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Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Horrores Femininos na Literatura Gótica Brasileira de Júlia Lopes de Almeida / Lucélia Magda Oliveira da Silva. O gótico literário surgiu como estilo poético na segunda metade do século XVIII, período comumente conhecido como Idade do Iluminismo.

A atmosfera gótica

  • Locus horribilis
  • Passado fantasmagórico
  • Personagem monstruosa
  • Temas góticos

Para compreender a manifestação do passado fantasma é preciso ter em mente que ele advém de uma ruptura na ideia de linearidade temporal. Para conseguir o efeito desejado com a aparência monstruosa, o autor argumenta que os monstros devem ser ameaçadores e impuros.

Góticos Feminino e Masculino

Assim, segundo Vasconcelos (2007), as características femininas que se destacaram estavam associadas à preservação da virtude. Muitas vezes foram homens das próprias famílias dos personagens que usaram a autoridade familiar para praticar o mal, colocando em risco a virtude e/ou a vida dos personagens. Nas histórias góticas femininas de Júlia Lopes de Almeida, por exemplo, quem não permanecesse puro - segundo a moral social da época - era punido com a morte.

O que nele é depositado permanece na sua totalidade, sem que qualquer outro bem seja penhorado. 8 Note-se que isso só aconteceu em termos de conteúdo e de temas, pois a forma (o soneto e o romance) continuou a ser praticada e incentivada no mundo literário (cf. Álvares de Azevedo foi um dos nossos escritores, que ele afastou-se do nacionalismo documental em suas composições.

Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann contam, cada um por sua vez, histórias repletas de assassinatos, estupros, sadismo e outras transgressões, mas que aconteceram em regiões distantes do contexto brasileiro (Roma, Cádiz, Londres). Gozou então de um momento de sofisticação e requinte de gosto, que também se refletiu na literatura.

Formas góticas na literatura brasileira

Algumas histórias que trazem o gótico para essa perspectiva são 'Gongo-Velho' (1914), de Rodrigo Otávio, em que escravos se rebelam contra os abusos de seus senhores e acabam por matá-los; “Na tapera do Nhô Tido” (1920), de Valdomiro Silveira, em que um caboclo decide se vingar do vizinho, um pequeno proprietário de terras, que havia espancado seu filho; “Consciência Pura” (1897), de Cruz e Souza, em que um ex-proprietário de escravos, já à beira da morte, conta as atrocidades que cometeu contra os que estavam sob seu domínio; e “O samba” (1899), de Carlos Magalhães de Azeredo, em que os fantasmas dos ex-escravos retornam na Noite de São João e contam os tormentos pelos quais passaram enquanto ainda estavam vivos. É comum aparecerem enredos que contenham elementos do folclore, como o boto cor-de-rosa em 'O baile do Jude' (1893) e o estripador de mortalhas15 em 'Acauã' (1893), ambos contos de English de Sousa; a mula sem cabeça, em “O ar do vento, ave-Maria” (1887), de Manuel de Oliveira Paiva; e a caipora presente nele. Em 'A Dança dos Ossos' (1871) de Bernardo Guimarães, o sobrenatural se manifesta como resultado das ações transgressoras das pessoas.

O ciúme também é o que leva o seringueiro Sabino a torturar e matar sua esposa Maibi, que foi vendida pelo marido em troca do perdão de uma dívida, no conto “Maibi” (1908), de Alberto Rangel. Em “O caldo” (1932), de Humberto de Campos, um fazendeiro rico e monstruoso usa seu poder para abusar sexualmente de uma jovem que foi até sua fazenda pedir ajuda. Para o primeiro ponto, podemos citar como exemplo a narrativa de Solfieri que está presente na coleção de Álvares de Azevedo; bem como o conto "Oortreding" (1898), de Rodolfo Teófilo, em que um menino moribundo testemunha o estupro do cadáver de sua noiva por dois monstruosos criminosos condenados a enterrar vítimas de cólera.

