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RUI JORGE SEMEDO

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Academic year: 2023

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É uma sociedade conhecida e reconhecida por ter uma forte tradição ancestral presente nas suas manifestações cotidianas. Reforçando a visão de Scantamburlo (1991), acreditamos que o significado do artesanato no universo bijagó tem uma profunda dimensão artístico-cultural e tem uma característica particular do seu universo sócio-religioso.

CONTEXTUALIZAÇÃO

PRINCIPAIS 1

COMPONENTES DE EXPRESSÃO ARTÍSTICO-CULTURAL

ESTRUTURA DO ARTESANATO BIJAGÓ

Esta componente reúne um conjunto de peças que fazem parte dos artefactos que as mulheres e os homens bijagós confeccionam e utilizam no seu quotidiano para proporcionar um modo de vida que seja a sua identidade e/ou proporcionar outras necessidades domésticas que lhes permitam construir o ambiente social. -bem-estar cultural da família, das comunidades ou mesmo dos guineenses. Contudo, mulheres e homens ganham alguma admiração e reconhecimento da comunidade social, principalmente através da forma como se vestem e dançam em eventos culturais e religiosos.

Artesanato Sagrado

  • DANÇA
  • CANTIGA

As outras duas classes cerimoniais, kadeni e kabaro, não estão autorizadas a cantar e os seus papéis no palco limitam-se à dança. A partir desta fase o indivíduo descobrirá os seus dons artísticos e será natural, social e culturalmente incentivado a investir no seu potencial.

PEÇAS 2

ARTESANAIS BIJAGÓ

ARTESANATO UTILITÁRIO

A saia é uma das peças de mortaja que não pode faltar no funeral de uma mulher. Após o corte com machado, o galho é cuidadosamente limpo com uma faca bem afiada e a seguir, sempre com o apoio de uma faca, toda a sua estrutura é cuidadosamente trabalhada.

ARTESANATO LÚDICO

A barbatana é um acessório de dança que o kabaro ou kanhocã usam nas costas para imitar o movimento citado e nas laterais possui furos, por onde é passada uma corda e presa aos ombros do dançarino. O tronco de Tagara (Alstonia sp.) é a matéria-prima preferida para a confecção de cabeças de vaca mungust. Cabeça de vaca Mungut22, vaca bruta, vaca e pis berga fazem atualmente parte das máscaras de dança preferidas dos jovens cabarés.

Tal como as peças anteriores, a peça do tubarão faz parte de um conjunto de máscaras que os cabarés utilizam para dançar. A matéria-prima para a produção de barbatanas de tubarão é geralmente o poilão cumbo (Ceiba Pentandra).

ARTESANATO SAGRADO

As matérias-primas mais utilizadas pelos escultores bijagó na confecção de uma peça de bumbulum ou bombolom são as árvores karádju (nome científico), bicilon (Khaya senegalensis) e uchoron (nome científico). Ele fica livre novamente somente após completar o ritual. e) Tambores (iangaram e n`ghato) Matéria prima e técnica de fabricação. O segundo, denominado n`ghato, a matéria-prima utilizada é uma tora de tagarre (Alstonia sp.) ou pau bicho (nome científico), mas os artesãos preferem o primeiro.

Depois de cortada, a matéria-prima é deixada escorrer por pelo menos duas semanas e depois começa a esculpir até que o objeto tome a forma desejada. A cana ou enchia é feita de diferentes árvores, mas as matérias-primas mais utilizadas e comuns são o mangal varra (Avicénia africana) e o pau fedida (Faiderbia álbida).

DANÇAS 3

E OS SEUS PROCESSOS RITUALÍSTICOS

ILHA DE TCHEDINGHA

Na cabeça usam uma máscara chamada nghuritibu, que tem aproximadamente o formato de um arco, e nas laterais há ngharis feitos de nghodane (nome científico), e no topo está fixada uma miniatura do animal que a dançarina imita (vaca, barco , etc.). Eles são chamados para dançar pelos kamabi, que são uma classe cerimonial posterior, por meio de um sinal de fogo aceso em frente à residência, que serve para anunciar sua prontidão para atender o chamado. Dançam ao som de um tambor chamado n`ghato, tocado por uma mulher, e de um bumbulum chamado éboro, tocado por um homem.

