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SUPERINTENDtNCIA DE ESTUDOS

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(1)

FUNDAÇAO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTAT1STICA DIRETORIA TtCNICA

SUPERINTENDtNCIA DE ESTUDOS

GEOGR~FICOS

E SOCIO-ECONDMICOS

BOLETIM

DEMOGR~FICO

CBED

1976

(2)

Presidente: Isaac Kerstenetzky

Diretor-Geral: Eurico de Andrade Neves Borba Diretor-'I'écnico: Amaro da Costa !-ionteiró

Superin·tendente da Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos: Speridião Faissol

Chefe do Centro Brasileiro de Estudos Demográficos:

João Lyra Madeira

IBGE - Centro Brasileiro de Estudos Demográficos

Avenida Beira Mar, 436 - 129 andar - Rio de Janeiro - Brasil

(3)

Fundaçrro Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Diretoria Técnica

Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos

BOLETil-1 DEMOG?ÁFICO CBED

B. derrogr .CB...PD Rio de Janeiro jul./dez l976

(4)

ÍNDICE

SIMÕES, Celso Cardoso da Silva; CASTRO, Mary Garcia;

OLIVEIRA, Zuleika Lopes Cavalcanti. Análise de al gurnas caracteristj_cas dos rnigrantes na Região Me-

tropolitana do Rio de Janeiro •.••••••••••.••••.••. p. 4

CONFEP.P,NCIA GERAL SOBRE POPUL.i\ÇÃO NA UNIÃO INTERNl',.

CIONAL PARi\ O ESTUDO CIENT!FI(O DA POPULAÇÃO - CI

DADE DO M~XICO 1977. Tradução de Lucinda da Silva. p.74

(5)

ANALISE DE ALGUMAS CARACTERTSTICAS DOS MIGRANTES NA REGIAO METROPOLITANA DO RIO DE JANEIRO

Celso Cardoso da Silva Simões Mary Garcia Castro

Zulefka Lopes Cava1canti de Oliveira

1 - CONSIDERAÇOES INICIAIS

Este trabalho foi dividido em três partes.

Na primeira parte, procurou-se dar uma visão geral do processo migratório para a Região Metropolit~

na do Rio de Janeiro, destacando a importância da componente mi- gratória para o crescimento geral da população da respectiva re gião.

Devido à existência de grande · het~

ro~eneidade dentro dos municfpios da Região Metropolitana, proc~

rou-se analisar os fluxos migratórios por situação no municrpio núcleo e municrpios da perife ria.

Já na segunda parte do trabalho procurou-se ana.lisar os diferenciais de renda entre migrantes, s~

gundo o seu tempo de residência. e nativos, na Região Metropoli- tana do Rio de Ja~eiro, segundo o núcleo e conjunto de municTpios periféricos.

Assim, o estudo dos diferenciais de renda sao analisados dentro da discussão empreendida por alguns autores após a publicação dos dados dos censos de 1970, sobre a questão da repartição da renda no contexto da sociedade brasilei

ra.

(6)

Por Último,através da seleção de al gumas variáveis censitárias , procurou-se perfilar os nfveis de vi da domiciliar das subpopulações migrantes e não migrantes, objetl vando identificar regularidades e discrepâncias de situações, ao se controlar o local de residência, no caso dos municfpios

nentes da Região Metropolitana do Ri o de Janeiro.

comp~

2 - ANALISE DOS FLUXOS MIGRATORIOS PARA A REGI~O METROPOLITANA DO RIO DE JANEIR()

Nesta parte do trabalho procurou- -se determinar a migração para os municfpios da Região Metropolit~

na do Grande Rio medindo a participação dos migrantes no total da população dos municfpios, sua distribuição por tempo de resi- dência, bem como,através das taxas geométricas de crescimento, de

te~tar aqueles municfpios de maior atração migrat6ria.

Inicialmente tornou-se necessário de finir o que se entende por migrante. Os ~~n~o}.de população defi

MVn1c.t t'o

nem migrante como a pessoa que reside num • diferente daquele em que nasceu.

A partir desta definição foram elabo radas algumas tabelas que passaremos a analisar.

2.1- Análise das tabelas

A Tabe 1 a I nos dá os totais de mi grantes para os municfpios, bem como sua participação na população

(7)

no período 1960/70, que servem como indicador daqueles municípios de maior atração ou repulsão de população. Nota-se, pelos dados da tabela, que os municípios que se destacaram pelo impacto relati vo da imigração para seu contingente populacional foram, por ordem de importância, NilÓpolis, Duque de Caxias, São João de Meriti, N~

va Iguaçu e Paracambi, todos eles com uma participação de migran- tes, na população, acima de 50%.

Dividindo-se a Região Metropolitana, onde a participação de migrantes no total da populacão é na ordem de 45,30%, no núcleo e periferia encontra-se 42,4% c 4~,7% de mi- grantes, respectivamente.

Completando esta análise através das taxas de crescimento geométrico, constata-se, logo de imediato, va lores elevados destas taxas, ã excessão de Mangaratiba, Maricá c Petrópolis.

Podemos observar, através dos dados da Tabela I ,que,do total de 14 municípios da Região Metropolitana, pelo menos 8 são áreas de forte atração migratória, todos eles com taxas de crescimento superiores a 3%.

Esta migração tanto e devida a des locamentos populacionais advindos de outros estados, como de muni cípios do mesmo estado (ver Tabela I I), nos quais se nota uma pe~

da acentuada de população quando analisada pelas taxas de crescimen to geométrico.

TABELA I

PROPORÇ~O DE NAO NATURAIS NA POPULAÇAO TOTAL E TAXA DE CRESCIMEN- TO GEOM~TRICO PARA AS FOPULAÇOES DOS MUNICTPIOS DA REGIAO

METROPOLITANA NO PERTODO 1960/70

Núcleo

MUNICTPIO

E

REGIAO METROPO

s

LITANA

...

Duque de Caxias ...

...

ltaboraí

...

POPULAÇAO RESIDENTE EM 1970

4 251 918 431 3971 65 912

% DE TAXA DE MIGRANTES CRESCIMENTO MIGRANTES SOBRE 1960/70

~ro~~ TOTAL (i%)

1

Bao

822 42,4 2,73 255 923 59,3 5,96 23 443 35,6 4,71

(8)

TABELA I

PROPORÇ~O DE N~O NATURAIS NA POPULAÇAO TOTAL E TAXA DE CRESCIMEN- TO GEOM~TRICO PARA AS POPULACDES DOS MUNICTPIOS DA REGJAO

METROPOLITANA NO ~ERTODO 1960/70

(conclusão)

!

