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COM DEFICIÊNCIA

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Academic year: 2023

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(1)

edições câmara

Deputados

LEGISLAÇÃO

SOBRE PESSOA

COM DEFICIÊNCIA

10ª EDIÇÃO

INCLUI

Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) Convenção sobre os Direitos das Pessoas

com Deficiência (Nova York, 2007)

Tratado de Marraqueche (Marraqueche, 2013) Lei do Atendimento Prioritário

Lei da Acessibilidade

Lei da Língua Brasileira de Sinais (Libras) Lei do Cão-Guia

Lei Berenice Piana

Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) Lei dos Portadores de Deficiência

Lei do Passe Livre Interestadual para Pessoa Portadora de Deficiência

Lei da Reforma Psiquiátrica Lei Romeo Mion

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Câmara dos Deputados 56ª Legislatura | 2019-2023 Presidente

Arthur Lira 1º Vice-Presidente Lincoln Portela 2º Vice-Presidente André de Paula 1º Secretário Odair Cunha 2ª Secretária Marília Arraes 3ª Secretária Geovânia de Sá 4ª Secretária Rosangela Gomes Suplentes de secretários 1º Suplente

Eduardo Bismarck 2º Suplente Gilberto Nascimento 3º Suplente Alexandre Leite 4º Suplente Cássio Andrade

Secretário-Geral da Mesa Ruthier de Sousa Silva Diretor-Geral

Celso de Barros Correia Neto

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edições câmara Deputados

LEGISLAÇÃO

SOBRE PESSOA

COM DEFICIÊNCIA

10ª EDIÇÃO

Symone Maria Bonfim (organizadora)

Edição atualizada até 27/6/2022

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Câmara dos Deputados

Diretoria Legislativa: Luciana da Silva Teixeira Consultoria Legislativa: Geraldo Magela Leite

Centro de Documentação e Informação: Maria Raquel Mesquita Melo Coordenação Edições Câmara: Ana Lígia Mendes

Coordenação de Organização da Informação Legislativa: Daniel Shim de Sousa Esashika Editoras: Luisa Souto e Silvia Renata de Lara Resende

Preparação e revisão: Seção de Revisão

Projeto gráfico: Leandro Sacramento e Luiz Eduardo Maklouf Diagramação: Diego Moscardini

Título até a 7ª edição: Legislação brasileira sobre pessoas com deficiência.

2004, 1ª edição; 2006, 2ª edição; 2006, 3ª edição (e-book); 2006, 4ª edição; 2009, 5ª edição; 2010, 6ª edição;

2013, 7ª edição; 2018, 8ª edição; 2020, 9ª edição; 2022, 10ª edição.

Nota do editor: as normas legais constantes desta publicação foram consultadas no Sistema de Legislação Informatizada (Legin) da Câmara dos Deputados.

Linha Legislativo; Série Legislação.

Série Legislação n. 6 e-book

Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) Coordenação de Biblioteca. Seção de Catalogação.

Bibliotecária: Débora Machado de Toledo – CRB1: 1303

Legislação sobre pessoa com deficiência [recurso eletrônico] / Symone Maria Bonfim (organizadora).

– 10. ed. -- Brasília : Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2022. -- (Série legislação ; n. 6) Versão e-book.

“Edição atualizada até 27/6/2022”.

Título até 7. ed. : Legislação brasileira sobre pessoas com deficiência.

Modo de acesso: livraria.camara.leg.br Disponível, também, em formato impresso.

ISBN 978-85-402-0836-0

1. Pessoa com deficiência, legislação, Brasil. 2. Inclusão social, legislação, Brasil. 3. Direitos e garantias individuais, Brasil. I. Bonfim, Symone Maria. II. Série.

CDU 364-056.26(81)(094) ISBN 978-85-402-0835-3 (papel) ISBN 978-85-402-0836-0 (e-book)

Direitos reservados e protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/2/1998.

Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem prévia autorização da Edições Câmara.

Venda exclusiva pela Edições Câmara.

Câmara dos Deputados

Centro de Documentação e Informação – Cedi Coordenação Edições Câmara – Coedi

Palácio do Congresso Nacional – Anexo 2 – Térreo Praça dos Três Poderes – Brasília (DF) – CEP 70160-900 Telefone: (61) 3216-5833

livraria.camara.leg.br

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LEGISLAÇÃO FEDERAL BRASILEIRA SOBRE A PESSOA COM DEFICIÊNCIA: TRATAMENTO IGUALITÁRIO SUBSTANTIVO ...9 CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL ...12 [Dispositivos constitucionais referentes à pessoa com deficiência.]

EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 103, DE 2019 ...13 Altera o sistema de previdência social e estabelece regras de transição e disposições transitórias.

CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA (NOVA YORK, 2007) ...14 PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA (NOVA YORK, 2007) ...30 TRATADO DE MARRAQUECHE PARA FACILITAR O ACESSO A OBRAS PUBLICADAS ÀS PESSOAS CEGAS, COM DEFICIÊNCIA VISUAL OU COM OUTRAS DIFICULDADES PARA TER ACESSO AO TEXTO IMPRESSO (MARRAQUECHE, 2013) ...32 CONVENÇÃO INTERAMERICANA PARA A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO CONTRA AS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA (GUATEMALA, 1999) ...39 LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015 ...42 (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência)

Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

LEI Nº 4.613, DE 2 DE ABRIL DE 1965 ...59 Isenta dos impostos de importação e de consumo, bem como da taxa de despacho aduaneiro, os veículos especiais destinados a uso exclusivo de paraplégicos ou de pessoas portadoras de defeitos físicos, os quais fiquem impossi- bilitados de utilizar os modelos comuns.

LEI Nº 7.070, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1982 ...59 Dispõe sobre pensão especial para os deficientes físicos que especifica e dá outras providências.

LEI Nº 7.853, DE 24 DE OUTUBRO DE 1989 ...60 (Lei dos Portadores de Deficiência)

Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define crimes, e dá outras providências.

LEI Nº 8.742, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1993 ...64 (Lei Orgânica da Assistência Social – Loas)

Dispõe sobre a organização da Assistência Social e dá outras providências.

LEI Nº 8.899, DE 29 DE JUNHO DE 1994 ...78 (Lei do Passe Livre Interestadual para Pessoa Portadora de Deficiência)

Concede passe livre às pessoas portadoras de deficiência no sistema de transporte coletivo interestadual.

LEI Nº 8.989, DE 24 DE FEVEREIRO DE 1995 ...78 (Lei de Isenção do IPI para Compra de Automóveis)

Dispõe sobre a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis para utilização no transporte autônomo de passageiros, bem como por pessoas com deficiência.

LEI Nº 10.048, DE 8 DE NOVEMBRO DE 2000 ...80 (Lei do Atendimento Prioritário)

Dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e dá outras providências.

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LEI Nº 10.098, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000 ...81 (Lei da Acessibilidade)

Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de defi- ciência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.

LEI Nº 10.216, DE 6 DE ABRIL DE 2001 ...85 (Lei da Reforma Psiquiátrica)

Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assis- tencial em saúde mental.

LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002 ...87 (Lei da Língua Brasileira de Sinais – Libras)

Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e dá outras providências.

LEI Nº 10.845, DE 5 DE MARÇO DE 2004 ...87 Institui o Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência, e dá outras providências.

LEI Nº 11.126, DE 27 DE JUNHO DE 2005 ...88 (Lei do Cão-Guia)

Dispõe sobre o direito do portador de deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhado de cão-guia.

