Esta monografia foi elaborada com o objetivo de caracterizar o princípio do Estado Democrático Constitucional (art. 1º, caput, in fine, da CRFB/88). Com este processo esperamos atingir o objetivo que motivou a preferência por esta pesquisa: caracterização do princípio do Estado democrático de direito.
ESTADO
Noções Preliminares
Superadas estas noções preliminares em que se cria a ligação inicial com a compreensão da Sociedade e, consequentemente, do Estado, passamos ao estudo da origem e formação do próprio Estado.
Origem e Formação do Estado
A necessidade da instituição do Estado surge como produto da sociedade, no momento em que ultrapassa um determinado nível de desenvolvimento, reconhecendo que a sociedade se encontra numa oposição enfraquecida a si mesma, de tal forma que um poder que aparentemente se situa sobre a sociedade, que contém conflitos e mantém a ordem18. Elementos da teoria geral do Estado.. a) Teoria da formação natural ou espontânea do Estado: consiste na afirmação de que o Estado foi formado naturalmente e não por um ato puramente voluntário.
Deslocamentos Históricos do Estado
Eram pouco mais de 40.000 cidadãos que governavam Atenas e representavam a soberania do Estado” (A Teoria Geral do Estado. O Estado moderno, que surgiu sobre as ruínas do Estado medieval, “não eliminou os antagonismos entre as classes.
Soberania
Neste sentido, Georg Jellinek sublinha que a Soberania corresponderá à oposição entre o poder do Estado e outros poderes132. Em apoio ao acima exposto, Sahid Maluf acrescenta que “a soberania é uma autoridade superior que não pode ser limitada por nenhum outro poder”156.
Território
Jellinek afirma ainda que “o terreno onde se situa a comunidade estatal, visto do seu aspecto jurídico, significa o espaço em que o poder do Estado pode exercer a sua atividade específica, ou seja, a do poder público. A legislação estadual sobre o território tem agora um conceito mais limitado e diz respeito principalmente à terra. Alexandre Mariotti, por sua vez, afirma que “a demarcação precisa do território é uma marca do Estado moderno e decorre do caráter especial que caracteriza o conceito de soberania”, ligado ao elemento territorial179.
Elemento Humano
Por outro lado, o povo é o objeto da atividade do Estado, e é assim que o povo é caracterizado no seu aspecto objetivo198 (tradução livre). Diante dessa relação estabelecida entre o Estado e os membros do povo, o Estado é obrigado a adotar três posturas: .. a) reivindicação de posições negativas, uma vez que a subordinação dos indivíduos é disciplinada por lei, o que impede o Estado de ir além certos limites; b) exigência de atitudes positivas, uma vez que o Estado é obrigado a agir para proteger e favorecer o indivíduo; O povo deve assim ser entendido como “o conjunto de indivíduos que, através de um momento jurídico, se reúnem para constituir o Estado, estabelecem com ele um vínculo jurídico permanente, participam na formação da vontade do Estado e no exercício soberano do poder”, que ou seja, o Povo é o conjunto dos nacionais203.
Finalidade do Estado
O povo deve, portanto, ser entendido como “uma massa de indivíduos que se reúnem através de um momento jurídico para constituir o Estado, estabelecer com ele um vínculo jurídico permanente, participar na formação da vontade do Estado e no exercício do poder soberano”. , ou seja, o Povo é um conjunto de cidadãos de um país203. que sua implementação ocorre com sacrifício da liberdade e de outros valores fundamentais da pessoa humana e 2) os eticistas, ao buscarem a supremacia absoluta dos objetivos éticos, não toleram qualquer comportamento que não esteja estritamente de acordo com a moralidade oficial. Entre os defensores desta teoria, há quem entenda que a função exclusiva do Estado estaria entre: 1) o Estado policial, para indicar que o Estado deve agir apenas para garantir a segurança dos indivíduos, no caso de uma ação externa ameaça ou um grave distúrbio interno;. Nesse contexto, Dalmo de Abreu Dallari afirma finalmente que a finalidade do Estado é o bem comum, ou seja, o conjunto de todas as condições da vida social que constituem e sustentam o desenvolvimento integral da personalidade humana, de certas pessoas situadas em determinado território209.
Conceito de Estado
Já José Ribas Vieira elabora um conceito crítico e atual em que “o Estado é uma entidade dotada de poder soberano localizada num território que deve basear-se ou legitimar-se através de um processo democrático realizado através da cidadania”214. Com entendimento semelhante, Luciano Gruppi destaca que “o Estado é uma autoridade política exercida sobre um território e um grupo demográfico (ou seja, uma população ou um povo); e o Estado é a maior organização política conhecida pela humanidade” 216. O Estado seria então concebido como “uma pessoa jurídica soberana constituída por um povo organizado num território, sob o comando de uma autoridade suprema, para fins de defesa, ordem , bem-estar e progresso social" 221.