% l>E

TAXA DE

MUNICTPIOS POPULAÇAO IMIGRANTES

E RESIDENTE MIGRANTESI SOBRE CRESCIMENTO REGI AO ~·lETROPOL I TANA EM 1970 IPOPUL,AÇAO 1960/70

TOTAL (i%)

!

ltaguaí

... . ...

55 839 25 6571 45,9 5,30

Magé

...

11 3 023 52 241 46,2 6,79

Mangaratiba

...

12 338, 2 097 17,0'

o

,27

I

19,81

Mar i cá

...

23 6611 4 6791 2,08

I I

N i 1Õpo 1 i s

...

·

.

128

o

11 78 8691 61 ,61 2 '91•

Ni terôi

...

324 246 129 411 39,9 3,02 Nova Iguaçu

...

727

1401

415 690 57,2 7,37

Paracambi

...

25 3681 1 3 5761 53,5 5,03 Petrópolis

....

·•

...

189 1401 50 0621 26,5 2,55

I

São Gonçalo

...

430 271 174 2116 40,5 5,77 São João de Meriti

...

302 394 179 701+ 59,4 4,75 Periferia

... .. ... !2

828 743 405 598 49,7 5,22 Região Metropolitana

...

7 080 661 3 206 420 45,3 3,65

FONTE: Censo Demográfico de 1970

(9)

TJ\BELA 11

PROPORCJ\0 DE Nl~O NATURAIS NA POPUU\Ç~O TOTAL E TAXf1S DE C R ESC I MENTO

GEOMET~ICO PARA AS POPULAÇCES DOS MUNICTPIOS NO PERTODO 1960/1970

(continua}

TOTAIS

r % de

I

Taxa de REGIOES E MUNICTPIOS Popul.,ção Popu1nção migrantes

1 Cresci rilen residente migrantc sobre

I

(1970) (1970) população total 1 1960/70 (%)

to

-

Região Baixadas Litorâneas

...

315 603 73 929 23,42

-

t-1acaé

...

I

65 318 11 632 17,81 1 ' 18

Araruama

...

40 031 7 677 19' 18 2,66 Casemiro de·Abreu

...

·~

....

16 799 7 142 42,51 2,73 Cabo Frio

...

44 379 12 812 28,87 5,05 Cachoeiras de Macacu

...

33 793 8 379 24,80 2,33 Conceição de Macabu

...

11 560 3 016 26,09 1 '89 Rio Bonito

...

34 434 Q -' 95L! 28,91 2,31 Saquarema

...

24 378 4 2941 17,61 2' 12 São Pedro da i\1deia

...

27 721 3 7161 13,40 3,72 Si 1 va Jnrdim

...

17 190 5 307 30,87 1 '34 Região Serrana

...

278 019 56 5071 20,32

-

Nova Friburgo

...

90 420 25 159 27,82 2,76 Bom Jardim

...

17 095 2 202 12,88 -0,83 Cantaga1o

...

18 590 1 331 7' 16

o'

79 Cordeiro

.. . ...

12 859 5 213 40,54 2,79 Carmo

...

I 1 ~ 787 2 112 17,92 0,35 Duas Barras

... ...

I

7 [j]4 1 051 13,35 -1 '85

S~o Sebasti~o do Alto

...

10 073 651 6,46 -1 '43 Santa Mi)ria ~1ada 1 e na

...

12 452 955 7,67 -1 '57 Sumidouro

...

1 1 003 1 485 13,50 0,37 Teresópo 1 i s

...

73 128 15 419 21,081 3,48 Trajano de Morais

...

12 73~ 9291 7,29 -2,06

(10)

Tr'\BELA I I

PROPORÇAO DE N~O NATUR/\ I S ~lA POPUU\ÇÃO TOT:'\L E T:";Xt1S DE CRESCIMENTO GE0~1tTRICO PARA AS POPULAÇOES DOS MUNICTPIOS NO PERTODO 1960/1970

REGIOES E MUNICTPIOS

(continuação)

TOT/\ I S

I

População População migrantes %de residente migrante sobre

Taxa de rescimento

1960/70 (%)

I

(197'1)

I

(19?.0)

I popula ~ã o

---~---+·---~·

__

total __ -+---

Regi~o Litoral Sul ...•...

Angra dos Reié ... •. ...

Parat i ... .

Região Industrial do Midio Parafba Vo 1 ta Redonda

Barra Mansa •...•...

Barra do Piraf •••.•...•.••...

Eng. Paulo de Frontin ..•...••

Mendes ...•...•..

Miguel Pereira ...•.

Parafba do Sul ... ..

p i r a

r ... . . .

Resende .•...•

R i o C 1 aro ...•.

Rio das Flores ...•...

Sapuca i a ...•...

Três Rios

Vassouras ...•...

Valença ...•

Reg i ão No r te ... . Campos ...••.•...•.... ...

1 56 2101 13 3531 40 276

15 934

I

624

5881

125 295j 101

66o !

59 076 11 556 12 748 13 652 26 736 24 15() 66 907

Jll 251 7 183 16 01.12

55 8711 41 148 1+8 3131

I

639 721

310 806

1

o

326 3 027

65 226 46 231 15 876 3 480 3 496 3 3141 5 198 8 525 23 291

2 428

2 %8

3 329 15 014 7 495

9 344

53 025

20 515

23,76 25,64 19,00

34,39 52,06 45,48 26,87 30' 11 27,42 24,27 19,44 35,30 34,81 17,04

"28, 79

2n,75 26,87 18' 21 20,38

8,29 6,43

3,55 2,86

3,63 4,88 2,81 -0,27 -0,27 -0,87 0,53 o' 79 3,37 1 '98 -1 ' 11 -·0,20

2,41 0,36

1 '41-t

0,95

(11)

TABELA 11

PROPORÇ~O DE NAO NATURAIS NA POPUU\Çl\0 TOTAL E TAXf-\S DE CRESCIMENTO

GEOM~TRICO P/\RA AS POPULAÇÕES DOS MUNICTPIOS NO PERTODO 1960/1970

(conclusão) TOT/\1 S

REGIOES E MUNICTPIOS População

_ I ..