LEI Nº 12.711, DE 29 DE AGOSTO DE 2012 ...89 (Lei de Cotas nas Universidades)

Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências.

LEI Nº 12.715, DE 17 DE SETEMBRO DE 2012 ...90 Altera a alíquota das contribuições previdenciárias sobre a folha de salários devidas pelas empresas que especifica;

institui o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Auto- motores, o Regime Especial de Tributação do Programa Nacional de Banda Larga para Implantação de Redes de Telecomunicações, o Regime Especial de Incentivo a Computadores para Uso Educacional, o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica e o Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência;

restabelece o Programa Um Computador por Aluno; altera o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores, instituído pela Lei nº 11.484, de 31 de maio de 2007; altera as Leis nos 9.250, de 26 de dezembro de 1995, 11.033, de 21 de dezembro de 2004, 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 10.865, de 30 de abril de 2004, 11.774, de 17 de setembro de 2008, 12.546, de 14 de dezembro de 2011, 11.484, de 31 de maio de 2007, 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 11.196, de 21 de novembro de 2005, 10.406, de 10 de janeiro de 2002, 9.532, de 10 de dezembro de 1997, 12.431, de 24 de junho de 2011, 12.414, de 9 de junho de 2011, 8.666, de 21 de junho de 1993, 10.925, de 23 de julho de 2004, os Decretos-Leis nos 1.455, de 7 de abril de 1976, 1.593, de 21 de dezembro de 1977, e a Medida Provisória nº 2.199-14, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências.

LEI Nº 12.764, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2012 ...103 (Lei Berenice Piana)

Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3º do art. 98 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990.

LEI Nº 13.830, DE 13 DE MAIO DE 2019 ...105 Dispõe sobre a prática da equoterapia.

LEI Nº 13.977, DE 8 DE JANEIRO DE 2020 ...105 (Lei Romeo Mion)

Altera a Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012 (Lei Berenice Piana), e a Lei nº 9.265, de 12 de fevereiro de 1996, para instituir a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), e dá outras providências.

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Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, para dispor sobre parâmetros adicionais de caracterização da si- tuação de vulnerabilidade social para fins de elegibilidade ao benefício de prestação continuada (BPC), e estabelece medidas excepcionais de proteção social a serem adotadas durante o período de enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) responsável pelo surto de 2019, a que se refere a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020.

LEI Nº 13.985, DE 7 DE ABRIL DE 2020 ...108 Institui pensão especial destinada a crianças com Síndrome Congênita do Zika Vírus, nascidas entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2019, beneficiárias do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

DECRETO Nº 3.298, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1999 ...109 Regulamenta a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras providências.

DECRETO Nº 3.691, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000 ...118 Regulamenta a Lei nº 8.899, de 29 de junho de 1994, que dispõe sobre o transporte de pessoas portadoras de defi- ciência no sistema de transporte coletivo interestadual.

DECRETO Nº 5.085, DE 19 DE MAIO DE 2004 ...118 Define as ações continuadas de assistência social.

DECRETO Nº 5.296, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004 ...118 Regulamenta as Leis nos 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.

DECRETO Nº 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005 ...132 Regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000.

DECRETO Nº 5.904, DE 21 DE SETEMBRO DE 2006 ...138 Regulamenta a Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005, que dispõe sobre o direito da pessoa com deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhada de cão-guia e dá outras providências.

DECRETO Nº 6.214, DE 26 DE SETEMBRO DE 2007 ...141 Regulamenta o benefício de prestação continuada da assistência social devido à pessoa com deficiência e ao idoso de que trata a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, acresce parágrafo ao art. 162 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, e dá outras providências.

DECRETO Nº 7.235, DE 19 DE JULHO DE 2010 ...154 Regulamenta a Lei nº 12.190, de 13 de janeiro de 2010, que concede indenização por dano moral às pessoas com deficiência física decorrente do uso da talidomida.

DECRETO Nº 7.611, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2011 ...156 Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências.

DECRETO Nº 7.612, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2011 ...158 Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Plano Viver sem Limite).

DECRETO Nº 7.988, DE 17 DE ABRIL DE 2013 ...159 Regulamenta os arts. 1º a 13 da Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012, que dispõem sobre o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) e o Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Defi- ciência (Pronas/PCD).

DECRETO Nº 8.368, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2014 ...163 Regulamenta a Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

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DECRETO Nº 8.816, DE 20 DE JULHO DE 2016 ...164 Regulamenta a Lei nº 13.284, de 10 de maio de 2016, para dispor sobre a reserva de assentos para pessoas com deficiência e pessoas com mobilidade reduzida.

DECRETO Nº 9.296, DE 1º DE MARÇO DE 2018 ...166 Regulamenta o art. 45 da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

DECRETO Nº 9.345, DE 16 DE ABRIL DE 2018 ...168 Altera o Regulamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), aprovado pelo Decreto nº 99.684, de 8 de novembro de 1990, para dispor sobre as normas de movimentação da conta vinculada do FGTS para aquisição de órtese e prótese pelo trabalhador com deficiência.

DECRETO Nº 9.405, DE 11 DE JUNHO DE 2018 ...169 Dispõe sobre o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às microempresas e às empresas de pequeno porte, previsto no art. 122 da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

DECRETO Nº 9.451, DE 26 DE JULHO DE 2018 ...171 Regulamenta o art. 58 da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

DECRETO Nº 9.508, DE 24 DE SETEMBRO DE 2018 ...174 Reserva às pessoas com deficiência percentual de cargos e de empregos públicos ofertados em concursos públicos e em processos seletivos no âmbito da administração pública federal direta e indireta.

DECRETO Nº 9.762, DE 11 DE ABRIL DE 2019 ...176 Regulamenta os art. 51 e art. 52 da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, para dispor sobre as diretrizes para a trans- formação e a modificação de veículos automotores a fim de comporem frotas de táxi e de locadoras de veículos acessíveis a pessoas com deficiência.

DECRETO Nº 10.177, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2019 ...177 Dispõe sobre o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

DECRETO Nº 10.502, DE 30 DE SETEMBRO DE 2020 ...180 Institui a Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida.

DECRETO Nº 10.645, DE 11 DE MARÇO DE 2021 ...184 Regulamenta o art. 75 da Lei nº 13.146, de 6 julho de 2015, para dispor sobre as diretrizes, os objetivos e os eixos do Plano Nacional de Tecnologia Assistiva.

LISTA DE OUTRAS NORMAS E INFORMAÇÕES DE INTERESSE ���������������������������������������������������187

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A PESSOA COM DEFICIÊNCIA: TRATAMENTO IGUALITÁRIO SUBSTANTIVO

Symone Maria Bonfim1

Ao longo da sua trajetória evolutiva, a humanidade vivenciou o desen- volvimento lento e gradativo da percepção social da deficiência, com adoção de conceitos e tratamentos diversos, que variaram tanto em relação ao período histórico quanto aos valores éticos e culturais de cada povo ou nação.

Se, na Antiguidade, alguns povos pugnavam pelo extermínio dos indi- víduos com algum impedimento físico, sensorial, intelectual, mental – uma suposta intervenção de caráter divino –, a ascensão do cristianismo trouxe mu- danças em relação ao tratamento dedicado às pessoas com deficiência, as quais passaram a ser alvo de ações caritativas daqueles que buscavam purificação moral e espiritual.

Já a racionalidade inerente ao Iluminismo incluiu a deficiência na esfera da condição biológica humana, um “desvio” do padrão de normalidade vigente.

