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REVISTA DE DIREITO DA

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Academic year: 2023

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Se o Brasil, caracterizado por profundas desigualdades sociais, já apresenta um déficit considerável na efetivação dos direitos básicos das pessoas comuns, quanto mais dos deficientes. Apesar da extensa lista de direitos da pessoa com deficiência incluída na Constituição Brasileira e da edição do Estatuto da Pessoa com Deficiência, muito ainda precisa ser feito para concretizar esses direitos. O reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência decorre do desenvolvimento da compreensão dos direitos contidos na Declaração de que “as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.

O direito a uma vida digna das pessoas com deficiência está garantido tanto no artigo 10.º da Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, como no artigo 10.º do Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Do direito à autonomia e à liberdade

21 da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, é garantido às pessoas com deficiência o direito "à liberdade de expressão e. A introdução da “língua de sinais, braile, comunicação aumentativa e alternativa e todos os demais meios, meios e formas de comunicação disponíveis” (BRASIL, 2009)36 deve ser escolhida pelas pessoas com deficiência. A Convenção Internacional sobre Pessoas com Deficiência garante às pessoas com deficiência o direito de "participar efetiva e plenamente na vida política e pública em igualdade de condições com as demais pessoas, diretamente ou por meio de representantes livremente eleitos, incluindo o direito e a oportunidade de votar e ser votado ( BRASIL, 2009)48.

Aumentar a participação de pessoas com deficiência nos processos eleitorais ainda depende de muitas ações efetivas. O conceito de mobilidade alinha a realidade das pessoas com deficiência física com a realidade dos idosos, gestantes, obesos, bem como daqueles que se encontram temporariamente com mobilidade reduzida, devido a fraturas e operações. Esse direito ainda está longe de ser concretizado no cotidiano das pessoas com deficiência.

Por isso, são analisados ​​mais de perto alguns desses direitos, cujo acesso consiste em pressupostos básicos para o exercício das liberdades pelas pessoas com deficiência. As pessoas com deficiência precisam de condições para desenvolver plenamente suas capacidades para que possam efetivamente viver com dignidade. A dignidade das pessoas com deficiência exige que, em igualdade de condições com as demais pessoas, seja garantido o direito à participação e ao acesso às manifestações culturais e desportivas, bem como aos locais de turismo e lazer.

Para que este direito seja exercido, deve ser assegurado que as pessoas com deficiência "possam escolher o seu local de residência e onde e com quem querem viver, em pé de igualdade com as outras pessoas, e que não sejam obrigadas a viver num determinado tipo de alojamento". O Estatuto da Pessoa com Deficiência prevê expressamente que os construtores e promotores responsáveis ​​pela concepção e construção de edifícios multifamiliares de uso privado: cumpram "as normas de acessibilidade na forma estatutária"85; garantir.

ACESSIBILIDADE: DIREITO FUNDAMENTAL EM FAVOR DA LIBERDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Todos os direitos acima referidos conduzem à garantia de um nível de vida adequado a uma vida digna, pelo que no art. 28 da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência: a) a um padrão de vida adequado para si e suas famílias, incluindo alimentação, vestuário e moradia adequados; b) melhoria contínua de suas condições de vida; Seu planejamento, construção e operação implicam na implementação de inúmeros obstáculos, invisíveis para outras pessoas, mas que tornam extremamente difícil para pessoas que não se enquadram no padrão médio, como é o caso de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Embora o artigo 23.º da lei determine a atribuição anual de dotações orçamentais para “[..] adaptações, eliminações e supressão das barreiras arquitectónicas existentes nos edifícios de uso público de sua propriedade e nos que se encontrem sob a sua administração ou utilização [. .]”. (BRASIL, 2000b), ainda hoje, 20 anos depois, são inúmeros os órgãos e serviços públicos que não promoveram adaptações e a supressão de barreiras que impedem o gozo dos direitos das pessoas com deficiência.

Os critérios técnicos adequados para garantir a acessibilidade são estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 94 A Lei define acessibilidade como “a possibilidade e condição de acesso para uso seguro e autônomo do espaço, mobiliário, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, incluindo seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público público, para uso público ou uso coletivo privado, tanto em áreas urbanas quanto rurais, por pessoas com deficiência ou pessoas com mobilidade reduzida A fim de permitir que as pessoas com deficiência vivam de forma independente e participem plenamente de todos os aspectos da vida, os Estados Partes tomarão as medidas apropriadas medidas para garantir que as pessoas com deficiência tenham igualdade de acesso ao ambiente físico, transporte, informação e comunicação, incluindo sistemas e tecnologias de informação e comunicação, bem como a outros serviços e instalações abertos ao público ou para uso público, tanto em áreas urbanas e rurais”.