% de Taxa de

Populaçao m1grantes

residente migrante sobre .. resciment ( 19 70) (1970) população 1960/70

~::tl (%)

Bom Jesus do ltabapoana ..••... 29 418 4 433 15,07 -2,47

Cambuc i ... . 24 424 1 564 6,40 -2,28 I tape r una ...•... 60 622 8 070 13,31 -0,43

I taocara . . . . 22 264 1 627 7,31 0,03

Laje do Muriai ...•...•...• 8 538 1 108 12,98 -4,49

21 187 ' ) J 339 15,76 o. 14 Ki racema ... .

Natividade . . . ~ .. . 20 154 2 1211 10,54 -1,91

?orcl~ncu)a ...•.... Yl )95 3 43' '2.1 .(;,~ -'2.,<)5

St<?. Antonio de Pádun ... . 31 151 2 629 8,44 -0,25

São Fi dil i s 35 143 1 521 4,33 -0,90

55 6191 2 664 L;, 79 1 '83

I

São João da Barra ... .

FONTE: Censo Demográfico de 1970

JáasTabelas 111 e 111-a nos dão a distribuição dos migrantes por lugar de R~sldincia na Regfio Metropolitana segundo o domicflio anterior, por Estado e Grandes RegiÕes.

Nota-se, pelos dados, a importância das migrações nos Estados da Região Sudeste para a Regtão Metrop~

litana, principalmente a migração dentro do próprio Estado de que faz parte a Região Metropolitana. Assim, dos 86,82% de migrantes na periferia, cerca de 69,10% são de movimentos oriundos dos muni

o

(12)

cípios do Rio de Janeiro e 10,37% do Estado de Minas Gerais. O mesmo se verifica para os migrantes que se dirigiram para o nú- cleo,com cerca de 29% originários dos municípios do Antigo Estado do Rio de Janeiro. ~ importante, tambim, o contingente advindo de Minas Gerais, com 18,2% co total de 59,53%.

r

de se destacar, por outro lado, a contribuição ainda elevada da Região Sudeste na composição da p~

pulação da Região Me tropolitana, com 22,99% do total de migran- tes, distribuídos pe lo núcleo c periferia, com 32,87% e 11,64%

respectivamente.

Quando se analisa a distribuição dos migrantes pelo tempo de permanência nos municípios da Região Me- tropolitana constata~ se, de imediato, diferenças em sua distribui ção. Comparando-se o núcleo com a periferia onde, à, exceção dos migrantes de 11 anos e mais, observa-se ser a periferia o local para onde se dirige a maior parte dos não naturais. Isto p~

de ser visto pelos dados na Tabela IV, quando se faz a análise den tro de cada tempo de permanência.

Verificou-se, também, diferenças en tre a distribuição dos migrantes por tempo de permanência, no nú cleo e perife ria. Já numa análise horizontal na distribuição dos migrantes do núcl eo existe uma grande concentração (63,09%) com 11 anos e mais de residência, scnrlo de apenas 14,41% o continge~

te daq~~es que chegaram a menos de 2 anos.

(13)

DISTRIBUIÇAO DOS MIGRANTES, POR LUGAR DE RESIDtNCIA, SEGUNDO O LUGAR DE DOMICTLIO ANTERIOR

Rondônia

DOM I CTLIO ANTERIOR

A c r e . . . · · Amazonas • • • . . . • • • . • • • . • . . . • . . . Roraima • . . . • .• . . . • . • • . . . . • • • • . • • • • • P a r á . . . .

Ama p a . . . • . . . • • . • • . • . • • • . .

Maranhão • • . . • . . . . • • • . • . • • . • . . • . • • . • Piauí . . . . Ceará . . . . Rio Grande do Norte • • . • • . • . • • . • • • • . Paraíba . . . . Pernambuco • • . • • . • . . . • • . . . ••••.•

Alagoas • . • . . . • • . . . • . • . • • • • • • . • • Fernando de Noronha . • . • • . • • . • • • . . . Sergipe • • . • . . • . • . . . • . • . . . • • . Bahia . . . .

Minas Gerais . • . • . . • . . . • . • • • • • • • • • • . Espírito Santo • • . . • . • . • . • • . . • • • • • . • Rio de Janeiro . • . . . . • . • • . • • • • . • • • • .

Guan~ba ra . . . .

São PalJlo . . . (1 • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

Paraná . . . . . .. . Santa C a ta r i na . • . • • • • • • • • • • • • • . • . • . Rio Grande do Sul . . . ..

Mato Grosso . . . • • . • • . . • . . • . . • • . • • . . . Goiás . . • . • . . . • . . . . • . • . . . • . • . • • • . . Distrito Federal . . . .

To ta 1 • • . . • . . • • • . . . . • . . . . • . • • . . . •

FO~ITE: Censo Demográfico de 1970

r

I

REGIAO METROPOLITANA

PER I FERI

P.l

TOTJ\L

::;o

NOCLEO RIO DE

% % I JANEIKO

O,OJ

I %

o , o

l 0,03

o'

16 0,03

o '

1

o

0,87 o ' 1 5 0,53 0,02

o' o

1

o ' o

1 1 , 79 0,28 1 '

o

9

0,04

o , o

1 0,03

1 ' 4 5 0,25 0,89

0,58

o ,

1

o

0,36 3,43 1 'o 2 2, 3 1 2,69 1 ' 1 7 1 , 9 8

7,20 2,76 5, 1 3

6,

a

1

I

2,98 5,02

2 ,391

0,78 1 '6 5

0,02

o 'o

1 0,02

2, 1 8 0,79 1 , 53 6, 1 2 1 ' 7 8 4' 1

o

18,20 1

o '

3 7 14,55

7,49 5,93 6, 76

29,02 35,85 32,21

33,25 15,49

4,82 1 '4 2 3,24

0,741

0,26

o '

5 1

0,73 o , 1 8 0,47 1 ' 9 1 0,27 1 , 1 4

o' 76 I

o ,

1 7 0,49

0,25 0,05

o'

16

0,28

o ,

1 2 0,20

100,00 100, 0!) 100,00

(14)

T/\BELA 111-a

DISTRIBUIÇAO DOS MIGRANTES, POR LUGAR DE RESID~NCIA,

SEGUNDO O LUGAR DE DOMICTLIO ANTERIOR

REGI:z\0 METROPOLITANA DOHICTLIO

ANTERIOR Núcleo Periferia

Total

% %

RegiÕes

a·;

49

j í

79

Norte

...