Essa percepção legitimava um tratamento diferenciado aos “desviantes” e con- tribuiu sobremaneira para a disseminação de estigmas, preconceitos, estereó- tipos e discriminações relativas às pessoas com deficiência.

Apesar de atitudes preconceituosas e discriminatórias direcionadas às pessoas com deficiência ainda serem perceptíveis nas relações sociais contem- porâneas, as duas grandes guerras do século XX contribuíram para uma gui- nada na quebra do paradigma de exclusão social que permeou a trajetória desse grupo. Especialmente após a Segunda Guerra Mundial, numerosos soldados que adquiriram uma deficiência nos campos de batalha passaram a exigir de suas sociedades um tratamento que lhes possibilitasse ser vistos como cida- dãos em igualdade de condições com os demais.

Na década de sessenta, incentivados pelos movimentos em defesa de negros, mulheres e outras minorias, o Ocidente viu surgir, tanto nos Estados Unidos quanto na Inglaterra, focos de resistência política de pessoas com defi- ciência que lutavam por equidade de acesso a direitos de cidadania e demanda- vam que a igualdade entre todos viesse a ser uma realidade fática e não apenas formal. Paralelamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a con- tribuir para a concretização de mudanças em nível global, com a divulgação da Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, em 1975, e a adoção do ano de 1981 como o Ano Internacional da Pessoa Deficiente.

Os movimentos políticos em defesa dos direitos das pessoas com defi- ciência atuavam de forma diferenciada, mas em busca de um objetivo comum:

1 Consultora legislativa da Câmara dos Deputados com atuação na área XXI (previdência, assistência social e direito previdenciário).

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mudar radicalmente a posição desse grupo na sociedade, isto é, romper com o estigma de fardo social, tornar essas pessoas protagonistas de sua própria his- tória e partícipes ativos do desenvolvimento social. Enquanto a vertente ameri- cana focou sua luta na conquista de direitos civis, o movimento inglês formulou um arcabouço teórico consistente para justificar suas reivindicações por um tratamento igualitário substantivo, que redundou no modelo social de deficiên- cia. Esse modelo teórico redefine a deficiência, que passa a ser entendida a partir da maneira como as sociedades tratam as pessoas com lesões. Em suma, as pessoas tornam-se deficientes pelo tratamento que a sociedade lhes impõe, não por causa de seus corpos. Doravante, a luta é pelo reconhecimento da de- ficiência como um aspecto da diversidade humana, visão que altera o modo como a sociedade lida com questões relacionadas a essa condição, tanto no campo formal quanto no campo material.

No Brasil, o movimento social da pessoa com deficiência identificou-se fortemente com a trajetória mundialmente descrita. Influenciados pelos movi- mentos internacionais e respaldados nas resoluções da ONU sobre a matéria, as quais enfatizavam a busca pela igualdade de direitos e de oportunidades, os Constituintes atenderam ao anseio popular e inseriram no texto da Carta Magna de 1988 o reconhecimento formal dos direitos de cidadania desse segmento, prevendo a adoção de diversas medidas para possibilitar a plena inclusão social.

Em 2008, a incorporação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência com status de emenda constitucional, assim como a aprova- ção da Lei nº 13.146/2015, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência e regulamenta dispositivos da referida convenção, corroborou a disposição do Parlamento brasileiro para consolidar uma mudança paradig- mática. Com os referidos atos normativos, a deficiência passa a ser vista como uma questão social e, como tal, demanda a adoção de medidas para eliminar barreiras físicas, informacionais e atitudinais e para garantir a plena inclusão social da pessoa com deficiência na vida comunitária.

É importante salientar que as normas mencionadas não preveem bene- fícios nem privilégios, pois não é esse o tipo de apoio necessário. Em nosso país, as pessoas com deficiência ainda são tratadas com preconceito e discriminação e têm seus direitos fundamentais sistematicamente negados. Nesse contexto, leis, decretos, portarias e congêneres são instrumentos de acessibilidade na acepção mais ampla desse termo, visto que possibilitam o exercício de direitos e de participação social.

Embora a Constituição Federal e a Convenção sobre os Direitos das Pes- soas com Deficiência sejam marcos em relação aos direitos das pessoas com de- ficiência no Brasil, e não sejam desprezíveis as conquistas advindas da copiosa legislação infraconstitucional sobre o tema, é forçoso reconhecer a enorme dis- tância entre a norma legal e sua efetivação. Contribui para a situação a pouca

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divulgação do arcabouço jurídico protetivo das pessoas com deficiência. Num país de dimensões continentais, com uma distribuição populacional heterogê- nea tanto do ponto de vista territorial quanto do acesso à informação, mostra-se essencial o desenvolvimento de mecanismos de divulgação dos preceitos cons- titucionais, legais e infralegais aos seus destinatários, empoderando-os para que lutem pela efetivação dos seus direitos.

A edição e contínua atualização da coletânea sobre a legislação relativa à pessoa com deficiência, pelas Edições Câmara, tem um papel decisivo na dis- seminação das normas relacionadas a esse segmento populacional. Pela via impressa ou por meio digital, com estrita atenção às leis de acessibilidade, esta publicação possibilita que não só as pessoas com deficiência, mas toda a po- pulação possa conhecer o conteúdo das normas e contribuir para sua efetiva- ção. Não há dúvidas de que só alcançaremos uma sociedade verdadeiramente inclusiva, que respeita o exercício pleno dos direitos fundamentais de todos os indivíduos sem qualquer discriminação, se pudermos garantir àqueles em si- tuação de desvantagem a inclusão e a igualdade de condições e oportunidades no exercício de seus direitos de cidadania e na participação ativa na sociedade.

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CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

(Publicada no DOU de 5/10/1988)

[Dispositivos constitucionais referentes à pessoa com defi- ciência.]

[...]

TÍTULO II – DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS [...]

CAPÍTULO II – DOS DIREITOS SOCIAIS [...]

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

[...]

XXXI – proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do traba- lhador portador de deficiência;

[...]

TÍTULO III – DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO [...]

CAPÍTULO II – DA UNIÃO [...]

Art. 23. É competência comum da União, dos Es- tados, do Distrito Federal e dos Municípios:

[...]

II – cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência;

[...]

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distri- to Federal legislar concorrentemente sobre:

[...]

XIV – proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;

[...]

CAPÍTULO VII – DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Seção I – Disposições Gerais

Art. 37. A administração pública direta e indire- ta de qualquer dos Poderes da União, dos Esta- dos, do Distrito Federal e dos Municípios obede- cerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:

[...]

VIII – a lei reservará percentual dos cargos e em- pregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;

[...]

Seção II – Dos Servidores Públicos (Redação dada pela EC nº 18, de 1998) [...]

Art. 40. O regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargos efetivos terá ca- ráter contributivo e solidário, mediante contribui- ção do respectivo ente federativo, de servidores ativos, de aposentados e de pensionistas, obser- vados critérios que preservem o equilíbrio finan- ceiro e atuarial. (Caput do artigo com redação dada pela EC nº 103, de 2019)

[...]

§ 4º É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para concessão de benefícios em re- gime próprio de previdência social, ressalvado o disposto nos §§ 4º-A, 4º-B, 4º-C e 5º. (Parágrafo com redação dada pela EC nº 103, de 2019)

§ 4º-A. Poderão ser estabelecidos por lei com- plementar do respectivo ente federativo idade e tempo de contribuição diferenciados para apo- sentadoria de servidores com deficiência, previa- mente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdis- ciplinar. (Parágrafo acrescido pela EC nº 103, de 2019)

[...]