Na cabeça usam a máscara, nas costas, que tem o formato aproximado de um arco e nas laterais são fixados ngharis de madeira e no topo é fixada uma miniatura do animal que a dançarina imita. Os Kamabi organizam as mulheres responsáveis ​​pela batida, na qual se utiliza o tambor (n`ghato), bumbulum e se for a hora de preparar o fanado é necessário o uso de outro tambor chamado nambunhe.

ILHA DE N`GHAGO

A classe cerimonial feminina na Ilha N`ghago apresenta uma estrutura e práticas culturais semelhantes às da Ilha Tchedingha. O ritual Anny na Ilha N`ghago é um momento muito importante que une o jovem Kadeni e seus parceiros de luta. Para tanto, enquanto os homens “devoram” a floresta com facões, os campais preparam a comida para o final do trabalho.

A classe cerimonial masculina na Ilha N`ghago, tal como as mulheres, apresenta uma estrutura e práticas culturais próximas das da Ilha Tchedingha. Durante a dança, Kamabi acompanha de perto, corrige passos e brinca – mas essa mesma atitude ou comportamento pode ser imitado por Kanhocã.

ILHA DE FORMOSA

Em Formosa a transição de uma classe cerimonial para outra leva pelo menos seis anos e tanto os Kadeni quanto os Kampuni têm um jeito próprio de ser, mas há momentos comuns em que se reúnem para realizar o ritual chamado anny, cuja organização ritual é na maioria casos de responsabilidade do Kanhocã. Para dançar, os kampuni usam um artefato de madeira, o nedek, coberto com folhas de cybe (Borassus aethiopum) e lenços de diversas cores e sabores no braço esquerdo. Os kampuni são obrigados a usar saia longa ao dançar o etikapungha durante a saída do fanado Kamabi e a dedicação do novo kabaro, mas se for em outra ocasião, como o toka-tchur, podem usar saia curta para brincar.

Após a conclusão do ritual, a bandeira é levada e entregue a um dos anciãos da tabanca e ele, por sua vez, deve ordenar que a comida e a bebida sejam preparadas para servir o camptali. Para dançar são usados ​​​​de dois a três tambores e a kambila é responsável por batê-los, eles formam um círculo ou arco para dançar ao ritmo das músicas que acompanham lindamente os tambores.

ILHA DE CANHABAQUE

Os Kanhocã desempenham a mesma função que os seus congéneres de outras ilhas, são vistos como seguranças públicos da tabanca, ou seja, numa ilha, cada tabanca tem a sua classe cerimonial de kanhocas, cujas intervenções se limitam à área. de jurisdição conjunta - comunitária. Em todas as ilhas observadas, não incluímos a aula cerimonial Kamabi nos capítulos pela simples razão de que a categoria não se enquadra nos critérios metodológicos pré-determinados, que é respeitar apenas as aulas que tenham legitimidade para dançar. Segundo a tradição, a tabanca de N`ghoda é o território estruturante de todo o dinamismo sócio-religioso do fanado na Ilha de Canhabaque, portanto é a tabanca responsável por baptizar os kamabi com um nome quando saem do fanado e, necessariamente, todos os Kamabi da tabanca dos demais levam o mesmo nome durante todo o período em que estiverem nesta classe cerimonial.

Pelo contrário, os Kamabi são a terceira e última classe cerimonial feminina e têm um período de renúncia e abstinência sexual mais curto em comparação com os homens. Uma delas é a que obriga os indivíduos da classe cerimonial Kamabi a renunciarem à vida sexual, à família e às filhas por um período de pelo menos seis anos e, definitivamente, à própria esposa.