6 - - ' ' .. 2,93 Nordeste

. . . . . . . . . . . ...

32,87

I

1 1 '6 4 22,99

Sudeste

. . . . . . . . . . . . . . ...

59.53

I

86,82 72,25

Sul

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ....

3,38

l

o ' 7 1 2' 1 2 Centro-Oeste

. . . . . . . . ...

1,29 0,34 0,85 FONTE: Censo Demográfico de 1970

Na distribuição dos migrantes na p~

riferia, o grupo de 11 anos e mais de residêncin detém cerca de 40% do total de migrantes, bem abaixo do verificado para o nu- cleo no mesmo grupo. No grupo de até 2 anos dn residência este percentual ~ de apenas 25%. Estes dados est~o nos mostrando a falta de condições do núcleo para absorver os migrantes devido , em grande parte , ao alto custo da moradia e terrenos. Desta for ma , eles se vêm obrigados a procur~ r ~ reas na periferia,

sempre distantes dos locais de trab~lho.

quase

2 . 2 - P a r t i c i p a ~-ã o do s !1 i g r a '!.!_e s no c r e s c i m c n to p o p u 1 a c i o na 1 no perfodo 1160/19 /0

~--~~--~~~~~

A importânci n dos migr~ntes na com

posiç~o da população da Região Metropolitan~ pode ser vista atra vês dos dados da Tabela V que nos mostra a população total e mi-

(15)

grante segundo o núcleo e periferia.

Assim, do total da população resi dente no núcleo da Região Metropolitana, cerca de 42,4% era cons tituído por nao naturais da Região. Já na periferia este percen tual se eleva para 49,9%, o que mostra a importância do estudo das migraç~es na Região Metrnpol itana do Rio de Janeiro.

Considerando-se, apenas, os mi- grantes nos últimos 10 anos (Tabela VI), nota-se a grande

tância dos migrantes na composição do crescimento total da lação.

impo~

pop~

Desta forma, para o núcleo da Re- gião Metropolitana, do total de crescimento ~erificado durante a década, cerca de 66% foi devido ao fator migratório, enquanto p~

ra a periferia este percentual se eleva para 74%. Do total da Região Metropolitana, a população natural contribuiu com 30%, en quanto que cerca de 70% foi devido ao fator ~igrat6rio.

Pelo resultado da an~lise

dados caracteriza- se a importância da análise do fenômeno tório para a Região Metropolitana, devido ao seu peso na ção total das Região.

destes

migr~

popula-

(16)

DISTRIBUIÇAO DOS NAO NATURAIS NO NOCLEO E PERIFERIA DA REGIAO METROPOLITANA DO RIO DE JANEIRO EM CADA TEMPO DE RESIDENCIA E POR TEMPO DE RESIDENCIA

TEMPO DE RESIDENCIA

(%)

ESPECIFICAÇÃO

O

1-

2 3

1-

5 6

1-

1 O 1 1 e ma i s Total

Distribuição dos nao naturais no núcleo e periferia do Rio de Janeiro em cada tempo de residência

Núcleo

...

•·

...

112, 3 9 43,091 47,63\ 66,56 56' 16 Per i feri a

...

57,61 56,91 ' 52,371 33,44 48,84

R.egião Metropolitana. 1

o o ' o o

1

o o , o o I

100,00 1

o o ' o o

100,00

Distribuição dos não naturais no núcleo e periferia da Região Metropolitana do do Rio de Janeiro por tempo de residência

Núcleo

...

14,1~1

I

9,20 13,30 63,09 100,00

Periferia

...

25,10 1 15,56 18,73 40,61 100,00 Região Metropo1 i tana •· 1 9 ' 1

o

1 1 '9 8 15,68 53,24 100,00

FONTE: Censo Demográfico de 1970

TABELA V

POPULAÇAO TOTAL, NAO NATURAL E PERCENTAGEM DA POPULAÇ~O NATURAL EM RELAÇAO A TOTAL NO NOCLEO E NA PERIFERIA DA REGIAO METROPOLITANA DO RIO DE JANEIRO

E S P E C I F I U\ Ç Ã O

População Total

r

o p u 1 a ç ã o ~J a t u r a 1 • • • • • • • • • • • Percentagem da porul~ção natu ral em relação 3 total no

riu

IREG!AO METROPOLITANA

l-

DO RIO DE JANEIRO Núcl eo

~~ 25 1 918 80() 822

Periferia 2 816 405

405 598

cleo e na pêriferia • . • . . . :-:

I '>2,41

49,9

FONTE: Censo Demografico de 1970; Tabulaç6es Avançadas.

(17)

NA REGIAO METROPOLITANA DO RIO DE JANEIRO, NO PERTODO 1960/70

REGI AO POPULAÇAO !

I POPULAÇ~O I I

~11 GRi'\NTES CRESCIMENTO CRESCIMENTO HETROPOL I T.!\Nr'\ RESIDENTE

. NOS OL TI MOS DEVI DO !\ FATOR. DEVIDO AO FI\TOR

DO ESTIMADA

I

RESIDENTE

I

1 O /\NOS

'lEGET/\T IVO MJGRATORJO

R I O DE JANEIRO 1960 (*) 1970 {%) (%)

!

i

TOTAL ..•...•... 4 947 747 1 7 o8o 661 1 499

355

29,70 70,30

I

NGc1eo ...••. 3 2h7 710

I

4 251 918 664 622

33,82

66,18

I

I

Periferia ...•••••.••.• 1 700

037 I

2 s2s 7l•3 834 733 ?I)

-. '

'Jfi ' . 74,00

l

FONTE: Censo Demográfico de 1970 e de 1960.

(*)Aplicou-se

à

população re'"enseada de 196.0 o fator ver i firetado ·p~ra. ~970 entre pop_l!

1ação restde"te e recenseada.