TÍTULO VIII – DA ORDEM SOCIAL [...]

CAPÍTULO II – DA SEGURIDADE SOCIAL [...]

Seção III – Da Previdência Social Art. 201. [...]

§ 1º É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para concessão de benefícios, res- salvada, nos termos de lei complementar, a pos- sibilidade de previsão de idade e tempo de con- tribuição distintos da regra geral para concessão de aposentadoria exclusivamente em favor dos segurados: (Parágrafo com redação dada pela EC nº 103, de 2019)

I – com deficiência, previamente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar; (Inciso acrescido pela EC nº 103, de 2019)

[...]

Seção IV – Da Assistência Social

Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribui- ção à seguridade social, e tem por objetivos:

(13)

[...]

IV – a habilitação e reabilitação das pessoas por- tadoras de deficiência e a promoção de sua inte- gração à vida comunitária;

V – a garantia de um salário mínimo de benefí- cio mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de pro- ver à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.

[...]

CAPÍTULO III – DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO

Seção I – Da Educação [...]

Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:

[...]

III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;

[...]

CAPÍTULO VII – DA FAMÍLIA, DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE, DO JOVEM E DO IDOSO

(Denominação do capítulo com redação dada pela EC nº 65, de 2010) [...]

Art. 227. [...]

§ 1º O Estado promoverá programas de assistên- cia integral à saúde da criança, do adolescente e do jovem, admitida a participação de entidades não governamentais, mediante políticas específi- cas e obedecendo aos seguintes preceitos: (Parágra- fo com redação dada pela EC nº 65, de 2010)

[...]

II – criação de programas de prevenção e aten- dimento especializado para as pessoas portado- ras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência, mediante o trei- namento para o trabalho e a convivência, e a fa- cilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação. (Inciso com redação dada pela EC nº 65, de 2010)

§ 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas por- tadoras de deficiência.

[...]

TÍTULO IX – DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS GERAIS [...]

Art. 244. A lei disporá sobre a adaptação dos lo- gradouros, dos edifícios de uso público e dos veí- culos de transporte coletivo atualmente existen- tes a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência, conforme o disposto no art. 227, § 2º.

EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 103, DE 2019

(Publicada no DOU de 13/11/2019)

Altera o sistema de previdência social e estabelece regras de transição e disposições transitórias.

As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do § 3º do art. 60 da Consti- tuição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:

[…]

Art. 8º Até que entre em vigor lei federal de que trata o § 19 do art. 40 da Constituição Federal, o servidor público federal que cumprir as exigências para a concessão da aposentadoria voluntária nos termos do disposto nos arts. 4º, 5º, 20, 21 e 22 e que optar por permanecer em atividade fará jus a um abono de permanência equivalente ao valor da sua contribuição previdenciária, até completar a idade para aposentadoria compulsória.

[…]

Art. 22. Até que lei discipline o § 4º-A do art. 40 e o inciso I do § 1º do art. 201 da Constituição Federal, a aposentadoria da pessoa com deficiência segu- rada do Regime Geral de Previdência Social ou do servidor público federal com deficiência vincula- do a regime próprio de previdência social, desde que cumpridos, no caso do servidor, o tempo mí- nimo de 10 (dez) anos de efetivo exercício no ser- viço público e de 5 (cinco) anos no cargo efetivo em que for concedida a aposentadoria, será con- cedida na forma da Lei Complementar nº 142, de 8 de maio de 2013, inclusive quanto aos critérios de cálculo dos benefícios.

Parágrafo único. Aplicam-se às aposentadorias dos servidores com deficiência dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios as normas cons- titucionais e infraconstitucionais anteriores à data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional, enquanto não promovidas alterações na legisla- ção interna relacionada ao respectivo regime pró- prio de previdência social.

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Art. 23. A pensão por morte concedida a depen- dente de segurado do Regime Geral de Previdên- cia Social ou de servidor público federal será equi- valente a uma cota familiar de 50% (cinquenta por cento) do valor da aposentadoria recebida pelo se- gurado ou servidor ou daquela a que teria direito se fosse aposentado por incapacidade permanen- te na data do óbito, acrescida de cotas de 10 (dez) pontos percentuais por dependente, até o máxi- mo de 100% (cem por cento).

[…]

§ 2º Na hipótese de existir dependente inválido ou com deficiência intelectual, mental ou grave, o valor da pensão por morte de que trata o caput será equivalente a:

I – 100% (cem por cento) da aposentadoria rece- bida pelo segurado ou servidor ou daquela a que teria direito se fosse aposentado por incapacidade permanente na data do óbito, até o limite máxi- mo de benefícios do Regime Geral de Previdência Social; e

II – uma cota familiar de 50% (cinquenta por cento) acrescida de cotas de 10 (dez) pontos per- centuais por dependente, até o máximo de 100%

(cem por cento), para o valor que supere o limite máximo de benefícios do Regime Geral de Previ- dência Social.

§ 3º Quando não houver mais dependente invá- lido ou com deficiência intelectual, mental ou gra- ve, o valor da pensão será recalculado na forma do disposto no caput e no § 1º.

§ 4º O tempo de duração da pensão por morte e das cotas individuais por dependente até a per- da dessa qualidade, o rol de dependentes e sua qualificação e as condições necessárias para en- quadramento serão aqueles estabelecidos na Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991.

§ 5º Para o dependente inválido ou com defi- ciência intelectual, mental ou grave, sua condi- ção pode ser reconhecida previamente ao óbito do segurado, por meio de avaliação biopsicosso- cial realizada por equipe multiprofissional e inter- disciplinar, observada revisão periódica na forma da legislação.

[…]

Art. 36. Esta Emenda Constitucional entra em vigor:

I – no primeiro dia do quarto mês subsequente ao da data de publicação desta Emenda Consti- tucional, quanto ao disposto nos arts. 11, 28 e 32;

II – para os regimes próprios de previdência so- cial dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni-

cípios, quanto à alteração promovida pelo art. 1º desta Emenda Constitucional no art. 149 da Cons- tituição Federal e às revogações previstas na alí- nea a do inciso I e nos incisos III e IV do art. 35, na data de publicação de lei de iniciativa privativa do respectivo Poder Executivo que as referende inte- gralmente;

III – nos demais casos, na data de sua publica- ção.

Parágrafo único. A lei de que trata o inciso II do caput não produzirá efeitos anteriores à data de sua publicação.

Brasília, em 12 de novembro de 2019.

Mesa da Câmara dos Deputados

Rodrigo Maia (Presidente), Marcos Pereira (1º Vice-Presi- dente), Luciano Bivar (2º Vice-Presidente), Soraya Santos (1ª Secretária), Mário Heringer (2º Secretário), Fábio Faria (3º Secretário), André Fufuca (4º Secretário).

Mesa do Senado Federal

Davi Alcolumbre (Presidente), Antonio Anastasia (1º Vice- -Presidente), Lasier Martins (2º Vice-Presidente), Sérgio Pe- tecão (1º Secretário), Eduardo Gomes (2º Secretário), Flávio Bolsonaro (3º Secretário), Luis Carlos Heinze (4º Secretário).

CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

(NOVA YORK, 2007)

(Aprovada pelo Decreto Legislativo nº 186 de 2008 e promulgado pelo Decreto nº 6.949, de 25/8/2009)

Preâmbulo

Os Estados-Partes da presente Convenção, a) Relembrando os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, que reconhecem a dig- nidade e o valor inerentes e os direitos iguais e ina- lienáveis de todos os membros da família huma- na como o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,

b) Reconhecendo que as Nações Unidas, na De- claração Universal dos Direitos Humanos e nos Pactos Internacionais sobre Direitos Humanos, proclamaram e concordaram que toda pessoa faz jus a todos os direitos e liberdades ali estabeleci- dos, sem distinção de qualquer espécie,

c) Reafirmando a universalidade, a indivisibilida- de, a interdependência e a inter-relação de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais, bem como a necessidade de garantir que todas as pessoas com deficiência os exerçam plenamente, sem discriminação,

d) Relembrando o Pacto Internacional dos Di- reitos Econômicos, Sociais e Culturais, o Pacto In- ternacional dos Direitos Civis e Políticos, a Con-

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venção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Dis- criminação contra a Mulher, a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, a Convenção sobre os Direitos da Criança e a Convenção Internacio- nal sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Tra- balhadores Migrantes e Membros de suas Famílias, e) Reconhecendo que a deficiência é um concei- to em evolução e que a deficiência resulta da inte- ração entre pessoas com deficiência e as barreiras devidas às atitudes e ao ambiente que impedem a plena e efetiva participação dessas pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas,

f) Reconhecendo a importância dos princípios e das diretrizes de política, contidos no Progra- ma de Ação Mundial para as Pessoas Deficientes e nas Normas sobre a Equiparação de Oportuni- dades para Pessoas com Deficiência, para influen- ciar a promoção, a formulação e a avaliação de políticas, planos, programas e ações em níveis nacional, regional e internacional para possibili- tar maior igualdade de oportunidades para pes- soas com deficiência,

g) Ressaltando a importância de trazer questões relativas à deficiência ao centro das preocupações da sociedade como parte integrante das estraté- gias relevantes de desenvolvimento sustentável,

h) Reconhecendo também que a discriminação contra qualquer pessoa, por motivo de deficiência, configura violação da dignidade e do valor ineren- tes ao ser humano,

i) Reconhecendo ainda a diversidade das pes- soas com deficiência,

j) Reconhecendo a necessidade de promover e proteger os direitos humanos de todas as pessoas com deficiência, inclusive daquelas que requerem maior apoio,

k) Preocupados com o fato de que, não obstan- te esses diversos instrumentos e compromissos, as pessoas com deficiência continuam a enfren- tar barreiras contra sua participação como mem- bros iguais da sociedade e violações de seus direi- tos humanos em todas as partes do mundo,

l) Reconhecendo a importância da cooperação internacional para melhorar as condições de vida das pessoas com deficiência em todos os países, particularmente naqueles em desenvolvimento,

m) Reconhecendo as valiosas contribuições exis- tentes e potenciais das pessoas com deficiência ao

bem-estar comum e à diversidade de suas comu- nidades, e que a promoção do pleno exercício, pe- las pessoas com deficiência, de seus direitos hu- manos e liberdades fundamentais e de sua plena participação na sociedade resultará no fortaleci- mento de seu senso de pertencimento à socieda- de e no significativo avanço do desenvolvimento humano, social e econômico da sociedade, bem como na erradicação da pobreza,

n) Reconhecendo a importância, para as pessoas com deficiência, de sua autonomia e independên- cia individuais, inclusive da liberdade para fazer as próprias escolhas,

o) Considerando que as pessoas com deficiência devem ter a oportunidade de participar ativamen- te das decisões relativas a programas e políticas, inclusive aos que lhes dizem respeito diretamente,

p) Preocupados com as difíceis situações en- frentadas por pessoas com deficiência que estão sujeitas a formas múltiplas ou agravadas de dis- criminação por causa de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de outra natureza, origem nacional, étnica, nativa ou social, proprie- dade, nascimento, idade ou outra condição,

q) Reconhecendo que mulheres e meninas com deficiência estão frequentemente expostas a maio- res riscos, tanto no lar como fora dele, de sofrer vio- lência, lesões ou abuso, descaso ou tratamento ne- gligente, maus-tratos ou exploração,

r) Reconhecendo que as crianças com deficiência devem gozar plenamente de todos os direitos hu- manos e liberdades fundamentais em igualdade de oportunidades com as outras crianças e relem- brando as obrigações assumidas com esse fim pe- los Estados-Partes na Convenção sobre os Direitos da Criança,

s) Ressaltando a necessidade de incorporar a perspectiva de gênero aos esforços para promo- ver o pleno exercício dos direitos humanos e liber- dades fundamentais por parte das pessoas com deficiência,

t) Salientando o fato de que a maioria das pes- soas com deficiência vive em condições de pobre- za e, nesse sentido, reconhecendo a necessidade crítica de lidar com o impacto negativo da pobreza sobre pessoas com deficiência,

u) Tendo em mente que as condições de paz e segurança baseadas no pleno respeito aos pro- pósitos e princípios consagrados na Carta das Na- ções Unidas e a observância dos instrumentos de direitos humanos são indispensáveis para a total

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proteção das pessoas com deficiência, particular- mente durante conflitos armados e ocupação es- trangeira,

v) Reconhecendo a importância da acessibilida- de aos meios físico, social, econômico e cultural, à saúde, à educação e à informação e comunicação, para possibilitar às pessoas com deficiência o ple- no gozo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais,

w) Conscientes de que a pessoa tem deveres pa- ra com outras pessoas e para com a comunidade a que pertence e que, portanto, tem a responsabi- lidade de esforçar-se para a promoção e a obser- vância dos direitos reconhecidos na Carta Interna- cional dos Direitos Humanos,

x) Convencidos de que a família é o núcleo na- tural e fundamental da sociedade e tem o direito de receber a proteção da sociedade e do Estado e de que as pessoas com deficiência e seus fami- liares devem receber a proteção e a assistência necessárias para tornar as famílias capazes de contribuir para o exercício pleno e equitativo dos direitos das pessoas com deficiência,

y) Convencidos de que uma convenção interna- cional geral e integral para promover e proteger os direitos e a dignidade das pessoas com deficiência prestará significativa contribuição para corrigir as profundas desvantagens sociais das pessoas com deficiência e para promover sua participação na vida econômica, social e cultural, em igualdade de oportunidades, tanto nos países em desenvol- vimento como nos desenvolvidos,

Acordaram o seguinte:

Artigo 1 – Propósito

O propósito da presente Convenção é promover, proteger e assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades funda- mentais por todas as pessoas com deficiência e promover o respeito pela sua dignidade inerente.

Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em in- teração com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas.

Artigo 2 – Definições

Para os propósitos da presente Convenção:

“Comunicação” abrange as línguas, a visualiza- ção de textos, o braille, a comunicação tátil, os ca- racteres ampliados, os dispositivos de multimídia

acessível, assim como a linguagem simples, escri- ta e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz digitalizada e os modos, meios e formatos aumen- tativos e alternativos de comunicação, inclusive a tecnologia da informação e comunicação aces- síveis;

“Língua” abrange as línguas faladas e de sinais e outras formas de comunicação não falada;

“Discriminação por motivo de deficiência” signi- fica qualquer diferenciação, exclusão ou restrição baseada em deficiência, com o propósito ou efei- to de impedir ou impossibilitar o reconhecimento, o desfrute ou o exercício, em igualdade de oportu- nidades com as demais pessoas, de todos os direi- tos humanos e liberdades fundamentais nos âm- bitos político, econômico, social, cultural, civil ou qualquer outro. Abrange todas as formas de discri- minação, inclusive a recusa de adaptação razoável;

“Adaptação razoável” significa as modificações e os ajustes necessários e adequados que não acar- retem ônus desproporcional ou indevido, quan- do requeridos em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas com deficiência possam gozar ou exercer, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos humanos e li- berdades fundamentais;

“Desenho universal” significa a concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a se- rem usados, na maior medida possível, por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou projeto específico. O “desenho universal” não ex- cluirá as ajudas técnicas para grupos específicos de pessoas com deficiência, quando necessárias.

