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Rodrigo Veras Rocha.pdf - Univali

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Academic year: 2023

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O foco desta monografia, juntamente com o que será discutido ao longo dos capítulos, limita-se a colocar a ausência de laudo pericial antropológico como causa de nulidade absoluta em processos criminais onde os povos indígenas aparecem como réus, haja vista que a constituição federal de 1988 e Alguns documentos internacionais, principalmente a Convenção 169 da OIT, garantem o reconhecimento e a proteção dos direitos indígenas. O objetivo geral do trabalho é comprovar, a partir de uma visão ampla, inovadora e concretizadora da Constituição Federal, que a ausência de laudo pericial antropológico no processo penal, nos crimes em que índios aparecem como réus, é fundamento de nulidade absoluta. . .

O LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO

Deve-se notar que o princípio da sentença livremente fundamentada significa que o juiz sempre baseia a sua decisão nas provas recolhidas. Portanto, todas as provas no julgamento criminal são relativas e não há hierarquia de provas. Portanto, nenhuma evidência tem o maior valor. valor que os outros. 1 Existe apenas uma excepção ao princípio da condenação livremente motivada em processo penal. São as decisões tomadas pelo júri, que não requerem qualquer motivação, apenas a convicção íntima de cada jurado para avaliar a situação.

O ARTIGO 182 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL

A perícia é externalizada ou concretizada por peça técnica denominada laudo pericial (CAPEZ, 2002, p. 275), conforme preconiza o artigo 160 da Lei de Processo Penal: “Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde eles descreverão em detalhes o que estão investigando e responderão às perguntas feitas." Por outro lado, a respeito do indeferimento do laudo pericial pelo juiz, o mesmo autor, que também exemplifica, diz que:

O LAUDO PERICIAL ANTROPOLÓGICO

Sobre os objetivos do laudo pericial antropológico, Stephen Grant Baines, citando Alfredo Wagner Bern de Almeida, afirma que: os laudos periciais dos antropólogos têm como objetivo fornecer subsídios e suporte técnico aos processos judiciais e extrajudiciais do MPF [...] a expertise antropológica é fundamental para compreender os mecanismos adotados por essas populações na afirmação de sua identidade étnica e de seus direitos. O Código de Processo Penal Brasileiro não menciona a necessidade de laudo pericial antropológico em processos criminais envolvendo povos indígenas, como

MONISMO: SURGIMENTO, CONCEITO, CARACTERÍSTICAS, EVOLUÇÃO E

Antônio Carlos Wolkmer, citando Miguel Reale, destaca que o Estado é a personificação do direito, pois é quem cria a ordem jurídica. Isto cria a segurança, a hierarquia e a certeza de um quadro de normatividade dogmática baseado no plano lógico da completude e de que só existe um Direito, o Direito Positivo do Estado. Antônio Carlos Wolkmer, citando novamente Miguel Reale, diz que: “todo direito se reduz ao direito positivo e que todas as expressões de positividade jurídica são equivalentes”.

Para concluir o tema das características do monismo jurídico, temos o quarto e último pressuposto, o princípio da racionalidade, que Antônio Carlos Wolkmer descreve como essencial para uma compreensão precisa dos aspectos normativos, institucionais e decisórios do direito ocidental contemporâneo. Sobre esse debate, Antônio Carlos Wolkmer acrescenta que “ao contrário do Estado absolutista, que faz da pessoa do monarca a única fonte legitimadora, o Estado-nação liberal privilegia um corpo político legislativo com independência para implementar a vontade geral de toda a nação”. ." (2001, pág. 52). Portanto, é perceptível neste ciclo o declínio e a postulação do direito do Estado ao direito positivo; estabelece-se a interpretação de que o direito não é apenas aquele que é produzido pelo Estado, mas também, e principalmente, que o direito positivo é o direito real e verdadeiro.

Antônio Carlos Wolkmer reflete sobre as causas da crise do monismo jurídico e cita José Eduardo Faria, que diz: “Por assim dizer, a crise do.

