O texto traz as autoras Adriana Hoffmann, Gilka Girardello, Lisandra Ogg Gomes, Lúcia Rabello de Castro, Mônica Fantin, Rita Ribes e Rosália Duarte para o diálogo sobre infância e direitos da criança. A expressão visa destacar a participação das crianças na produção audiovisual, assumindo que elas são ativas nesse processo.
Juntando as peças
Foi justamente esse último material que me levou ao programa de televisão “Curta Mostra Geração”, produzido pela TV Escola, minha nova área de pesquisa. Esta foi a opção de campo de pesquisa que me permitiu pelo menos garantir a voz dos cineastas em suas produções neste trabalho.
A Mostra Geração
Quem são as crianças da Mostra
Abaixo segue um modelo da cédula utilizada pelas crianças e jovens para votar na Mostra Geração Festival Internacional de Cinema. Outra ação da Mostra Geração voltada para a inclusão dos menores no evento é a promoção de dublagens ao vivo de filmes da programação da Mostra Internacional de Filmes.
Repertório cultural
Preocupados com as crianças que ainda não sabem ler, introduzimos a dublagem ao vivo de filmes no Brasil. Bullara e Krumholz (2021), em entrevista para esta pesquisa, afirmam que o papel da Mostra Geração é valorizar as características artísticas do cinema.
O programa Vídeo Fórum
Os dados acima mostram o aumento no número de trabalhos inscritos pelas escolas públicas desde a criação do programa Vídeo Fórum. As crianças assistem às sessões de cinema organizadas pela Mostra e os professores que participam do Vídeo Fórum com seus alunos recebem um certificado e um DVD com uma coletânea de filmes exibidos na edição daquele ano.
A Estrutura do Vídeo Fórum
As crianças são personagens fundamentais na produção de narrativas audiovisuais na escola, seja na frente ou atrás das câmeras. Menos conhecidas do que as crianças acima são aquelas que participaram deste estudo, mas que também são exemplos de uma infância politizada.
A série televisiva Curta Mostra Geração
Ser ou não ser um “pequeno cineasta”
O termo “pequeno cineasta” é utilizado pela produtora do programa “Curta Mostra Geração” para se referir aos autores infantis dos curtas-metragens. Nossa sugestão é que as crianças se familiarizem mais com a linguagem cinematográfica, mas isso não significa que se tornem cineastas. Afinal, quando ensinamos as crianças a escrever, não pretendemos que elas se tornem escritoras, mas que saibam se expressar por meio dessa linguagem.
Esta visão, nas devidas proporções, não se aproximaria daquilo que as crianças fazem nas suas produções amadoras, apropriando-se de um universo específico do especialista soberano: o cineasta. As crianças convidadas pela escola para produzirem suas histórias audiovisuais trazem consigo, intencionalmente ou não, seu repertório cultural, seus ideais, visões e perspectivas para a criação da obra.
Os filmes
As sinopses dos filmes
TV Escola Resumo: Produzido com bonecos e materiais reciclados, o curta foi realizado pelas crianças do Ciep Presidente Agostinho Neto, localizado em Humaitá, no Rio de Janeiro. Sinopse da TV Escola: Nossa história de amor é uma produção dos alunos do Ciep Adão Pereira Nunes, localizado em Irajá, Rio de Janeiro. Ciep Avenida dos Desfiles & Vogas Produções/Projeto Cineminha – Rio de Janeiro (RJ) Apresentador Sinopse: Quem nunca cantou canções de ninar e outros clássicos quando criança.
Sinopse da TV Escola: A Revolução Monstruosa é uma animação produzida por professores e alunos da Escola Parque, localizada no Rio de Janeiro. Prefeito Djalma Maranhão / Escolas de Cinema CINEAD/UFRJ – Rio de Janeiro (RJ) Resumo: Rodado inteiramente na comunidade, o filme buscou informar aos alunos e espectadores um pouco mais sobre a comunidade e sua intensa resistência.
As fichas técnicas dos filmes
Nesse período, as crianças participaram das etapas de produção de curtas-metragens, com o tema Cirandinhas de Villa-Lobos. Por exemplo, em “O Mágico de Oz”, fazer com que o espectador não só o ajude a conhecer os rostos das crianças por trás das câmeras, mas também revele sua participação ativa, mesmo em papéis que nem sempre são deles. Porém, os créditos finais das duas animações não fazem menção às crianças na montagem, ainda que o momento em que elas participam da montagem do filme no computador seja registrado durante a gravação.
Em relação à animação “Nossas emoções”, é importante dizer que ela não especifica os papéis das crianças nos créditos, mas lista os nomes de todos os alunos abaixo da palavra. Na montagem/edição, embora apenas dois créditos relatem a participação infantil, para esta gravação considero as duas animações que não especificaram a função nos créditos, mas mostraram crianças na montagem durante a produção.
O lugar do professor
Porém, ao cruzar a informação “participação especial de Sueli Dantas (bruxa)”, que aparece nos créditos finais do filme “Os Mistérios da Escola”, com o texto da sinopse fornecida pela TV Escola, na descrição do canal no YouTube, fica foi possível descobrir que se refere ao diretor. A situação apresentada na criação do curta “Mistérios Escolares” desestabiliza esse tipo de relação e cria fissuras na hierarquia. No curta "E agora, professor?" discute-se a crise de autoridade e os conflitos na escola.