Artigo 3 – Princípios gerais Os princípios da presente Convenção são:

a) o respeito pela dignidade inerente, a autono- mia individual, inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas, e a independência das pessoas;

b) a não discriminação;

c) a plena e efetiva participação e inclusão na sociedade;

d) o respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas com deficiência como parte da diversida- de humana e da humanidade;

e) a igualdade de oportunidades;

f) a acessibilidade;

g) a igualdade entre o homem e a mulher;

h) o respeito pelo desenvolvimento das capa- cidades das crianças com deficiência e pelo direi- to das crianças com deficiência de preservar sua identidade.

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Artigo 4 – Obrigações gerais

1. Os Estados-Partes se comprometem a assegu- rar e promover o pleno exercício de todos os direi- tos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência, sem qualquer tipo de discriminação por causa de sua deficiência. Para tanto, os Estados-Partes se comprometem a:

a) adotar todas as medidas legislativas, admi- nistrativas e de qualquer outra natureza, necessá- rias para a realização dos direitos reconhecidos na presente Convenção;

b) adotar todas as medidas necessárias, inclu- sive legislativas, para modificar ou revogar leis, regulamentos, costumes e práticas vigentes, que constituírem discriminação contra pessoas com deficiência;

c) levar em conta, em todos os programas e polí- ticas, a proteção e a promoção dos direitos huma- nos das pessoas com deficiência;

d) abster-se de participar em qualquer ato ou prática incompatível com a presente Convenção e assegurar que as autoridades públicas e insti- tuições atuem em conformidade com a presente Convenção;

e) tomar todas as medidas apropriadas para eliminar a discriminação baseada em deficiência, por parte de qualquer pessoa, organização ou em- presa privada;

f) realizar ou promover a pesquisa e o desenvol- vimento de produtos, serviços, equipamentos e instalações com desenho universal, conforme de- finidos no Artigo 2 da presente Convenção, que exi- jam o mínimo possível de adaptação e cujo custo seja o mínimo possível, destinados a atender às necessidades específicas de pessoas com deficiên- cia, a promover sua disponibilidade e seu uso e a promover o desenho universal quando da elabo- ração de normas e diretrizes;

g) realizar ou promover a pesquisa e o desenvol- vimento, bem como a disponibilidade e o empre- go de novas tecnologias, inclusive as tecnologias da informação e comunicação, ajudas técnicas pa- ra locomoção, dispositivos e tecnologias assisti- vas, adequados a pessoas com deficiência, dando prioridade a tecnologias de custo acessível;

h) propiciar informação acessível para as pes- soas com deficiência a respeito de ajudas técnicas para locomoção, dispositivos e tecnologias assis- tivas, incluindo novas tecnologias bem como ou- tras formas de assistência, serviços de apoio e ins- talações;

i) promover a capacitação em relação aos di- reitos reconhecidos pela presente Convenção dos profissionais e equipes que trabalham com pessoas com deficiência, de forma a melhorar a prestação de assistência e serviços garantidos por esses direitos.

2. Em relação aos direitos econômicos, sociais e culturais, cada Estado-Parte se compromete a tomar medidas, tanto quanto permitirem os re- cursos disponíveis e, quando necessário, no âm- bito da cooperação internacional, a fim de asse- gurar progressivamente o pleno exercício desses direitos, sem prejuízo das obrigações contidas na presente Convenção que forem imediatamente aplicáveis de acordo com o direito internacional.

3. Na elaboração e implementação de legislação e políticas para aplicar a presente Convenção e em outros processos de tomada de decisão relativos às pessoas com deficiência, os Estados-Partes rea- lizarão consultas estreitas e envolverão ativamen- te pessoas com deficiência, inclusive crianças com deficiência, por intermédio de suas organizações representativas.

4. Nenhum dispositivo da presente Convenção afetará quaisquer disposições mais propícias à realização dos direitos das pessoas com deficiên- cia, as quais possam estar contidas na legislação do Estado-Parte ou no direito internacional em vigor para esse Estado. Não haverá nenhuma res- trição ou derrogação de qualquer dos direitos hu- manos e liberdades fundamentais reconhecidos ou vigentes em qualquer Estado-Parte da presente Convenção, em conformidade com leis, conven- ções, regulamentos ou costumes, sob a alegação de que a presente Convenção não reconhece tais direitos e liberdades ou que os reconhece em me- nor grau.

5. As disposições da presente Convenção se aplicam, sem limitação ou exceção, a todas as uni- dades constitutivas dos Estados federativos.

Artigo 5 – Igualdade e não discriminação 1. Os Estados-Partes reconhecem que todas as pessoas são iguais perante e sob a lei e que fazem jus, sem qualquer discriminação, a igual proteção e igual benefício da lei.

2. Os Estados-Partes proibirão qualquer discri- minação baseada na deficiência e garantirão às pessoas com deficiência igual e efetiva proteção legal contra a discriminação por qualquer motivo.

3. A fim de promover a igualdade e eliminar a discriminação, os Estados-Partes adotarão todas

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as medidas apropriadas para garantir que a adap- tação razoável seja oferecida.

4. Nos termos da presente Convenção, as me- didas específicas que forem necessárias para ace- lerar ou alcançar a efetiva igualdade das pessoas com deficiência não serão consideradas discrimi- natórias.

Artigo 6 – Mulheres com deficiência 1. Os Estados-Partes reconhecem que as mu- lheres e meninas com deficiência estão sujeitas a múltiplas formas de discriminação e, portanto, tomarão medidas para assegurar às mulheres e meninas com deficiência o pleno e igual exercício de todos os direitos humanos e liberdades funda- mentais.

2. Os Estados-Partes tomarão todas as medidas apropriadas para assegurar o pleno desenvolvi- mento, o avanço e o empoderamento das mulhe- res, a fim de garantir-lhes o exercício e o gozo dos direitos humanos e liberdades fundamentais esta- belecidos na presente Convenção.

Artigo 7 – Crianças com deficiência 1. Os Estados-Partes tomarão todas as medidas necessárias para assegurar às crianças com defi- ciência o pleno exercício de todos os direitos hu- manos e liberdades fundamentais, em igualdade de oportunidades com as demais crianças.

2. Em todas as ações relativas às crianças com deficiência, o superior interesse da criança rece- berá consideração primordial.

3. Os Estados-Partes assegurarão que as crian- ças com deficiência tenham o direito de expressar livremente sua opinião sobre todos os assuntos que lhes disserem respeito, tenham a sua opinião devidamente valorizada de acordo com sua ida- de e maturidade, em igualdade de oportunidades com as demais crianças, e recebam atendimento adequado à sua deficiência e idade, para que pos- sam exercer tal direito.

Artigo 8 – Conscientização

1. Os Estados-Partes se comprometem a adotar medidas imediatas, efetivas e apropriadas para:

a) conscientizar toda a sociedade, inclusive as famílias, sobre as condições das pessoas com defi- ciência e fomentar o respeito pelos direitos e pela dignidade das pessoas com deficiência;

b) combater estereótipos, preconceitos e práti- cas nocivas em relação a pessoas com deficiência, inclusive aqueles relacionados a sexo e idade, em todas as áreas da vida;

c) promover a conscientização sobre as capaci- dades e contribuições das pessoas com deficiência.