MULTICULTURALISMO: CONCEITO E ESTRUTURA

Uma fonte de diversidade cultural é a coexistência, dentro de um determinado Estado, de mais de uma nação, onde nação significa uma comunidade histórica, mais ou menos institucionalmente completa, abrangendo um território ou uma pátria. E acrescenta que “um país que inclui mais de uma nação não é, portanto, um Estado-nação, mas sim um Estado multinacional, no qual culturas mais pequenas formam minorias nacionais”. (1995, p. 26)6. São movimentos sociais estruturados em torno de um sistema de valores comuns, de um estilo de vida homogéneo, de um sentido de identidade ou pertença colectiva, ou mesmo de uma experiência de marginalização.

5 Uma fonte de diversidade cultural é a coexistência, dentro de um determinado estado, de mais de uma nação, onde nação significa uma comunidade histórica, mas pelo menos institucionalmente completa, que ocupa um determinado território ou pátria e que partilha uma língua e cultura distintas. Quase todas as democracias liberais são multinacionais ou poliétnicas, ou ambas. Portanto, o desafio do multiculturalismo é acomodar as diferenças nacionais e étnicas de uma forma sustentável e moralmente defensável.

Por lo tanto, el desafío del multiculturalismo es dar cabida a estas diferencias nacionales o étnicas de una manera estable y moralmente justificable.

O MULTICULTURALISMO E OS POVOS INDÍGENAS

Dentro dos Estados multinacionais, os povos indígenas constituem as chamadas minorias nacionais, que, como anteriormente destacado no ponto 2.2, são grupos inteiramente formados e que funcionam no seu país de origem, mas que por alguma razão foram incorporados noutra sociedade. Dentro deste processo histórico de conquistas e colonização, os povos indígenas fazem parte deste, após a opressão de grande parte de sua população e separação de sua cultura, começam a renascer com a consciência e o desejo pelo reconhecimento de seus direitos e respeito como uma minoria nacional. Os povos indígenas são definidos como pessoas que tradicionalmente viviam nas suas terras, mas foram colonizadas por conquistadores que os forçaram a integrar-se numa economia e cultura estranhas ao seu modo de vida.

Embora as nações subestatais pretendam construir um Estado com uma economia e instituições políticas que sejam muitas vezes formalmente idênticas ao resto da sociedade, os povos indígenas exigem o direito de preservar a sua cultura e crenças tradicionais e de participar, nas suas próprias condições, no mundo moderno. E prossegue afirmando que “parece que quase todos os grupos humanos tendem a perceber certos outros grupos como pessoas de menor valor que eles próprios” (2001, p.73), portanto surge o multiculturalismo para questionar esta hierarquização do ser humano, propor o respeito às diferenças entre os povos indígenas e outras minorias. Actualmente, com a assistência da comunidade internacional, foram feitos progressos no reconhecimento dos direitos dos povos indígenas em todo o mundo, a nível nacional e internacional.

Assim, com base no que foi dito até aqui, a luta pelo reconhecimento e defesa da identidade e dos direitos dos povos indígenas conduz à necessidade de ampliação do espaço social com a redefinição desses direitos.

A PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL DOS ÍNDIOS BRASILEIROS: O DIREITO

O Capítulo VIII (Sobre os Índios) do Título VIII da Constituição Federal de 1998 dispõe sobre o tratamento especial aos povos indígenas, dentro deste capítulo constitucional dedicado aos índios, destaca-se o caput do artigo 231, norma que é de fundamental importância para a compreensão dos direitos dos povos indígenas (SANTOS, 2005, p. 10). Para realizar o intercâmbio entre o poder judiciário e os povos indígenas, contamos com um antropólogo que, por meio de laudo pericial antropológico, conforme destacado no ponto 1.3, proporcionará ao juiz o conhecimento das complexidades que permeiam a sociedade indígena, possibilitando assim a aplicação constitucional da direitos. fornecido aos índios. As disposições constitucionais que garantem os direitos dos povos indígenas [...] e a protecção da cultura contêm dois aspectos dos direitos colectivos.