222 inclui a adoção de tecnologias assistivas, a difusão da língua brasileira de sinais e, sobretudo, uma atitude não excludente e discriminatória. A Lei 13.146 de 2015, ao assegurar que “toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá qualquer forma de discriminação”, também faz o contraponto. 4º considera discriminação “toda forma de distinção, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha por objeto ou efeito prejudicar, impedir ou destruir o reconhecimento ou o exercício dos direitos e liberdades fundamentais das pessoas com deficiência” inclusive neste conceito “ a recusa de adequações razoáveis ​​e o fornecimento de tecnologias de apoio (BRASIL, 2015a).

DISCRIMINAÇÃO E IMPEDIMENTO AO EXERCÍCIO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Revista de Direito da Administração Pública, ISSN a. 5, v. 1, nº 3, Dossiê Temático: Estado e políticas públicas, 2020, p. 223 questões diversas como: a) meios materiais obrigatórios que permitam condições dignas de embarque para cadeirantes em aviões99; c) determinar a adoção do braile nos contratos de adesão bancária celebrados com deficientes visuais101; d) Dever de adaptação da escola, independentemente de ter alunos ou funcionários com deficiência102; e) Garantia de permanência em cargo público negada por limitações físicas103. O Brasil assumiu obrigações em nível internacional com o objetivo de alcançar a interação social independente da pessoa com deficiência, sobretudo garantindo a acessibilidade, essencial para a autodeterminação do indivíduo com dificuldade de locomoção. 9/2007 da Agência Nacional de Aviação Civil, com vigência desde 14/6/2007, até que atribuiu às transportadoras aéreas a obrigação de assegurar os meios de livre acesso da pessoa com deficiência ao interior da aeronave, conforme assim se aplica aos fatos conhecidos na demanda” (BRASIL, 2019b).

A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência impôs aos Estados signatários a obrigação de assegurar às pessoas com deficiência o exercício pleno e igualitário de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais, concedendo-lhes tratamento substancialmente igual (diferenciado em relação à sua desigualdade) e, portanto, não discriminatória, acessibilidade física e de comunicação e informação, inclusão social, autonomia e independência (na medida do possível, é claro) e liberdade para fazer suas próprias escolhas, tudo para alcançar o princípio maior da Humanidade Dignidade. Pessoa. O dever de garantir a plena acessibilidade de pessoas com deficiência física a prédios e espaços públicos, ainda que de propriedade privada, independe da existência de usuários atuais demandando atenção, pois não é um mandato legal que não visa beneficiar sujeitos individualizados ( com nome e sobrenome, juiz in concreto), mas de propósito geral (para o futuro, juiz in abstracto). É reconhecida como discriminação legal em concursos públicos a chamada reserva de vagas para portadores de necessidades especiais, para a qual se refere o art.

Entretanto, quando este artigo é analisado à luz do conceito de discriminação e barreira, trazidos pela mesma norma, é possível vislumbrar o crime de discriminação, por ação ou omissão, que tenha por objetivo ou efeito prejudicar, impedir ou cancelar o reconhecimento ou o exercício dos direitos e liberdades fundamentais das pessoas com deficiência, incluindo a recusa de adaptação razoável e o fornecimento de tecnologia assistiva104. Ou seja, a discriminação de status é intencional, mas outros tipos de discriminação, que tenham o “efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício de direitos” das pessoas com deficiência, aceitam a modalidade culposa. Para tanto basta que haja um impedimento ou um obstáculo ao exercício dos direitos das pessoas com deficiência para que ocorra a discriminação e, nessa visão, dado que obstáculo consiste em qualquer barreira, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impede a participação social da pessoa, bem como o gozo, realização e exercício de seus direitos de acesso, liberdade de movimento e expressão, comunicação, acesso à informação, compreensão,

CONCLUSÃO

A inclusão social e espacial das pessoas com deficiência passa pela remoção de barreiras, sob pena de manter o modelo que elimina todas as possibilidades de valorização pessoal, acesso ao trabalho, acesso à autonomia privada. Por isso, é necessário para a efetivação integrada dos direitos das pessoas com deficiência a realização de ações públicas e privadas em prol da acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência. Dado que a participação política de muito poucas pessoas com deficiência trouxe assim enormes benefícios para o reconhecimento e implementação das mesmas.

227 direitos, o desenvolvimento da autonomia das pessoas com deficiência permitirá que elas participem ainda mais ativamente da vida política e, com isso, poderemos, com sua contribuição, cada vez mais em tempo e voz, construir um mundo menos desigual Brasil. Proclama a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinado em Nova York em 30 de março de 2007. com Deficiência - Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Determina normas gerais e critérios básicos para a promoção e acessibilidade de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências. 101 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias para a Reserva de Vagas de Deputado para Deficientes na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal e nas Câmaras Municipais durante os próximos quatro legislaturas. Brasília, DF: Supremo Tribunal Federal, [2020d] Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/decisoes/toc.jsp?pro cess=1.608.810&b=DTXT&thesaurus=JURIDICO&p=true.

Referências

Documentos relacionados

Atualmente, embora o Brasil tenha ratificado a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a qual estabelece que os incapazes têm o direito de