perspectiva moralista, sem compreender a totalidade das relações sociais e suas contradições.
Outro fenômeno do pensamento conservador é a valorização da reprodução do senso comum, sem perspectiva crítica, a incorporação do irracionalismo e a desestabilização dos fenômenos sociais. Tais questões representam desdobramentos da realidade brasileira que certamente afetam o alcance das políticas sociais.
O CONSERVADORISMO NO CONTEXTO BRASILEIRO
RESUMO: O trabalho reflete criticamente sobre as tendências das políticas públicas no contexto brasileiro, com foco na saúde e na assistência social, que o governo federal considera serviços essenciais neste cenário de pandemia. Pensamos que as formas de lidar com a desintegração das políticas públicas devem ser através do fortalecimento das lutas coletivas e da organização dos movimentos sociais. Este trabalho apresenta reflexões críticas sobre o papel das políticas públicas no contexto brasileiro diante da crise estrutural do capital agravada pela pandemia, que elimina as expressões da questão social na realidade brasileira, destacando os desafios para garantir os direitos dos cidadãos. a população como um todo da classe trabalhadora brasileira.
Consideramos os determinantes conflitantes de tal realidade, e por meio de mediações e articulações teóricas refletimos sobre as tendências mais importantes das políticas públicas na atualidade, pois, segundo Marx (2008, p. 261): “As leis do pensamento abstrato aquela passagem do mais simples ao complexo corresponde ao processo histórico da realidade”. A compreensão das políticas públicas deve estar articulada com o processo de produção e reprodução social no capitalismo, o movimento contraditório de luta entre classes sociais e o papel do Estado na regulação da relação entre capital e trabalho. Tais características históricas afetam o processo de implementação de políticas públicas no Brasil, portanto ultimamente diante das lutas dos movimentos sociais temos a configuração de um sistema de proteção social com a Constituição Federal de 1988 que institui a seguridade social pública formada pelas políticas de saúde.
Neste cenário, as práticas conservadoras são modernizadas no contexto das políticas públicas e devem ser tidas em conta num processo mais geral de luta de classes. Portanto, apresentaremos primeiro uma reflexão cíclica do cenário atual e, em seguida, discutiremos as implicações para as políticas públicas no Brasil, com foco nas políticas de saúde e de assistência social, que são consideradas serviços de saúde essenciais na pandemia. aula.
O CONTEXTO ATUAL E AS TENDÊNCIAS DAS POLÍTICAS DE SAÚDE E ASSISTÊNCIA SOCIAL
Diante do agravamento das manifestações da questão social, as políticas governamentais apresentam-se como oportunidades históricas para garantir os direitos da classe trabalhadora. No contexto da pandemia, duas das políticas públicas que compõem o sistema previdenciário brasileiro foram destacadas como serviços essenciais: a saúde e a assistência social. Outra política pública considerada serviço essencial no contexto da pandemia é a assistência social, com seus equipamentos públicos, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), locais estratégicos onde a população pode ter acesso a informações e benefícios governamentais.
Segundo Boschetti (2016, p. 18), a política de assistência social “assume a função de reprodução generalizada da superpopulação relativa no contexto da irritação da pobreza e do trabalho precário”. Portanto, a assistência social apesar dos avanços normativos e da introdução do Sistema Único de Previdência Social (SESP) em 2005. E o governo Bolsonaro, ao contrário do SUAS, criou o programa Pátria Voluntária em 2019 e “renova práticas que afastam a pior cultura histórica em o campo da assistência social: primeira barragem e voluntariado” (SILVA, 2020, p. 214).
O FNTSUAS, segundo informações do próprio blog do Fórum, é composto por entidades nacionais e fóruns estaduais e se configura como “um espaço coletivo de organização política dos trabalhadores do sistema único de assistência social”. Neste contexto, colocamos o importante papel que o FETSUAS – RJ desempenha nos processos de luta em defesa do SUAS e contra a insegurança dos seus trabalhadores no Estado do Rio de Janeiro, como observamos durante as reuniões da Comissão de Assistência Social. do CRESS/RJ. A gestão pública do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) na cidade de Niterói/RJ: os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) em foco crítico.
POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NA PANDEMIA: Há uma crise sanitária caminhando para uma crise de capital.
COTIDIANO E SUA PREMISSA TEÓRICO-METODOLÓGICA FUNDAMENTAL
Elementos deste tipo, embora apoiem em parte a vida social cotidiana, também são discutidos no âmbito das reflexões propostas pelo referido CTM na época. Ao final, elencamos algumas questões que possivelmente poderiam sustentar o referido compromisso com a pesquisa histórica, exigido por uma percepção crítica da vida cotidiana na precisa perspectiva de transcendência indicada pelo tema desta Jornada. É daí que vem o estatuto ontológico da vida cotidiana, que consiste justamente na premissa teórico-metodológica que tentamos refletir.