O canibalismo pode ser observado em outro conto da obra de Azevediana, “Bertram”, e também nos contos “Dalzo” (1859), de Zoroastro Pamplona, ​​e “O Juramento” (1932), de Humberto de Campos. Em “Tísico” (1890), de Oscar Rosas, é tuberculose; em “A Peste” (1910), de João do Rio, é a varíola que está presente; no já citado 'Violação' (1898), de Rodolfo Teófilo, uma epidemia de cólera atinge tragicamente uma cidade; em “Pelo caiapó Velho” (1917), de Hugo de Carvalho Ramos, a anfitriã do tropeiro (narrador) era portadora de lepra.

Gótico e escrita feminina no Brasil

Tanto é que após Guilhermina descobrir a traição e romper o noivado, Hortense logo sai em busca de uma nova vítima: o noivo de Laura. Apesar do tom melancólico que envolve a obra, vemos o cuidado que o autor teve ao pedir a uma criança que perguntasse sobre as complexas emoções que cercam a morte de uma pessoa. A morte, apesar de ser um acontecimento triste e um assunto tabu para a maioria das pessoas, é retratada de forma sutil.

A falta de ação do narrador quando o incêndio começa pode, na verdade, ser entendida como a vivência daquele sentimento intenso que ele tanto procurava, mesmo que fosse uma emoção negativa. Anos mais tarde, como forma de reparar o erro cometido, a ABL criou o “Prémio Júlia Lopes de Almeida”, que acolheu e homenageou trabalhos de mulheres, bem como a “criação” de um “sede de honra” ( número 41)) em homenagem ao autor. O Caolho: Antonico é filho de uma velha que tem uma órbita ocular vazando, de onde flui um fio constante de pus.

Ao retornar após entregar um pacote para a irmã da esposa, ela vê João Romão abraçado a Noberta, que também trabalha na mesma usina. No dia seguinte, quando Gilda é designada para cuidar de um moinho de farinha, Romão se distrai e com isso sua mão é destruída pela máquina.

Locus Horribilis

As pinturas enfatizam a preferência perversa do barão por figuras bonitas, como aquelas “[..] virgens em pinturas de pescoço comprido, [que] ali gozavam da doce paz da semicor religiosa” (ALMEIDA, 2019b, p. 28). Essa habilidade fez com que a mulher fosse cercada por uma aura misteriosa, pois além de dar vida, ela também seria capaz de usar o mal para trazer o mal e a morte. A natureza reflete todos os medos e desejos de uma jovem que se encontra sozinha, no meio da noite, num parto muito difícil.

Diante deles estava o corpo de uma mulher sobre o mármore branco de uma das quatro mesas. O vento penetrante na história de Almeida serve de simulacro da espada da profecia de Simeão. Esta luz é ali colocada como que para sugerir duas coisas: primeiro, que este cadáver não era uma pessoa qualquer (embora não tenha sido reclamado pela família ou outros entes queridos), como nas pinturas barrocas, onde o mais importante é onde está. luz e, o que é mais importante, na sombra; em segundo lugar, que era necessário esclarecer, identificar de quem era o corpo e os possíveis motivos da sua morte, para evitar o que acabou por acontecer inevitavelmente: o seu enterro de indigente.

Aqui, a natureza condena a personalidade de Gilda, já que ela era uma mulher muitas vezes chamada de “cabeça quente”, propensa à espiritualidade e ao comportamento raivoso. Em "Color Neurosis", o locus horribilis também serve para enfatizar a periculosidade da personagem principal, a princesa egípcia Issira, que se sentia extremamente atraída pela cor vermelha.

Passado fantasmagórico

Outro exemplo de passado assombrado resultante da lembrança de uma situação traumática é o conto “Os Porcos”. Quando o trágico destino reservado ao filho ainda não nascido é revelado a Umbelina, a cabocla relembra um momento de sua infância em que segurava entre os dedos o braço de outra criança que também havia sido dada por seu pai como alimento aos porcos. Porém, o passado fantasmagórico se manifesta justamente na dificuldade de se libertar das consequências das ações passadas.