Por um lado, os povos indígenas [...] têm o direito de continuar a existir como tais, e a garantia de seus territórios, recursos naturais e conhecimentos, e, por outro lado, toda a sociedade brasileira tem direito à diversidade e conservação das manifestações culturais dos diferentes grupos étnicos e sociais a que pertencem (2005, p. 81). Se a Constituição reconhecesse as organizações sociais e os direitos de cada povo, como parte do conjunto de valores que os caracteriza, facilmente chegaríamos à conclusão de que o pluralismo jurídico dos povos indígenas foi reconhecido. Para encerrar o debate, a Constituição de 1988, do ponto de vista político e jurídico, provocou uma ruptura no sistema de omissão e invisibilidade dos povos indígenas ao reconhecê-los principalmente através do art.

Sua cultura, pois os índios têm reconhecimento constitucional de sua “organização social, costumes, línguas, crenças e tradições”.

O DIREITO INTERNACIONAL DOS POVOS INDÍGENAS E SEU IMPACTO NA

Os direitos consagrados nos tratados de direitos humanos dos quais o Brasil é parte fazem parte, portanto, do rol de direitos consagrados constitucionalmente. Determina que a diversidade étnico-cultural dos povos indígenas deve ser respeitada em todas as suas dimensões. Estes povos devem ter o direito de manter os seus próprios costumes e instituições, desde que não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais definidos pelo sistema jurídico nacional ou com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos.

Na medida em que isto seja consistente com o sistema jurídico nacional e com os direitos humanos reconhecidos internacionalmente, os métodos em que. O manual do projeto de promoção da política da OIT sobre os povos indígenas e tribais esclarece no mesmo documento legal que:. Em muitos casos, os povos indígenas e tribais não estão familiarizados com as leis ou sistemas jurídicos nacionais.

Os direitos dos povos indígenas ao reconhecimento não podem ser interpretados à luz dos preconceitos e ideias ocidentais.

UMA ANÁLISE DA ATUAÇÃO DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO EM PROCESSOS

22 Cada aldeia possui um tuxaua, um líder local, pessoa autorizada a resolver conflitos e disputas internas, convocar reuniões, planejar festas e cerimônias, dirigir atividades agrícolas e transações comerciais, ordenar a construção de casas (http: // www. socioambiental.org) desempenha função político-representativa, é eleito por determinados períodos ou desde que sirva bem, conecta a comunidade com o mundo exterior que exige direitos. A população Macuxi é atualmente estimada em cerca de 19.000 pessoas no Brasil e cerca de metade desse número na vizinha Guiana, ocupando áreas rurais e montanhosas no extremo norte do estado de Roraima e ao norte do distrito de Rupununi, na Guiana. http://www.socioambiental.org) Antropólogo Paulo Santilli. Respeitar e aceitar as soluções de disputas alcançadas pelos índios de acordo com seus costumes evita a repetição de julgamentos baseados no mesmo fato (non bis in eadem), da eficiência ao direito dos índios de serem diferentes, compatibiliza formas de resolução de conflitos que existe entre as diferentes culturas que compõem o Estado e faz cumprir os ditames e diretrizes constitucionais da Convenção 169-OIT e da Declaração das Nações Unidas sobre os Povos Indígenas.

Na primeira parte do parecer, o Ministério Federal apresentou um tratamento atual da questão dos direitos de cidadania à luz da Constituição Federal de 1988 e de outros documentos internacionais, mencionando a obrigatoriedade e a necessidade de laudo pericial antropológico que respalde o pedido de arquivamento. com base nos artigos 8, 9 e 10 da Convenção 169 da OIT, bem como no projeto de Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Os povos indígenas constituem parte e estão inseridos no mosaico desse multiculturalismo, mas os povos indígenas como sujeito diferenciado de valor e correspondente à diversidade de culturas que representam permaneceram no lugar. Disponível em: .

Constituição da República Federativa do Brasil, 5 de outubro de 1988. lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. lt;www.stf.gov.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?classe=HC&processo=85198&origem=I T&cod_classe=349>. Disponível em: . Disponível em: .

Referências

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