Esse processo, cuja força motriz parece residir no conteúdo e nas condições sociais precisas em que essas atividades são determinadas, pressupõe, portanto, a assimilação do 'pequeno mundo' como uma assimilação de certas relações sociais (HELLER, 2000), o que ficou claro desde a realização de atividades que marcam a (re)produção de determinados sujeitos – incluindo sobretudo trabalhos sem os quais a continuidade da vida não é possível – até a manipulação de coisas que manifestam costumes e hábitos também constitutivos daquilo que Heller (1991) ) ) mencionadas como objetivações genéricas que constituem preeminentemente a vida cotidiana. Numa análise semelhante, Lukács (1965) ensina-nos que o homem comum é o ‘homem inteiro’ que age e responde às necessidades e exigências da vida quotidiana pondo em movimento todas as suas forças, paixões, aptidões, capacidades, etc. o que significa que nenhum deles “[..] pode ser realizado, mesmo à distância, em toda a sua intensidade” (HELLER, 2000, p. 17), o que implicaria que este não é o caso. Aqui está a segunda proposição de Heller (2000): as características da estrutura ontológica da vida cotidiana.
Ou seja, é através do processo de (re)produção de sujeitos singulares, apoiado no desenvolvimento de atividades então constitutivas da vida cotidiana, que se reproduzem simultaneamente as características de sua estrutura – daí a explicação cristalina do caráter ontológico. estatuto da vida cotidiana extraído da articulação das teses (e suas consequências!) do nosso autor sobre a vida cotidiana. Nesse sentido, as características fundamentais de sua estrutura, então reproduzidas nas atividades que marcam a reprodução de sujeitos singulares (tanto estrutura quanto reprodução), parecem nos dar permissão para compreender a vida cotidiana como uma aliança entre a condição de existência e o social. forma de vida: A produção e reprodução da existência é, portanto, fundamentalmente a produção e reprodução da vida cotidiana, mas o é em condições, circunstâncias e disposições necessariamente histórico-sociais e ainda caracterizadas por peculiaridades enraizadas em um determinado tempo e espaço.
BREVES APROXIMAÇÕES À CONFIGURAÇÃO DO COTIDIANO NO PRESENTE
A compreensão da história apresenta-se, assim, como uma exigência teórica permanente porque o ser que a constrói e nela atua é ao mesmo tempo seu produtor e seu produto - daí a “ontologia cotidiana do período” (LUKÁCS, 2013) como fonte da história. necessidades de produção, incluindo aquelas cujas respostas exigem ir além do mundano. Contudo, é preciso cautela na leitura, mesmo que seja meramente aproximada e ensaie possíveis reflexões que devem ser efetivamente empreendidas no que diz respeito às pesquisas concretas do cotidiano. Outras manifestações da mesma exclusão de dignidade analisadas por Ab'Sáber sugerem que o cotidiano da classe trabalhadora no Brasil é historicamente determinado pelos limites da vida e da sobrevivência, seja porque as atividades que a (re)produção do seu singular definem os sujeitos seja pelo trabalho como luta pela sobrevivência, seja porque o “mundo pequeno” é assimilado através dos gestos.
Uma delas que parece ser central diz respeito à componente de classe inserida na vida quotidiana. Neste sentido, o estado de alienação da vida quotidiana sob o capitalismo solidifica-se e adensa-se com o peso da reificação que garante a presença da ordem capitalista em toda a vida social. Na era avançada do monopólio, a organização capitalista da vida social preenche todos os espaços e permeia todos os interstícios da existência individual: a manipulação ultrapassa a esfera da produção, domina a circulação e o consumo e articula uma indução de comportamento que penetra a totalidade do a existência dos agentes sociais especiais [..] – é todo o cotidiano dos indivíduos que passa a ser administrado.
A vida quotidiana tem, portanto, a reificação como uma das suas condições históricas mais fundamentais, porque, ao garantir essa presença no todo da vida em sociedade, garante a manutenção de múltiplas formas de dominação e a sua assimilação através da espontaneidade tão típica da vida quotidiana . Em suma, a premissa teórico-metodológica que nos orienta é a mesma que impõe à análise a exigência de transitar entre o “mundo pequeno” e o “mundo grande” para apreender a essência do ser social. a prevalência e o papel central da classe na definição histórico-ontológica da vida quotidiana sob o capitalismo e o princípio orientador de toda a investigação histórica que procura compreender isto.
CONCLUSÃO