Temos o prazer de apresentar o documento intitulado “Educação Integrada: Experiências Pedagógicas nos Campos do Conhecimento”, no qual são oferecidos olhares sobre experiências e campos do conhecimento para reflexão em diálogos com as ações pedagógicas realizadas em 2016 nas escolas municipais do cidade de São Paulo que atuava na Educação Integral, em consonância com o Programa São Paulo Integral e o Programa Mais Educação Federal. Paralelamente, a equipe responsável pelo Programa Integral de São Paulo também supervisionava as ações das Diretorias Regionais de Educação e das Unidades de Ensino, especialmente dos gestores e dos POEIs (Professores Orientadores de Educação Integrada). A composição do dia com base nas aulas atribuídas marca os avanços mais importantes do Programa Integral de São Paulo.
Para ilustrar a discussão aqui apresentada, será brevemente apresentada a experiência do projeto “Horta Pedagógica” nas escolas da Rede Municipal de Ensino de São Paulo. O trabalho pedagógico, a apropriação das possibilidades oferecidas pelos territórios do ponto de vista das áreas educativas, é também o fio condutor do programa integral de São Paulo. Nesse sentido, o Programa Integral de São Paulo possibilita o desenvolvimento de atividades pedagógicas no campo dos “territórios do conhecimento” em horário escolar ampliado.
Territórios do Conhecimento", atendem às necessidades do ciclo de alfabetização - que era o principal período escolar atendido pelo Programa São Paulo Integrale - além de serem áreas de especialidade acadêmica dos formadores que contribuíram para a equipe da Secretaria Municipal de Educação responsável pelo Programa. Durante a preparação e execução do curso de formação: "Educação integral: potencialidades educativas nas áreas do conhecimento", no decorrer de todos os encontros com os sujeitos envolvidos no Programa São Paulo Integrale, seja nos Seminários, nas Direcções Regionais de Educação ou nas Unidades Educativas, e na escrita deste documento, os formadores e a equipa do SME trabalharam em conjunto para que fossem sempre obtidos os conceitos de Educação Integral e as ligações entre estas três áreas do conhecimento. o Programa São Paulo Integrale sugere oferecer às crianças experiências de aprendizagem que considerem as múltiplas dimensões das pessoas, suas referências culturais, interesses e possibilidades.
O módulo “Corpo e movimento” da disciplina “Potencialidades educativas nos territórios do conhecimento” ancorou-se nos conceitos de corporeidade e cultura corporal para refletir com professores da Rede Municipal de Ensino de São Paulo sobre o papel do corpo e do movimento na as diferentes dimensões do currículo escolar como a organização do espaço, a gestão do tempo, o design de interiores dos materiais, as atitudes dos educadores e as ações pedagógicas desenvolvidas com as crianças. Olhar dessa forma ajuda a rever os territórios tradicionalmente presentes nas escolas da rede municipal de São Paulo. A discussão que aqui será apresentada é resultado de um diálogo entre a professora responsável pelo módulo de sustentabilidade socioambiental do curso educacional: “Educação integral: potencialidades educativas nos territórios do conhecimento”, com os professores participantes da Secretaria Municipal de Educação. Rede da Prefeitura de São Paulo do referido curso.
As experiências apresentadas a seguir estão de acordo com as propostas do Programa Integral de São Paulo, segundo um currículo descolonizado, contextualizado e de integração.
Brincando nos espaços verdes dentro e fora da escola”
A utilização dos espaços e arredores escolares para o trabalho educativo com questões de sustentabilidade numa perspectiva educativa integrada. Os relatórios foram construídos a partir de um olhar para as áreas de algumas Unidades de Ensino (U.E.) da Rede Municipal de Ensino de São Paulo em sua diversidade geológica, paisagística e cultural associada à cidade de São Paulo. Também se baseiam na colaboração, onde todos os agentes (professores, administradores, alunos, famílias e comunidades) participam para contribuir com seus conhecimentos, experiências e culturas.
Com essa experiência é possível observar e coletar elementos da natureza para realizar, por exemplo, atividade artística a partir do material coletado. Permite também estabelecer a ligação entre diferentes organismos, como plantas e animais, observados, por exemplo, durante a polinização. O material herbário pode ser conservado por longo período de tempo, em espaço escolar sem umidade e pode ser acessado por alunos e professores em outras práticas pedagógicas.
Relativamente ao formato das flores e à ligação com os polinizadores, os professores poderão explorar com os alunos a variedade de formas e cheiros característicos das plantas. A variedade de formatos, cores, tamanhos e aromas das flores é uma adaptação da planta em resposta aos polinizadores disponíveis. 47 A parceria entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto de Tecnologia Social Fab Labs Livre SP é aberta e acessível a todas as pessoas interessadas em aprender, desenvolver e construir projetos coletivos ou pessoais que envolvam tecnologia de fabricação digital, eletrônica, técnicas tradicionais e práticas artísticas.
Horta nas escolas: ciclo de vida, compostagem, tratamento de
Paisagem: O que vejo?
É uma região com grande potencial para lidar com questões de sustentabilidade socioambiental. Perto desta grande riqueza biológica de Parelheiros estão também os problemas de natureza social, uma vez que parte da população não dispõe de condições adequadas de saneamento, saúde e transporte. Todas essas questões sociais podem se tornar objetos de discussão em projetos que levem o tema Sustentabilidade para a escola.