2. As medidas para esse fim incluem:

a) lançar e dar continuidade a efetivas campa- nhas de conscientização públicas, destinadas a:

i) favorecer atitude receptiva em relação aos di- reitos das pessoas com deficiência;

ii) promover percepção positiva e maior cons- ciência social em relação às pessoas com deficiên- cia;

iii) promover o reconhecimento das habilidades, dos méritos e das capacidades das pessoas com deficiência e de sua contribuição ao local de tra- balho e ao mercado laboral;

b) fomentar em todos os níveis do sistema edu- cacional, incluindo neles todas as crianças desde tenra idade, uma atitude de respeito para com os direitos das pessoas com deficiência;

c) incentivar todos os órgãos da mídia a retratar as pessoas com deficiência de maneira compatível com o propósito da presente Convenção;

d) promover programas de formação sobre sen- sibilização a respeito das pessoas com deficiência e sobre os direitos das pessoas com deficiência.

Artigo 9 – Acessibilidade

1. A fim de possibilitar às pessoas com deficiên- cia viver de forma independente e participar ple- namente de todos os aspectos da vida, os Esta- dos-Partes tomarão as medidas apropriadas para assegurar às pessoas com deficiência o acesso, em igualdade de oportunidades com as demais pes- soas, ao meio físico, ao transporte, à informação e comunicação, inclusive aos sistemas e tecnolo- gias da informação e comunicação, bem como a outros serviços e instalações abertos ao público ou de uso público, tanto na zona urbana como na rural. Essas medidas, que incluirão a identificação e a eliminação de obstáculos e barreiras à acessi- bilidade, serão aplicadas, entre outros, a:

a) edifícios, rodovias, meios de transporte e ou- tras instalações internas e externas, inclusive es- colas, residências, instalações médicas e local de trabalho;

b) informações, comunicações e outros servi- ços, inclusive serviços eletrônicos e serviços de emergência.

2. Os Estados-Partes também tomarão medidas apropriadas para:

a) desenvolver, promulgar e monitorar a imple- mentação de normas e diretrizes mínimas para a acessibilidade das instalações e dos serviços aber- tos ao público ou de uso público;

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b) assegurar que as entidades privadas que ofe- recem instalações e serviços abertos ao público ou de uso público levem em consideração todos os aspectos relativos à acessibilidade para pessoas com deficiência;

c) proporcionar, a todos os atores envolvidos, formação em relação às questões de acessibili- dade com as quais as pessoas com deficiência se confrontam;

d) dotar os edifícios e outras instalações aber- tas ao público ou de uso público de sinalização em braille e em formatos de fácil leitura e com- preensão;

e) oferecer formas de assistência humana ou animal e serviços de mediadores, incluindo guias, ledores e intérpretes profissionais da língua de si- nais, para facilitar o acesso aos edifícios e outras instalações abertas ao público ou de uso público;

f) promover outras formas apropriadas de assis- tência e apoio a pessoas com deficiência, a fim de assegurar a essas pessoas o acesso a informações;

g) promover o acesso de pessoas com deficiên- cia a novos sistemas e tecnologias da informação e comunicação, inclusive à Internet;

h) promover, desde a fase inicial, a concepção, o desenvolvimento, a produção e a disseminação de sistemas e tecnologias de informação e comu- nicação, a fim de que esses sistemas e tecnologias se tornem acessíveis a custo mínimo.

Artigo 10 – Direito à vida

Os Estados-Partes reafirmam que todo ser hu- mano tem o inerente direito à vida e tomarão to- das as medidas necessárias para assegurar o efe- tivo exercício desse direito pelas pessoas com deficiência, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

Artigo 11 – Situações de risco e emergências humanitárias

Em conformidade com suas obrigações decor- rentes do direito internacional, inclusive do direito humanitário internacional e do direito internacio- nal dos direitos humanos, os Estados-Partes toma- rão todas as medidas necessárias para assegurar a proteção e a segurança das pessoas com deficiên- cia que se encontrarem em situações de risco, in- clusive situações de conflito armado, emergências humanitárias e ocorrência de desastres naturais.

Artigo 12 – Reconhecimento igual perante a lei 1. Os Estados-Partes reafirmam que as pessoas com deficiência têm o direito de ser reconhecidas em qualquer lugar como pessoas perante a lei.

2. Os Estados-Partes reconhecerão que as pes- soas com deficiência gozam de capacidade legal em igualdade de condições com as demais pes- soas em todos os aspectos da vida.

3. Os Estados-Partes tomarão medidas apro- priadas para prover o acesso de pessoas com de- ficiência ao apoio que necessitarem no exercício de sua capacidade legal.

4. Os Estados-Partes assegurarão que todas as medidas relativas ao exercício da capacidade legal incluam salvaguardas apropriadas e efetivas para prevenir abusos, em conformidade com o direito internacional dos direitos humanos. Essas salva- guardas assegurarão que as medidas relativas ao exercício da capacidade legal respeitem os direi- tos, a vontade e as preferências da pessoa, sejam isentas de conflito de interesses e de influência indevida, sejam proporcionais e apropriadas às circunstâncias da pessoa, se apliquem pelo pe- ríodo mais curto possível e sejam submetidas à revisão regular por uma autoridade ou órgão judi- ciário competente, independente e imparcial. As salvaguardas serão proporcionais ao grau em que tais medidas afetarem os direitos e interesses da pessoa.

5. Os Estados-Partes, sujeitos ao disposto neste Artigo, tomarão todas as medidas apropriadas e efetivas para assegurar às pessoas com deficiên- cia o igual direito de possuir ou herdar bens, de controlar as próprias finanças e de ter igual aces- so a empréstimos bancários, hipotecas e outras formas de crédito financeiro, e assegurarão que as pessoas com deficiência não sejam arbitraria- mente destituídas de seus bens.

Artigo 13 – Acesso à Justiça

1. Os Estados-Partes assegurarão o efetivo aces- so das pessoas com deficiência à Justiça, em igual- dade de condições com as demais pessoas, inclusi- ve mediante a provisão de adaptações processuais adequadas à idade, a fim de facilitar o efetivo pa- pel das pessoas com deficiência como participan- tes diretos ou indiretos, inclusive como testemu- nhas, em todos os procedimentos jurídicos, tais como investigações e outras etapas preliminares.

2. A fim de assegurar às pessoas com deficiên- cia o efetivo acesso à Justiça, os Estados-Partes promoverão a capacitação apropriada daqueles que trabalham na área de administração da Justi- ça, inclusive a polícia e os funcionários do sistema penitenciário.

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Artigo 14 – Liberdade e segurança da pessoa 1. Os Estados-Partes assegurarão que as pes- soas com deficiência, em igualdade de oportuni- dades com as demais pessoas:

a) gozem do direito à liberdade e à segurança da pessoa; e

b) não sejam privadas ilegal ou arbitrariamen- te de sua liberdade e que toda privação de liber- dade esteja em conformidade com a lei, e que a existência de deficiência não justifique a privação de liberdade.

2. Os Estados-Partes assegurarão que, se pes- soas com deficiência forem privadas de liberdade mediante algum processo, elas, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, façam jus a garantias de acordo com o direito internacional dos direitos humanos e sejam tratadas em confor- midade com os objetivos e princípios da presen- te Convenção, inclusive mediante a provisão de adaptação razoável.