DO ESTADO DE DIREITO AO ESTADO SOCIAL DE DIREITO
Manifestação Histórica do Princípio do Estado de Direito
Contudo, as seguintes ideias precederam a afirmação germânica do estado de direito: .. a) na filosofia grega a combinação das ideias de dika (processo), themis (lei) e nomos (direito) já indicava a limitação racional dos poderes. do Estado; b) a defesa de uma constituição mista significou que na antiguidade a necessidade de um poder moderado, em oposição à tirania ilimitada; c) a ideia de vincular os soberanos às leis fundamentais do reino; Para a doutrina clássica, o Estado de Direito corresponde à concepção de direito natural, imutável e universal, ou seja, o direito, que aplica o princípio da legalidade, essência do Estado de Direito239. No mesmo sentido, pode-se argumentar que o Estado de Direito “é a organização do poder que está sujeita à regra genérica e abstrata das normas e ordens jurídicas que emergem de funções estatais específicas, ainda que harmoniosas”244.
Princípios
A respiração é conseguida através da “textura aberta” dos princípios; a legitimidade pode ser vista na ideia de que os princípios ancoram valores (liberdade, democracia, dignidade) que fundamentam a ordem jurídica e fornecem uma ordem deontológica de justificação; o enraizamento é visto na referência sociológica de princípios e valores, programas, funções e pessoas; a capacidade de caminhar é obtida por meio de ferramentas processuais e procedimentais adequadas262 (ênfase no original). Os Princípios são também “as proposições fundamentais e típicas que determinam toda a estruturação subsequente. Neste contexto, os princípios constitucionais incorporam os princípios básicos de uma ordem jurídica específica, que se irradiam por todo o sistema.
Estado de Direito Material e Estado de Direito Formal – Caracterização do
O Estado de direito tem agora os seus deveres limitados a “manter a ordem, proteger a liberdade e a propriedade individual”285. Numa palavra: O Estado de Direito era um estado de direito substantivo”306 (ênfase no original). O estado de direito pode ser um estado de liberalismo civil, mas não um estado de liberalismo político330 (ênfase no original).
Estado Liberal de Direito X Estado Democrático
À beira do colapso, “o Estado liberal comprometeu certas verdades irrefutáveis pregadas pelo socialismo e evoluiu para dar lugar ao Estado social”344. É certo, porém, que “a ideologia revolucionária da burguesia soube [..] encobrir o aspecto contraditório dos dois princípios e, através da sua ligação, construir a brilhante teoria do Estado liberal-democrático”351. A democracia só pode ser considerada o desenvolvimento natural do Estado liberal “se não for tomada do lado do seu ideal de igualdade, mas do lado da sua fórmula política, que, como vimos, é a soberania popular”, (.. ) “até ao limite final do sufrágio universal”354.
Estado Liberal de Direito X Estado Social de Direito
Se os elementos formais são essencialia do Estado de direito e as dimensões da sociedade são essencialia da justiça material, a combinação dos dois componentes essenciais no Estado de direito social implica a utilização de instrumentos normativos para moldar as relações sociais. Os custos da supremacia do direito do Estado Social tornar-se-iam insuportáveis: de um princípio de limitação e distanciamento do poder através do direito avançamos para uma tentacularização do poder através do direito373 (ênfase no original). Assim, operacionaliza-se a aplicação equitativa do Estado de Direito Liberal e do Estado Social, na medida em que são proporcionadas a liberdade e a igualdade (económica e social), sob o manto da proteção e ação do Estado, em busca da difusão de um ideal estado constitucional.
Estado Social de Direito
Já a regra do Estado social constitucional tem a explicação fundamental: não se pode deixar de decidir tudo, mesmo com maioria391 (grifo no original). O que é pacífico é que o Estado constitucional social representa na verdade uma transformação superestrutural que o Estado constitucional liberal sofreu, com as suas nuances muito ricas. Pensa-se também que o Estado social constitucional, em suma, nada mais é do que uma segunda fase do Estado constitucional, o que constitui apenas um avanço, ainda que com certa amplitude, face à linha do Estado constitucional liberal413.
DO ESTADO DEMOCRÁTICO AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
Primeiras Linhas do Estado Democrático
É portanto verdade que, apesar do carácter antidemocrático do liberalismo, “a teoria do governo e da democracia representativa acabou por se impor quando, no final do século XX. De acordo com a teoria das elites no poder, a Democracia não é, portanto, o poder do Povo, mas o poder da elite para o Povo, que se limita a eleger as elites430. Ora, o elitismo é o governo de poucos, "não é apenas uma posição separada da democracia, do governo do povo, mas é algo oposto a ele"433, o que torna impossível aceitar a teoria elitista da democracia.