(18)

3 - DIFERENCIAIS DE RENDA ENTRE MIGRANTES, SEGUNDO O SEU TEMPO DE RESID!NCIA E NATIVOS, NA REGI~O METROPOLITANA DO RIO DE JA- NEIRO, SITUAÇAO NO MUNICTPIO NOCLEO E CONJUNTO DE MUNICTPIOS

PERIF~RICOS (*)

3.1 -Considerações Preliminares

A an~lise do diferencial de renda entre migrantes e nativos na Região Metropolitana do Rio de Janei ro leva a situar a questão da repartição da renda no contexto da sociedade brasileira. Muito se tem escrito nos ~ltimos anos so bre o problema da concentração de renda, que tem se verificado principalmente nos centros urbanos a partir dos anos sessenta. Os autores que t~m tratado deste tema levantaram alguns argume~

tos, muitas vezes conflitantes, com vistas~ interpretação deste

fen~meno. Destacam-se, entre outras, as an~l ises empreendidas por Langoni, Fishlow, Hoffman e Singer.

Apesar da discordância com relação às causas que têm gerado esta probler •• ~tica, aparece como elemento

b~sico nessas an~li'ses a aceitaç~o de que a concentração da renda é um fato que não pode ser refutado. Os dados relativos aosCensos de 1960 e 1970 têm sido utilizados para comprovar esta afirmação.

- ( 1)

Fishlmv em trabalho efetuado em 1972 ' ::alculou os coeficientes (*) Esta an~lise faz parte de um estudo mais amplo sobre diferen ciais entre nativos emigrantes nas Regi~es Metropolitanas do Sudeste, que está sendo elaborado por um grupo de técnicos do antigo setor de Populaç~o do DEGEO, da qual fazia parte a técnica Zuleika Lopes Cavalcanti de Oliveira e que atualmen- te integra a equipe do CBED.

( 1 ) · F O N T E : F r S H L O W , A 1 b e r t • A d i s t r i b u i ç ã o de ~ r ê n d ál f n o l ,-, B f a' s i 1

In: TOLIPAN, Ricardo & TINELLI, Arthur Carlos. A controvérsia sobre distribuição de renda e desenvol vimento •. Rio ·de Janeiro, .Zahar ed., 1975. 159-89.

(19)

de Gini para os dois períodos em questão, encontrando, para-1960, um valor de 0.59 que aumentou na década seguinte para 0.63.

A apresenta~~o da discussão relati va a este tema foge, no entanto, ao escopo deste trabalho. O que importa destacar é a estrutura da distribuiç~o de renda exis

tente ao nível da sociedade brasileira em 1970. Tomando, i n i c i almente, como referênci~,a análise efetuada por Fishlow para 1970 evidencia-se uma maior concentração para o contexto urbano (0.58) em relaç~o ao rural que apresentou um coeficiente de Gini na ordem de 0.53. Por outro lado, 11a faixa de renda mais elevada que representa 3,2% da força do trabalho controla 33,1% da ren da em 1970 contra cerca de 27% em 196011( 2). O perfi 1 da distri- b u i ç ã o d a r e n da p o d e s e r v i s u a 1 i z a d o a p a r t i r da Ta b e 1 a V' I I , no

qual se con5tata uma maior .· participação da população e

conomicamente ativa naquelas faixas que apresentam menores

n•- ..

veis de rendimentos. Em contrapartida, o inverso se verifica quando o referente s~o as cl asses de renda mais altas.

O mesmo perfil de distribuição da renda é encontrado no contexto da Região Metropolitana do Rio de Janeiro que apresenta coeficiente de ordem de 0.56 e renda média de Cr$ 481,00 o que parece estar indicando uma maior part1ci~a­

ção nesta Região, ao lado rla de São Paulo, de indivíduos que se situam nas faixas mais altas de renda. Outro indicador signifi- cativo diz respeito

à

percentagem da população economicamente a

tiva que aufe re rendimentos inferiores ao salário mínimo e que

Ver ( 1)

(20)

- 3 7° R • - u 1 • ( 3 )

e de :;g para esta eg1ao nctropo 1tana . Por outro lado, mere ce atenção o fato d~ expressiva concentração de indivíduos com baixos níveis de renda. Segundo hipótese levantada por Vetter(4

)

"isto significa que a população de renda mais baixa tem crescido mais rapidamente do que a população como um todo11

As correntes mi grntórias para o Grande Rio que, juntamente com as Regiões Metropolitanas de São P a u 1 o e d e B e 1 o. H o r i z o n te , s ã o c e n t r o s d i n â m i c o s do s i s t em a u r b a no nacionül,têm sido responsáveis pelo rápido crescimento alcan çado na Região Metropolitana. Segundo dados referentes ao Censo de 1970, a participação da população migrante na populaçãp total do Grande Rio é de 45,3%, o que vem comprovar a significativa im portância desta população neste contexto metropolitano.

As disparidades regi onais têm atua do no sentido de incrementar os movimentos migratórios para os centros metropolitanos. Os diferenciais de renda interregionais, que refletem taxas de crescimento econômico distintas, são consi derados como fatores explicat ivos dos deslocamentos internos de população bem como outros fa tores, tais como melhores oportun.!_

dades de acesso à instrução, emprego e serviços de infra-estrutu- ra social, entre outros.

(3) CASTRO, G. Mary et ali i. Mudanças na composição do emprego e na distribuição d~ renda: efeitos sobre as migrações in ternas. Rio de Janeiro, Ministério do Interior (SERFHAU e BNH) e O.I.T.,. 1975, xerox.

(4) VETTER, M. David. Towards a development strategy for Grande Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, PUC/COPPE/UFRJ, 1975 , (mimeogr.)

(21)

3.2 - O diferencial de renda

Com vistas ao exame da de renda da população economicamente ativa migrante,

composição residente no contexto da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, foi efetua da a análise do diferencial de renda entre este grupo e a popul~

ção economicamente ativa nativa. Pretendeu-se investigar se o status migratório pode ser considerado como condicionante da si tuação apresentada por estes grupos em termos de distribuição de renda.

Quant0 aos critérios metodológicos que foram utilizados no presente trabalho, destaca-se a categorl

zação da população migrante de acordo com as subcategorias refe rentes ao tempo de residência na área de destino, que foram assim consideradas: 0- 5 anos, 6-10 anos e 11 anos e mais de residência.