Continuando a linha do que está escondido nos créditos do curta-metragem, pergunto-me se é realmente possível que o professor não participe de nenhuma etapa do processo de realização do filme na escola e, em caso afirmativo, por que não reconhecer sua participação ? Procuro definir a produção de vídeos estudantis como uma atividade desenvolvida em conjunto pelo professor e seus alunos na escola.
Autorias no plural
Às vezes numa produção audiovisual na escola é difícil ou quase impossível saber quem está fazendo o quê, porque normalmente é realizada com um grupo de alunos, o que significa 30, 35 e até 40 crianças. O diálogo acima entre o apresentador e um dos autores subjacentes confirma a afirmação de Silva e Jankle (2012) de que a produção audiovisual é uma ação que aceita ou mesmo promove a autoria de um coletivo. A primeira é que não é possível reproduzir o modelo profissional de produção audiovisual tal como é feito em sala de aula.
Portanto, a produção audiovisual na educação deve ser avaliada no seu processo e não apenas no produto final: o filme. É importante esclarecer esta questão para que o leitor não tenha a impressão errada de que só por se tratar de uma produção audiovisual que é realizada com as crianças na escola, elas são as protagonistas do processo de produção, como que de forma milagrosa.
Análise fílmica
A relação entre os filmes e as falas das crianças-autoras e os adultos
O debate promovido pelo Vídeo Fórum e exibido no programa “Curta Mostra Geração” apresenta-se como um espaço de alteridade onde acontece o encontro entre o “eu”. escritor) e o “outro” (espectador) para compartilhar experiências. Assim como acontece com crianças e adultos durante o debate no cinema e é justamente nesta relação de familiaridade e alienação entre eles que o diálogo é percebido através da alteridade. Foi nessa troca de ideias construída entre eles que também se apresentou a interação simbólica com o filme.
Durante o processo de produção, as crianças se apropriam e criam possibilidades para a criação de novas imagens, e nesse aprendizado constante, criam-se novas relações entre o que se vê e o que se quer dizer. A discussão epistemológica sobre diferentes formas de marcar o que tem sido feito no campo da comunicação e da educação é intensa e não pretendo transmiti-la no texto.
Escolas em grande plano
Outra questão a considerar é a falta de políticas públicas para utilização dessa linguagem nas escolas ou mesmo para formação de professores. Recentemente, um marco importante no que respeita à exibição de filmes nas escolas é a lei, que, ao abrigo do n.º 8 do art. A questão que aqui se coloca não é a de escrever uma crónica do audiovisual nas escolas46, mas antes a questão de saber porque é que a produção audiovisual não ocupa o mesmo lugar que as projecções cinematográficas tanto nas medidas de políticas públicas como nas escolas.
Uma possível explicação para o fato de as políticas públicas terem enfatizado as exposições em vez da produção de vídeos nas escolas pode ser a criação de um público prioritariamente para o cinema nacional. Essa percepção de que as políticas públicas enfatizam mais a exposição do que a produção audiovisual aponta para a necessidade de promover a discussão sobre a produção com as crianças na escola.
Um, dois, três filmando!
Ao participar de exposições e festivais, as crianças têm acesso a outras formas de pensar e de trabalhar audiovisual. Quase vinte anos se passaram desde a publicação de Growing up in the Media Era (2007), de David Buckingham, uma referência de longa data nos estudos de mídia e na infância contemporânea. Para este autor, de modo geral, a definição e manutenção da categoria “infância” depende da produção de dois tipos principais de discurso: “sobre” a criança e “para” a criança.
Essa é a narrativa em primeira pessoa, quando a criança produz suas próprias histórias – percebendo que algumas delas são feitas com crianças e não apenas por crianças. Porém, como vimos até aqui, as crianças não apenas falam, mas também desenham, atuam, filmam, produzem, dançam, montam, fazem cenas e fantasias.
O direito à participação
Deste documento legal emergiu uma forte mobilização da sociedade, que visava aumentar os direitos de participação e garantir que as crianças fossem consideradas parte activa da vida colectiva, uma vez que a sua opinião e voz são fundamentais para a construção de um modo de vida satisfatório para todos. Isto significa que as crianças não são objectos de intervenção comunitária, política ou social, mas sim actores do seu próprio destino. É possível e necessário que as crianças participem de experiências que promovam o diálogo, a tomada de decisões, o respeito às diferenças e a autocrítica.
A partir de um ponto, o reconhecimento de que as crianças são atores sociais, ou seja, sujeitos com capacidade de agir e interpretar o que fazem, levou ao reconhecimento da necessidade, e mais do que a necessidade, do direito da criança de participar. da vida coletiva. A partir deste documento legal, foi desenvolvida uma ação intensiva por parte de acadêmicos, ONGs, etc., que visa aumentar os direitos participativos e garantir que as crianças sejam consideradas parte ativa da vida coletiva, pois a sua opinião e voz são essenciais para a construção de formas satisfatórias. de viver. para todos. Refletir sobre as crianças significa necessariamente pensar também na vida dos adultos, nesta relação entrelaçada de alteridade.
O maior desafio deste trabalho tem sido assistir aos filmes feitos com crianças, não apenas como espectadores ou professores, mas como alguém que quer ver neles respostas às suas questões de investigação.