Este trabalho de curso tem como objetivo registrar as memórias da comunidade de Bom Jesus do município de Santo Antônio do Tauá/PA, a partir da festa de São Sebastião. Os fiéis estão felizes com a chegada de janeiro: as Ladainhas de São Sebastião em Bom Jesus.
Alegrai-vos, irmãos devotos, ao ouvir som de tambor: glorioso São Sebastião que em vossa casa chegou
Abençoai os seus devotos, com vosso divino amor: Job Barbosa e sua história com Bom Jesus
Cresceram, e mais tarde esta se juntou à família Ataíde e tomou posse dos territórios mais próximos, que deram origem à comunidade do Bom Jesus. Meu tio Adimilson Ataíde, morador da comunidade do Edém, tirou uma foto do Jurandir Ataíde representando o Santo da sua comunidade e do Jó Barbosa o do Bom Jesus.
Os devotos se alegram com a chegada de janeiro: as ladainhas de São Sebastião em Bom Jesus
Virgo Clemens, ora pro nobis Virgo Fidelis, ora pro nobis Speculum iustitiae, ora pro nobis Sedes sapientiae, ora pro nobis, causa beatae beatitudinis, ora pro nobis Vasspirituale, ora pro nobis vas honorabile, ora pro nobis O vas consecrationis. ora pro nobis Rosam Mysticam, ora pro nobis.
Cheirou cravo, cheirou rosa no sacrário de Maria: as folias de São Sebastião em Bom Jesus
Sentiu o cheiro do cravo, sentiu o cheiro das rosas no sacrário de Maria: as celebrações de São Sebastião no Bom Jesus. As comemorações do Bom Jesus nos aproximam de festas muito mais conhecidas no Pará, como São Benedito em Bragança, apesar de ter algumas características comuns, apresenta diferenças. Foi através deste trabalho e da constante insistência na atualização do grupo que conseguimos reavivar as comemorações, em conversas com Oneide Furtado, Manoel de Belém e outros membros da comunidade.
As comemorações passaram a fazer parte da programação da festa de São Sebastião 2016, todas as manhãs e noites faziam romarias familiares e a diversão foi o que despertou a curiosidade de todo o setor Bom Jesus. Então, nessa alegria, a diversão que foi atualizada foi o evento mais comentado do ano na comunidade. Não esquecendo que todos os entretenimentos são tocados no mesmo ritmo, com melodias e letras diferentes.
O que se percebe é que a principal preocupação não é a mudança que o entretenimento sofre, mas o que ele representa no Bom Jesus, naquele período específico.
Abre as portas Jurema, pra soltar os meus cavalheiros e não deixar o malpassar
Talvez a viola de Job Barbosa tivesse a esperança de que um dia suas cordas ressoassem a nota que ele mesmo criou, à parte de Job Barbosa. Para a família, foi um presente que ele teve: “Acho que ele já tinha o dom dele, se não fosse o dom dele, isso não teria acontecido, ele não teria desculpa”, relata sua filha Cristina Furtado11 . . Para compreender esse universo é necessário criar uma perspectiva ampla neste aspecto, pois o dom do xamanismo possui uma categoria própria que se desenvolve de acordo com o local e o tempo em que ocorre.
Ele enrolava o que chamamos de tabaco temperado, transformava esse tabaco em tempero e transformava-o em tauari, incenso, mirra e benjoim eram as três coisas que ele usava. Todos os materiais de Jó, bem como o violão que ele usava para tocar litanias, fólios e maracás, estão guardados na casa de sua filha Kristina. Ele disse isto: que o homem reinasse com ele, ele colocou o que não queria.
Há uma concretude em que esses seres sobrenaturais estão concentrados nas áreas verdes, são os guardiões da floresta e que depois de um certo tempo não podem perturbar a mãe natureza, o que aconteceu com o filho de Jó foi uma flecha porque o lugar onde ele foi tomar banho, acredita-se ser justamente a casa da Pena Verde, e o que se sabe sobre esta criatura é que ela é um nativo defensor da floresta e da água.
Pena e Maracá: as práticas de pajelança de Job Barbosa
Levando em conta a crença que Jó exercia em relação à pajelança que existia na sociedade, essa crença não se limitava ao Bom Jesus, mas numa dimensão que não é apenas amazônica. Para este tema utilizarei o termo reconectar, pois não há necessidade de conectar o que sempre esteve conectado. É preciso bom senso por parte das pessoas para abrir a mente ao conhecimento que não se limita à fé, como já foi dito. história do povo, do homem. Nesse sentido, não devemos culpar um indivíduo preconceituoso por obter o que a sociedade impõe. Antes de qualquer conhecimento entrar na nossa memória, devemos adquirir cultura, pois ela nos leva a lutar por aquilo que acreditamos.
Hoje não discuto esse tema com maestria, mas entendo que não importa o que a outra pessoa pensa, o importante é ter consciência de que existem outras religiões, outras culturas, outras identidades, e que o respeito é fundamental para nós viver juntos. Quando Job Barbosa confiou a Rozivaldo Moraes a responsabilidade de dar continuidade à tradição, fui levado a acreditar naquele momento que um ciclo se estabeleceu, que ele não morreu e chegou até mim de outra forma. Ora, os “todos” organizados geram qualidades que não podem existir no estado das partes, mas que podem afetar as partes.
Aqui enfatizo que não importa a religião do indivíduo que precisa ser reconectado, em geral o xamanismo sempre foi e é um fenômeno que não se limita à religião, é a religiosidade como muitas pessoas acreditam.