A impossibilidade de se contar com dados relativos aos migrantes de 0-2 anos de residência não permitiu a inclusão desta subcate goria. Por outro lado, foi aceita, também, a interveniência de outras variáveis como: sexo e distribuição etária. Com relação~

renda,foram selecionadas as seauintes classes de rendimentos: de Cr$ 1,00 a Cr$ 100,00, de Cr$ 101,00 a Cr$ 200,00, de Cr$ 201,00 a 500,00, de Cr$ 501,00 a Cr$ 1 000,00, de Cr$ 1 001,00 e mais, sem rendimentos e sem declaração de rendimentos. A distribuição etária, por sua vez, foi definida em função de alguns grandes subgrupos (10- 19 anos, 20-29 anos, 38-39 anos e 40 anos e mais)(*)

3.2. 1 -Apresentação dos resultados

3.2.1.1 -A nível da Região Metropolitana

Quando se compara a situação da P2 pulação economicamente ativa migrante e nativa na Região Metrop2

*

Para a análise em questão foram utilizadas as tabulações espe- ciais elaboradas pelo MINTER/IBGE.

(22)

litana do Rio de Janeiro constata-se que a distância entre estes grupos não é marcante, sendo encontrado coeficiente de desigual dade de 7.41. Deve ser destacado, contudo, que as condições so cio-econômicas da área receptora desempenham um papel relevante na análise do comportamento do diferencial de renda que guarda, desta forma, estreita relação com aquele fator.

Com a introdução da variável tempo de residência na area de destino,as diferenças se tornam mais si~

nificativas. Verifica-se uma elevação no coeficiente relativo aos migrantes com menor perTodo de residência e a sua redução nos subgrupos seguintes. A subcategoria dos migrantes com ati 5 anos de residência i que apresenta coeficiente de desi~ualdade

mais elevado (18.20).

Quanto à composição de renda da população economicamente ativa migrante, pode ser observado que os migrantes com menor tempo de residência estão concentrados na faixa de renda de Cr$ 101,00 a Cr$ 200,00 o que se reflete no maior diferencial apresentado por este grupo. Por outro lado, o corre uma variação interna na distribuição de renda da população economicamente ativa migrante situada nas subcategorias subseqUe~

tes (6 a 10 anos e 11 anos e m~is) que se desloca das faixas mais baixas aumentrojo sua participação, embor~ de forma reduzida, nas demais classes de renda. Entretanto, ist0 se dá com mais inten sidade no grupo de migrantes antigos, aquele de mais de 10 anos de residência, no qual evidencia-se uma maior incidência na faixa de Cr$ 2Ql,QQ a Cr$ 50Q,00.

A distribuição de renda dos nati- vos, por sua vez, não e muito diferenciada. Encontra-se um afuni lamento semelhante ao verificado para a população economicamente!

tiva migrante, ou seja, maior concentração nas faixas mais baixas

(23)

em detrimento das classes superiores de renda. Em sua ma i o r i a os nativos se situam na c1asse de Cr$ 201,00 a Cr$ 500,00.

~ inclusão do fator idade na anâli se da repartição da renda dos sub~rupos migrat6rios e dos nati vos atua no sentido de destacar a cxist~ncia de um acr~scimo no nTvel de rendimento destas duas populações

t de

em função do aumento das faixas etárias. se espe r: a r · , .~ a ocorrência deste fato, uma vez que a idade e uma medida de exp~

riência que 11 incrJrpora tamb~m, segundo Fishlow, o efeito da ri queza devido ao ciclo vital consumo-poupança11 ( 5 ). O grupo etário

de 40 anos e mais~ o responsável pelas diferenças de renda mais a c e n t u a d a s e n t r e a p o p u 1 a ç ã o e c o n o.m i c a me n te a t i v a m i g r a n t e e a nativa. t nesta faixa que os migrantes, principalmente os com residência at~ 5 anos,se encontram mais distanciados dos nativos, apresentando um coeficiente de desigualdade na ordem de 22.57. De ve ser ressaltad3, ainda, a manutenção da mesma tendência, obser vada anteriormente , de diminuição das diferenças em razão de um maior perTodo de permanência, o que ocorreu para todas as

etárias consideradas.

faixas

Desta forma, embora se constate a interveniência da idade na distribuiçaõ de renda da população eco nomicamente ativa, migrant2 e nativa, pois o aumento de renda es tá relaci onado ao aumento da idade, não se pode considerar que esta variáve l ofereça um poder explicativo crucial para a inter pretação das diferenciações existentes entre aquelas populações.

A não homogeneidade dos subgrupos de migrantes continua a se ma nifestar, apesar da introdução deste fator.

(5) Ver (1}

(24)

Em linhas gerais, cabe mencionar que quanto ao sexo, na população economicamente ativa, migrante e natl va, não se verificam alterações substanciais no quadro traçado até om momento, quando se tem em mente a popuiação masculina. A coor te dos migrantes masculinos, com até 5 anos de permanência, conti- nua apresentando uma situação desfavor~vel em relação aos migran- tes antigos, estes mais próximos dos nativos. Por outro lado, este subgrupo de migrantes possui diferenciais positivos nas faixas de renda de Cr$ 101,00 a Cr$ 500,00, sendo, entretanto, sua particip~

ção mais intensâ na classe de Cr$ 101,00 d Cr$ 200,00.

No entanto, é com relação à popula- çao economicamente ativa feminina que se pode constatar as maiores diferenças. As mulheres, quer sejam migrantes ou não, auferem re~

dimentos inferiores à população economicamente ativa masculina.Tem -se que a distribuição da força-de-trabalho femininà

é

muito mais seletiva, uma vez que se observa a predominância desta população em determinados tipos de atividades que são consideradas comomais compatfveis com o trabalho feminino. De um modo geral estas ati- vidades se caracterizam pela sua baixa qualificação e nfveis redu zidos de remuneração. Mas é sem dúvid~ a mulher migrante a

possui uma situação ainda mais desfavorável. Daf ela possuir

que di ferenciais expressivos em relação à nativa. Desta forma, mais do que o stat~s migratório, parece ser o sexo um condicionante da si tuação apresentada pela população residente na Região Metropolita- na do Rio de Janeiro.

3.2. 1.2- A nfvcl intrametropolitano

A desagregação da Região Metropolit~

na do Rio de Janeiro segundo os seus componentes básicos, mun1c1-

.

...