Extensão do Princípio Democrático
A teoria democrática do ordoliberalismo pressupõe a discussão dos sistemas capitalista e socialista (liberalismo económico e social-democracia) como políticas económicas435. A dimensão social da democracia é também interpretada como o modelo do capitalismo social, apesar de se adoptar uma política social que “inclui não só medidas de protecção existencial” (..) “mas também a criação de infra-estruturas sociais aliadas a uma política geral de desenvolvimento”442. Note-se também que as dúvidas sobre a validade do método democrático teriam anulado completamente a inspiração democrática dos partidos socialistas, "no que diz respeito ao progresso da democracia numa sociedade socialista, e à convicção de que uma sociedade socialista seria muito mais democrático do que o liberal, nascido e criado com o nascimento e crescimento do capitalismo"443. São Paulo: Brasiliense, 2006, p. 82. . decisões sem mandatos vinculativos, a democracia socialista - ou do ponto de vista classista, a democracia proletária - ser uma democracia direta, no duplo sentido da democracia para todo o povo sem representantes e da democracia não dos representantes, mas dos delegados cujos mandatos estão sujeitos a revogação; b) enquanto a democracia burguesa permitir, até ao limite extremo do sufrágio universal masculino e feminino , participação no poder político, central e local, só a democracia socialista permitirá a participação popular também na tomada de decisões económicas que numa sociedade capitalista são tomadas automaticamente, o que neste sentido representa não só um fortalecimento da participação em intensidade, mas também uma expansão quantitativa , como efeito de abertura de novos espaços para o exercício da soberania popular, na qual consiste a essência da democracia; c) finalmente, o que mais importa: embora o acréscimo ao povo do direito de participar direta ou indiretamente nas decisões políticas na democracia liberal não progrida no mesmo passo que uma distribuição mais equitativa do poder económico e, portanto, torna o direito de voto meramente aparente, na democracia socialista, esta distribuição mais justa torna-se um dos objectivos principais da mudança do regime económico, transformando o poder formal de participação em poder substancial e ao mesmo tempo realizando a democracia, incluindo o seu ideal último, que é uma maior igualdade entre os homens444.
Princípio Democrático e Limites da Democracia: A Ingovernabilidade
Contudo, o Estado só será efectivamente social com a realização de "uma democracia económica, social e cultural e só será democrático se mantiver o princípio da subordinação do poder económico ao poder político"447.
Caracterização do Princípio do Estado Democrático
A democracia, que se rege pelo confronto constante entre maioria e minoria, é um poder controlado ou pelo menos controlável. A democracia, regida por este confronto constante entre maioria e minoria, é um poder controlado ou pelo menos controlável. Norberto Bobbio alerta aqueles que consideram a democracia um ideal de bom governo que “outro tema que é objeto de debate contínuo é o que poderia ser chamado de fracassos da democracia.
Democracia Direta
Nem todos os membros da comunidade têm o direito absoluto de participar nas deliberações e decisões da assembleia popular. Por outro lado, a proposta de democracia directa no Estado moderno parece sem sentido, sendo a sua implementação materialmente impossível506. Se é fisicamente impossível unir todos os cidadãos de um Estado moderno, nada impede que este encontro seja virtual.
Democracia Indireta ou Representativa
Ressalta-se ainda que a fórmula segundo a qual “o deputado não é representante de seus eleitores, mas de todo o povo, ou, como dizem alguns autores, de todo o Estado, e que, portanto, não está vinculado a quaisquer instruções dos seus eleitores e não pode ser removida deles, é uma ficção política"516. O mandato representativo é a criação do Estado liberal burguês, ainda um dos meios para manter o Estado e a sociedade distintos, e outra forma de tornar abstrata a relação povo-governo. Portanto, tudo se conjuga: inverter o caminho, a liberdade de oposição exige uma sociedade pluralista, uma sociedade pluralista permite uma maior distribuição de poder, uma maior distribuição de poder abre a porta à democratização da sociedade civil e, mais finalmente, à democratização da sociedade civil expande e integra a democracia política522.
Democracia Semidireta ou Participativa
A iniciativa popular544, como instrumento direto de representação, significa que o parlamento deve decidir sobre a proposta legislativa aprovada por um determinado número de cidadãos”545. A revogação é uma forma de revogação individual em que “permite ao eleitorado destituir funcionários cujo comportamento, por qualquer motivo, não lhes agrada”559. O veto é o instrumento político que “permite aos cidadãos exigir que determinada lei seja submetida ao voto popular”.
Caracterização do Princípio do Estado Democrático de Direito
A configuração do Estado Democrático de Direito não significa apenas unir formalmente os conceitos de Estado Democrático e de Estado de Direito. O que significam essencialmente estas preocupações persistentes à luz da simbiose entre o Estado de direito e o Estado democrático no Estado constitucional? O significado do Estado Democrático e Social de Direito esteve em causa nos trabalhos da Assembleia Constituinte: esta foi a redacção constitucional proposta por parlamentares progressistas e democráticos.