As vozes ditas do outro lado
O método da história oral permite registrar as lembranças das memórias individuais, enfim, a reinterpretação do passado, pois segundo Walter Benjamim cada um de nós é um personagem histórico (THOMPSON, 1992, p.18-19). Assim, a história falada adquire uma credibilidade muito ampla, pois prioriza todo tipo de assunto, independente de raça, cor, religião, o mais importante é o poder que as experiências pessoais ganham neste método de história oral. Mas não é apenas a questão da individualidade em si que entrelaça a história oral na obra, mas sim uma ligação com questões sociais.
Nota-se que a amplitude da história oral amplia metodologias que auxiliam nos momentos de entrevistas, pois além de o pesquisador trazer vozes, para o amadurecimento intelectual, ele interage diretamente com os fatos ocorridos, caso já tenha participado desse evento. . Dessa forma, entende-se que trabalhar com a metodologia da História Oral conta com todo um conjunto de atividades antes e depois da gravação dos depoimentos. Considerando o papel que a História Oral reflete na sociedade, que no meio das entrevistas esses papéis são analisados pelo ouvinte “observa-se, portanto, que a metodologia da história oral permite compreender a construção histórica de uma comunidade, de uma sociedade , ou de um conjunto (..) de produções artístico-culturais, além do estudo da história política e econômica..” (BEZERRA, 2013, p.48-49).
Portanto, acredito que a história oral é um encontro de saberes que conecta, define um determinado assunto e reativa tradições, discute relações sociais, transmite experiências individuais e acima de tudo atinge um altíssimo nível de discussão que reconstrói histórias.
Memórias de vida
Não bastaria dizer: no ponto de intersecção de uma série de pensamentos que nos ligam a um grupo (aqui com a família) e outro que inclui apenas as sensações que nos chegam das coisas: tudo seria posto em causa novamente, desde então. , essas imagens de coisas que não existem se não fosse por nós, uma parte da nossa memória não caberia em nenhuma memória coletiva. Este reconhecimento do carácter potencialmente problemático de uma memória colectiva já anuncia uma inversão de perspectiva que caracteriza o trabalho actual sobre este fenómeno. É claro que a memória é introduzida no estudo desses grupos, pois é uma teoria capaz de compreender uma sociedade de uma forma diferente, portanto não rejeita experiências pessoais.
Muitos grupos culturais, religiosos e sociais existiram na humanidade, mas acabaram com o tempo e desapareceram, pois mesmo as informações que existem nesses locais foram apenas escritas e não ouvidas, e “a história da história não deveria tratar apenas da produção histórica profissional, mas com todo um conjunto de fenômenos que compõem a cultura histórica, ou melhor, a mentalidade histórica de uma época" (LE GOFF, 2003, p.49). São indivíduos que já viveram diferentes períodos, por isso se tornam membros fundamentais, pois “desta forma a memória serve também para não perder factos, acontecimentos que fazem parte da história humana e dos quais a história tradicional não tratou de registar”. Assim podemos concluir que a memória é um vínculo que atravessa o passado e o presente que é capaz de criar e recriar a história de um lugar, de uma comunidade e de uma sociedade através da qual se estrutura o conhecimento cultural e pessoal.
A memória é o nosso corpo, capaz de nos reconstruir como pessoa, pois através dessas memórias pude relembrar minha infância, como mencionei no início, e transmitir essa infinidade de memórias em todas as áreas da vida.
Processo Criativo: Bom Jesus em cena
Os materiais utilizados na encenação têm uma relação direta com o contexto trabalhado no Bom Jesus. Os resultados foram muito positivos, trabalhar com o grupo “Bom Jesus em cena” teve como objetivo adquirir conhecimentos, realizar trocas e aprender. É o momento em que a cena sai daquele momento confortável, em que o tradicionalismo é quebrado e um novo contexto histórico do Bom Jesus é inserido.
Portanto posso dizer que o processo criativo me trouxe experiências numa nova dimensão, ajudou-me a compreender novas possibilidades e uma interação diferente com as gentes do Bom Jesus. Dessa forma, a história oral aproximou desses jovens memórias de litanias, festejos, pajelança e da festa de São Sebastião em Bom Jesus. Os objetos vistos pelos tocadores (como a viola, o maracá, a cabaça e a imagem de São Sebastião usada por Job Barbosa) os convencem a reproduzir as histórias desse lugar.
Também tive que ficar muito tempo em Bom Jesus, mesmo morando em Belém, pois não havia condições financeiras para os atores viajarem para a cidade.
A festividade de São Sebastião em Bom Jesus
Nesse período surgiu a festa de São Sebastião em Bom Jesus, assim como em todas as demais comunidades que adotaram a festa, cada uma com seus santos. Destacarei aqui minha experiência durante a Festa de São Sebastião na comunidade de Bom Jesus em Santo Antônio do Tauá em 2016. Romaria em São Sebastião.
A procissão continuou, foi uma noite cheia de emoções, em frente às casas houve homenagens a São Sebastião. É nesta dimensão que a procissão de São Sebastião acontece todos os anos, renovando-se e procurando melhorias, para receber novos componentes e para renovar a tradição de uma comunidade. Este grupo apresentou o espetáculo São Sebastião, uma flecha pelo amor de Cristo, no seu maior estilo a história de São Sebastião em Bom Jesus.
As litanias e celebrações de São Sebastião foram durante algum tempo a história viva da comunidade do Bom Jesus. A história oral foi fundamental para a compreensão dos detalhes de cada sujeito, para ser inserido em um coletivo, principalmente nas litanias e celebrações de São Sebastião no Bom Jesus. As litanias e celebrações de São Sebastião são apenas um ponto de partida que abre novas possibilidades.