(25)

pio nGcleo e municípios perif~ricos, pe rmite inferir que o dife- rencial de renda entre os do is gru~os analisados ~ofré o condicio namento da unidade espacial conside rada, ou seja, quando o con- texto de análise

á

o núcleo,obse rva-se um maior distanciamento en tre a população migrante e a nativa , não acontecendo o mesmo, en- tretanto, para a periferia na qual as diferenças de renda são a tenuadas. O núcl eo do Rio de Janeiro 2presenta um coeficiente de desigualdade de 13,31 enquanto que rara os seus municípios perif~

ricos ele é de apenas 0.71.

Cabe menci onar que a Regi~o Metrop~

litana do Rio de Janeiro nao é u1na uni dade espacial homog~nea.Ela

tem contradições inte rnas e desequilíbrios que se manifestam num maior desenvolvimento do núcleo em detrimento da periferia. Veri fica-se, em con sequ~ncia, uma re lação de depend~ncia entre os ele mentos formadores da Região Metropolitana semelhante à encontrada entre as áreas com desníveis sócio-econômicos relevantes. Este fato atua no sentido de influenciar o dife rencial de renda entre migrantes e a população nativa, já que está associada a um maior nível de desenvolvimento uma diferenciação mais acentuada

estes dois grupos.

O agregado dos municípios

entre

periférl cos, por sua vez, nao deve ser tomado como um todo integrado,pois verificam-se dife renças significativas entre os municípios que o compoe . Entret anto, na medida em que não se dispõe de dados a es

te nível de det alhamento, não será possíve l analisar aquele dife rencial em função das especificidades existentes em cada uma des- tas áreas.

Com rel ação ao núcleo da Região Me tropel itana pode ser observada a

diferencial em raz~o do aumento

mesma tendência de diminuição do do tempo de residência. Rcssal- ta-se a existênci a de uma distância expressiva entre os migran- tes recentes (0-5 anos) e os de 1 1 anos e mais de resi-

(26)

dência. Para os primeiros,o coeficiente de desigualdade atinge um valor de 30,81, enquanto que os migrantes antigos

uma situaç~o mais favorável que e expressa num menor entre este grupo e os nativos, na ordem de 5. 90.

apresentam diferencial

A composição de renda, por sua vez, é similar

à

verificada para a Região Metropolitana como um todo, uma vez que tanto os migrantes como os nativos participam de modo reduzido das classes de rendimentos superiores.

Com o controle da distribuição etã ria pode-se perceber que as maiores diferenças dizem respeito ~

faixa de 4~ anos e mais,na qual os coeficientes de desigualdade encontrados são mais altos do que os obtidos sem a utilização da quela variável.

-

sidência continua se considere.

Por outro lado, a interveniência do tempo de re

""""'

a se manter independente da faixa etária que

Apesar dos nativos apresentarem certa superioridade quando comparados aos migrantes, mesmo com a que}es com maior perfodo de residência no n~cleo da Região Metro politana, evi dencia-se que esta superioridade é atenuada no caso dos migrantes do sexo masculino, que apresentam um coeficiente de 8,65. Já quando se trata das mulheres a vantagem é nitidamente pa ....,.

ra as nativas, sendo a distânci a entre as migrantes recentes e antigas mais acentuada do que a verificada para os migrantes mas culinos.

Com relação a periferia, além de uma menor diferenciação entre os dois grupos, como já foi meneio nado, é interessante destacar a supremaci~ dos migrantes antigos em relação aos nativos. Este orupo participa mais expressivamen- te das faixas de rendimentos mais altos sendo, por outro lado mais reduzida a sua presença nas faixas mais baixas. Além do mais cumpre ressaltar que os dados indicam que a população migra~

(27)

te a1

..

residente esti numa situaç~o mais favorivel do que se localiza no núcleo, pois os diferenciais entre ela e os

a que nati- vos s~o menores do que os encontrados naquela irea. Isto ocorre para todas as coortes de migrantcs analisadas, cabendo fazer re ferência aos migrantes recentes que se situam, proporcionalmente, em maior número do que os nativos na classe de rendimentos de Cr$ 1 001,0'.) e mais. Mesmo levando em consideraç~o as faixas et~

rias, tem-se um quadro semelhante na medida em que as diferenças

n~o s~o expressivas e que os rnigrantes antigos continuam ü apr.!:.

sentar uma vantagem relativa com diferenciais positivos nas fai xas superiores de renda.

P a r ' o ::; ltt i IJ r iJ ;1 t e s d o s 8 Y. o ma s c u 1 i n o a situação ~;e modifica significativamente. Os migrantes an tigos mostram u,n melhor posicionamento enquanto que os nativos são mais numerosos em proporção, nas classes de renda baixa Res salte-se que mesmo para a subcategoria rios migrantes recentes.

lst0 tamb~m se verifica, apesar de serem menores as diferenças. Cabe destacar, ainda, que e no grupo etirio de 20 a 29 anos que se processa uma maior dist~ncia entre mi~rantes e na tivos. No caso da população feminina a vantagem das migrantes antigas é também observada, sendo, por~m, a faixa etária de 40 a nos e mais a respon~ivel por uma maior dife~enciação.

Em sfntese, pode-se mencionar ~ que o status miaratório por si so não explica o diferencial de renda na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, uma vez que a composi ção de renda dos grupos analisados não é muito diferenciada. Por outro lado, a localização dos migrantes no contexto metropolitano atua no sentido de influenciar o referido diferencial que~ mais expressivo no núcleo do que nos municfpios periféricos. Desta for ma, ao se analisar o comportamento do gruoo migrante, em

de renda, é preciso ter presente, entre outros fatores, as

ç~es s6cio-econ5micas da irea na qual ele se situa.

termos condi

(28)

3.3- Considerações Finais

A partir da análise dos dados rela- tivos à distribuição de renda da população economicamente ativa migrante e nativa na Regi~o Metropolitana do Rio de Janeiro tor na- se necessári o fazer a seguinte colocação:

Em orimeiro lugar, seria de interes se levantar alguns pontos que dizem respeito à variável 11tempo de resi dência11 Não resta dúvida que a leitura das tabelas leva a se concluir que este fator é de interesse o levantamento de al- guns pontos que dizem respeito à variável"tempo de

Não resta dúvida que a observação das Tabelas VI I I,

resiéência. 11 IX e X 1 eva a se co n c 1 ui r que este fator está intimamente associado ao com- portamento do diferencial de renda. Em função de um maior ou me nor período de residência nas areas de destino em questão foi uma constante a diferenciação interna das categorias migrat6rias.

