Sérgio Buarque de Holanda critica os positivistas por não serem positivos. Sérgio Buarque de Holanda ingressou na vida intelectual com a publicação de seu artigo.
O escritor
Em entrevista, Sérgio revela que a opção pela faculdade de Direito foi fortuita por ter sido a “primeira a surgir”. Até meados da República Velha, a Faculdade de Direito era a instância máxima de produção ideológica, com inúmeras funções políticas e culturais.
O crítico literário
No entanto, podemos verificar a simbiose existente entre o crítico e o historiador, dois campos distintos mas que, na pena de Sérgio Buarque de Holanda, se complementam. Sergio Milliet considerou "esse passeio pela crítica literária" de grande importância na vida de Sérgio.
Os anos 20 com os modernistas
Não é sem razão que a atividade profissional de Sérgio Buarque de Hollanda centrou-se na concretização da crítica literária publicada em diversos jornais. O modernismo de Sérgio Buarque de Holanda não parece ter sido tão bem recebido.
Os anos 30 e a relação entre intelectuais e Estado
Vimos que o grande debate da década de 1930 girou em torno da relação entre Estado e sociedade e da relação entre intelectuais e poder. Outra característica que marca a história intelectual brasileira é a forma como os intelectuais ingressaram na carreira pública: pela "rede de relacionamentos".
No caso de Sérgio Buarque de Holanda, os cargos públicos ocupados eram todos de natureza técnica, exigindo formação acadêmica. A vida acadêmica de Sérgio Buarque de Holanda, na USP, assim como em outras importantes universidades, será discutida no próximo capítulo. Vimos no capítulo anterior que a independência intelectual de Sérgio Buarque de Holanda esteve presente desde o seu surgimento, principalmente nas linhas e nas entrelinhas de seus primeiros artigos e de seu livro Raízes do Brasil.
Destacaremos também os diversos eventos dos quais Sérgio Buarque de Holanda participou ao longo de sua trajetória acadêmica. Outro ponto que destacaremos são os diversos eventos dos quais Sérgio Buarque de Holanda participou.
Universidad di Roma
Representou a Embaixada do Brasil como membro do conselho de administração da Fundação Amerigo Rotellini, que visava conceder bolsas de estudos para brasileiros que pretendem se especializar na Itália. Participou de comissões de júri responsáveis pela entrega do Prêmio Pasquale Petraconi, instituído pelo Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, para os melhores trabalhos relacionados à contribuição italiana para o desenvolvimento do Brasil. Aproveitando a estada na Itália, realizou pesquisas nos arquivos do Vaticano, na Biblioteca Nacional e no "Archivio di Stato", em Florença: "Por iniciativa de uma associação com José Olympio, Holanda havia aproveitado sua estada como professor na Universidade de Roma para examinar o acervo da Arcádia Romana – para demonstrar sua superior influência sobre o arcadianismo mineiro – e lê-lo longamente, conforme constatado pela bibliografia, dos árcades italianos e seus estudiosos. ”
Intitulado "A contribuição italiana para a formação do Brasil" (Apporto italiano nella formazione del Brasil)32, este livrinho é resultado de uma palestra de Aniello Ângelo Avella, proferida na Universidade de Santa Catarina. A contribuição italiana para a formação do Brasil começa no campo econômico por meio de alguns italianos que administraram empresas em São Paulo e Pernambuco.
Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP)
Colaborou com o Musée de l'Homme de Paris, a convite de seu diretor, Paul Rivet, na organização de material relacionado ao Brasil. No regresso dos Estados Unidos, viajou pela Europa, visitando França, Espanha e Portugal, realizando pesquisas nos Arquivos Ultramarinos, na Torre do Tombo e na Biblioteca Nacional, no setor “reservado” e no acervo pombalino. Em outro trabalho da disciplina "História Social do Brasil", Sérgio apresentou a obra "Formação de uma vila sertaneja", também com nota A+.
Para a disciplina “Índios da América do Sul”, Sérgio apresentou o trabalho “Índios do Brasil – os paiaguá”. Por fim, para a disciplina "Pesquisas no Brasil - Palestras Sistemáticas", apresentou a obra "João Emanuel Pohl e os viajantes da segunda década do século XIX".
Universidade de São Paulo (USP)
Instituto de Estudos Brasileiros (IEB)
Cândido Lima da Silva Dias, foi um. criação de um departamento e não de um centro, porque este se limitava na estrutura da faculdade à área de um determinado departamento, estando, portanto, sujeito às limitações próprias de uma disciplina, enquanto o departamento era dotado de um estatuto equivalente a um corpo docente capaz de agregar diferentes disciplinas, contar com a colaboração de outras unidades da universidade, constituir unidade orçamentária, ter professores e funcionários próprios, enfim, ter autonomia razoavelmente ampla. Como essa formação completa ultrapassava os limites da cadeira de história geral da civilização brasileira e de todo o curso de história, Sérgio propôs a criação de um instituto que contemplasse essa disciplina e outras que pudessem contribuir diretamente para um melhor conhecimento do Brasil em seus vários aspectos. O setor cultural do IEB promoverá ou organizará cursos, conferências, sessões de debates, intercâmbios culturais, concursos e exposições.
Um dos objetivos do IEB era reunir uma série de documentos históricos para compor um acervo e disponibilizá-lo a pesquisadores que de outra forma não teriam acesso a fontes importantes. Para isso, era necessário ter um local onde os alunos pudessem se conectar a recursos sem precisar ir a arquivos, que muitas vezes ficavam distantes.