Artigo 15 – Prevenção contra tortura ou tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou

degradantes

1. Nenhuma pessoa será submetida à tortura ou a tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou de- gradantes. Em especial, nenhuma pessoa deverá ser sujeita a experimentos médicos ou científicos sem seu livre consentimento.

2. Os Estados-Partes tomarão todas as medidas efetivas de natureza legislativa, administrativa, ju- dicial ou outra para evitar que pessoas com defi- ciência, do mesmo modo que as demais pessoas, sejam submetidas à tortura ou a tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes.

Artigo 16 – Prevenção contra a exploração, a violência e o abuso

1. Os Estados-Partes tomarão todas as medidas apropriadas de natureza legislativa, administrati- va, social, educacional e outras para proteger as pessoas com deficiência, tanto dentro como fora do lar, contra todas as formas de exploração, vio- lência e abuso, incluindo aspectos relacionados a gênero.

2. Os Estados-Partes também tomarão todas as medidas apropriadas para prevenir todas as formas de exploração, violência e abuso, assegu- rando, entre outras coisas, formas apropriadas de atendimento e apoio que levem em conta o gê- nero e a idade das pessoas com deficiência e de seus familiares e atendentes, inclusive mediante

a provisão de informação e educação sobre a ma- neira de evitar, reconhecer e denunciar casos de exploração, violência e abuso. Os Estados-Partes assegurarão que os serviços de proteção levem em conta a idade, o gênero e a deficiência das pessoas.

3. A fim de prevenir a ocorrência de quaisquer formas de exploração, violência e abuso, os Esta- dos-Partes assegurarão que todos os programas e instalações destinados a atender pessoas com deficiência sejam efetivamente monitorados por autoridades independentes.

4. Os Estados-Partes tomarão todas as medidas apropriadas para promover a recuperação física, cognitiva e psicológica, inclusive mediante a pro- visão de serviços de proteção, a reabilitação e a reinserção social de pessoas com deficiência que forem vítimas de qualquer forma de exploração, violência ou abuso. Tais recuperação e reinserção ocorrerão em ambientes que promovam a saúde, o bem-estar, o autorrespeito, a dignidade e a au- tonomia da pessoa e levem em consideração as necessidades de gênero e idade.

5. Os Estados-Partes adotarão leis e políticas efetivas, inclusive legislação e políticas voltadas para mulheres e crianças, a fim de assegurar que os casos de exploração, violência e abuso contra pessoas com deficiência sejam identificados, in- vestigados e, caso necessário, julgados.

Artigo 17 – Proteção da integridade da pessoa Toda pessoa com deficiência tem o direito a que sua integridade física e mental seja respeitada, em igualdade de condições com as demais pessoas.

Artigo 18 – Liberdade de movimentação e nacionalidade

1. Os Estados-Partes reconhecerão os direitos das pessoas com deficiência à liberdade de movi- mentação, à liberdade de escolher sua residência e à nacionalidade, em igualdade de oportunida- des com as demais pessoas, inclusive asseguran- do que as pessoas com deficiência:

a) tenham o direito de adquirir nacionalidade e mudar de nacionalidade e não sejam privadas ar- bitrariamente de sua nacionalidade em razão de sua deficiência;

b) não sejam privadas, por causa de sua defi- ciência, da competência de obter, possuir e utilizar documento comprovante de sua nacionalidade ou outro documento de identidade, ou de recorrer a processos relevantes, tais como procedimentos relativos à imigração, que forem necessários para

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facilitar o exercício de seu direito à liberdade de movimentação;

c) tenham liberdade de sair de qualquer país, in- clusive do seu; e

d) não sejam privadas, arbitrariamente ou por causa de sua deficiência, do direito de entrar no próprio país.

2. As crianças com deficiência serão registradas imediatamente após o nascimento e terão, desde o nascimento, o direito a um nome, o direito de adquirir nacionalidade e, tanto quanto possível, o direito de conhecer seus pais e de ser cuidadas por eles.

Artigo 19 – Vida independente e inclusão na comunidade

Os Estados-Partes desta Convenção reconhe- cem o igual direito de todas as pessoas com de- ficiência de viver na comunidade, com a mesma liberdade de escolha que as demais pessoas, e to- marão medidas efetivas e apropriadas para facili- tar às pessoas com deficiência o pleno gozo desse direito e sua plena inclusão e participação na co- munidade, inclusive assegurando que:

a) as pessoas com deficiência possam escolher seu local de residência e onde e com quem morar, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, e que não sejam obrigadas a viver em de- terminado tipo de moradia;

b) as pessoas com deficiência tenham acesso a uma variedade de serviços de apoio em domi- cílio ou em instituições residenciais ou a outros serviços comunitários de apoio, inclusive os ser- viços de atendentes pessoais que forem neces- sários como apoio para que as pessoas com de- ficiência vivam e sejam incluídas na comunidade e para evitar que fiquem isoladas ou segregadas da comunidade;

c) os serviços e instalações da comunidade para a população em geral estejam disponíveis às pes- soas com deficiência, em igualdade de oportuni- dades, e atendam às suas necessidades.

Artigo 20 – Mobilidade pessoal

Os Estados-Partes tomarão medidas efetivas para assegurar às pessoas com deficiência sua mobilidade pessoal com a máxima independên- cia possível:

a) facilitando a mobilidade pessoal das pessoas com deficiência, na forma e no momento em que elas quiserem, e a custo acessível;

b) facilitando às pessoas com deficiência o aces- so a tecnologias assistivas, dispositivos e ajudas

técnicas de qualidade, e formas de assistência humana ou animal e de mediadores, inclusive tornando-os disponíveis a custo acessível;

c) propiciando às pessoas com deficiência e ao pessoal especializado uma capacitação em técni- cas de mobilidade;

d) incentivando entidades que produzem aju- das técnicas de mobilidade, dispositivos e tec- nologias assistivas a levarem em conta todos os aspectos relativos à mobilidade de pessoas com deficiência.

Artigo 21 – Liberdade de expressão e de opinião e acesso à informação

Os Estados-Partes tomarão todas as medidas apropriadas para assegurar que as pessoas com de- ficiência possam exercer seu direito à liberdade de expressão e opinião, inclusive à liberdade de bus- car, receber e compartilhar informações e ideias, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas e por intermédio de todas as formas de comunicação de sua escolha, conforme o disposto no Artigo 2 da presente Convenção, entre as quais:

a) fornecer, prontamente e sem custo adicional, às pessoas com deficiência, todas as informações destinadas ao público em geral, em formatos aces- síveis e tecnologias apropriadas aos diferentes ti- pos de deficiência;

b) aceitar e facilitar, em trâmites oficiais, o uso de línguas de sinais, braille, comunicação aumen- tativa e alternativa, e de todos os demais meios, modos e formatos acessíveis de comunicação, à escolha das pessoas com deficiência;

c) urgir as entidades privadas que oferecem serviços ao público em geral, inclusive por meio da Internet, a fornecer informações e serviços em formatos acessíveis, que possam ser usados por pessoas com deficiência;

d) incentivar a mídia, inclusive os provedores de informação pela Internet, a tornar seus serviços acessíveis a pessoas com deficiência;

e) reconhecer e promover o uso de línguas de sinais.

Artigo 22 – Respeito à privacidade 1. Nenhuma pessoa com deficiência, qualquer que seja seu local de residência ou tipo de mora- dia, estará sujeita a interferência arbitrária ou ilegal em sua privacidade, família, lar, correspondência ou outros tipos de comunicação, nem a ataques ilí- citos à sua honra e reputação. As pessoas com de- ficiência têm o direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Referências

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