Além disso, a região de Parelheiros é um dos patrimônios geológicos mundiais, pois há cerca de 30 milhões de anos, com a queda de um meteorito, formou-se a “Cratera de Parelheiros” ou “Cratera de Colônia” 50. o aproveitamento do patrimônio natural e cultural recursos de Parelheiros que podem ser desenvolvidos pelo governo ou por outros agentes sociais podem produzir subsídios para atividades de educação integral nas escolas. Um exemplo da exploração das possibilidades oferecidas pelo território pode ser visto no trabalho autoral desenvolvido por um ex-aluno do CEU Butantã, onde traz a dimensão de uma visão especial do território51.
Ele também demonstra uma visão crítica do local onde vive, o que pode levá-lo a se tornar um cidadão ativo e engajado política e socialmente em sua comunidade. Seu texto enfatiza o contraste que ele estabelece entre os cuidados que levam o CEU a ser bem estruturado, em comparação com outras localidades onde tais cuidados estão ausentes. Assim, com o relatório “Paisagem, o que vejo?”, é possível acompanhar o trabalho interdisciplinar na Educação Integral, onde são acessíveis elementos de geografia, ciência, arte, cultura, matemática, línguas e história.
A diversidade na arte
É possível trabalhar com os alunos as concepções de geologia, topografia e tempo geológico na paisagem local; é possível observar a diversidade de elementos biológicos que compõem a paisagem; é possível realizar a reconstrução histórica da paisagem local através da aquisição de mapas cartográficos; é possível dimensionar o espaço adquirindo recursos matemáticos; é possível observar e realizar atividades educativas baseadas na cultura local, como a das comunidades indígenas residentes na cidade de São Paulo; é possível observar as tradições da região e também produzir registros e materiais de autoria dos alunos, como blogs, desenhos, fotografias e registros em jornais e revistas da região. A partir da observação do quadro intitulado “Operários”, de Tarsila do Amaral, o aluno pode ser orientado a observar a diversidade étnica presente na obra e toda a dimensão histórica e social que representa o trabalhador na cidade de São Paulo. Porém, com a observação das pinturas representadas pela Arte Naïf, os alunos podem ser estimulados a discutir sobre os processos de imigração/migração na cidade de São Paulo e suas tradições alimentares e culturais, para traçar um panorama histórico através da arte.
Na literatura, a arte do cordel pode proporcionar um trabalho não só com a língua, mas também sua relação com o meio ambiente e a cultura regional. Nesse sentido, os alunos também podem ser incentivados a produzir os seus próprios cordéis, com base nos territórios e paisagens onde estão instaladas as suas unidades educativas. No cinema, filmes comerciais como o “Bee Movie” podem fazer com que os alunos observem e discutam as interações sociais das abelhas, bem como de outros insetos sociais, como cupins e formigas.
Neste caso, abre-se a oportunidade de trazer um agente de outro espaço, neste caso o apicultor, para tratar da produção de mel com os alunos. Atividades que tragam o tema da diversidade para a arte poderão ser realizadas no período ampliado da Educação Integral, levando em consideração a articulação dos diversos agentes que compõem a escola (professores, alunos, famílias e comunidade da área).
Que som é esse?”
Os projetos propostos neste documento são apresentados como algumas das possibilidades de trabalhar o “Território do Conhecimento”, no campo da sustentabilidade socioambiental, em escolas da cidade de São Paulo na perspectiva da educação integrada. As oportunidades de trabalho se ampliam à medida que se considera o tamanho da cidade e as diferentes formas de olhar para as características biológicas, paisagísticas e culturais em que a comunidade escolar está inserida.É fruto de um trabalho coletivo apoiado no diálogo entre professores, gestores, professores e equipe do Programa São Paulo Integral por meio dos seminários gerais e regionais realizados em diferentes salas da cidade de São Paulo, nas diretorias regionais de educação e nos diferentes polos onde é realizado o curso educacional “Educação integral: potencialidades educativas nos territórios do conhecimento” aconteceu.
Território”, além de temas como culturas infantis, corpo e movimento e sustentabilidade socioambiental, que estão articulados com os conceitos do Programa São Paulo Integral. O “território do conhecimento” apresenta-se como um novo conceito que permite incluir no currículo as experiências do professor, do aluno ou da comunidade local, com a possibilidade de trabalhar em outros espaços dentro ou fora da sala de aula na perspectiva da cidade educativa. Nesse sentido, as discussões e propostas que se materializam no texto respondem à grande diversidade cultural, social, paisagística, estrutural inerente às escolas da rede municipal de São Paulo bem como à própria cidade.
O documento não termina aqui, pois as ações pedagógicas nas escolas permanecem, e não foi possível, dado o curto período de existência do programa, nas formações e nos acompanhamentos considerar todo o debate possível nas Áreas de Conhecimento. O intercâmbio e o diálogo entre todos os sujeitos envolvidos na Educação Integral devem ser promovidos a fim de criar novos elementos de discussão. Nesse sentido, defendemos que este texto seja constantemente retomado para reconsideração, para que promova uma visão crítica dos elementos que compõem o cotidiano das atividades escolares no âmbito do trabalho pedagógico da Educação Integral.