A aposentadoria na USP
Dessa forma, pôde contribuir para a expansão da pesquisa e do ensino no âmbito da Universidade de São Paulo, características que ainda hoje são indeléveis para esta instituição. Unanimidade em denunciar o abandono do ensino público pelo regime militar e consequentemente a implantação do modelo de privatização da universidade brasileira, com a queda do nível de ensino provocada por essa política; ao denunciar a limitação de gastos com universidades públicas e educação pública em geral; ao denunciar a política dos governos militares de enfatizar a prestação de serviços pelas universidades a empresas privadas e públicas, com o surgimento de fundações em universidades estaduais e federais. Em solidariedade aos colegas aposentados discricionariamente pelo regime militar (cerca de 40) do AI-5, solicitou sua aposentadoria, transmitindo-a ao então Reitor, Alfredo Buzaid, em 30 de abril de 1969.
Para este autor, estes acontecimentos tiveram várias causas, entre elas o conflito existente entre estudantes considerados comunistas e a crescente repressão do regime militar. Cardoso defende a tese de que houve sim interesse do regime militar e de seus defensores na destruição da FFCL e que esse processo começou com a destruição física76.
A vida fora da universidade
Acreditamos que analisar a trajetória intelectual de Sérgio Buarque de Holanda nos leva a repensar o papel do intelectual na sociedade moderna. Por fim, o destaque dado às diversas viagens ao exterior é uma forma de constatar que a importância de Sérgio Buarque de Holanda transcende as fronteiras nacionais. O objetivo deste capítulo é examinar a visão política atual de Sérgio Buarque de Holanda, não apenas em seus escritos, mas também em sua participação ativa em diversas instituições e movimentos sociais.
Quem mais destacou essa “visão política” de Sérgio Buarque de Holanda foi, sem dúvida, Antonio Candido. Em outro artigo, Candido (1998) volta a reforçar a posição radicalmente democrática de Sérgio Buarque de Holanda.
Sérgio Buarque de Holanda: intelectual engajado
Na obra de Sérgio Buarque de Holanda há um pensamento político, sobre o infuso, sobre o qual pretendo escrever algo, porque me parece que em Raízes do Brasil, mas também em outros escritos, está a semente de um ponto radical. de vista. Sem dúvida, Candido foi e ainda é um dos maiores intérpretes da obra de Sérgio Buarque de Holanda, e por ser um amigo próximo, pôde revelar facetas de sua vida pessoal e profissional, reveladas em diversos momentos em seus artigos. Mas na mesma entrevista, Sérgio Buarque de Holanda afirma que não concorda com a tese de que o escritor deve necessariamente ser engajado do ponto de vista político.
Para Sérgio Buarque de Holanda, diz Dias (1992), a principal tarefa do historiador consistia em estudar as possibilidades de mudança social. A seguir, abordaremos a atuação de Sérgio Buarque de Holanda em diversas instituições para interpretar essa “visão política”, pautada no comportamento democrático e contra qualquer forma de autoritarismo que implique em ferir os valores elementares do ser humano, qualidades que moldam e dar vida ao intelectual independente.
Associação Brasileira de Escritores (ABDE)
Primeiro – A legalidade democrática como garantia de plena liberdade de expressão, liberdade de culto, segurança contra o medo da violência e direito a uma existência digna. Conclusão - O Congresso considera a necessidade urgente de adequar a organização política do Brasil aos princípios aqui expostos, que são aqueles pelos quais lutam as Forças Armadas do Brasil e as Nações Unidas. Durante o Estado Novo, a ABDE conseguiu unir as várias correntes políticas: liberais, socialistas democráticos, stalinistas, trotskistas.
Após o fim do Estado Novo, a ABDE tomou um rumo diferente: defendeu os interessados na literatura e nos direitos intelectuais, sem prejulgar a dimensão política, mas sem se submeter a ela. Embora houvesse alguns embates com essa proposta, seu ponto de vista prevaleceu e foi considerado por Sérgio Milliet, Lourival Gomes Machado e pelo próprio Antonio Candido, deixando a formulação final a cargo de Sérgio Buarque de Holanda.
Esquerda Democrática
Terceiro – Só o pleno exercício da soberania popular em todos os países possibilita a paz e a cooperação internacional, bem como a independência econômica das nações. Mais tarde, em 1947, a Esquerda Democrática transformou-se em Partido Socialista Brasileiro e Sérgio Buarque de Holanda concorreu a vereador para completar o número mínimo exigido por lei para apresentar uma cédula87. Sérgio aceitou a candidatura apenas para completar o número de candidatos necessários à lista, pois não reunia as condições para uma atuação pessoal no campo político: “Fui derrotado naquelas eleições, vergonhosamente, frise-se.
Com o fim do Estado Novo, queríamos apenas fazer um partido, o que acabámos por fazer”. No Manifesto da Esquerda Democrática88, publicado em 24 de agosto de 1945, pode-se ler as linhas ideológicas fundamentais que nortearam o pensamento político de seus militantes, que se baseava nos seguintes princípios democráticos: regime representativo, de origem popular, por via universal sufrágio, direto e secreto, com representação proporcional;
Centro Brasil Democrático
Por fim, afirmam: “Um partido ou uma corrente política vale pelo nome que tem ou pelo programa que adota; mas também se aplica aos homens que a compõem e, sobretudo, a conduzem”.
Partido dos Trabalhadores (PT)
A visão democrática de Sérgio Buarque de Holanda