“Under the Stars” trata de um passado fantasmagórico baseado no encobrimento e na possibilidade de desvendar um crime cometido pelo pai de Júlio no passado. Nesse ponto, o passado assustador se torna presente na narrativa, pois ele sabia que se pedisse pela garota, logo todos na cidade saberiam que eram amantes; Assim, surgiram rumores sobre a paternidade do filho que a jovem tinha: ―Júlio olhou para o chão. No caso de “Under the Stars”, o passado espiritual não se manifesta na revelação de um ato brutal, mas na oportunidade do padre revelar seu passado libertino.

A narração do ponto de vista do filho de Caolha, Antonic, comprova que a mulher sempre foi assim, pois o menino não se lembrava da mãe de forma diferente. Os contos “Incógnita”, “Perfil de preta” e “A neurose da cor” não foram abordados neste tema por não possuírem aspectos óbvios relacionados ao passado dos fantasmas.

Personagem monstruosa

Isso surge como uma justificativa para o olho nojento da mulher – ou melhor, para a falta dele – e a presença do fluxo constante de pus que escorria da cavidade ocular vazando. Em casos como “Neurose de Cor”, onde existe apenas um monstro cujas atrocidades são explícitas, não há grande dificuldade em identificá-los. O menino tinha sentimentos conflitantes em relação à mãe, não só pela condição física dela, mas principalmente pelos insultos que recebia desde a infância por causa da aparência da mulher.

O primeiro aspecto monstruoso presente na história é quando é descrito o corpo da mulher que se suicidou. A extrema transgressão da mulher incomoda o homem, pois ele não consegue entender o que levaria uma bela jovem (como disse outro personagem) a cometer um ato tão hediondo. Esta perspectiva da femme fatale adotada em algumas narrativas contrasta com a ideia de mulher divina e, portanto, inatingível, que prevaleceu nas ideias românticas até meados do século XIX.

O horror do homem ao ver-se reduzido a um mero instrumento descartável para a satisfação dos desejos sexuais fez da femme fatale uma monstruosidade potencial. Outros exemplos de femme fatales são encontrados em dois outros contos de Almedi, "Perfil de preta" e "A neurose da color".

Temas Góticos

  • O pecado dos pais que recai sobre os filhos em forma de maldição
  • Educação feminina feita na base do isolamento, dentro do mundo edênico da
  • Sexualidade
  • Religiosidade
  • Morte
  • Loucura

Além de viver à margem da sociedade devido à sua deficiência, acompanhamos ao longo da narrativa os sofrimentos do jovem diante dos insultos dirigidos a ele – especialmente o epíteto malicioso de “filho caolho”. No caso de “Os Porcos”, a punição imposta a quem cometeu transgressões é através da morte do personagem. Porém, ainda há muito a fazer, pois como se depreende dos textos de Cuacoski e da decisão do STF, a situação das mulheres em relação ao machismo não mudou muito na prática desde a publicação de Ânsia Eterna até agora.

Aspectos que envolvem a sexualidade também estão presentes nos contos de Ânsia Eterna, especialmente em dois deles: “Perfil de preta” e “A neurose da cor”. A protagonista de “Black Profile” representa a femme fatale que repreende os homens quando eles não satisfazem seus desejos sexuais. A composição do protagonista com características de personagem lendário e o subtítulo “fantasia egípcia”24 tornou mais aceitável a abordagem de temas tabus.

Outro momento antirreligioso de “Sob as Estrelas” se encontra no momento em que o coveiro revela que Ianinha deu à luz um filho, mas não o batizou. Uma das emoções mais complexas que o homem sente é a de que sua existência é passageira e a falta de certeza sobre a possibilidade de uma vida além-túmulo. Vimos, por exemplo, como os lugares refletem os sentimentos subjetivos dos personagens de “O Caso de Ruth”, “Os Porcos” e “A Neurose da Cor”: a preferência.

O Gótico Feminino na Literatura Brasileira: Um Estudo da Ânsia externa, de Júlia Lopes de Almeida.

Referências

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