Entretanto? o que parece ser discutível? é a tentativa de análise des te fen5meno em termos de que a expl icação para este fato seria uma ma ior expos ição ao contexto metropolitano.

1\ utilização desta variável

~~da inf luênci a exercida rcla urbanização merece ser com maior deta lhe . O t empo de resi rlênc ia vem sendo tomado

como vista

como uma medida que (;xp ressaria um 11continuumil no qual os polos extre mos seriam car~ctn rizados pe los migrantes recentes e antigos. Os primeiros 1 menos capacitados a um me lhor desempenho em seu desti no, em raz

-

~o de volores e pautas de comportamento tradicionais e os Últimos, j~ m2is pr6xi mos da nooulacão ; J residente, uma vez que sua maior oermanência possibilitou~ incorporação de valores e e padrÕes ur~anos . Observa-se que está imp lícito nesta formulação a

ace itaç~o da ~ icotomia rura l-urbana e a noção que tem identifica- do os migrantes como provenientes, em SUQ maioria, de areas ru- rais , apresent3ndo, em decorrência , valores tradi cionais que atu am no senti do de dificultar a sua inserç~o no contexto urbano

Al~m disto, tamb~m está presente o pressuposto de que a categoria migrante ~um todo homogineo que re~ge de maneira uniforme as

(29)

condiç~es impostas pela area de destino. A ~nica diferenciaç~o

seria dada pela posição em que o migrante se encontra no 11conti nuum11 determinado"'pelo tempo de residência. Os nativos,

vez, também seriam vistos em termos de uma categoria não

ci a da.

por sua diferen

N~o se pode, contudo, deixar de aceitar que a composição dos fluxos para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro é essencialmente urbano-urbano, conforme atestam as informaç~es contidas no Censo de 1970. Verificou-se que dos 3 206 420 migrantes residentes no Grande Rio,2 454 063 têm proc~

dência urbana. Isto nos faz supor, se aceitamos a dicotomia, que os migrantes que se dirigem ~ara esta metr6pole j~ passaram por um processo de reassocialização, assimilando padr~es que os capa citariam a um melhor desempenho em seu destino.

No entanto~ é importante frisar que as premissas que se relacionam à dicotomia rural-urbana têm sido

refutadas tanto a nTvel te6rico como empTrico. No plano te6rico destaca-se, entre outros, Caste11s(6) que tem se preocupado com esta

tem~tica. A nTvel empTrico os trabalh~s de Gilberto Velho(Utopia Urbana) e Anthony Leeds(7J, por exemplo têm comprovado que mui tos dos aspectos que têm .~o apontados como caracterfsticas do meio rural foram observados na cidade do Rlo de Janeiro.

Em vista disto não parece ser váli

( 6 ) C A S T E L L S , M a n u e 1 • P r?_ b 1 e_ ma s de i n v e s t i g a c: i ó n e 11 Soe io 1 og i a

urbana. México, Slglo XXI, 1971.

(7) LEEDS, A. & LEEDS, E. Brasil and the MYTH of urban rurality:

urban experience work and valores in squatments of Rio de and Lima. Austin, Texas. (mimeogr.)

VELHO, Gilberto.

19 7 3.

A Utoola urbana. Rio de Janeiro, Zahar Ed.~

(30)

do conceder à variável "tempo de residência", que traz embutida esta visão dicotômica ~ um poder explicativo decisivo para a com

precns~o do dife rencial de renda entre as populaç~es migrante e nativa . A expl !cação dada somente em termos de uma maior ou me- nor rcsi d~n~ i ~ nd ~rea de destino parece constituir-se numa

çao de umd problemática bem mais abrangente.

redu

Acredita-se que outros fatores de veriam ser levados em consideração a fim de que se possa efetuar uma análise mais aprofundada. A associação dos períodos de che gada dos migrantes com o desempenho da economia nacional e, em particular1 com o da Região Metropolitana destaca-se como um f a tor relevante, pois as oscilações que se verifiçam no

de crescimento econômico deverão influi r no comportamento sentado tanto pelo grupo migrante como pelo nativo.

processo apre-

(31)

RENDA

MEti SAL EM '1970

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J92 1,58

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(a) convcrs~o com base na taxa ~e pari dade ~e 1350 , multi alicada pelo defl ator de oreços Jo P18 im9 lfcita: Cr$ 4,55

FONTE: FISHLOW, Albert . A di stri bu i ç~o de renda no Brasil. In : TOLIPAN, Ricardo

T i >lf L L I , ;\. r t h u r C a r 1 o s . !~ c o n t r o v é r s ~s o b r e d i s t r i b u i ç

ã

o de r e n da e d e s e n v o 1 '1'H :1to. Rio de Janeiro, Zahar Ed . , 197S . 1 59~R1 .

w

Cl

(32)

DIFERENCtAL DE RENDA ENTRE MIGRANTES, POR TEMPO DE RESIDtNCIA E NATIVOS - REGIAO METROPOLITANA DO RIO DE JANE IRO - 1970

DIFERENC IAL

(*)

FAIXA DE RENDA Migrantes por tempo de residência

11 G RA N TE S

Cr$ f - -·

0-5

anos 6-10 anos 1 1 anos e mais

1

-

1

o o ...

6,

o

1 1,84 - 1 ,

o

8 1 ~ 4 3 1

o

1

..

200

. ...

1 2 , 1 9 9,08 1 , 8 8 5 ~98

2

o

1

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500

...

-5, 1 3 -0,40 1 , 3 7 ~ o

, ao

501

-

1000

... -6,53

-4

,

!1 1 -0,02 -2,59

1

o o

1 e mais

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-4, 81

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FONTE: IBGE - Censo Demogr~fico 1970 - Tabulaç~es especiais para o Minis tério do Interior.

(*) Ver apêndice metodológico

(33)

E NATIVOS - NOCLEO DA REG!~O ~ETROPOLITANA D0 RIO DE J~NEIR0-197~

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DIFERENCi i~L (*)

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FONTE: IBGE - Censo Demogr~fico 1971 - t~bu13ç~es especiais P!

ra o ~lt inistêrio do Interior

NOTA: N~cleo- Atual m~nicfpio do Rio de Janeiro, Estado da Gua nabara em 1970.

(*) Ver apêndice metodológico

Referências

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