ILHA DE ORANGO

Usam três saias, uma em baixo, que é a mais comprida, e duas curtas em cima, no pé direito usam sadjo, porque com esse pé dançam mais, na cintura colocam conchas e miçangas, elas também usam blusas, fazem correntes no pescoço e trançam. O jogador e o líder do grupo, que costuma dançar Pis Berga47, fazem o papel de provocador e podem incitar os Kanhocã à guerra. Ao chegarem na tabanca, tentam ser recebidos por uma pessoa responsável e abastada, colocam a bandeira de folhas de palmeira (Elaeis guineensis) e começam a dançar, depois vão até o bantabá dançar e então o anfitrião observa que alguém o anúncio do bota banu faz sobre a presença do grupo na tabanca.

Na cabeça usam o artefato do animal (peixe, vaca, canoa, palmeira, etc.) que estão imitando, mas o artefato utilizado também serve para evitar golpes na cabeça. Use uma ou duas sumbias para facilitar a fixação da máscara de dança, n`ghumbá, na cabeça, que é decorada com artefatos chamados npankon.

ILHA DE FORMOSA

Além da veterana Quinta Gomes na ilha Formosa, há outras vozes, como a de Fatu dos Santos, que é uma kamtabli cujas composições merecem a nossa atenção, pois são temas que procuram elevar a autonomia da mulher num contexto fortemente masculinizado. realidade. . Não falarei mais sobre o homem que conheci na Ilha das Galinhas. Se alguém quiser dizer algo ruim sobre mim, pode. Estou brigando com o homem que me engravidou e me disse que não sou mais bonita.

A certa altura, quando estava grávida e ao mesmo tempo sofria de problemas de saúde, a irmã, assustada com o seu estado, informou à mãe que estava na ilha de Soga. Ele incentiva os kampunes em suas rotinas culturais, mas disse que não hesita em apresentar sua música ao público, passando vários dias ensaiando até memorizar a música, pois não consegue escrevê-la.

ILHA DE NAGO

ILHA DE CHEDIÃ

ILHA DE CANHABAQUE

ILHA DE ORANGO

NOTA FINAL

Embora as Ilhas Bijagós sejam geograficamente insulares, os seus problemas e/ou a sua prosperidade nunca podem ser observados fora do contexto guineense, pois constituem parte integrante e indivisível do território guineense. O Estado já não é o principal gestor dos bens públicos e distancia-se cada vez mais das suas responsabilidades sociais, ambientais, económicas e políticas. Na realidade, as Ilhas Bijagós, tal como outras partes do país, só poderão escapar a esta forte onda de alienação de recursos, espaços e pessoas se o Estado conseguir assumir o seu papel tradicional de regulação de interesses e também criar condições eficazes para criar iniciativas que promovam iniciativas. consolidar o bem comum com igualdade e responsabilidade.

ANEXOS

O IMVF – Instituto Marquês de Valle Flôr, fundação criada em 1951, é uma organização não governamental de desenvolvimento (ONGD) que tem como principais áreas de atuação a cooperação e a educação para o desenvolvimento, e tem como missão promover o desenvolvimento socioeconómico e cultural. Privilegiamos o estabelecimento de parcerias com organizações da sociedade civil guineense que procurem assegurar uma abordagem integrada, transversal e sustentável ao processo de desenvolvimento. É neste contexto que participou na criação da Área Marinha Comunitária Protegida da Guiné-Bissau, AMPC Urok (Formosa, Nago e Chediã), no arquipélago dos Bijagós, onde promove ativamente o processo de desenvolvimento sustentável.

Acção cidadã para salvar e valorizar um património da humanidade” foi implementada pelo IMVF e Tiniguena no Arquipélago dos Bijagós, concretamente nas Ilhas Urok (Formosa, Nago e Chediã), entre Janeiro de 2013 e Maio de 2016. Co-financiado pela União Europeia e O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., teve como objectivos gerais contribuir para uma maior apropriação, pelas comunidades locais, do processo de conservação e desenvolvimento sustentável da Reserva da Biosfera do Arquipélago de Bolama-Bijagós (RBABB) e contribuir para a atracção de investimentos sustentáveis ​​no arquipélago.

Referências

Documentos relacionados

Segundo o estudioso, trata-se de mais um sinal do retorno à conservadora tradição de Hollywood: “a vitória sobre os comunistas malvados codifica Rambo como uma redenção mítica